Notas iniciais
Hey, baes. Tudo certo? Nem demorei tanto assim, não? hahahaha. Para mim não pareceu ao menos, já que hoje mesmo estava a responder as MARAVILHOSAS mensagens do capítulo anterior. Gente, eu não me lembro de ter sorriso tanto ao ler comentário antes. Sério, eu fiquei MUITO FELIZ em ler o que escreveram e sério, se você continuarem assim, eu acho que terão uma autora Coringa: que não para de sorrir. E isso é bom, viu? Nem usem como desculpa depois... hahahaha. Bom, muitas estavam deduzindo que ou Aaron iria ser mau e deixa-la acordar sozinha na cama ou ele viraria um amor da noite por dia. Hm, a resposta está aqui nesse capítulo, mas acho que achei um meio termo razoável para ambas as partes. E de quebra, ainda fiz um capítulo grandinho... Enfim, vou parar de falar e deixa-los ler. Godere P.S. Capítulo dedicado a jusants que fez uma recomendação tão afável a fic. Eu li e você não tem ideia do sorriso que dei. Muito obrigada, querida. Esse capítulo é para ti.

Acordei com o sol batendo em meu rosto. Resmunguei, colocando a mão sobre o rosto. Abri os olhos lentamente e encontrei o quarto iluminado pela luz do dia. Olhei para mim e me vi coberta até um pouco acima dos seios. Lentamente, lembrei-me do que aconteceu na noite anterior. Sentei-me rapidamente na cama, puxando as cobertas contra meu corpo e olhando para o lado. Vazia. A cama estava vazia por exceção de mim. Soltei um suspiro entre alivio e decepção. Passei as mãos pelos cabelos e olhei para o relógio. Meio dia e quatorze. Xinguei baixinho, levantando-me num pulo. Corri para o banheiro e tranquei a porta.

Apoiei minhas mãos na pia e olhei-me. Meu cabelo estava mais bagunçado do que me lembrava de tê-lo visto um dia e meu corpo estava cheio de marcas vermelhas. Olhei para meu pescoço, onde a maior reluzia no lado direito. Passei meus dedos por ela, sorrindo abobada. Precisaria de bastante pó para cobrir. Fui para o box e tomei um belo de um banho, deixando a água levar os resquícios da noite passada. Saí do banheiro em direção ao closet com uma toalha enrolada em meu corpo. Olhei rapidamente ao relógio e eram meio dia e quarenta. Peguei um conjunto de lingerie de renda e vesti. Caitlin deveria estar logo ali para nos treinarmos, então vestia uma calça de moletom confortável e uma blusinha solta. Todas as peças que jamais pensei que usaria em minha vida. Tirei um pouco do excesso de água de meu cabelo com a toalha e concentrei-me em cobrir todas aquelas marcas. Até que me saí bem, afinal, se eu não soubesse que elas existiam não as notaria. Deixei meu cabelo caindo por meus ombros e busto, ajudando a ocultar alguns dos vergões, e saí do quarto.

– Bom dia. – Desejei a uma das empregadas, que saia de um dos quartos de hospedes.

– Boa tarde, senhora Lane. – Ela cumprimentou-me.

– Ah meu Deus! É verdade, é uma da tarde. Então boa tarde. – Sorri e corrigi-me. Ela sorriu-me de volta, fechando a porta do quarto com um balde e um espanador em mãos.

– Eu já posso limpar o quarto da senhora? Estava esperando-a acordar só... – Apontou para a porta fechada atrás de mim.

– Ah claro. Pode sim. – Saí para o lado e cocei minha nuca. – Você poderia, hm, trocar os lençóis?

– Claro. Eu os troquei na semana passada, mas eu os troco hoje de novo. Sem problemas.

– Obrigada. – Dei-lhe um último sorriso antes de seguir para as escadas dos fundos.

Cheiro de comida fresca exalava pela cozinha quando entrei nela. Agustina estava atrás do fogão cozinhando.

– Boa tarde. – Desejei-a indo até a geladeira.

– Oh, boa tarde senhora Lane. – Ela cumprimentou-me, virando-se para me dar um sorrisinho – A senhora dormiu bem?

– Sim. Obrigada. – Peguei um copo e enchi com suco. – A Miranda está em casa?

