Storybrooke
235 Capítulo 235
Notas iniciais
A noite havia caído na fazenda, não fazia muito tempo que Regina havia mandado mensagem que haviam chegado, Benjamin instalado no dormitório. Elas estavam em um hotel, pois logo cedo pegariam estrada de volta para Storybrooke.
Cora andava pela casa com uma xícara de chá em mãos, quando viu a luz da varanda e foi para apagar quando viu a porta levemente aberta. Colocou a cabeça para fora e viu George sentado na cadeira de balanço – Hey?
- Oh vó! Que susto! – falou vendo a senhora – Achei que estava dormindo já.
- Já havia me recolhido, mas tive uma grande vontade de chá. – mostrou a xícara – Servido?
O rapaz negou com a cabeça – Quer se juntar a mim? – ofereceu.
A senhora sorriu e se juntou ao neto e ficaram ali uns minutos apenas observando a grande escurão e escutando os insetos noturnos – Sei que vou fazer uma pergunta idiota... – brincou, mas estava séria – Como você está?
George soltou uma longa respiração – É estranho não ter o Ben aqui... Eu não sei como estou me sentindo. – fez uma pausa e a mulher mais velha apenas deixou seu neto continuar sem interromper – Claro que estou muito feliz por ele ir estudar, logo sou eu que vou embora para estudar... Até ontem passamos praticamente dezoito anos juntos. Hoje é a primeira noite da nossa nova vida que cada um seguirá seu caminho, entendo perfeitamente isso. Talvez seja um pouco de tristeza que a infância acabou e estamos voando para fora do ninho. Tão diferente de ver meus irmãos indo embora e agora sou eu que estou quase indo embora. – o silêncio pairou.
- Sábias palavras, meu neto. – Cora finalmente quebrou o silêncio depois de tomar um gole de seu chá – Entendo perfeitamente tudo que você está passando... O que posso te dizer é que viva o momento, se deixe viver essa nossa fase, aproveite. A infância sempre estará aqui... – colocou a mão sobre o coração de seu neto – E nas lembranças. – sorriu para o rapaz tão parecido com Emma – Uma coisa você pode ter certeza, a sua família sempre estará aqui para você.
- Eu sei vó, e tenho muito orgulho de vocês. – disse George sorrindo para sua avó – Vamos dormir?
Cora apenas assentiu, e os dois se levantaram, o rapaz mais alto que a avó, passou o braço sobre seus ombros enquanto eles foram para dentro da casa.
- Vai querer mais alguma coisa, meu neto? – questionou a arquiteta assim que fecharam a porta.
- Não vó, eu vou direto para a cama. – deu um beijo na bochecha da mulher mais velha – Se precisar de algo é só me chamar. – sorriu carinhosamente.
- Com esse sono pesado que você tem, é mais fácil o pessoal da outra casa vir me ajudar que você que acordar. – brincou e fez o rapaz rir também – Mas obrigada meu anjo, pode ir dormir tranquilo, vou tomar mais um pouco de água e também vou dormir. – começou a andar na direção da cozinha enquanto George assentiu com a cabeça e seguiu na direção da escada que levava para o andar superior.
- Boa noite. – George desejou pouco antes de sumir por completo escada acima. Cora sorriu e continuou seu caminho até a cozinha.
- Lana? – questionou ao ver a neta sentada no canto comendo um pedaço de bolo – Aconteceu algo? – estava preocupada.
A morena réplica de sua filha apenas negou com a cabeça enquanto mastigava a garfada em sua boca – Não vó. – respondeu assim que engoliu – Apenas não conseguia dormir.
Cora pegou mais um pouco de água e foi se sentar de frente para sua neta – Estava com Georgie lá na varanda, porque não se juntou a nós?
- Eu escutei vocês, mas achei que a conversa deveria ser só entre vocês dois. – respondeu e deu colocou mais uma garfada de bolo em sua boca.
A arquiteta sorriu – Algo me diz que essa sua perda de sono seria algo a ver com os gêmeos indo embora? – e tomou um gole de sua água.
Imediatamente o garfo que brincava com um minúsculo pedacinho de bolo no prato parou por completo enquanto Lana terminava de mastigar o que tinha na boca – Estaria mentindo se falasse que não. – respondeu por fim, sem fazer menção que iria pegar outra garfada, já que seu garfo estava inerte no prato – É tão estranho pensar que eles não estarão mais aqui como costumava ser. – fez uma pausa – Que vai sobrar apenas eu e a Jen. – soltou um suspiro.
- Ah meu amor, não pense assim. – comentou Cora olhando amavelmente para sua neta – É o ciclo da vida. A etapa da infância e adolescência para eles chegou ao fim e agora começam um novo ciclo que é o início da fase adulta, que você e sua irmã passará em breve. – fez uma pausa – E quem “sobrará” serão suas mães e eu aqui. – sorriu carinhosamente – E está tudo bem, pois vocês estão crescendo e uma hora voarão para fora do ninho para construir suas vidas com suas próprias pernas. – fez uma pausa – Foi assim quando eu resolvi ir para a universidade, depois foi assim quando Regina foi para a universidade, então com Júlia, Henry, Tom, Lucy e agora os gêmeos, e por último com vocês duas.
- Mas mesmo assim é estranho e assustador. – comentou Lana esquecendo de vez de sua fatia de bolo.
- Toda mudança é assustadora, mas faz parte da vida. – continuou Cora – A próxima etapa é vocês, digo seus irmãos mais velhos, começarem a voltar, claro, não de forma definitiva, mas a frequentar e trazendo os filhos e assim enchendo novamente a casa.
- Henry já está fazendo a parte dele. – brincou Lana sorrindo e se lembrando das suas duas sobrinhas espoletas, apesar da Sophie ainda não sair do carrinho, mas é visível que não parará um segundo quando conseguir essa “liberdade”.
- Júlia logo também fará a parte dela. – a arquiteta sorriu, então um olhar surpreso surgiu no olhos de Lana – Pela sua reação acho que você não sabia, não?
- Júlia está grávida? – questionou surpresa.
Cora riu – Ainda não meu amor, ela e Meggie estão planejando um bebê, elas estão fazendo os exames necessários para futuramente Júlia pode engravidar.
- Pelas minhas botas de cavalgadas, logo terei mais um sobrinho ou sobrinha. – Lana estava feliz – Mas porque não fiquei sabendo disso?
- Achei que elas haviam dito a vocês. – Cora estranhou, Lana negou com a cabeça – Talvez não quiseram contar até dar certo a inseminação. Porque no início é bem difícil. – fez uma pausa ao lembrar das gravidez de Regina – Mas não fique brava com elas.
- Faz sentido que você disse, vó. – comentou Lana ao se lembrar das aulas de reprodução humana da escola, e o quanto uma inseminação artificial é complicada no começo, mesmo com todo avanço da medicina.
- Achei que estava ficando louca ao escutar vozes. – brincou Jennifer ao entrar na cozinha e ver sua avó e irmã conversando.
- Devia imaginar que você também teria problemas para dormir. – comentou Cora e indicou a cadeira ao lado dela para que a neta pudesse se sentar – Então se junte a nós para uma conversa da madrugada.
- Já me junto, só vou pegar um pedaço de bolo. – disse indo se servir com o bolo que estava sobre o balcão, perto da geladeira – Porque pensou que eu teria problemas para dormir? – perguntou curiosa assim que se sentou ao lado de sua avó.
A mão da mulher mais velha apontou para sua irmã a frente – Ela também. E Georgie.
- Cadê ele? – perguntou assim que havia engolido o primeiro pedaço de bolo.
- Acabou de se retirar para tentar dormir. – respondeu Cora terminando sua água – Sei que a partida dos gêmeos está mexendo um pouco com vocês.
Jennifer respirou fundo – Odeio admitir, mas estaria mentindo se dissesse que não vou sentir falta dos monstrinhos.
- Anormal seria se vocês falassem que não sentirão falta deles. – comentou Cora – Irmãos é assim, brigam o tempo todo, mas se amam acima de tudo. – sorriu.
- Como disse para a Lana, logo serão vocês duas que passarão por isso. – comentou Cora – E é perfeitamente normal, é a fase da vida. Independentemente se vão para a universidade ou se ficarão aqui na fazenda, pois vocês estarão encerrando uma fase da vida, iniciando outra, e é assim. Ciclos terminam para que novos ciclos possam começar. – fez uma pausa – E o ciclo da minha geração está começando a findar.
- Que isso vovó, não fale uma coisa dessa. Você ainda tem muito tempo de vida, ainda verá muito bisnetos nascerem. – falou Lana não gostando daquele rumo que a conversa tomou – Você ainda verá um filho meu nascer. – completou já que ela era a última da “escadinha” Swan-Mills.
Cora sorriu – Meus amores, os finais definitivos também fazem parte da vida.
- Sabemos, mas você ainda tem um longo caminho no ciclo para percorrer. – Jennifer disse séria olhando para sua avó – Você ainda verá nossos filhos... – apontou para si e para Lana – Nascerem e nessa vida ainda. Então pare de falar essas coisas.
- Por falar em filho, você ficou sabendo que a Jú está tentando engravidar? – Lana perguntou toda feliz para sua irmã.
- Não, mas era uma coisa meio óbvia. – disse antes de colocar mais uma garfada de bolo em sua boca. Lana a olhou confusa – Ah Lala... – começou assim que engoliu o bolo – Com a Jú estável no hospital, e Meggie indo bem no hospital veterinário, o próximo passo seria esse. – parou um pouco – Um passo que Hen pulou na época da universidade. – riu, fazendo as outras duas mulheres rirem.
- Espero que vocês também não pulem os passos. Assim como espero que os gêmeos também caminhem certo. – esperou que ele se cuidassem – Agora se Lucy quiser... – deixou no ar.
- Ah vó, nós temos nossos namoricos, mas você e as mamães nos traumatizaram o suficiente para esperar a época certa para engravidar. – falou Lana lembrando de voltar a comer o restante de seu bolo.
A arquiteta riu – Posso confiar que vocês irão fazer as coisas certas?
- Com muita certeza, vó. – afirmou Jennifer terminando seu pedaço de bolo – Lucy uma vez comentou que talvez não iria querer filhos, mas torcemos para que ela tenha mudado de ideia.
- Tomara. – concordou, então uma curiosidade surgiu na mulher mais velha – Sei que ainda falta dois anos para vocês decidirem o que farão assim que terminar o ensino médio, mas já tem alguma coisa em mente?
Lana se levantou e pegou seu prato e o de sua irmã, os deixou dentro da pia – Eu estou com bastante dúvidas ainda. – voltando ao seu lugar.
- Porque? – questionou Cora olhando para sua neta.
- Ah vó, eu vejo o quanto as mães dão um duro para manter esta fazenda, a equipe de competição, apesar de ter não relação direta com a fazenda. Mas é por causa dela que temos uma equipe aqui. – fez uma pausa – Enfim, eu vejo todo o trabalho duro delas.
- Sim, elas trabalham duro. – comentou – Mas não estou conseguindo achar a sua dúvida.
Lana respirou fundo – Eu amo demais essa fazenda para deixá-la nas mãos de qualquer outra pessoa de fora da fazenda quando as mamães não poderem mais trabalhar, seja por alguma doença ou mesmo vir a morrer.
- O que elas andaram falando para você? – Cora estava levemente preocupada agora.
- Elas não falaram nada, eu juro. – Lana afirmou – Apenas tenho observado isso já algum tempo... – fez uma pausa – Pense comigo. – pediu – Júlia é médica cardíaca, não tem noção de como administrar uma fazenda, talvez a Meggie conseguisse isso já que está à frente de um hospital veterinário, mas acho que ela se encaixaria mais como a tia Ruby aqui, fica responsável quando a mãe não está. – explicou – Hen por mais que ame os cavalos, vai seguir carreira em uma área nada a ver com a fazenda. Tom está muito bem obrigado no Red Sox. A Lucy está em Nova Iorque e nem sabe como funciona a fazenda, o negócio dela é cozinha. – fez uma pausa – Os monstrinhos estão seguindo por áreas diferentes também. Por isso cheguei a esse pensamento. Os filhos da tia Katy também não mostraram nenhum indício de quererem seguir com a fazenda. Talvez o mais perto seja o Sam, mas é consertando os veículos... – respirou fundo – Então estou dividida entra fazer administração ou direito para dar continuidade ao legado dessa família. – nessa parte ela brincou.
Cora sorriu orgulhosa para sua neta – Aposto que seu avô, o velho Henry está muito orgulhoso de você nesse momento. – disse – Mas em alguns pontos você está certa.
- Já que a Lala comentou, eu também vou dizer... – falou Jennifer – Mesmo a gente não conversando eu também tenho pensamentos iguais ao dela. Amo demais essa fazenda para não pensar em tomar as rédeas quando as mamães não poderem mais. – fez uma pausa – Mas também quero ter a grandeza da mamãe Regina nos tribunais. A única coisa que sei é que quero fazer direito, aí não sei depois qual caminho trilhar. – confessou.
A arquiteta sorriu e olhou para cima – Ok velho Henry, sei que você está rindo da minha cara nesse exato momento, porque conseguiu bandear mais uma para o lado do direito. Mas estou feliz porque pelo menos um neto escolheu arquitetura. – então voltou ao olhar suas netas, que estavam confusas – Essa era uma “briga” com o avô de vocês quando éramos casados. Falávamos que iríamos fazer a cabeça de filhos e netos para se bandear para nossa área de atuação.
- Vovô saiu na frente porque conseguiu levar a mamãe para o direito?
- Sim, mas não sem uma luta e até Regina falar que gostava de arquitetura, mas tinha verdadeira paixão pelo direito. – confirmou Cora – Mas então consegui “bandear” Ben para a arquitetura, empatando o jogo.
- Então eu acabei desempatando a briga falando que quero fazer direito. – Jennifer sorriu travessamente.
- Exatamente. – confirmou a arquiteta – Mas não tentarei fazer você mudar de ideia, já que é você que escolhe o que quer fazer. E acho muito válido vocês duas pensarem em quererem fazer algo que possa tomar a frente da fazenda quando for o momento.
Lana olhou para sua irmã – Se você quer mesmo fazer direito, então posso escolher administração.
- Acho que podemos fazer isso. – concordou Jennifer sorrindo para sua irmã.
Um sorriso surgiu nos lábios da mulher mais velha – Acho muito admirável isso, mas vocês não precisam firma isso agora, mas podem ir pensando e amadurecendo a ideia, uma vez que ainda vocês têm dois anos pela frente.
- Sim, e podemos conversa com as mães sobre isso. – comentou Jennifer – E podemos contratar um veterinário, se for preciso.
- Que também é uma boa ideia. – concordou Cora – Então você quer brilhar nos tribunais como Regina?
- Ah vovó, eu fico escutando as histórias da mamãe e acho mara tudo aquilo. – confessou Jennifer – Amo escutar as histórias das duas, e mais que isso amo ver o vídeo de casamento delas, principalmente na hora do buquê. – riu sem parar – É a melhor parte.
- Aquela cena da disputa pelo buquê é icônica e ficou para a história. – comentou Cora rindo.
- Achei vocês. – falou George aparecendo na porta da cozinha.
- Oh meu neto, acordamos você? – perguntou Cora preocupada.
George negou com a cabeça – Não, eu apenas não consegui dormir mesmo. Então escutei vozes vindo daqui e resolvi me juntar.
- Vem se sentar com a gente para conversar, monstrinho. – pediu Lana sorrindo para o irmão.
— Só vou aceitar porque não vou conseguir dormir tão cedo, pestinha. – sorriu feliz em se sentar ao lado de Lana – Do que falavam?
- Do vídeo de casamento das mamães. – respondeu Jennifer rindo.
- A cena do buquê é a melhor parte de todas. – disse já rindo – Depois vem a cara da tia Katy quando descobriu que o casamento era para ela também.
Cora sorriu feliz vendo os netos ali – Isso porque vocês não estavam lá no momento do acontecimento, porque o que o vídeo mostra não é nem um terço das emoções do momento e daquele dia.
- Ah então conta a sua versão novamente vovó. – pediu Jennifer empolgada.
A arquiteta riu – Eu nunca vi uma briga tão acirrada por algo, igual a parentes brigando por terreno... – começou a contar. Ficaram ali conversando por mais uma ou duas horas, até que a arquiteta decretou que eles deveriam dormir, principalmente George já que ele iria viajar mais tarde.
-SQ-
As árvores passando rapidamente pela janela da pick-up, começavam a tomar as cores do outono, uma vez que o verão estava no fim. George apenas olhava a paisagem, imerso em seus pensamentos. Pensando em tudo que conversaram ontem a noite com suas irmãs e sua avó. Pensando em tudo o que iria mudar dali para frente em sua vida.
- Eu aposto que sei no que está pensando. – Emma olhou rapidamente pelo retrovisor central para o rosto do filho e voltou sua atenção na rodovia Gosto de silêncio, mas quero barulho de conversa!
Aquilo fez George voltar para a realidade e viu sua mãe morena sorrindo para ele – Isso é fácil, sou o sexto filho que vocês fazem uma viagem. – brincou.
- Aposto que o que está passando pela sua cabeça é que você não poderá comer o assado que sua mãe morena faz quando você quer. E muito menos poderá atormentar as pestinhas. – brincou Emma, sorrindo travessamente Vamos conversar coisas mais leves e engraçadas!
Aquilo fez o rapaz, tão parecido com ela fisicamente, sorrir – Nossa, mãe, acho que você deveria abandonar a fazenda e viver de adivinhações. – brincou, e herdou o senso de humor de sua mãe loira também.
- Acho que vou fazer isso. – Emma fez uma cara séria e pensativa – Está decidido, assim que chegarmos em Boston largo tudo e vou viver de adivinhações.
- Mas nem sonhando! – interveio Regina fingindo estar séria Vamos entrar na brincadeira! – Ainda temos duas filhas para mandar para a universidade, antes disso nem se atreva a me abandonar.
- Droga! – bateu levemente com encenação na direção – Todos os meus planos indo por água abaixo. – a loira fingia estar desolada – Está vendo Georgie, é tudo culpa sua que não posso viver a minha tão sonhada vida de adivinhações. – piscou travessamente.
George ria – Vou sentir falta dessas nossas palhaçadas.
- Também vamos meu amor, mas sempre que precisar estaremos na fazenda esperando por vocês. – falou Regina ao esticar o braço e segurar a mão de seu filho Como vamos sentir falta de você e de seu irmão!
- Eu sei, e obrigado. – sorriu para suas mães.
- E quanto ao assado quando você vier nos finais de semana, farei com muito prazer para você. – piscou.
Um imenso sorriso travesso – Está vendo dona Emma, ainda vou poder comer o assado quando eu quiser. – mostrou a língua para sua mãe loira de forma brincalhona.
- Humpf! Sortudo. – falou Emma e os três caíram na risada. Entre conversas leves e descontraídas, a viagem passou rapidamente e quando perceberam já estavam a frente do imóvel que seria o alojamento que George iria passar os próximos três anos estudando para ser um agente do FBI.
- Até que enfim chegaram. – escutaram uma voz conhecida atrás deles, assim que desceram do veículo.
- Dinda Rose. – George sorriu e abraçou sua madrinha – O que faz aqui? Não estava em missão?
A agente sorriu para o afilhado, que estava mais alto que ela – Achou que eu perderia esse importante dia para você? – perguntou feliz – Pedi alguns dias de folga para poder te acompanhar no que precisasse aqui dentro.
- Ah Rose, que delicadeza a sua. – Regina deu um abraço em sua amiga – Agradecemos muito.
- Ele é meu afilhado, se eu faço por outros que não tenho nenhuma ligação, acha que não faria para alguém que amo? – disse ao se soltar do abraço.
- Agradecemos imensamente. – disse Emma ao ser envolvida no abraço da agente.
- Deixem disso, faço porque quero, e como disse, amo esse rapaz como se fosse meu filho. – sorriu para o futuro agente – Aliás, além do meu ainda tenho mais oito em uma casa, e mais seis em outra casa, tudo numa mesma fazenda. – riu travessamente.
- Praticamente uma creche, dinda. – brincou George e todos riram.
Regina sorriu – E por falar em filho, como está o Caleb? – quis saber.
- Ele está a coisa mais manhosa da face da Terra. – mostrou algumas fotos do filho bebê ainda – Só quer saber da outra mãe. – brincou.
- Novidade isso. É sempre assim, você troca fraldas, mas eles sempre se apegam a outra mãe. – brincou Emma sorrindo
- Será que é que apesar de vocês trocarem as fraldas, passamos amis tempos juntos? – Regina entrou na falsa briga.
- Me recuso a continuar essa conversa. – Emma riu – Vamos entrar?
- Sim. – os outros responderam prontamente, e com a ajuda de sua mãe loira, George levou a maioria de suas malas.
O grupo estava andando pelos corredores, assim como vários novatos, a procura do quarto em que seu filho ficaria hospedado – B... Quatro. Aqui! – falou Rose achando o dormitório.
Abriram a porta e era um quarto pequeno, uma cama, uma escrivaninha e um banheiro privado – Pequeno, mas pelo menos não precisará dividir quarto.
- Aqui todos ficam sozinhos no quarto. É padrão do FBI. – comentou Rose – E sim, eles dividem em ala masculina e ala feminina. Por mais que tenha regras rígidas sobre isso, ainda preferem manter separados, pelo menos nesses momentos. O resto, aulas, alimentação, estudos são todos juntos.
- Entendo. – Regina falou Não foge muito das universidades! Apenas são bem mais rígidos aqui! – Regras deles, mas sei lá, se tem regras, creio que não teria problema das alas serem mistas.
Rose riu – Acredite Regina, mesmo aqui com todas as regras, melhor deixá-los separados na hora de dormir.
- Agente Bell? – falou o oficial atrás deles, parados a porta – Estou um pouco confuso agora.
- Oficial... – estendeu a mão.
- Davis. – respondeu apertando a mão oferecida.
Rose assentiu com a cabeça – Oficial Davis, estou aqui fora de missão. – respondeu – Apenas acompanhando o meu afilhado em seu primeiro dia na sede de Boston.
- Oh. – disse o rapaz, pouco mais velho que George, limpou a garganta – George Swan-Mills?
- Eu, senhor. – respondeu e deu um passo a frente.
O oficial apenas sorriu – Não precisa usar o senhor comigo, não sou hierarquizado ainda, apenas Oficial Davis já está bom. – disse e o rapaz loiro apenas assentiu com um aceno de cabeça – Aqui. – entregou um fichário considerável – Normas e regulamento da Sede. As aulas apenas começarão daqui a três dias, então terá tempo para ler e se inteirar de como funciona as coisas aqui. Qualquer dúvida pode me procurar que estou aqui para ajudar você e os outros no começo.
- Tudo bem, muito obrigado Oficial Davis. – agradeceu.
- Senhoras! Agente Bell! – assentiu com um aceno de cabeça e saiu para ir na direção do próximo quarto.
Rose sorriu – Parece que estou no meu primeiro dia quando entrei para o FBI, quando terminei a universidade. – sorriu e olhou para o afilhado – Não se preocupe, se eu consegui me formar, para você será fácil. – sorriu mais uma vez, Regina apenas sorriu sabendo do passado “mágico” da amiga – Bom, sinto informar que uma vez aqui dentro ele não pode mais sair até a primeira folga, que será daqui a um mês. – comunicou e continuou assim que viu que suas amigas iriam protestar – Regulamento. – apontou ao fichário que George estava segurando – Só resta se despedirem e esperar pela folga.
- Bom, já que não podemos fazer mais nada, acho que você está entregue. – falou Emma dando um abraço apertado em seu filho Sentirei falta de você e seu irmão lá na fazenda! – Fique bem, e qualquer coisa estamos a um telefonema de distância. Tem seus irmãos e a tia Jane aqui.
- Eu sei, mãe, e muito obrigado por me apoiar. – retribuiu o abraço – Sei que não foi fácil vocês aceitarem que quero ser agente.
- Mas pelo menos nos ligar a qualquer hora ele pode? – Regina perguntou preocupada Porque se não puder, já levo ele embora agora!
Rose riu – Claro que pode, é só esse primeiro mês que é bem restrito, depois as regras dão uma afrouxada. – respondeu – Isso é para ver quem aguentaria ficar em missão de disfarce ou tocaia em sair do esconderijo.
- Já começam assim? – questionou George surpreso.
- Sim, e por mais que eles não confirmem essa informação, esse primeiro mês já é uma avaliação. Se você não conseguir, já está praticamente eliminado da formação para agente de campo, ficará apenas como agente interno na burocracia.
- Bom, darei o meu melhor para ser um agente de campo. – respondeu e deu um abraço apertado na sua outra mãe – Vou sentir falta de vocês.
- Nós também, meu amor. – disse Regina retribuindo o abraço Nós vamos sentir a falta de vocês lá na fazenda! – E como sua mãe disse, estamos a uma ligação de distância, e qualquer coisa que seja mais urgente tem Júlia, Tom e a tia Jane.
- Sim, eu sei. – respondeu o rapaz sorrindo – Tenham uma boa vigem de volta.
- Teremos. – se despediram e as três mulheres saíram da sede.
George escutou umas leves batidas a sua porta, parou de desfazer a sua mala e olhou para a porta aberta – Oi vizinho de frente. – disse um rapaz que equiparava com sua idade – Sou Jason Owens.
- George Swan-Mills. – estendeu a mão – Começando hoje também?
Jason apertou a mão oferecida – Assim como você. Mas diz aí, de onde você é?
- Uma cidadezinha chamada Storybrooke, aqui no interior de Maine e você?
- Eu vim de Atlanta. – respondeu e ficaram alguns minutos conversando, cada uma em sua porta do dormitório.
Na pick-up fora da sede – Rose, muito obrigada por estar aqui hoje. – agradeceu Regina novamente E principalmente por elucidar algumas coisas!
- Como disse, não perderia o primeiro dia do meu afilhado. – sorriu – Vamos marcar alguma coisa, assim vocês podem ver o Caleb.
- Vamos sim, e contar as histórias do passado. – brincou Emma sorrindo para a amiga Porque história é o que não falta!
- Essa será a melhor parte. Vamos chamar todos que puderem ir também. – caminhou na direção do seu carro.
- Como nos velhos tempos. – falou Regina dando a volta no veículo Como nos velhos tempos! Parece que essa época foi a tanto tempo atrás! indo para o lugar do motorista, pois agora era a vez dela dirigir a volta. Fora o acordo que ela fez com Emma, para não cansar demais a loira.
-SQ-
- Bom dia. – cumprimentou Júlia assim que chegou a recepção da clínica de fertilização – Tenho uma consulta daqui a dez minutos com o doutor Orson Júnior. – completou.
- Bom dia. – sorriu a secretária – Nome, por favor.
- Júlia Swan-Mills.
- Ah sim, podem se sentar que daqui a pouco o doutor as receberá. – disse sorridente e se levantou, caminhou até a porta do médico, deu duas batidas e entrou assim que escutou a permissão vinda de dentro – Vamos, que o doutor vai vê-las. – chamou a secretária assim que saiu da sala depois de dez minutos.
Júlia e Meghan sorriram e entraram na sala – Bom dia. – cumprimentaram.
- Bom dia. Por favor, sentem-se. – pediu o médico oferecendo as cadeiras confortáveis a sua frente – Em que posso ajuda-las? – sorriu simpático.
- Queremos ter nossa primeira filha ou filho. – sorriu Júlia.
- Entendo. – fez uma pausa e se virou para seu laptop – Tudo bem, me digam mais sobre isso. Quem fará a inseminação? Quem doará os óvulos? – terminou o que estava fazendo e então deu total atenção ao casal a sua frente.
A médica cardiologista soltou uma respiração – Eu farei a inseminação, mas usaremos os óvulos da Meggie.
- Certo. – comentou – Vocês já têm um doador?
- Não temos. – respondeu Meghan.
- Tem uma ideia de como são as características físicas do doador? – questionou.
Meghan sorriu torto – Não temos também... – fez uma pausa – Na realidade doutor Orson Júnior, apenas pensamos na criança, e não nas características ou qualquer outra coisa do doador.
- Não conversamos sobre isso. – admitiu Júlia.
O médico sorriu compreensivo – Tudo bem, poucos são os casais que veem aqui que já tem ideia do doador... – fez uma pausa – Vamos fazer o seguinte, vou fazer algumas perguntas sobre vocês, para preencher suas fichas, então vou pedir alguns exames e quando vocês retornarem, me digam como será o doador. – as duas assentiram com um aceno de cabeça, então ele voltou sua atenção ao laptop e começou a fazer as perguntas para fazer a anamnese do casal. Quando terminou as perguntas, explicou todo o processo que elas irão passar para ficarem prontas para a retirada de óvulos e a inseminação – Bom senhoritas, as verei novamente depois dos exames.
- Tudo bem doutor, faremos tudo e nos vemos novamente no retorno. – Júlia estava com os papéis dos exames necessários em mãos. – sem dizerem mais nada, saíram da sala e dois minutos depois do prédio – Bom, e agora? – Meggie questionou enquanto caminhavam na direção do carro.
- Eu fico com os papéis e agendo lá no Hospital para fazermos os exames, pode ser? – questionou parando do lado da porta do passageiro.
- Claro. – destravou o alarme e automaticamente o carro destrancou – Para onde? – quis saber assim que deu partida no veículo depois de acomodadas.
- Me deixa no hospital que meu plantão começa em meia hora. – sorriu para sua esposa.
- Como queira, futura mamãe. – Meghan sorriu e colocou o carro em movimento.
- Futuras mamães. – Júlia corrigiu enquanto sorria feliz por darem o primeiro passo para começarem a aumentar a família.
-SQ-
- Bom dia pessoal. – cumprimentou Meghan assim que passou pela recepção do hospital veterinário. Sorriu para seus pacientes que aguardavam o início das consultas – Me deem cinco minutos para me arrumar e já começo as consultas. – pediu e pegou todas as fichas que a secretária entregou em uma pasta.
- Sem problema doutora, o Spike aqui... – falou uma menina que aparentava uns dez, doze anos no máximo, passando a mão na cabeça do pinscher – Espera sem problema pela consulta.
Meghan sorriu pelo nome do cachorro – Prometo não demorar. – e sumiu atrás da porta dupla, que abria para os dois lados, e fechava o corredor que ia para os consultórios e demais salas do prédio. Menos de cinco minutos Meghan já estava de volta, vestida com seu jaleco branco – Vamos lá Spike. – chamou assim que abriu uma porta, que separava os ambientes.
- Vamos Spike, hora da sua consulta. – falou a menina sorridente, com o cachorro no colo, caminhando na direção da porta, com sua mãe logo atrás, sorrindo para a felicidade da filha.
- Podem sentar, por favor. – indicou as cadeiras a frente a sua mesa, assim que entraram na sala – E depois vou examinar o Spike. – sorriu vendo a menina toda orgulhosa de levando o cachorro – Bom, o que vocês podem me dizer sobre o Spike, já que é a primeira consulta dele aqui conosco. – completou depois de se sentar e olhar a ficha de seu paciente.
- Bom, nós adotamos o Spike de um abrigo não tem uma semana. – falou a mãe da menina – Por mais que eles tenham nos falado sobre a saúde dele, decidimos trazer para fazer um check-up geral. Se precisa tomar vacinas, ou alguma vitamina, já que ele é um cachorro mais para idoso do que para jovem.
- Entendi. – Meghan anotou na ficha algumas coisas – Ele já veio com esse nome?
- Não, eu que o rebatizei com Spike. – respondeu a menina toda orgulhosa – Ele veio com o nome de Burp, mas achei que não combinava. Queria algo imponente, então olhei e veio Spike. Ele quando escutou o nome, latiu concordando e desde então o chamo assim. – respondeu e olhou para o cachorro – Não é Spike? – disse e o cachorro latiu concordando.
Meghan riu – Muito bem, também acho que Spike combina mais que Burp. – concordou e se levantou – Coloque o Spike sobre a mesa metálica que vamos examiná-lo. – alguns minutos se passaram em silêncio, enquanto Spike era examinado – Olha que você foi um bom garoto, Spike. – falou Meghan – Geralmente essa raça costuma ser bem briguenta e agitada.
- Pinscher, né? – brincou a mãe – Trezentos e cinquenta grama de ódio e trezentos e cinquenta gramas de tremedeira.
- Exato. – concordou Meghan pegando uma seringa – Vamos tirar um pouco de sangue para fazer alguns exames e ver como anda a saúde dele. Segure bem firme. – tirou a quantidade que precisava – Muito bem Spike, você foi ótimo.
- E como ele está? – a menina perguntou ansiosa.
- Eu calculo uns dez anos para ele, devido a dentição e os pelinhos brancos mais espalhados pelo corpo. – comentou Meghan – O coração está bem e forte. Os ouvidos saudáveis, apenas um pouco sujos. – então tirou um pequeno pacote de gaze da gaveta do armário. Enrolou uma gaze no cabo de um instrumento não afiado e jogou uma solução no tecido e limpou um dos ouvidos. Repetiu a ação no outro ouvido – Agora estão limpinhos.
- Olha a cara de satisfação dele. – comentou a mãe toda feliz pelo tratamento que o cachorro estava tendo.
- Limpar o ouvido é prazeroso. – comentou Meghan – Quanto a vacina, aconselho hoje a tomar pelo menos a de antirrábica e a polivalente.
- Polivalente? – questionou a menina curiosa – Não é só os humanos que tomam essa?
A veterinária olhou para a menina – Não, mas é diferente, apenas o nome é igual. A vacina polivalente para cachorro é a Polivalente V8 ou V10, que protege contra doenças graves e altamente contagiosas, como cinomose, parvovirose, hepatite, adenovirose e leptospirose. A V10 é a mais recomendada por oferecer uma proteção mais ampla. – explicou.
Os olhos da menina se arregalaram surpresos com a explicação então olhou para sua mãe – Acho que devemos dar também essa vacina para o Spike. Assim ele vai ficar bem protegido.
- Pode ser doutora? – questionou a mãe.
- Claro que pode. – concordou Meghan, tirando duas seringas de uma outra gaveta do armário perto da mesa metálica, então foi até a geladeira que mantinha alguns medicamentos na temperatura específica, pegou uma dose da antirrábica e outra da polivalente – Vamos proteger o Spike. – disse ao se aproximar, passou um algodão com álcool de um lado do animal – Segure firme o Spike, que as picadas vão doer. – e aplicou uma das seringas, repetiu o processo do outro lado – Muito bem Spike, agora você estará protegido. – comentou e indicou para se sentarem novamente – Agora eu vou mandar o sangue dele para o laboratório e esperar os resultados ficarem prontos... – foi anotando as vacinas e as datas na carteirinha de vacinação do cachorro e entregou para a menina – Quando estiverem prontos, ligaremos para agendarmos o retorno e ver se ele precisa de mais algum complemento.
- Tudo bem. – concordou a mãe sorrindo para a alegria da filha ninando o cachorro, que estava quieto – É assim mesmo?
- Sim. – sorriu – Geralmente não gostam de tomar injeções. Por causa das vacinas, talvez ele fique bem quieto de hoje para amanhã, que é totalmente normal. Mas se verem algo bem diferente nele, o tragam de volta aqui imediatamente.
- Tudo bem, ficarei de olho. – comentou a menina feliz pelo seu animal.
- No mais, ele é um cachorro bem saudável, e ração específica para a idade, afinal não queremos sobrecarregar os rins. – explicou – Saberemos mais quando os resultados saírem. Além disso, muito carinho, mimo e amor. – sorriu ao final.
- Pode deixar doutora que essa última parte está garantida. – a menina sorriu ao saber que seu cachorro estava bem e saudável – Ele ainda vai ver muitos anos?
- Pode contar com isso. – Meghan sorriu ao ver a menina salpicar vários beijos no animal e ele em deleite fechou os olhos e até ergueu o rosto para receber todos os beijos – Vamos mamãe que temos que comprar a ração dele e alguns brinquedos.
- Só se for agora. – disse se levantando – Doutora, muito obrigada não só pela atenção, mas principalmente por abrir esse hospital. Foi muito importante esse gesto.
Meghan sorriu feliz – Eu que agradeço a oportunidade de poder ajudar os animais que precisam. – acompanhou mãe e filha até a porta que dividia a recepção das sala, se despediram e Meghan voltou para sua sala, dar uma arrumada e ir chamar o próximo paciente – Sancho? – chamou e viu um senhor se levantar e na caixinha de transporte havia um gato laranja. Indicou o caminho – Bom dia. O que traz o senhor Sancho até aqui hoje?
- Bom dia doutora. Trouxe o meu Sancho aqui porque ele está com uma irritação nos olhos e não passa. – respondeu.
- Vejo que ele já é nosso paciente, o que houve da outra vez?
- Ouvido. – respondeu o senhor.
Meghan olhou o prontuário do gato – Agora ele este bem quanto ao ouvido?
- Sim, doutora. Depois que fiz o tratamento ele não teve mais problema de ouvido.
- Ah que bom. – sorriu feliz – Então vamos examinar esses olhos? – indicou para o senhor colocar a caixinha de transporte sobre a mesa metálica.
E assim foi o resto da manhã e começou da tarde de Meghan, antes dela fazer uma pausa para almoço.
-SQ-
- Bom dia gente. – cumprimentou Júlia assim que entrou na recepção do hospital – Vou me arrumar e então vamos ver o que temos hoje. – comentou quando chegou na parte do hospital a qual trabalha.
- Ah doutora. – chamou a secretária daquela ala – Você tem visita na sua sala.
- Visita? Quem é? – perguntou franzindo as sobrancelhas e pegando as pastas dos seus pacientes de hoje.
- Apenas disseram que são assessores do Hospital Geral de Los Angeles. – respondeu – Então eu acabei os deixando na sua sala.
- Os? Mais de um?
- Sim, um homem e uma mulher. – respondeu Cindy.
Júlia ainda estava confusa – Tudo bem. Segure os meus pacientes se precisar, por favor. – pediu e respirou fundo – Vamos ver o que os assessores do Hospital Geral de Los Angeles querem. – disse e se virou – Ah esqueci... – voltou a secretária – Aqui, pode fazer o favor de marcar para mim e a Meggie esses exames?
- Claro. – pegou os papéis e sorriu – Aviso quando estiverem marcados.
Júlia sorriu em agradecimento e se encaminhou para sua sala, deu duas batidas e entrou vendo os dois adultos sentados nas cadeiras a frente a sua mesa – Bom dia. – cumprimentou quando entrou e se prontificou em cumprimenta-los com um aperto em mãos.
- Oswald Terrance. – se apresentou o homem negro em seu impecável terno.
- Aysha Norman. – foi a vez da mulher ruiva se apresentar em seu vestido de corte reto.
- Júlia Swan-Mills. – se apresentou e foi se sentar a sua cadeira – Mas acho que isso já devem saber. – riu, quebrando o gelo – Mas o que posso ajuda-los?
O homem limpou a garganta – Bom, senhorita Swan-Mills, nós somos assessores de projetos e pesquisa do Hospital Geral de Los Angeles. Recentemente entramos em contato com a senhorita sobre uma proposta de emprego em nosso hospital.
- Sim, a qual precisei declinar. – respondeu Júlia, ainda não entendo o porquê deles estarem aqui, do outro lado do país.
Foi a vez da ruiva falar – Sabemos disso, e nós não desistimos fácil assim das pessoas que vemos potencial em melhorar a saúde do nosso hospital.
Júlia entendeu o que eles vieram fazer aqui – Entendo. Sinto muito que a viagem de vocês até aqui tenha sido em vão, pois eu não tenho interesse em me mudar para o outro lado do país, ainda mais agora que tenho planos para aumentar a família.
Aysha sorriu – Tenho quase certeza que nossa viagem não tenha sido em vão, porque senhorita Swan-Mills, não queremos que se mude para o outro lado do país. Mas ainda a queremos no nosso quadro de profissionais.
- E como pretendem fazer isso? – questionou curiosa.
- Simples... – agora foi Oswald que falou – Já que Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé. – brincou – Queremos que você lidere uma equipe de pesquisa aqui mesmo no Hospital Geral de Boston.
Os olhos de Júlia se arregalaram – Tudo bem... – falou devagar – Mas como pretendem fazer isso? – a dúvida era genuína.
- Uma parceria entre nossos hospitais. – respondeu Oswald – Depois da sua declinação pelo emprego, montamos um projeto de parceria entre os hospitais, e com você atuando daqui de Boston.
Júlia ficou em silêncio por uns dois minutos – Desculpem meu silêncio, porém não esperava por isso.
- Imaginamos que tenha acontecido isso. – comentou Oswald sorrindo.
- Me perdoem a pergunta, mas a diretoria do Hospital está sabendo dessa parceria que vocês querem fazer? – questionou ainda curiosa.
- Sim, já algum tempo. – respondeu o homem – Depois de algumas reuniões online, ontem tivemos uma reunião presencial durante a tarde com a diretoria e eles aceitaram o acordo de parceria entre os hospitais.
- E agora estamos aqui para lhe oferecer novamente aquele emprego, mas com você atuando aqui. – falou Aysha – O que nos diz?
Júlia respirou fundo – Certo... Hipoteticamente falando, caso eu aceite o emprego, como isso funcionará?
- Bom, no começo você ainda exercerá suas funções normais, atendimentos. – começou Aysha – Enquanto vamos reformar uma ala inteira aqui da cardiologia, para que você posso reunir uma equipe com a qual queira trabalhar, mas queremos saber com antecedência quem serão.
- Uma vez a nossa ala pronta, seu vínculo com o Hospital aqui não será mais cem por cento, será apenas quarenta por cento de vínculo aqui. Você terá alguns dias para continuar seus atendimentos aos seus pacientes e rotina.
- Cinquenta por cento do vínculo será com o nosso hospital que será mais focado em pesquisa e projetos. – continuou Oswald – Claro, se precisar algumas consultas para pacientes, e também estão inclusas viagens de uma vez ao mês por um fim de semana para reuniões com nossa equipe lá em Los Angeles.
- Certo, e os dez por cento restante desse acordo todo? – questionou.
- Serão repassados ao Hospital aqui. – respondeu Aysha – Temos grande investidores interessados em participar dessa parceria.
- Dias de descanso, salário?
- Serão acertados antes de assinar o contrato, caso você aceite a proposta. – respondeu Oswald ansioso.
Júlia voltou a ficar pensativa mais uma vez – Vocês estão cientes quando eu falei que um dos motivos que não aceitei a proposta anterior era porque quero engravidar, não?
- Suspeitávamos, uma vez que nos disse que queria aumentar a família. – comentou Aysha sorrindo, pois ela tem dois filhos.
- Vocês precisam de uma resposta agora? – questionou.
- Não. Hoje é terça, e vamos ficar na cidade até sexta da semana que vem, quando embarcamos de volta para Los Angeles. – respondeu Oswald.
- Entendi. – fez uma pausa – Hipoteticamente falando, caso eu negue essa proposta também, o que acontecerá?
Foi a vez de Aysha soltar uma respiração – Estamos esperançosos que você aceite, mas caso haja recusa mais uma vez, como disse, não desistimos facilmente. Acharemos uma outra proposta para te fazer.
- Não estou desmerecendo nem vocês e nem a mim, mas porque eu? – questionou Júlia – Sou uma médica praticamente recém-formada, sem muita experiência e batalhando para crescer. Enquanto há muitos cardiologistas renomados pelo país que facilmente aceitaria a proposta de vocês. – fez uma pausa – Eu realmente gostaria de entender.
- Como dissemos, vemos um grande potencial em você, senhorita Swan-Mills. – respondeu Aysha – Sabemos das suas pesquisas na universidade, o que já nos despertou interesse. Você foi umas das alunas mais conceituadas do país durante sua graduação. E sua orientadora aqui nos teceu muitos elogios sobre você. – fez uma pausa – E acho que você realmente seria uma ótima profissional em liderar o que estamos propondo e planejando para o futuro.
- Sinceramente fico lisonjeada. – foi o que Júlia conseguiu responder.
- Aqui está toda a nossa proposta de trabalho, dias de descanso, salário e o acordo entre os hospitais. Leia sem pressa e qualquer dúvida, nossos números. – Oswald entregou uma pasta com documentos e dois cartões de apresentação – Pode nos ligar a qualquer hora.
- Senhorita Swan-Mills, muito obrigada pela sua atenção, e desculpe por não termos marcado horário para essa reunião. – disse Aysha estendendo a mão – Mas obrigada pelo seu tempo.
- Não, sem problemas. – respondeu a médica apertando a mão estendida.
- Ficaremos no aguardo de uma resposta sua. – falou Oswald apertando a mão estendida da médica.
Júlia sorriu – Lerei e analisarei tudo, e vocês terão uma resposta minha até quinta-feira que vem. – os conduziu até a recepção da sala, e se despediram – Cindy, me dá dez minutos e então pode pedir para o primeiro paciente entrar, por favor. – pediu e a mulher apenas assentiu com a cabeça, e no momento seguinte Júlia entrou na sua sala e se sentou em sua cadeira – Por meus coraçõezinhos, o que foi isso? – respirou fundo por alguns minutos deixando a conversa toda cair em sua mente. Então se levantou e se arrumou para esperar seu primeiro paciente. No segundo seguinte escutou batidas a porta e a mesma abrir.
- Dá licença, doutora. – falou uma mulher equiparada com a idade de Júlia.
Júlia sorriu – Entre Teresa, e pode se sentar. – pediu e assim deu início ao seu turno no hospital.
-SQ-
- Oi. – Meghan sorriu ao ver Júlia entrar no carro – Como foi seu dia? – questionou enquanto dirigia pelas ruas de Boston.
- Você não tem noção da doideira que foi. – riu.
Meghan sorriu – Bom, pelo riso deve ter sido uma doideira boa. – disse enquanto prestava atenção no trânsito – Vai me contar agora ou deixará para contar em casa?
- Que tal eu te contar em um jantar no restaurante? – sugeriu a cardiologista – Claro se você quiser.
- Acho uma boa dar uma variada. – concordou a veterinária – Restaurante da vó Angie ou outro restaurante?
- Que tal um restaurante de comida asiática? Faz tempo que não comemos comida asiática.
- Mudando a rota para nosso restaurante asiático. – brincou Meghan e foram conversando assuntos aleatórios enquanto se dirigiam ao restaurante.
- Boa noite meninas. – falou a senhora que era dona do restaurante, e ficava na porta para recepção e pagamento – Faz tempo que não as vejo aqui, fico contente que voltaram.
- Boa noite dona Mei Ling, a correria está grande, por isso essa sumida, mas estamos de volta. – sorriu Meghan.
- Fiquem a vontade.
- Obrigada. – agradeceu Júlia e foram se sentar em uma mesa um pouco mais afastada e não com tantas pessoas em outras mesas.
- Então me conte a doideira do seu dia. – pediu Meghan depois de terem feito os pedidos de comida e bebida.
Júlia sorriu – Fale de você primeiro, como foi seu dia?
- O normal de sempre, atendi muitos animais. – respondeu Meghan sorrindo – Mas um em especial, um cachorrinho começando a ficar idoso, foi adotado de um abrigo. A menina que o adotou estava toda orgulhosa com seu animal. Aquilo ganhou o meu dia. – terminou e então chegaram as bebidas – E qual foi a loucura do seu dia? – tomou um gole de sua bebida.
- Ah que coisa linda essa menina e seu cachorrinho. – disse Júlia sorrindo bobamente imaginando a cena da menina e seu animal, também tomou um gole de sua bebida – Nossa! Olha a loucura. Lembra daquela proposta de emprego que recebi algum tempo atrás? – perguntou.
- A de Los Angeles, não? – respondeu com uma pergunta.
- Essa mesma.
- O que tem? – questionou curiosa e tomando mais um pequeno de sua bebida.
Júlia soltou uma respiração pausada – Eles vieram atrás de mim hoje lá no hospital hoje logo que cheguei. – fez uma pequena pausa – Eles me ofereceram uma nova proposta de emprego.
- Para você trabalhar em Los Angeles? – questionou confusa. Júlia apenas negou com a cabeça – Onde então?
O imenso sorriso de Júlia apareceu – Aqui em Boston mesmo. – respondeu – Mais especificamente no MassGen.
- Onde você já trabalha? – imediatamente saiu a pergunta e os olhos de Meghan se arregalaram – Como?
- Isso mesmo, me fizeram uma outra proposta para trabalhar para eles daqui. – apontou para sua bolsa – Estou com a proposta toda. – fez uma pausa – Resumindo a proposta. Eu terei uma ala toda do MassGen sob meu comando. Terei uma equipe que poderei escolher os membros, mas eles querem saber antes do sim final. – respirou – Também poderei trabalhar alguns dias no hospital... – o olhar confuso de Meghan foi marcante – Na realidade será uma parceria entre os hospitais. Os maiores detalhes como folga, salário está tudo na proposta também.
A veterinária ficou em silêncio – Olha, escutando assim, parece uma proposta irrecusável. – brincou, depois voltou a ficar séria – Eles sabem dos nossos planos para termos um bebê?
- Sabem! – tomou um gole de sua bebida – Contei tudo e mesmo assim insistiram com a oferta. – outra pausa – Disseram que não irão desistir de mim assim tão facilmente. – riu por fim.
- O que você está decidida a fazer? – questionou e no momento seguinte chegou o garçom com os pedidos e fizeram uma pausa na conversa para receberem a comida e em seguida degustarem uma primeira prova – Então? – Meghan perguntou novamente retomando a conversa.
- Não sei ainda de fato. – respondeu depois de ter comido mais um pouco de sua comida – Eu vou ler com calma a proposta, pesar os prós e contras. Então conversar com a diretoria do MassGen... – respirou fundo – Tenho até final da semana que vem para dar uma resposta em definitivo para eles. – completou – Também vou mandar uma cópia para minha mãe e ver o que ela acha também.
- É, acho que o caminho é esse. Calma e analisar tudo. – concordou Meghan comendo mais um pouco de sua comida. Então em seguida ergueu seu copo, sorrindo quando terminou de engolir a comida – Vamos fazer um brinde.
- A que brindaremos? – a cardiologista imitou o gesto de sua esposa e ergueu seu copo também.
- A nossa futura expansão familiar. – respondeu sorrindo feliz.
- Ao nosso futuro filho ou filha. – comentou Júlia que riu bobamente.
Um sorrio travesso surgiu nos lábios de Meggie – Ou filhos. Podem ser gêmeos também. – os olhos de Júlia se arregalaram surpresos – É uma possibilidade, vide nossas mães.
- Sim, temos que levar isso em conta. – concordou Júlia e sorriu travessamente – Ou então trigêmeos, menor a probabilidade, mas ela existe. – agora foi a vez de Meghan arregalar os olhos, e por fim sorriram e chocaram seus copos levemente fazendo o brinde. Então engataram uma conversa leve e descontraída de vários assuntos enquanto jantavam aproveitando a companhia uma da outra.
-SQ-
- Finalmente em casa. – comentou Regina assim quem desceu da pick-up do lado do motorista e se espreguiçando. Imediatamente escutaram patas no assoalho de madeira e as duas mulheres sorriram seus cachorros sendo os primeiros a virem recepcioná-las. Abaixaram-se para receber os cachorros, menos Lola que acabou ficando na varanda, já estava velha e com pouca mobilidade então decidiu latir com forma de recepcioná-las. O mais novinho ali era Rapaz, e ele estava quase todo branco, e os outros não estavam muito diferentes.
- Eu já não posso dizer o mesmo. – comentou Emma finalmente parando ao lado de sua esposa. A advogada a olhou confusa Mas porque? – Daqui a dois dias tenho que pegar estrada mais uma vez, só que agora para Glens Falls, para comprar cavalos. – fingiu cara de derrota Adoro ver aquele monte de cavalo, mas acho que estou ficando velha para ficar pegando estrada por tantos dias seguidos!
Regina sorriu e passou seus braços ao redor do pescoço da loira Vamos dar uma recompensa para a minha loira! – Pensa assim, você ainda terá dois dias aqui e depois quando voltar não terá nenhuma viagem tão cedo. – deu um beijo suave nos lábios da loira. Pense nesse beijo para ter motivação para voltar o quanto mais cedo possível!
Emma não se reprimiu, envolveu seus braços ao redor da cintura da mulher morena e aceitou de muito bom grado o beijo Tenho motivos ótimos para pensar na volta! – Por esse ponto de vista, até que não é tão ruim. – comentou e se inclinou para dar outro beijo nos lábios de sua esposa quando escutaram.
- Ow! Nem chegaram direito e já estão se pegando. – falou Jennifer saindo juntamente com sua irmã e avó.
- Deixem essa pegação para quando forem para o escritório. – brincou Lana se jogando de braços abertos sobre suas mães – Senti saudades. – falou por fim.
- Nós também sentimos. – Emma riu e passou um braço na filha, abriu o outro esperando pela outra filha. Jennifer não perdeu um segundo e logo estava no abraço conjunto Minhas pequenas pestinhas, que já não são mais tão pequenas assim!
- Eu não ganho abraço? – brincou Cora olhando as quatro mulheres se abraçando e um sorriso estampava seu rosto.
- Você não! – brincou a loira mais velha sorrindo e abriu novamente o braço convidando sua sogra para o abraço.
- Nossa, que afronta dessa loira, Regina. – Cora fingiu estar ofendida, entrando na brincadeira, mas se moveu para se juntar ao abraço – Sejam bem-vindas. – disse ao abraçar todas.
- E não conheço essa afrontosa? – Regina sorriu para sua mãe Não seria Emma se ela ainda não brincasse com a minha mãe! – Obrigada. – sorriu.
- Sorte a sua que eu fiz o almoço. – a arquiteta anunciou.
- O cheiro está muito bom. – Lana sorriu e se virou para sua irmã – Última que chegar lava a louça sozinha. – se desvencilhou do abraço e saiu correndo na direção da porta.
- Hey! Isso é trapaça! – Jennifer saiu logo atrás de sua irmã.
As três mulheres sorriram da brincadeira – E sobraram apenas as pestinhas. – comentou a loira, com um leve ar triste, pela casa ter esvaziado ao longo dos anos, mas feliz porque seus filhos estavam começando o voo por conta própria Espero que esse tempo antes delas baterem asas demore para chegar!
Regina segurou a mão de sua esposa, entrelaçando seus dedos. A loira a olhou – Não se preocupe, ainda temos um tempinho bom com elas aqui antes de baterem asas em definitivo também. – disse Entendo bem o que você está sentindo! – Só vamos aproveitar. – piscou afetuosamente.
- Você tem razão, vamos aproveitar. – concordou a loira e abriu um sorriso, então sem pressa as três mulheres caminharam para dentro da casa, acompanhadas pelos cachorros, porém Lola recebeu todo o carinho de sua dona quando esta chegou ao topo da escada.
- Vamos para dentro pessoal. – chamou a loira sendo a última das mulheres a passar pela porta e esperou todos os cachorros entrarem para fechar a porta atrás de si.
Almoçaram com tranquilidade e muita conversa, contaram tudo como foi com Georgie. As gêmeas se dividiram na tarefa de lavar e enxugar a louça, depois aproveitaram para se divertirem pela fazenda com fizeram praticamente as férias inteiras. Emma e Regina foram para o escritório, mas não sem escutarem Cora dizer que elas estavam indo se pegar. Ela mesmo aproveitou para ir a cidade conversar um pouco com Glinda e ver como estava Péppe.
Assim a tarde passou rapidamente, jantaram as quatro mulheres juntas novamente, contando o que haviam feito durante a tarde. Cora se retirou indo assistir tv, enquanto Emma e Regina já haviam se recolhido, decidindo irem dormir cedo devido a canseira das viagens. Já as gêmeas terminaram de arrumar a louça da janta e se juntaram a sua avó na sala de tv, mas não ficaram muito tempo e acabaram se recolhendo também, deixando sua avó terminar o filme ao qual estava assistindo.
A madrugada já havia adentrado, o silêncio dentro da casa só era quebrado pelo barulho do ronco dos cachorros na sala de entrada. Cora havia aceitado a oferta que Emma e Regina haviam feito para ela voltar a morar juntas para ela não ficar sozinha na casa em que morava com George.
Um par de olhos jovens se abriu, assim como uma longa respiração e observava as sombras dançarem no teto em que dividia com sua irmã. Soltou mais uma longa respiração, fechou os olhos tentando a voltar a dormir, mas sem sucesso – Jen? – chamou olhando para a outra cama que ficava do outro lado do quarto. Mesmo com mais quartos vagos, elas haviam decidido continuar dividindo o mesmo quarto – Jen, está acordada?
- Agora estou. – veio a resposta, soltou uma respiração – Na verdade não estava conseguindo dormir. – veio a verdadeira resposta.
- Eu também não estou conseguindo dormir. – Lana confessou – O que está te deixando sem sono? – questionou.
Mais uma longa respiração – A nossa conversa com a vovó sobre a fazenda. – respondeu a versão mais nova de Emma.
- Eu também, Jen. – confessou a outra versão mais nova de Regina – Na realidade isso tem me deixado bem, bem apreensiva. – completou – Por mais que a vovó nos tranquilizou, ainda não consigo para de pensar nesse assunto.
- Eu também. O que podemos fazer? Já que ainda falta um tempinho para irmos para a universidade? – Jennifer quis saber.
O silêncio pairou no quarto – Acho que tive uma ideia. – soltou Lana abrindo um sorriso, então se deitando de lado e encarando sua irmã, que ainda estava deitada de costas, encarando o teto.
- Qual a ideia? – Jennifer finalmente se virou para encarar sua irmã, quando não veio a continuação do pensamento.
- A gente pode a partir de amanhã colar nas nossas mães e aprender tudo que for possível em como administrar a fazenda, a equipe, a parte temática de passeio, as aulas, fornecedores, veterinária... – foi falando empolgada – Tudo o que for possível de tudo da fazenda, e antes de irmos em definitivo para a universidade – fez uma pausa – O que você acha? – perguntou Lana por fim.
- Logo as aulas começarão, e como ficará? – Jennifer quis saber.
- Normal. Vamos para a escola como de costume, e quando estivermos livres dos deveres da escola, voltamos a colar nas nossas mães. – respondeu a morena.
- E quem irá colar com quem? – mais uma vez Jennifer quis saber.
- Podemos alternar. Um dia eu fico com a mãe e você com a mamãe. No outro dia trocamos. Então um dia nós duas juntas em uma, e no outro dia na outra. Vamos fazendo assim. – respondeu Lana, fazendo uma pausa – O que você acha? Da ideia de tudo?
Jennifer ficou pensativa – Acho que pode funcionar, uma vez que no momento é a nossa única opção.
Lana sorriu – Vamos fazer uma promessa. – se sentou na cama, ainda de frente para sua irmã – Vamos prometer que faremos de tudo para aprender sobre a fazenda, para continuar o trabalho de onde nossas mãe deixarem.
Jennifer também se sentou encarando sua irmã – Eu prometo. – disse veementemente.
- Eu também prometo. – jurou Lana. Mesmo no escuro o sorriso era evidente nos jovens rostos – Agora vamos tentar dormir, porque começaremos cedo amanhã.
- Sim. – concordou a loira. As duas se deitaram e agora que acharam uma solução momentânea, o sono veio sem nenhum problema.
No dia seguinte, as gêmeas levantaram cedo, prontas, desceram para a cozinha tomar café com suas mães e avó – Bom dia. – disseram, ainda sonolentas, devido as poucas horas de sono, assim que adentraram na cozinha.
- Bom dia! – cumprimentaram as mulheres mais velhas – Que milagre é esse de vocês a essa hora já estarem de pé, nos últimos dias de férias? – Emma quis saber ao ver a filhas se sentarem a mesa Porque realmente é um milagre elas logo cedo e já em pé!
- Apenas para acostumar a levantar cedo, já que logo as aulas começarão. – foi a resposta de Jennifer olhando para sua mãe.
- Então aproveitem muito o dia. – desejou Regina colocando a garrafa térmica de café na mesa, e se sentando ao lado de sua esposa Porque os primeiros dias serão de luta para tirar essas duas da cama por causa das aulas!
- Mãe, posso passar o dia com você? – Lana pediu se servindo ovos mexidos e bacon.
Emma a olhou confusa Agora fui surpreendida! – Achei que quisesse aproveitar seus últimos dias de férias. – comentou a loira depois de engolir uma garfada de seu ovo mexido com bacon.
Lana terminou de se servir de suco – Eu já fiz isso as férias inteiras, e queria fazer algo diferente hoje. – explicou a morena mais nova – Posso? – pediu novamente e abriu um imenso sorriso.
- Claro! – Emma sorriu Será divertido ver a Lala fazer as tarefas da fazenda! – Será bom ter uma companhia hoje. – olhou para sua outra filha Será que essa vem também? Tenho quase certeza que não! – Você vem também?
Jennifer negou com a cabeça terminando de engolir seu ovo mexido, então olhou para sua outra mãe – Eu posso ficar com você? – pediu Sabia! Foi pedir asilo para a outra mãe!
- Vou ficar o dia todo trancada no escritório. – comentou a advogada tomando um gole de seu café.
- Não tem problema, é como a Lala disse, queremos fazer algo diferente hoje. – respondeu a loira mais nova – Posso?
- Claro, não precisa nem pedir. – disse pegando duas fatias de pão e colocou em seu prato e olhando para onde estava a geleia – E você, mamãe, quais os seus planos? – quis saber enquanto besuntava suas fatias de pão com geleia de pêssego.
- John me pediu ajuda com um projeto, então passarei o dia na cidade. – respondeu então mordeu sua fatia de pão com geleia e queijo branco. A arquiteta apenas observava e sorria entendendo o que as gêmeas estavam fazendo. Terminaram de tomar café enquanto conversavam tranquilamente e depois cada uma tomou seu rumo. Cora fora para a cidade, Lana grudou em Emma e foram para o consultório veterinário, pois a loira precisava conversar com Ruby. Jennifer grudou em sua mãe morena, e as duas caminharam na direção do escritório.
Mãe e filha estavam concentradas, cada uma em sua tarefa, pois a advogada havia deixado sua filha grifar alguns valores nas planilhas em suas mãos, enquanto a mulher mais velha revisava alguns contratos. O silêncio pairava quando escutaram afobadas batidas a porta e viram que era Mary Margareth.
- Entre Mary. – convidou Regina deixando os papeis sobre a mesa e olhando para sua amiga – Precisa de algo? – questionou quando a viu se aproximar.
- Por minhas aulas, Regina... – disse em um misto de alegria e ansiedade – Aliás, boa tarde. – cumprimentou ao se sentar na cadeira que a advogada havia oferecido a frente de sua mesa.
Regina e Jennifer sorriram – Boa tarde. – responderam de volta – Aconteceu algo? Não encontrou Emma? – quis saber levemente confusa.
- Sim, aconteceu. – respondeu Mary ainda bem ansiosa – Não, calma. Não foi nada com as aulas ou a equipe. – completou quando viu o pânico tomar conta do rosto de sua amiga. Respirou para se acalmar – Sim, aconteceu algo, e foi algo maravilhoso. – finalmente abriu um sorriso.
Um sorriso sapeca surgiu nos lábios da advogada – Se você não me contar, acho que não consigo saber, afinal não sou vidente, sou advogada. – brincou no final Posso ter ascendência Porto Riquenha, mas não possuo o dom da vidência! Queria, mas não tenho!
O sorriso que já era grande nos lábios de Mary ficou maior ainda – Eu serei avó. – anunciou – Samantha está grávida. – repetiu.
Imediatamente os olhos de Regina se arregalaram – Oh Mary que notícia maravilhosa. – se levantou e foi dar um abraço – Fico muito feliz por você. – realmente estava feliz pela amiga Finalmente Neal está realizando o sonho dela!
- Eu ainda não acredito que serei vovó. – comentou toda bobona, voltando a se sentar depois de receber o abraço de Jennifer também.
- Quanto tempo de gravidez? – Regina quis saber.
- Quase três meses. – respondeu – Só fico triste por eles não querem casar.
A advogada olhou para sua amiga Isso é mera convenção burocrática! – Ah Mary, sabemos que atualmente casamento nem conta muito, mas o principal eles já fazem que é morar juntos, e já tem alguns anos isso. Dê tempo que uma hora eles se casam de papel passado. – fez uma pausa – Tom mesmo está enrolando Amanda já tem anos. – brincou E eu achando que esse namoro deles, era apenas passageiro! Ledo engano!
A morena de cabelo curto ficou pensativa por um momento – É, você tem razão. Tom está enrolando demais a Amanda. – brincou fazendo as três mulheres caírem na risada – Quem sabe agora com um bebê a caminho eles não pensem melhor em oficializar a união. – disse esperançosa.
- Vamos torcer para isso. – continuaram conversando por mais alguns minutos então Mary se despediu e voltou para seu afazeres na equipe.
-SQ-
- Tudo bem, pedidos de medicamentos autorizados. – comentou a loira entregando a planilha para a veterinária.
- Aqui o relatório dos nossos cavalos que estão doentes. – entregou uma pasta parda – No geral, todos estão melhorando, uns um pouco mais rápido e outros pouco mais devagar, mas logo a medicação começa a fazer efeito e eles estarão sadios novamente.
- Muito bom. Muito bom. – comentou Emma dando uma lida por cima nos papéis. Lana dando aquela espiada por cima – Bom, depois de amanhã iremos para Glens Falls, não se esqueça. – lembrou, deixando sua filha olhar os papeis com sua curiosidade.
Ruby soltou um longo suspiro – Não me aguento em emoção para fazer essa loooonga viagem.
- Posso ir junto? – Lana pediu esperançosa, devolvendo a pasta para sua mãe.
A loira olhou para sua filha Seria legal você ir, mas eu seria uma mulher morta se deixar você ir nesse exato momento! – Dessa vez não. – respondeu – Suas aulas começam no dia seguinte a nossa viagem, sem chance de faltar. – fez uma pausa e viu que Lana iria retrucar Não adianta! – Numa outra oportunidade você vai junto. – fez uma pequena promessa.
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- Vai depender de quando for a próxima viagem, tudo bem?
Lana soltou uma respiração – Não tem outra opção, né? – resmungou, mas aceitou seu destino. Emma e Ruby abriram um sorriso.
- Achei vocês. – falou um esbaforido David, já entrando no consultório – As duas juntas, melhor ainda. – tomou fôlego.
Emma olhou preocupada para David Onde é o incêndio? – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa na equipe?
O loiro negou com a cabeça, enquanto ainda tomava mais fôlego – Na equipe está tudo bem. As aulas também. – respondeu quando finalmente consegui se recuperar – Aconteceu algo que deixou Mary Margareth frenética. – continuou e sorriu de lado.
- Tudo bem, David. Nós não somos adivinhas para ficar adivinhando. – brincou a veterinária – Apenas nos conte o que deixou Mary frenética.
- Adivinhem? – ele brincou sorrindo abertamente feliz.
- Oh ser! – Emma deu uma pastada de leve nele – Desembucha de uma vez.
- Eu vou ser avô. – soltou todo orgulhoso.
- Parabéns! – a loira sorriu feliz pelo amigo e se levantou para dar um abraço no homem.
Ruby se levantou em seguida e foi dar um abraço no amigo – Que coisa boa, imagino como Mary deve estar pulando feito um canguru com essa notícia.
- Ela não cabe em si. – disse ele todo bobão.
- Imagino o quanto vocês devam estar felizes. – comentou Emma sorrindo Eu já tenho duas netinhas que amo demais! E claro, a espera de mais netos!
- Estamos muito felizes com essa notícia. – continuaram conversando por mais alguns minutos, quando David se retirou e voltou para a equipe.
- Vem pestinha, temos muita coisa para ver hoje antes do almoço. – a loira chamou por sua filha – Rubs, vamos nos falando.
A veterinária apenas assentou com um aceno positivo de cabeça – Vou fazer o pedido dos medicamentos e depois vou dar uma olhada nos cavalos doentes.
- Me mantém informada, por favor. – pediu já na porta e saiu com sua filha para irem para o celeiro que tinha os fardos de feno – Vamos arregaçar as mangas, porque vai ser trabalhoso. – falou quando entraram no celeiro, foi tirando seu chapéu e amarrando seu cabelo. Lana respirou fundo e tirou sua blusa xadrez, assim como Emma – Aqui. – entregou um forcado para sua filha e ficou com outro Vamos fazer alguns exercícios! – Você fica naquele lado e vou para esse, e vamos empilhando no centro, debaixo daquele mezanino. – apontou os locais.
- Tudo bem. – Lana encarou sua árdua tarefa. Conversando tranquilamente e coisas sem importância, elas foram empilhando os fardos de feno no local combinado. Quando perceberam já havia passado quase a manhã toda, e os fardos estavam todos empilhados no local.
- Está tudo bem? – perguntou Emma vendo sua filha um trapo, e se segurava para não rir Isso porque esse geralmente é o trabalho mais leve que tem!
- Tirando que só quero deitar e morrer, está tudo bem. – sorriu e massageou seu ombro direito – Tudo bem, qual a próxima tarefa? – pegou sua blusa xadrez.
A loira sorriu Melhor pegar leve por hoje, quase morreu nos fardos! – Vamos beber água e então vamos para o outro celeiro dar uma olhada nos cavalos. – pegou seu chapéu e o colocou. Lana respirou fundo e colocou seu chapéu também. Ainda conversando coisas sem importância foram caminhando sem pressa para o outro celeiro.
-SQ-
- Então, como foi o dia diferente de vocês? – Cora perguntou tomando um gole de sua taça de vinho, enquanto jantavam.
- Foi legal, sabia que tinha muita burocracia, mas não sabia que era tanta assim. – respondeu Jennifer colocando uma garfada de sua comida na boca.
A advogada apenas deu uma risada Isso porque nem te mostrei nossos “arquivos secretos” na outra sala! – Você não viu nem um quinto da burocracia. Outra hora te mostro nossa sala de arquivos e então você terá noção do que é burocracia. – brincou, mas tinha um fundo bem grande de verdade ali naquele comentário, tomou um pequeno gole de sua taça de vinho.
- Sem problema, vou encarar com coragem a burocracia. E a temida sala de arquivos. – brincou a loira mais nova depois de engolir a garfada de comida.
A arquiteta sorriu, então olhou para sua outra neta – E você, Lala? Como foi? – quis saber, cortando um pequeno pedaço de sua carne e então a colocando na boca.
Lana estava tomando seu suco – Foi bem puxado fisicamente... – respondeu quando terminou de tomar todo o seu suco – Apesar disso, até foi legal. – soltou uma longa respiração – Mas estou bem cansada, que acho que irei dormir quando terminar o jantar. – colocou mais suco para si.
- Quase morreu nos fardos de fenos. – brincou a loira Nem tão brincadeira assim! – Será bom dormir para descansar, que amanhã temos mais coisas para ver e fazer. – disse Emma tomando um gole de sua root beer.
Lana em um gole tomou quase metade de seu copo – Como disse Jen, vou encarar com coragem os desafios físicos da fazenda. – brincou e abriu um sorriso antes de voltar a comer sua comida.
- Tenho esperança nisso. – