Strada Per L'inferno
6 Amigos?
Notas iniciais
Chegou o “grande dia”. Hoje é o dia em que me caso. Claro, as coisas aqui em casa estão à mil. A festa não seria aqui, por conta do espaço pequeno, mas sim na casa de verão da nossa família. Bem, eu não a visitava há tempos, então seria bom tomar uma rufada de ar novamente por lá. Pena que nessas circunstâncias. Mas mesmo a festa não sendo aqui, mamma estava uma pilha de nervos. Ela queria que tudo fosse perfeito, mesmo eu dizendo que não fazia questão de tal. Meu babbo parecia calmo, mas sabia que no fundo também estava apreensivo. Entregar a filha á outro homem, principalmente a Henry, não era nada fácil. Grace também estava igual a mim: triste. Não pelas mesmas razões, mas sim porque ela não teria mais a quem recorrer durante as madrugadas em claro e bem, porque meu animo para o “dia mais importante da minha vida” era quase zero; e isso acabava afetando-a. Enfim, todos em casa estavam a mil para o casamento, enquanto a única pessoa que deveria estra com o coração saltando da boca era a que mais estava com ele harmonizado. Não tinha animo, alegria ou vontade de entrar na igreja. Não via empolgação nem em vestir-me e arrumar-me. Meu vestido era lindo, o que faria qualquer uma alegra-se só de vê-lo, mas sempre que eu o olhava lembrava qual era a utilidade dele e o que ele simbolizava. O casamento seria ao crepúsculo, então minha preparação só começaria à tarde. Como ainda era de manhã, eu tentava “aproveitar” ao máximo meu quarto, já que voltaria a usa-lo muito pouco, ou nunca. Eu estava de camisola de seda azul, sentada no parapeito de minha janela, admirando a vista de meu bosque tão amado e conhecido. Era estranho, notei, que eu referia-me e sentia muito mais amor por um bosque, por alguns quilômetros de área quadrada verde, muito mais do que sentia por meu futuro marido. Soltei uma risada irônica pelo nariz, ao observar isso, e ouvi duas batidas na porta. Olhei na direção dela, e esta se abriu revelando a ultima pessoa que desconfiaria ser.
–Posso entrar? – Nick perguntou sorrindo desconcertado, somente com a cabeça dentro do cômodo.
–Pode sim – Respondi saindo do parapeito da janela e me botando de pé.
Nick entrou e fechou a porta, se voltando para mim. Ele fez uma cara de espanto, olhando fixo para minhas pernas. Eu, como disse, usava uma camisola de seda azul curta e um pouco marcada, sem o uso do sutiã aliás. Percebendo o olhar dele em minhas pernas, alternado aos meus seios, eu fui até meu mancebo e catei meu roupão de seda, conjunto da camisola, e vesti-o.
–O que deseja Nick? – Perguntei tentando ser simpática, voltando a olha-lo enquanto “abraçava-me”.
–Ah... – Ele desviou o olhar fixo de mim e balançou a cabeça – Eu vim aqui lhe entregar um presente de Henry.
Eu fiquei chocada, no mínimo. Henry querendo me dar um presente? Querendo “cortejar-me”? Levantei as sobrancelhas e abri a boca num perfeito “o” de surpresa, tendo como reação uma risada tímida de Nick da minha expressão.
–Parece que você não acredita muito... – Comentou-o simpático.
Balanceia a cabeça, voltando ao normal com a sua fala. Sorri simpática para ele e respondi:
–Henry não me pareceu o tipo de homem que... Corteja uma mulher.
Nick sorriu mais simpático ainda e concordou com a cabeça.
–Eu tenho que concordar com você – Ele comentou.
Sorri e apontei para a cama, para ele se sentar. Ele negou com a cabeça.
–Acho que não devo... – Ele protestou em sua defesa.
–Oras, deixe de ser bobo! — Ri e peguei-o pelo braço, arrastando até a cama.