– Ela saiu de manhã pedindo para eu avisa-la que ela não almoçará em casa e só voltará pela tarde.

– E Aaron? Ele saiu faz tempo? – Perguntei com uma pitada a mais de interesse.

– Na verdade, senhor Aaron saiu agora há pouco. Ele estava em seu escritório até agora.

– Ah, tudo bem. – Girei o copo com um restinho de suco em minhas mãos.

Ouvi a porta da frente batendo e desencostei-me do balcão. Fui até a porta da cozinha e vi Caitlin caminhando até mim com um sorriso. Abracei-a e ela colocou a bolsa em cima do balcão, sentando ao meu lado.

– Você chegou cedo. – Comentei pegando meu copo e tomando um último gole.

– Ah, eu estava sem nada para fazer e resolvi aproveitar e comer aqui também. – Ela deu de ombros.

– Ah, bem, pelo menos não ficarei tão sozinha. – Passei a mão pelo cabelo.

– Nem Miranda nem o ogro do seu marido estão em casa?

– Não. – Ri negando com a cabeça. – E Aaron não é um ogro.

– Ah, é sim. E se você não notou isso ainda é ou porque você é ainda muito inocente ou ele te fodeu bem e você está num estado que chamamos de “paixonite após sexo”. Mas como sabemos que o segundo item é improvável, então você é ainda muito inocente mesmo, amiga.

Ri pelo nariz, abaixando a cabeça enquanto passava a mão por meu pescoço.

POV Aaron

Estacionei o carro do lado de fora do galpão. Os carros dos moleques já estavam todos ali. Desci do carro e guardei as chaves no bolso. Sem pressa, dirigi-me a porta. Digitei a senha e a porta abriu-se com o típico ruído proposital. Atravessei a antessala e abri a porta de ferro enquanto a outra se fechava automaticamente atrás de mim.

– Tá atrasado, Drew. – Dylan disse calmamente, jogado em um sofá folheando uma revista em quadrinhos.

– Uma vez contra as suas milhares. – Revirei os olhos. Cumprimentei Nick e Zac, mal olhando na cara de Colin.

– Então, quais são as boas novas para hoje? – Perguntei a Nick, tirando minha arma do cós e jogando na mesa.

– Colin e Zac, junto com alguns comparsas, conseguiram roubar uma carga do Anthony três vezes maior do que a que ele nos roubou. – Nick informou não tirando os olhos do computador.

– Foi fácil? – Me virei a Zac.

– Moleza. O Anthony, ao que parece, esperava que nós roubássemos nossa antiga carga de volta e não uma nova dele.

Sorri vitorioso, esfregando uma mão na outra.

– O que eu não pagava por uma foto do Anthony na hora que descobriu... – Ri sozinho.

– Isso tudo é bom humor por causa da carga? – Dylan olhou-me desconfiado com um sorrisinho malicioso.

– Não, é de imaginar a cara do filho da puta ao descobrir que saiu no prejuízo ao invés de na vantagem. – Tirei a jaqueta e joguei-a no encosto da cadeira.

– Pra mim isso tem cara de uma boa trepada. – Dylan contra argumentou, jogando a revista na mesinha de centro e me olhando interessado. – Desembucha. Essa puta aí... Particular ou tá disponível? Porque se for a segunda opção, vou querer o número. Se ela conseguiu te deixar de bom humor, imagina o que ela não faz comigo... – Sorriu malicioso.

– Dylan, por que ao invés de você ficar aí falando merda, não vai fazer mais do que ficar folheando quadrinhos? – Levantei uma sobrancelha e dei a volta na mesa.

– O Dylan tem razão. – Zac comentou. – Isso não é normal e só pode ter a ver com sexo.

– Concordo. – Nick disse sem tirar os olhos do computador.

– Pro Dylan tudo tem a ver com sexo. – Revirei os olhos, puxando o mapa para mim. – O que me surpreende, então, é vocês concordarem com ele. Apesar de que nunca achei que vocês fossem muito mais inteligentes do que ele...

– Porém, inteligentes o suficiente para fazer parte de uma mesma gangue com você, não é? – Colin perguntou zombado.

– Na verdade, eu não te acho inteligente o suficiente para fazer parte dessa gangue, Colin. – Comentei despreocupado, observando a planta do banco.

