Strawberry Swing
7 Capítulo 6
Capítulo 6 – Palavras Pintadas na Parede
Mesmo que em janeiro haja uma camada de neve que chegava nos joelhos em determinados pontos da cidade, mesmo que o sol sumisse por meses, mesmo que sob o rio se forme uma grossa camada de gelo que chegasse a fazer possível até mesmo patinar, nós tínhamos aula na Alemanha.
Suspender as aulas era só quando se tornava impossível abrir a porta. O que não acontecia numa freqüência tão agradável para nós alunos, devo dizer.
E era justamente depois da aula num desses dias injustamente brancos que eu resolvi subir o morro da Grande Strasse para resolver um assunto inacabado. Em minhas mãos, o livro preto.
---
Foi a própria mulher do prefeito quem atendeu a porta, completamente surpresa por ser eu quem estava ali, de baixo de três casacos parisienses, luvas grossas, polainas por cima da meia-calça escura e saltos médios – porque não se usa salto alto em escolas, muito menos nas de Molching.
-Oh... Liesel Meminger... – Ela falou baixinho.
Ilsa Hermann não havia mudado muito. É claro que seu cabelo estava com um tanto a mais de fios brancos, mas seu robe ainda era o mesmo, assim como o coque. Também não havia mais a suástica no peito, o que me deixava bem aliviada, levando em consideração que eu tinha uma certa aversão por nazistas que vinha do meu DNA.
Não que eu pudesse sair falando isso por aí mesmo com a guerra terminada. Porque, sabem... Ser comunista ainda era proibido e a gente se ocupava em manter a boca bem fechada em qualquer lugar.
-Sim, eu mesma. – Respondi. – Vim cumprir uma promessa.
Devo dizer que Ilsa ficou mais surpresa ainda ao ver o livro que eu lhe estendia. Ela o pegou, mas eu não soltei de imediato.
-Não pense que é exclusiva, porque não é. – Comentei. – Mesmo sendo quem me deu o livro, bom... A primeira pessoa a lê-lo foi eu mesma. E ele ficou esse tempo todo, desde que eu saí da cidade, com o Rudy, meu amigo. E papai, ele também leu e leu pra mamãe. Agora é a sua vez, Sra. Hermann.
Algo muito parecido com um sorriso se aventurou em seus lábios.
-Eu quase tinha esquecido o quanto você é afiada, pequena.
Tomei o comentário como elogio e não soltei o livro.
-Obrigada, eu acho. Só mais uma coisa: quero de volta, ok? Não é como se dessa vez a senhora estivesse levando de presente algo meu, como eu levava algo seu quando era “pequena”. Então, por favor, quando terminar... Me avise, eu busco. Ou o que a senhora preferir.
Dessa vez ela sorriu de verdade e eu soltei o livro.
-Certo, Liesel. Providenciarei. Obrigada.
---
Quando entrei em casa pela porta da frente, a coisa que me deixou mais chocada foi o cheiro de carne. Quero dizer, nem mesmo depois de trabalharmos para uma família rica e termos um dinheirinho guardado e boas roupas, deixamos de economizar. Nós também não estávamos comendo sopa de ervilhas todo dia, mas o dia da carne era na sexta-feira e hoje era segunda.
De qualquer forma, nada era mais surpreendente do que a visita na cozinha — que eu só fui porque precisava perguntar qual era o milagre.
Eu obviamente perdi a voz, porque aquilo com certeza era um milagre, e deixei cair minha bolsa da escola.
-Jesus, Maria, José. – Sussurrei.
Ele sorriu, levantando-se. Mamãe e papai estavam calados desde que eu entrara na cozinha. Eu não conseguia mexer um músculo.
-Que mulher linda você está se tornando. – Ele falou, me fazendo sair do transe.
Solucei. Havia algo preso em meu peito e nesse momento eu soube que eram as lágrimas. Meus músculos se soltaram e eu encerrei a distancia de poucos passos que nos afastavam, abraçando-o.
Ele era muito mais tudo do que a lembrança da minha cabeça.
-Max!
-É bom te ver, criança.
---
-Eles destruíram nossa nuvem de corda. – Falei depois do jantar, quando estávamos ele e eu no porão. – Apagaram nossas palavras.
Max suspirou e passou a mão nos cabelos de plumas.
-Não importa. – Disse carregado de sinceridade.
Franzi a testa. Os desenhos na parede eram algumas coisas que eu mais sentia falta da casa original.
-Por quê? – Perguntei, meio na defensiva.
Ele me olhou calmo e sorriu.
-Porque não podem apagar nossas lembranças.
N/A: Max apareceu, não esqueci dele o/
E, claro, Ilsa Hermann ;D
Vou citar nomes dessa vez ^^ Obrigada angelgirl2008, mari_bineza, Aline Cris, Breathly, Carol_macoli, Annaa, Vinihyuuga, palomatisuk, Any Lautner, greicy kelly, Rafa_volturi, Ana Black713 e Marezinha. Obrigada do fundo do heart e continuem comentando ^^ rs
E obrigada pelas indicações *_____*
Seria SUPER VÁLIDO se mais gente indicasse ;D –q
Já falei de mais. Se bobear, eu escrevo depois do feriado o/
Amo todos vocês *-*
B
N/B: Oin, ti lindo, o Max! *-*
Crianças, queria poder comentar mais, mas a cólica não me deixa ._.
Comentem, ok? A By merece u_u
Beijos pra vocês!
Jullie
Fale com o autor