Sentei-o na ponta e me sentei na frente. Ele botou a mão no bolso de sua calça e retirou dali uma caixinha de joia. Esse ato fez lembrar-me de meu noivado, quando Henry repetiu a mesmíssima ação. Nick abriu a caixinha e revelou um par de brincos de diamantes.
–Um presente de seu noivo... – Ele estendeu-me a caixinha.
Eu peguei a caixinha com cuidado, maravilhada pelo conteúdo desta. Eram pequenos, gotas para ser especifica, mas eram lindos. Eram ”singelos”, mas magníficos. Como eu nunca fora de exibir-me, amei-os por sua discrição e beleza.
–São... Lindos! — Disse encantada, sem tirar os olhos do par de joias.
Nick sorriu satisfeito e eu o olhei. Nick, ao contrario de Henry, tinha um sorriso bondoso e sincero estampado no rosto. Ele parecia humano, e não cibernético como o amigo. Ele, com certeza, seria um bom amigo. E sem sombras de dúvidas, um marido bem melhor caso meu pai tivesse optado por ele.
–Desconfiava que você fosse gostar– Ele comentou após voltar a olhar o presente.
–Como? – Levantei a cabeça para olha-lo confusa. Ele, Nick, desconfiava? O presente não era de Henry? Por que raios então ele desconfiaria?
–Ah... Eu quis dizer que quando Henry me mostrou eu achei que você gostaria! — Ele sorriu torto, tentado corrigir-se nervoso. Ri da reação dele e voltei a olhar os brincos.
É claro que não fora meu noivo que os escolhera.
–Diga a Henry – Pedi, olhando os brincos – Que gostei bastante, mesmo tendo sido escolhidos por você – Voltei-me a ele, sorrindo.
Nick sorriu torto e eu me levantei da cama, botando a caixinha em cima da minha escrivaninha.
–Nick, posso te perguntar algo? — Questionei ainda de costas a ele, fitando a escrivaninha.
–Claro! — Ele respondeu da cama, calmo e prontamente.
–Porque Henry é tão frio? – Perguntei na lata — Digo, ele parece um robô! – Virei-me para ele, apoiando-me pelas mãos na escrivaninha.
Nick pareceu um pouco surpreso com a pergunta. Ele abriu a boca para responder, mas tornou a fecha-la rapidamente. Ao fim, ele suspirou cansado.
–Olha Lane, é o jeito dele. Ele é assim desde que o conheço! Ele é meio fechado, complicado de se entender, mas com o tempo, você se acostuma – Ele respondeu-me, delicadamente.
–Mas se eu não me acostumar? Eu sempre sonhei em me casar com um príncipe encantado e, desculpe-me pela franqueza, mas seu amigo está mais para vilão cibernético! -Rebati cruzando os braços e andando um pouco pelo quarto.
Nick riu gostosamente da minha fala, e em seguida, olhou-me compreensivo com um sorriso traçado pela sua risada anterior no rosto.
–Sei que Henry é bem frio, mas, quem sabe, talvez uma mulher não possa derreter aquele coração... Talvez você não possa derreter aquele coração – Sugeriu Nick.
–Duvido muito...! – Murmurei desacreditada.
Nessa hora, ouvi mais batidas na porta, que se abriu revelando minha irmã.
–Licença Sorella, mas mamma pediu para eu vir buscar Nick – Ela informou, olhando-me e a Nick – Ela disse que você precisa se preparar para o casamento, e que a presença de um homem por muito tempo no quarto de uma noiva não é muito adequada.
Assenti com a cabeça e olhei para meu visitante. Ele sorriu como “fazer o quê?” e se levantou. Caminhou até mim e estendeu a mão.
–Amigos? — Ele perguntou com a mão estendida.
Eu sorri e ignorei a mão dele, dando lhe um beijo na bochecha. Ele ficou um pouco desconcertado, e quase que imperceptivelmente, corou.
–Amigos – Respondi, voltando a olha-lo.
Ele olhou-me e sorriu uma ultima vez e saiu do quarto acompanhado de minha irmã, que me deu uma piscadela antes de fechar a porta.
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