– Claro. Me desculpe. Ninguém está à altura de sua inteligência, não é? – Colin riu sem humor.

– Os dois parem. – Nick interveio. – Eu tô tentando entrar no sistema de segurança do banco e com vocês discutindo, fica impossível.

Revirei os olhos e Colin bufou.

– Os cofres ficam no primeiro andar? – Arqueei as sobrancelhas, rindo pelo nariz. – Só não é mais fácil do que se ficassem no térreo...

– Melhor que isso só se os seguranças usassem umas pistolinhas vagabundas que não dão conta nem contra a arma mais fraca do nosso arsenal... – Zac completou.

– Isso é um assalto a um banco ou um roubo de doce de criança? – Dylan riu.

– Roubo de doce de criança. – Nick sorriu. Ele afastou sua cadeira do computador, espreguiçando-se. – Porque eu acabei de entrar no sistema de segurança do banco.

Os garotos começaram a comemorar e eu limitei-me a sorrir satisfeito.

– EI! – Gritei e a farra cessou. Eles olharam-me e meu sorriso alargou-se. – Hora de treinar para roubar alguns docinhos, vagabundos.

POV Lane

– Vamos parar, por favor. – Pedi sentando no chão.

Caitlin riu sem ar, assentindo e colocando as mãos na cintura. Ela curvou-se para frente em buscar de estabilizar a respiração. Fiz a mesma coisa, encostando o peito às coxas e apoiando a cabeça nos joelhos. Há tempos que não sentia essa falta de ar, combinada a sensação de corpo quente e grudento de suor após alguma atividade física. Ou mais especificamente, dança. A última vez que senti esse conjunto de sensações fora na noite anterior, por um motivo totalmente oposto.

– Não sabia que você sabia dançar. – Caitlin comentou, encostando-se a barra no espelho.

O estúdio de dança, como nomeara, cheirava a tinta fresca, metal e suor. Era a primeira vez que a usávamos, consequentemente, sendo sua estreia. Anteriormente, era um quarto desocupado e vazio no andar superior. Agora, possuía tudo que um estúdio necessitava. A parede esquerda, olhando da porta, era totalmente coberta por espelhos. Barras de metal na altura da cintura foram instaladas de um lado ao outro na horizontal. Na parede direita, uma mesa de vidro servia de apoio para um aparelho de som moderno e potente. Ao redor, caixas de som enormes dividiam espaço com quatro barras de pole dance. No chão, espalhados despreocupadamente, jazia meu casaco e o de Caitlin, junto a suas bolsas. Garrafas d'água vazias movimentavam-se barulhentamente conforme o vento entrava pela janela ao fundo. A cortina branca, composta por dois tipos de tecido, seda e algodão, estava fechada.

– Eu fazia balé na Itália. – Inspirei fundo. Apoie minhas mãos no chão, atrás das costas, jogando meu peso e minha cabeça para trás. – Cheguei a ser convidada, uma vez, para fazer uma turnê nacional de o Quebra-Nozes com somente dançarinos adolescentes.

– E me deixa adivinhar: você recusou?

– Sim. – Balancei a cabeça, fixando o olhar no espelho, mas sem realmente ver o que ele refletia. – Meus pais não acharam uma boa ideia. Quer dizer, minha mãe achou maravilhoso, mas nem por um segundo ela ou meu pai consideraram ser uma possibilidade viável.

– Uau. Seus pais são super protetores ou não acreditavam no seu potencial? – Ela agachou-se, pegando a última garrafa com água.

– Estão mais para super protetores. – Murmurei. Joguei a cabeça para trás, desviando os olhos para o teto. Respirei e inspirei calmamente duas vezes antes de olhar a Caitlin, que esvaziava a garrafinha. – E você? Você dança muito bem. Poderia ter seguido carreira.

– Digo o mesmo para você. – Ela sorriu. Encolhi meus ombros e ela riu baixo. – Sei que vai dizer que o destino e seus pais não quiseram; que você é casada com a Fera e que suas chances são do tamanho de uma ameba e blábláblá.

– Por aí. – Balancei a cabeça, sorrindo de lado.

– Eu não segui carreira porque nunca tive chances. Quer dizer, poderia ter tido se tivesse corrido atrás. – A garrafinha foi retorcida entre seus dedos sob seu olhar perdido. O barulho do plástico se dobrando ecoou na sala como vidro quebrando. – Eu nunca pensei muito no que eu poderia ter feito de diferente para não ser prostituta a não ser ter nascido em outra família. Ter tido outra vida.

Engoli em seco, abaixando a cabeça. Não sabia se sentia solidariedade por conhecer este sentimento ou pena pela mesma razão. Levantei a cabeça ao ouvir batidas na porta. Caitlin fez a mesma coisa. A maçaneta girou suave e uma das empregadas colocou a cabeça para dentro.

– Desculpe o incômodo, senhora.

– Não está incomodando. – Sorri suave.

– Só vim perguntar se a senhora precisará mais de nós.

– Hm, não. – Olhei para Caitlin. – Você irá ficar para o jantar?

– Acho que posso fazer esse sacrifício. – Ela suspirou. Ri fraco.

– Tudo bem se for comida por delivery? Não quero prender Agustina aqui. – Mordi o lábio inferior. Ela concordou com a cabeça, a expressão suave. Voltei-me a empregada novamente. – Estão todos dispensados sim.

– Obrigada senhora. – Ela sorriu antes de voltar a nos encerrar no cômodo.

– Aí, acho que sei a única vantagem de Aaron em relação a Dylan: ele não é mão de vaca na hora de manter a casa. – Caitlin levantou-se num movimento rápido como em um pulo. Ri suavemente, levantando-me também. Porém, foi um movimento calmo e gracioso.

– Dylan não gosta de empregados?

– Não, ele gosta. De uma só. Para fazer tudo. Desde limpar a bagunça que ele espalha pela casa toda até cozinhar o que quer que ele esteja com vontade de comer quando está em casa.

Ri baixo, balançando a cabeça. Alonguei-me e peguei uma toalha no chão, secando-me. Caitlin fez a mesma coisa. Recolhi meu casaco e amarrei-o na cintura.

– Vamos descer? – Voltei-me a ela.

– Claro. Mas e essa bagunça toda? – Ela apontou as garrafas e toalhas. Suas bolsas estavam penduradas desajeitadamente em um ombro só.

– Peço para limparem amanhã. – Dei de ombros. Ela imitou-me.

Descemos para a cozinha e Caitlin repousou suas coisas em uma das banquetas. Peguei copos e uma jarra d'água gelada para ambas, colocando em cima da bancada. Encostei-me ao fogão enquanto tomava um copo cheio em dois goles.

– Miranda não chegou em casa ainda? – Caitlin perguntou abaixando seu copo. Ela estava ligeiramente ofegante após tomar todo o conteúdo em poucos goles. Encolhi os ombros, repuxando os lábios para cima sem mostrar os dentes.

– Eu não sei. Acho que não. Ela anda muito ocupada procurando apartamentos na cidade e lidando com alguns problemas entre ela e Aaron. Só ando vendo-a pelas manhãs.

– E Aaron? Você o vê só de manhã também? – Ela perguntou com a voz neutra, mas carregada ao fundo com malicia. Seu olhar também não era despido de desconfiança. Era como se ela estivesse jogando verde.

– Nem pelas manhãs.

– Então você não anda vendo seu marido? – Ela continuou, ainda com uma serenidade calculada.

– Vejo de passagem. Quando ele vem para casa trocar de roupa, ou quando acordo extremamente cedo.

– Hm. – Sua testa franziu-se e sua boca formou um bico num conjunto de expressão traduzida como "entendi". Para mim, mais parecia que ela desconfiava de algo.

Involuntariamente, passei a mão por meu pescoço, onde as marcas da noite anterior se encontravam. Meus dedos voltaram limpos. A maquiagem havia saído, provavelmente, quando me sequei com a toalha. Molhei meus lábios, voltando a encher e beber o copo. Tudo sob o olhar estreito e minucioso de Caitlin.

– Então. – Virei-me de costas a ela. Coloquei o copo vazio na pia. – Que comida deveríamos pedir?

– Lane. – O tom de Caitlin era baixo e firme.

– Pelo pouco que eu sei, a pizza daqui é muito boa. Eu só não sei em que pizzaria pedir... – Continuei, como se nem a tivesse ouvido. Enxaguei o copo, colocando-o no escorredor.

– Lane. – Ela chamou-me de novo. Respirei fundo. E me virei.

Caitlin me encarava. Seus braços estavam cruzados na frente do peito, estufando os seios. Sua sobrancelha fina e clara estava arqueada e seu lábio fora puxado ligeiramente para cima, formando um sorrisinho. Melhor do que na minha imaginação, onde sua expressão era séria e fechada. Talvez conviver com Aaron esteja me deixando com uma tendência ao sombrio.

– Você e Aaron transaram? – Foram as palavras que saíram de sua boca. Todas cuidadosamente dosadas com seriedade e diversão.

Mordi o lábio inferior, curvando os ombros e abraçando a mim mesma. Olhei para meus tênis novos, recém-adquiridos somente para as aulas com Caitlin. Minhas ações foram o suficiente para Caitlin exclamar em alto e bom som. Ouvi seus passos agitados e levantei a cabeça encontrando-a parada em minha frente. Ela tinha um sorriso no rosto, só não soube se era de êxtase ou de incredulidade. Talvez os dois. Suas mãos agarraram meus ombros agilmente e ela olhou em meus olhos. Seu olhar, sem dúvidas, era sério.

– O que deu na sua cabeça para transar com Aaron? – Ela chacoalhou-me.

– Tirando o fato de ele ser meu marido e eu a mulher dele... – Murmurei desviando o olhar. Caitlin me lançou um olhar irritadiço.

– Nem venha para cima de mim com esse seu sarcasmo recém-descoberto. Poupe-o para o seu marido quando ele chegar. Agora o que eu quero saber é como isso aconteceu.

– Eu não sei. – Encolhi os ombros. Suspirei e olhei-a sinceramente. – Foi... Natural.

– Natural? – Ela levantou as sobrancelhas, cética.

– É... Estávamos discutindo e...

– Não, não. Para aí. – Ela levantou uma das mãos, rindo ironicamente pelo nariz. – Me deixa adivinhar o resto. Vocês brigaram e no auge da discussão, enquanto vocês encaravam-se raivosamente, ele agarrou-a e vocês acabaram na cama?

– Não... – Olhei para cima, corrigindo-a depois de certa pausa.

– Então eu estou morta de curiosidade para saber como foi. – Ela soltou-me e encostou as costas à bancada com os braços novamente cruzados. Balancei a cabeça, passando a mãos pelo cabelo e respirando para recompor-me.

– Ele chegou em casa e nós nos esbarramos no corredor. Eu acabei lembrando-me de tudo que você me disse sobre a Sienna e...

– Espera! – Ela levantou as mãos e calei-me. Seus olhos reluziam incredulidade e seu queixo caído reforçava a expressão. – Você falou com ele sobre Sienna?

–... E ele me disse que eu estava o olhando de maneira estranha. Ele me pressionou até que eu acabasse falando de Sienna.

– Continua. – Pediu afobada.

– Ele explodiu e eu consolei-o. E no meio disso tudo, ele beijou-me e uma coisa levou a outra e quando me dei conta... – Encolhi os ombros, comprimindo os lábios.

– Meu Deus. – Caitlin colocou as mãos no rosto. – Você é mais safada do que eu pensava.

– O que? – Ri sem graça.

– Você é uma safada corajosa! Peitou seu marido, bateu boca com ele e ainda conseguiu ser o ombro amigo da situação e ter a primeira vez com o melhor tipo de sexo que existe: o de reconciliação! – Ela jogou os braços para cima.

– Caitlin, você é maluca. – Ri balançando a cabeça.

– Quando você tiver experiência, você vai saber disso. – Sorriu. – Mas agora, o que eu realmente quero saber é se você gostou.

Abri a boca, mas só ar entrou. Nada saiu. Não tinha parado para pensar ainda se tinha realmente gostado. Pensara que fora um momento único, que nunca voltaria a se repetir. E fora também uma das únicas vezes que Aaron me tratou bem. Olhei-a de olhos arregalados e ela abriu mais o sorriso. Uma rajada de vento passou por nós e um barulho alto familiar alcançou nossos ouvidos. Ambas olhamos ao corredor quando o som de diversas vozes soou amplificado na sala, seguidas do estrondo igualmente alto e familiar da porta se fechando.

– Parece que você tem outras visitas. – Caitlin cantarolou. Respirei fundo e ajeitei o cabelo, jogando-o para frente e posicionando para cobrir o máximo possível o pescoço.

As vozes foram aproximando-se junto com os passos pesados que não deixavam dúvidas de quem se tratava. Num piscar de olhos, a cozinha estava lotada de rapazes.

– Eita porra, que roupas são essas? – Dylan olhou para mim e Caitlin de cima para baixo. Aaron lhe deu um tapa na cabeça, fazendo-o gemer de dor e olhar inconformado ao amigo. Todos riram.

– Mais respeito com a mulher dos outros. – Aaron pediu sério, mas também leve e estranhamente brincalhão.

– Cara, eu respeito tua patroa! Eu tava comendo a Caitlin com os olhos, não sua mulher! – Ele defendeu-se massageando a área atingida. Sua expressão era sofrida.

– Você o que? – Caitlin colocou as mãos na cintura. Sua expressão ao encara-lo não era das mais pacificas.

– Brincadeira. – Ele sorriu. Caitlin fez um gesto obsceno, levando cada um a rir novamente.

Virei o rosto e encontrei Aaron me encarando. De braços cruzados, sua expressão era entretida e calma. Senti meu rosto esquentar involuntariamente, ao passo que um sorriso tímido tomava conta de meus lábios. Senti uma mão em meu ombro e tomei um susto. Nick ria suavemente de minha reação. Revirei os olhos rindo e cumprimentei-o com um beijo e um abraço. Sorri para Dylan e Zac, que sorriram de volta.

– O jantar está pronto?

Tomei o segundo susto da noite com a súbita aparição de Aaron ao meu lado. Levei a mão ao peito e encarei-o.

– Não. Eu e Caitlin estávamos cogitando pedir uma pizza, na verdade.

– Você pedindo uma pizza? – Aaron levantou as sobrancelhas, dando um sorrisinho de lado a duvidar de minha capacidade.

– Eu quero de calabresa! – Dylan gritou.

– Mozarela. – Nick levantou a mão.

Os outros foram manifestando suas preferencias e ao fim olhei vitoriosa a Aaron. Ele limitou-se a bufar e resmungar algo como "mortos de fome". Ri baixo e, involuntariamente, coloquei a mão em seu braço. Senti-o enrijecer na mesma hora. Seus olhos subiram para mim e recuei a mão como se tivesse tocando o fogo. Engoli em seco e abaixei a cabeça colocando uma mecha teimosa para trás da orelha.

– Eu vou... Hm, pegar o telefone na sala. – Murmurei me retirando rapidamente do ambiente. Apoie-me na mesinha do telefone, perguntando-me por que diabos fora fazer aquilo. Ouvi passos e olhei para o corredor. Caitlin aproximou-se confusa.

– O que aconteceu? Você deixou a cozinha do nada...

– Ah, nada. – Sorri forçadamente. – Eu só vim pegar o telefone. – Peguei o aparelho e balancei-o nas mãos.

– Lane, o que aconteceu? – Ela cruzou os braços, olhando-me séria. Suspirei, prendendo meu cabelo no alto.

– Não sei... As coisas entre mim e Aaron estão estranhas. – Murmurei.

– Desculpa, mas tratando de Aaron, que está acostumado a pagar mulheres para transar e depois as expulsa do quarto, isso é até bom.

Assenti comprimindo os lábios. Peguei o telefone e voltamos para a cozinha. Os garotos riam e conversavam sobre algo aleatório. Vi o olhar de Aaron encontrar-se com o meu quando andei em sua direção e estendi o telefone.

– O que você quer que eu faça com isso? – Ele perguntou olhando do aparelho a mim.

– Ligue para a pizzaria e faça os pedidos. Eu não sei o número e quem vai pagar é você.

– Quer dizer que além de aturar todos esses mortos de fome na minha casa, eu ainda foi ter que fazer a porra do pedido e pagar?

– Sim. – Sorri suave.

Estendi o telefone em sua direção mais uma vez e ele olhou-me estreito. Notei seus olhos percorrerem meu rosto e descerem até parar em meu pescoço. O sorriso que apareceu em seus lábios foi malicioso, assim como o olhar que ele me deu ao pegar o telefone de minhas mãos. Corei, passando involuntariamente as mãos pela região.

– Mas então, gata, por que mesmo você e a Lane estão vestidas assim?

Virei-me para trás e Dylan estava com o cotovelo na bancada, jogando todo seu peso sobre ele. Ele encarava Caitlin com malicia, enquanto ela remexia em sua bolsa e ignorava-o.

– Me chame de gata de novo e meus belos dedos ficarão marcados na sua bochecha. – Ela rangeu entre dentes. Ele riu pelo nariz, jogando a cabeça para trás.

– Essa é uma boa pergunta. – Nick, que até agora conversava agitadamente com Zac, intrometeu-se. Ele olhou para mim, caloroso e curioso, apontando a meu corpo. – Por que vocês estão com essas roupas?

– Meu santo Cristo! – Caitlin jogou as mãos para o alto, repousando-as irritadamente na cintura. – Quanta curiosidade! Oras, estamos vestidas assim porque estávamos en...

– Engrossando os glúteos. – Sorri forçadamente, cortando Caitlin. Todos me olharam de sobrancelhas arqueadas.

– Engrossando os glúteos? – Dylan repetiu achando graça.

– Sim. Bem, estávamos malhando, basicamente. Na Itália, eu costumava correr na praia, mas aqui eu tenho que me contentar com malhação mesmo. E Caitlin, que entende muito mais do que eu sobre isso, estava me ajudando.

– É... Eu estava. – Ela concordou. Seu olhar era estreito sobre mim e sua voz controlada. – Nós estávamos malhando um pouco juntas.

– Bom, da próxima vez vocês podem chamar o papai aqui porque ele é um ótimo instrutor de malhação. – Dylan bateu no peito, sorrindo largo ao se gabar.

– Dylan, você só tem os poucos músculos que tem por causa do seu trabalho. Você mal consegue levantar 50 quilos na academia. – Caitlin revirou os olhos. Rimos baixo enquanto ele murmurava irritado.

Aaron, que se retirara para os fundos da casa para fazer o pedido, voltou com o telefone girando entre os dedos. Ele pousou-o na bancada e abriu a geladeira.

– Fez o pedido? – Perguntei encostando-me a bancada e encarando-o de costas. A camiseta azul clara que vestia, desgastada pelo uso e tempo, marcava suas omoplatas e ombros.

– Não, Lane, eu estava jogando pedrinhas na piscina lá fora enquanto fingia que pedia comida para esse bando de sem teto. – Sua ironia jorrou para cima de mim. Ele virou-se com duas garrafas de cerveja na mão e colocou-as no balcão. Zac e Dylan, mais próximos, pegaram-nas.

– Deuses! Por que você tem que ser tão grosso? – Bufei colocando as mãos no rosto, fazendo minha voz sair abafada e baixa.

– Ainda bem que para uma ex-virgem você reconheça que eu sou bem dotado. – Sorriu e sussurrou para somente eu ouvir. Em suas mãos, mais duas garrafas de cerveja.

Comprimi os lábios, olhando-o estreito. Um riso baixo saiu de seus lábios e uma das garrafas deslizou pela mesa na direção de Nick. A outra, ele abriu com as mãos e tomou um grande gole, sem desafixar os olhos de mim. Desafiando-me mais, ele estendeu a garrafa em minha direção como se oferecesse um gole.

– Não gosto de cerveja. – Murmurei trincando os dentes.

– Que pena. Casou com um cara que tem a geladeira lotada disso. – Ele encolheu os ombros, tomando mais um gole. Travei o maxilar.

– Vou tomar um banho. Volto para o jantar. – Avisei-o lhe dando as costas.

– Quer companhia? – Ele gritou debochadamente. Vi todos virarem em sua direção, depois na minha, claramente tentando entender nossa conversa.

– Prefiro que a água vire veneno e queime minha pele! – Gritei em resposta, batendo o pé para as escadas dos fundos. Ouvi-o rir enquanto tinha certeza de que os outros mantinham expressões confusas.

Notas finais
Deu para perceber que ele não será nenhum amor, mas ao menos a grosseria diminuiu um bocado. Estava até brincando com ela! Perdoem qualquer erro porque às onze horas da noite e piscando de sono, nada sairá perfeito mesmo. E tratem de me fazer cansar a mão de novo respondendo os seus comentários, porque eu gosto disso. hahahaha. Xoxo