Notas iniciais
O título do capítulo está uma droga, mas ignore totalmente.
Espero que gostem, em especial a Takoyaki-chan. Pequeno, porque é como um "prólogo"

“E estamos aqui, na rua Dr. Gabriel Santos, em frente à Prisão de La Creación, para filmarmos o jovem Sammuel Darkwood, de apenas doze anos! Ele foi preso pelo assassinato de seus pais e tios, e há quem diga que ele estava sob efeito de drogas.”

“Após a morte ‘misteriosa’ dos pais, Sammuel foi para a casa dos tios. Pego em flagrante no assassinato dos tios, o menino confessou que a morte de Emanuel e Sabrina Darkwood foi causada por ele.”

“Nenhum dos boatos sobre o uso de drogas por parte de Sammuel já foi confirmado, mas a suspeita é grande. Pouco se sabe sobre os motivos dos assassinatos, pois não foi revelado pela polícia, mas, de acordo com o próprio assassino, ele ‘fez as vítimas sofrerem tanto quanto ele sofreu’”

“E Sammuel chegou! Está saindo do carro da polícia. Vejam isso! Ele está vestindo uma camisa de força e…”


O garoto de quatorze anos, sentado confortavelmente em frente à televisão, sem dúvidas pensou em soltar um palavrão quando a mãe desligou o aparelho. E justo na melhor parte. Mas, consciente das péssimas consequências, o menino reconsiderou. Passou a mão nos cabelos lisos e pretos, curtos, e reclamou:

— Poxa, mãe! Se você tinha que desligar a TV, bem que podia ser depois da reportagem, né!

— Cala a boca, Theodor! Isso não é programa pra você assistir — e, apesar do olhar reprovador, a mulher sorriu. Os longos cabelos pretos estavam presos num rabo-de-cavalo baixo, e os olhos eram semelhantes aos do menino no sofá, verdes e expressivos. — Então, Theo, por que não assistimos a um filme? Você tá de férias, afinal. E eu estarei de folga, amanhã.

— Sim! E eu já sei qual! Hetalia!

A mãe riu um pouco: o filho estava realmente viciado em animes e mangás. E, secretamente, ela também estava. De modo igualmente secreto, a mulher gostava de yaoi.

Os dois se sentaram no sofá creme, em formato de ”L”, e colocaram um CD gravado pelo próprio menino no aparelho de DVD. Assim, passaram a noite vendo o filme, e se divertindo. Mas, apesar de tudo, o jovem Theodor não conseguia, de forma alguma, esquecer a breve visão de Sammuel que teve.



Camisa de força. Mordaça. Venda. Anestesia.

Quando Sammuel se viu livre de tudo aquilo, já estava dentro de sua cela. Não entendia o porquê de ter que usar todos aqueles itens e a anestesia, mas nada podia fazer. Agora, era apenas um prisioneiro, e nada mais. Apenas um prisioneiro.

O Darkwood tinha certeza: os policiais estavam com medo que ele se esforçasse e conseguisse se livrar de algemas. Se ele conseguira matar o tio de mais de dois metros de altura, era bem possível que conseguisse se livrar de dois homens de cerca de 1,70 de altura, ou era isso que as pessoas pensavam.

Mas não. Sammuel estava bem disposto a permanecer aqueles cinco anos na cadeia. Era a consequência de tudo o que fizera, e o garoto sempre aceitara consequências. O jovem também não compreendia o motivo de uma pena tão pequena, visto que matara quatro pessoas. Seus pais e seus tios, e tinha por que fazer aquilo.

Saiu de seus pensamentos ao ouvir uma risada insana, vinda da cela à frente. Olhou atentamente e viu um homem pálido, com cabelos pretos. O cabelo, talvez, já tivesse sido liso, mas estava num emaranhado que alcançava os ombros.

— Então é você? Sammy Darkwood. Ai, ai. Nunca imaginei que seria alguém tão fofo — o homem estranho se aproximou das grades da própria cela e apontou um dos dedos para Sammuel.

— Que história é essa de “Sammy”? Não quero que me chame assim. Meu nome é Sammuel. Não Sammy.

— Mas você é fofo, e me dá vontade de te botar um apelido. Pronto, é Sammy.

Sammuel até pensou em discutir, mas desistiu. Não tinha vontade alguma de discutir com um maluco como aquele da cela em frente. O garoto encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, voltando a pensar.

O primeiro pensamento foi algo como “Eu sou MESMO fofo?”. Sim, era a resposta. Possuía cabelos castanhos, quase pretos, bastante lisos. Chegavam até o queixo, onde se curvavam levemente para fora. O rosto era arredondado, um pouco feminino, e os olhos eram delicados e azuis. Para complementar a “feminilidade”, o corpo era magro, parecido com o de uma garota, exceto pela falta de seios. Sammuel era, provavelmente, o contrário do estereótipo de uma pessoa que mata os próprios parentes.

Mudando de um assunto para outro, o segundo pensamento foram lembranças. E não apenas simples lembranças, mas os motivos pelos quais Sammuel estava preso. Motivos que o jovem gostaria de esquecer.

Lembrava-se de tudo. Quando o pai disse que o menino era uma “mulherzinha” só porque tinha um amigo gay, e teve apoio da mãe, fazendo Sammuel de “empregado particular”. O dia em que fora para a casa dos tios, e começou a ser tratado com desprezo pela mulher, e o homem sempre tentando “algo mais” com o menino. Quando Sammuel assassinou os dois parentes, depois de o tio tentar estuprá-lo e a tia ignorar esse fato. A última lembrança estava pouco nítida, e o menino não tinha certeza do motivo.

A risada maníaca e esquisita do homem da cela à frente libertou Sammuel, novamente, do não tão agradável mundo da cabeça do menino. Mas, dessa vez, o menor perguntou ao homem:

— Senhor… como você se chama?

— Eu sou Regulus, criança. E não me chame de senhor. Só tenho vinte e três aninhos — o homem deu um sorriso doentio após a fala, e aproximou-se da grade da cela. — E você, Sammy?

— Tenho doze, se… tenho doze anos, Regulus. Há quanto tempo você está aí? — Sammuel apontou para a cela do mais velho.

—Apenas… apenas três anos. Tenho mais vinte pela frente.

O garoto se impressionou. Aquele homem realmente fizera algo muito, muito ruim para estar ali. Suspirou, cansado, e se sentou na cama.


Notas finais
Me avisem se houverem erros, e, se leram, deixem reviews.
Minha postagem dependerá do tempo e da inspiração, além de que eu estou entrando em época de provas. Ou seja: pode demorar.