Strawberry Swing
5 Capítulo 4
Capítulo 4 – Lar
“And all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street”
Kings of Leon
Observei as casas passando pela janela do carro. Quase não conseguia acreditar que estava voltando.
---
Três anos depois, lá estava eu: voltando para Molching com a mamãe e o papai. Eu ainda – e pra sempre – os chamava assim, apesar dos meus dezessete anos.
A guerra havia acabado, o Fuhrer estava morto, o país estava se reerguendo aos poucos. Até nossa casa, na Rua Himmel, estava reconstruída. Assim como toda vizinhança.
Era por isso que voltávamos. Porque, novamente, tínhamos casa.
-E você vai ter seu quarto de volta. E nós vamos ter um quarto. – Mamãe havia me falado quando me deu a noticia. – Bárbara nos disse que está tudo novo, Lis.
Mamãe estava mais tranqüila. Claro, aquele ar rude de sempre, mas mais suave. Trabalhar em uma família fina tem dessas coisas. A chefe de Trudy, Sra. Laura Frings, dizia que mamãe era apenas uma pedra bruta que precisava ser lapidada. Eu concordava com ela.
Também trabalhei para os Frings, com o marido – Klaus – e fazendo o serviço de Trudy quando ela não estava. Ele é um advogado importante e, devido meu talento com as palavras, logo viu que eu poderia ser útil. Tive meu próprio salário e a possibilidade de aprender a controlar minhas despesas.
Na escola, uma das melhores da cidade, eu era uma das melhores alunas e os professores estavam loucos pra que eu ficasse pra sempre e eles pudessem me mandar para, provavelmente, a recém-reinaugurada Universidade Friedrich-Wilhelm de Berlim. Confesso que isso também me interessava, mas eu estava meio dividida entre a vida simples de Molching, com Rudy e todo o amor que eu tinha direito e a vida luxuosa de Munique, viagens à Paris, roupas de Paris, educação alemã, universidade.
(Eu sei, é irônico. Nós, alemães, em plena Alemanha pós-guerra, passeando por Paris. Mas a chefe de Trudy era estilista e a França é simplesmente a casa da moda.)
Parecia meio obvio, né? Mas nenhuma escolha é tão simples quando se tem o Rudy na outra ponta.
---
O carro parou exatamente na frente do número 33 da Rua Himmel. Se não me falassem que era a nossa casa, eu não iria pra lá. Simplesmente porque era completamente diferente do que eu me lembrava.
Não, minha ultima lembrança do número 33 não eram escombros, mas uma casinha simples, de portões de grades.
Não havia portão, dessa vez. Muretas de arbustos separavam-nos do número 31 e 35, a rua asfaltada, o sol alto no céu de verão de 1946. Casas reconstruídas, sonhos restaurados.
Uma coisa – reparei – continuava a mesma: a escadaria da casa dos Steiner.
Desci do carro e abri o guarda-chuva de madame que tinha ganhado. Um hábito que adquiri com a Sra. Frings. Ela falava “Você é uma flor, Liesel. Aja como tal. Você deve brilhar.”
Respirei fundo o ar de Molching, quase não me lembrava como era.
Haviam crianças brincando nas calçadas, sorrindo. Olhei em volta. Tudo tão novo.
Tommy Muller foi o primeiro que encontrei, vindo correndo das escadas da casa dos Steiner.
-LIESEL! – Gritou, mesmo já estando perto o suficiente e parou ao meu lado ofegante. – Você voltou.
Sorri pra ele.
-Como eu disse.
Tommy deu de ombros.
-Sim, sim. O Rudy não vai nem acreditar. Ele estava de cara, achou que era mentira do seu pai, acredita?
Fiz uma cara indignada.
-Ele merece uma guarda-chuvada por essa. Onde aquele descrente está?
-Cansou de esperar, entrou. Mas deve voltar logo.
Cansou de esperar. Essa frase me pegou. Tommy pareceu perceber a confusão que causara, pois amenizou o assunto.
-Ele já vai voltar, foi beber água ou algo do tipo. – Assenti.
-Tudo bem. Tenho que levar as coisas pra dentro, mesmo. Serei rápida. – E, se ele não saísse, eu iria até lá, completei mentalmente. Tommy aquiesceu.
-Ok. – Comecei a me encaminhar para a casa. Mamãe e papai já estavam lá. – Lis? – Ele chamou mais uma vez. – Você parece uma dama assim.
Crispei os olhos.
-Eu sou uma dama, Tommy. Acorda.
---
Passei mais tempo que o esperado dentro de casa.
É que era tudo TÃO bonitinho, tudo tão novo... Dava até gosto de ver.
Mamãe mesmo se deliciou com a cozinha nova. E uma lavanderia e, principalmente, um quarto só pra eles.
E um porão com a altura certa para novos bombardeios — apesar de todos quererem as bombas bem longe. Era melhor prevenir, de qualquer forma.
Foi o que chamou minha atenção, o porão. Fiquei longos minutos apenas encarando a parede... Pensando que faltava alguma coisa. Faltavam palavras pintadas, faltava uma nuvem em forma de corda e um sol brilhante.
Max.
Nós não sabíamos como ele estava, mas torcíamos por reencontrá-lo um dia.
Papai desceu alguns degraus da escada e não falou nada de imediato. Até então, só ele tinha vindo ver a casa, para nos contar se estava tudo bem e nos dizer a hora certa de partir de Munique.
-Também sinto falta dele. – Ele disse. – E sabe do que mais? Em breve ele vem nos visitar, tenho certeza.
Desviei os olhos da parede e encarei papai. Respirei fundo e, depois de um tempo, assenti com a cabeça.
-Vem, Lis. Está um ótimo dia para reencontrar antigos amigos. – Piscou pra mim.
Sorri. Era verdade.
Deixei o guarda-chuva de lado dessa vez e saí no sol mesmo. Ele estava deitando no céu e uma brisa fresca que balançava meu vestido de corte francês deixava o ar mais agradável. Andei pelo curto caminho de concreto do jardim da frente até a calçada e vi uma garotinha loira subindo a rua com uma cesta nas mãos. Bettina.
-Liesel? – Ela perguntou ao se aproximar.
-Oi, Bê! Tudo bom?
-Sim! – Respondeu empolgada. – Rudy vai adorar ver você.
Meu sorriso dobrou de tamanho. Onde estava Rudy, aliás, pra provar isso que todos tanto falam?
-Ele ta ali, com Tommy. – Ela falou, respondendo minha pergunta silenciosa.
Virei-me ao mesmo tempo que ele, porque ele estava de costas pra mim, fumando um cigarro. Foi como se todo o resto da rua sumisse e só houvesse nós dois – e eu quase não conseguia acreditar que antes houvesse alguém mais além da gente.
Tomei coragem e dei o primeiro passo na direção dele. Percebi-o murmurando meu nome. Outro passo. Quebrar essa distancia – que não era longa – era muito simples. Mais um passo.
-Rudy. – Falei. Ele desviou os olhos dos meus e jogou o cigarro no chão para voltar a me olhar. Mais passos, mais rápidos. – Rudy.
-Liesel.
Rudy não se moveu. Apenas ficou lá parado, sem tirar os olhos de mim.
Esperando-me, como sempre. Como eu o esperara. Mais passos, não faltava nada.
-Rudy! – Me joguei em seus braços sem pensar, pendurando-me em seu pescoço. – Rudy.
Senti as mãos dele em meu cabelo, sua respiração em meu pescoço.
-Lis. – Ele falou rouco.
Me afastei um pouco para olhá-lo nos olhos. Aquele tom azul que eu adorava e os cabelos da cor de limões exatamente como eu me lembrava. Mais maduro, mas como eu me lembrava.
Nós não precisávamos de palavras. Nós finalmente estávamos juntos novamente e isso era o que mais valia.
Senti meus pés tocarem o chão e passei os dedos no rosto dele. Ele fechou os olhos com o toque e me puxou pela cintura, se curvando pra mim. Nossos narizes encostaram e ambos sorrimos.
E nos beijamos tranqüilos, matando a saudade devagar.
-Eu esperaria a vida toda por isso. – Ele falou em meus lábios e eu tive que sorrir novamente.
Abri os olhos encarando aquela íris azul completamente encantadora.
-Eu te amo. – Falei antes de selar nossos lábios com um pouco mais de urgência que da vez anterior, fazendo-o rir.
-Que difícil arrancar isso de você.
---
Tommy pigarreou.
-Oi? Não tem só vocês no mundo.
Rudy largou meus lábios por alguns instantes, só para empurrar Tommy de leve.
-Sai daqui, saukerl. – Reclamou, me fazendo rir antes de voltar para mim.
N/A: Presentinho de ano novo pra todo mundo e o/ -oi
Gente, a demora não é culpa minha huh? Esse capitulo ta com a beta desde domingo passado passado D; (tive que ameaçá-la um pouco para ela devolver –OQQQ)
Brimks à parte, como prometido (?) eles não ficaram muitos capítulos separados, mas o espaço de tempo até que foi longo. Levem isso em consideração, heim?
Devo agradecer todos os comentários. Cada um de vocês é importantíssimo e espero que não me abandonem D;
Mas é que eu to com 3 longfics, por isso eu me atrapalho na hora de escrever (?) I mean, eu começo a escrever uma e simpolgo, daí as outras atrasam um pouquinho, rs. Mas não se preocupem, eu vou postar tudo bonitinho, não gosto de deixar coisas pela metade. Então mantenham os olhos abertos para as minhas atualizações, oks?
Enfim, já falei demais. Obrigada por continuarem acompanhando a fic e aguardo comentários *-*
Bom ano novo, guys :D
xx;*
BL
N/B: Oin, ti bonitinho *-* Não consigo imaginar a Rosa sendo boazinha Q hahaha
Enfim, ficou tão liiiiiiimdh *-* Adoro momentos gays e a Liesel se reencontrando com o Rudy foi perfect o/
É isso aí, people, estou sem criatividade – e isso é bem sério – então, o que eu posso falar é: COMENTEM u_u
E ah é, FELIZ 2010! =D
Beijos gelados,
JMcCartyC
Fale com o autor