Stranger
1 Hello, Stranger
Notas iniciais

Um passo. Outro passo. Sempre com cuidado.
Um passo. Outro passo. Seu pé fica mais leve.
A menina engole em seco quando seu sapato se solta de seu pé e cai, ultrapassando todas as janelas do prédio onde ela morava em uma velocidade acelerada. De cima do telhado, ela olha para baixo e seus olhos se arregalam em horror quando ao invés do sapato bater contra o chão frio, acerta em cheio a cabeça de um homem de aproximadamente 30 anos que passava por ali.
Atordoado, o homem se assusta com algo que caiu em cima dele. Ele olha para os lados e ninguém pareceu se importar. O sapato estava à dois passos dele, sua mão o alcançou e ele olhou para cima, vendo a garotinha o olhando com uma expressão culpada. Ela ergue a mão, chamando ainda mais sua atenção.
“Desculpa!” Grita ela de cima do telhado.
Suas mãos se apertam contra o sapato branco e pequeno, enquanto ele sorri carinhosamente, mesmo que soubesse que a garotinha não iria ver dali de cima. “Espere ai em cima.” Gritou ele para ela e então entrou no prédio, com destinação de se encontrar com a menina no telhado.
A garotinha junta suas mãos e as balança ansiosamente enquanto espera o homem subir com seu sapato, tentando não fazer muito movimento por causa da concentração quebrada e ela não queria cair. Seu coração começa a palpitar e ela sente o medo se apoderar de seu corpo, em sua mente uma batalha de escolhas acontecia, se ela fugia para o seu andar e esquecia o sapato ou se ficava e pegava seu sapato de volta. Antes que ela pudesse se resolver, a porta do telhado se abriu e o homem a olhou, vendo que ela não havia saído do lugar.
“É seu sapato, não é?” Ele perguntou enquanto se aproximava. Ela apenas assentiu com a cabeça. Não deveria falar com estranhos, seus pais sempre a alertavam. “Sente-se.”
Ela obedeceu e sentiu o coração quase pular para fora de seu peito quando o homem se ajoelhou e segurou seu pé descalço. “O-o que está fazendo?” Ela perguntou sem entender.
Ainda ajoelhado, o homem olhou para cima e sorriu para ela, que ficou encantada com seu belo rosto e em como seus olhos castanhos claro brilhavam para ela. “Um cavalheiro tem que devolver o sapato de uma dama.”
Ela sorriu timidamente e esperou o homem colocar seu sapato para agradecer. “Obrigada.”
Ele a ajudou a levantar, a erguendo, segurando sua pequena mão e sorriu para ela. “Não precisa me agradecer.”
O homem segurou seus ombros com as mãos e antes que a garotinha pudesse perguntar o que ele estava fazendo, sentiu seu corpo ser empurrado e então banhado pelo vento que sussurrou em seu ouvido. Caiu como seu sapato mais cedo, com um grito preso na garganta e uma força a puxando para baixo. Seus bracinhos tentavam puxar alguma corda invisível que a levasse de volta para cima. Seus olhos ardiam com a combinação de lágrimas e vento frio, adentrando-os e os tornando como linhas vermelhas em volta de um mar branco.
A última coisa que ela viu antes de encontrar o chão, foi o homem virando-se de costas e perdendo-se de vista.
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