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Capítulo 8 – Ar Pra Respirar

Hey my summerboy, I’m taking of my heels
Let’s go for a run, have a little summer fun
Lady GaGa

Olhei-me no espelho do guarda-roupas, alisando minha echarpe antes de ver que horas eram. Vinte minutos mais cedo do que eu costumava estar pronta há quinze dias atrás.

Eu sei que já estava começando a ficar estranho, mas eu preferia assim.

-Não vai esperar o Rudy? – Papai perguntou quando eu peguei minha bolsa após passar o café.

-Não. – Respondi.

Papai soltou um muxoxo.

-O que aconteceu com vocês dois?

Preferi não responder. Eu não responderia nunca.

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Eu o vi. Enquanto eu fechava o portão, ele estava na janela dos Steiner. Não acenou, não sorriu. Apenas acendeu um cigarro e virou-se para dentro.

Quis entender aquilo por ele finalmente ter cansado de mim. Quis ficar aliviada.

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Mas eu não fiquei. Deus sabia o quanto eu estava inquieta por dentro, só que eu não deixava ninguém saber.

Respirei fundo e fechei os olhos sentindo os raios solares no meu rosto. Eu havia mudado de lugar na sala também e agora sentava ao lado da janela. A aula começaria em breve.

-Oi. – Ouvi falarem comigo. Abri os devagar e pisquei algumas vezes para focar a sala novamente. – Você é a Liesel.

Não era uma pergunta e me fez olhar para quem falava. Uma garota de cabelos escuros e olhos azuis gelo estava sentada ao meu lado. Sua echarpe azul marinho era umas mil vezes mais elaborada que a minha e o cabelo estava preso numa trança embutida super charmosa.

-Sou Uli Hermann, vim morar com meus tios até o fim das aulas.

-O prefeito?

-É. – Ela sorriu. – Eles me falaram de você, pra eu ficar com você, porque você é uma boa garota.

Sorri e estendi a mão.

-É, eu sou Liesel.

Para minha surpresa, Uli não apertou minha mão, mas estendeu meu livrinho preto e eu o peguei no exato momento que Rudy e Tomy entraram na sala.

Nós nos encaramos por tempo suficiente para Uli perceber e virar a cabeça para olhá-lo também.

-Ele é o Rudy? – Disse. Balancei a cabeça que sim. – Ele é bonito, bem que você disse.

Eu estava para balançar a cabeça de novo quando me dei conta do que ela dissera.

-Quê?

-Li seu livro, tem problema? Achei que vocês sentassem próximo um do outro.

Dei mais uma olhada para Rudy. Pra variar, ele estava olhando. Desviei, dando de ombros.

-A gente meio que se desentendeu.

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Uli se provou uma companhia agradavelmente irritante. Quer dizer, ela era agradável e inteligente, mas sabia ser irritante.

-Oi Tomy. – Tipo agora, na hora do intervalo. A propósito, isso é ela cumprimentando. Eu já vira Tomy hoje. – Oi Rudy.

-Tudo bom? – Tomy respondeu.

-Tudo ótimo!...

Segurei-a pelo braço para fazê-la andar mais rápido e ela se desvencilhou assim que alcançou meu passo.

-Sabe o que eu acho absurdo? – Uli perguntou. Encarei como retórica para ela continuar falando. – Pessoas que se amam pararem de se falar desse jeito. – Me arrependi.

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-Lis, é sério.

Um mês com essa ladainha da Uli. Um mês. Eu era premiada, viu? Porque tinha papai, Tomy Muller, Uli e agora mais uma tinha entrado no time: Bettina – dez anos, esperta e abusada. Quase eu quando tinha a idade dela.

-Vocês deviam muito voltar a conversar. – Ela prosseguiu. Revirei os olhos.

-Meu irmão fez alguma ciosa com você, sei lá?

Nem olhei pras duas. Nós já estávamos perto do Amper e as maçãs começavam a crescer. Eu podia senti-las e me dava água na boca.

-Lis! Você ta ouvindo a gente?

-Poupem saliva. – Respondi.

-Afinal, — Uli falou, me ignorando. – O que realmente aconteceu com vocês?

Parei imediatamente. Elas só perceberam uns três passos pra frente e se viraram pra mim. Para minha sorte, tinha uma lixeira na calçada. Me inclinei pra ela e vomitei tudo que tinha no estômago.

-Argh, Liesel... – Ambas murmuraram.

Ao endireitar o corpo, vi que Rudy e Tomy estavam logo atrás de nós.

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Eu trabalhava com o prefeito agora e ele vivia falando em se aposentar. Era seu ultimo mandato e eles planejavam se mudar de Molching.

Ele estava repetindo esse discurso enquanto eu comia uma maçã freneticamente, a terceira desde que ele começara a falar.

-...então estou vendo uma casa em Stutgart... Menina, você devia comer isso com calma, vai passar mal.

Comecei a mastigar mais devagar, me lembrando de já ter ouvido isso antes e sorri involuntariamente. Engoli.

-Com certeza, Herr Hermann.

Eu não as tinha roubado dessa vez – as maçãs, eu digo. Fui até o dono das macieiras e pedi que me desse algumas maçãs. Por alguns momentos, achei que ele tivesse me reconhecido, mas não. Ele me disse que podia entrar e levar tudo que eu pudesse carregar.

O cheiro das maçãs me fazia bem.

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Eu gostava da neve, me trazia muitas lembranças. Mas também apreciava o sol, gostava dos raios de fim de tarde tocando meu rosto.

Estava virando rotina. Depois do trabalho eu parava na ponte do Amper, tirava os sapatos, sentava na beira, balançando os pés e acendia um cigarro. Há quase um mês que eu fazia isso, para parar e pensar por alguns instantes.

Nunca contava com ter companhia.

O fato é que hoje, em especial, eu tinha.

-Pensando na vida? – Uli falou assim que sentou ao meu lado e pediu o cigarro. Estava com o cabelo solto, com uma fita em laço tão azul quanto seus olhos. – Ou... em uma vida?

-A minha...? – Perguntei afirmando e ela riu, devolvendo o cigarro.

-Até parece.

Na verdade eu estava pensando em muitas vidas além da minha. Pensava em mamãe e papai, Trudy, Max e, bem... O ponto de Uli – Rudy. Mas eu não ia admitir pra ela.

E ela também não insistiu muito. Falou pouco e suficiente.

-Vocês deviam parar, não faz bem pra nenhum dos dois, sabia? É bobeira, vocês se amam e ficam aí se evitando. O que pode ser tão grave pra... LIS!

A interrompi, mas não foi de propósito. O mal estar de novo, me fazendo vomitar nas águas do Amper.

-Acho que tenho um problema com maçãs.

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-Agora? – Perguntei. – Um mês depois de chegar você resolve que quer conhecer o bairro que eu moro.

Uli deu de ombros, sem parar de andar. Franzi a testa, aí tinha.

-Me mostre tudo. A pista de corrida, sua casa, a loja dos Steiner. Tudo. – Sorriu.

-Duvido que Tomy já não tenha te mostrado. – Falei e ela nem se abalou.

-Quem disse que eu tenho algo a ver com o Tomy?

E ela não tinha, eu sei. Porque o irmão de Rudy, Kurt, estava fazendo entregas de mais na casa dos Hermann e eu sabia bem para quem eram. Mas Tomy e Uli estavam de muito fuxico nos últimos dias.

-Sei lá, um passarinho verde.

Ela revirou os olhos. Nós estávamos quase chegando e o primeiro lugar no caminho era a pista de corrida, resolvi seguir a ordem e quase fiquei surpresa ao ver que já tinha gente lá.

Quase. Porque eu com certeza podia imaginar algo assim.

Tomy Muller veio em nossa direção, as caretas nunca o abandonavam, mas dava pra saber que tinha um sorriso de quem apronta ali. Fala sério, Tomy. Dezoito anos nas costas e fazendo arte.

A repreensão quase saiu da minha boca quando ele se aproximou, mas Uli me empurrou de leve.

Olhei-os sem entender.

-Consertem isso, Lis. – Tomy falou.

E sem saber como proceder, eu o fiz.

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Parei a alguns passos de Rudy e deixei minha bolsa no chão. Ele estava na linha da largada, aéreo. Aquilo me remeteu a um dia que era pra ter quatro medalhas de ouro e teve apenas três. Ele nunca me explicou o porquê...

Mas mais que isso, me lembrou de outro dia.

-Que tal uma corrida, Jesse Owens? – Me flagrei falando.

Rudy despertou e olhou para mim. Quase sorriu. Acho que estava desconfiado comigo. Comecei a tirar os sapatos, meias e o chapéu. Também tirei o casaco.

-O que me diz?

-Se eu ganhar, — Ele finalmente disse, algo começou a brilhar em seus olhos. – você me dá um beijo.

Eu queria rir, mas não.

-E se eu ganhar, deixo de ser goleira no futebol.

-Feito. – Rudy respondeu, pegando uma pedra do chão. Ele também tirou os sapatos. – Pronta?

-Já nasci pronta, saukerl.

Ele sorriu. Meu mundo se iluminou imediatamente e eu sorri de volta. Olhamos para frente ao mesmo tempo e Rudy lançou a pedra. Assim que ela tocou o chão, disparamos a correr.

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Era melhor que sentar no Amper num fim de tarde, melhor que colher maçãs direto da macieira e comê-las todas. E era injusto, porque Rudy era bem maior que eu e ganharia com facilidade. Mas seus braços me seguraram antes de chegarmos no final. Nós rodamos e caímos, morrendo de rir.

Nunca terminaríamos aquela corrida.

Rudy afastou meu cabelo, ambos estávamos arfando sem ar. A sensação era boa.

Não quis sair de cima dele, nós iríamos consertar aquilo, por isso aproximei meu rosto do dele.

Antes que nossos lábios se encontrassem, Rudy me parou, me olhando sério.

-Lis... – Começou. Incentivei-o a continuar. – Eu fui longe demais, me desculpa por...

Calei-o com um dedo em seus lábios.

-Não vamos falar disso. – Ele fez que sim com a cabeça. – Não vamos falar.

Uma risada rompeu seus lábios, me contagiando e Rudy me beijou. Finalmente.

E era como poder respirar novamente.

N/A: DESCULPA A DEMORA D=

TO LOK ESSA SEMANA, MANO. LOK D:

Mas heim, a fic ta acabando ;( Tipo de verdade, acho que faltam uns 3 capítulos ;(

MAS NADA DE CHORO POR AGORA (?) q

Tenho que agradecer, porque eu BATI RECORD DE COMENTÁRIOS com o último capítulo *-* Vocês são lindos, viu?

Portanto, obrigada Tulipa-Amora, Lika_2, yufa, greicy kelly, gabimasso, Marjory Black, Breathly, Mary_MissGuerra, angelgirl2008, carol_macoli, Annaa M, Renata Black, Rafa_volturi, Annaa, Miss Galadriel, sarah_perroni, mari_bineza, Any Lautner e palomatsuk *-*

Vou ficando por aqui, depois dessa semana infernal eu volto a escrever =D

E desculpem também pela ausência de N/B, Magals é uma fanfarrona u_u –Q

Brimks, não sei porque ela não fez N/B. Enfim.

See ya e comentem *-*

B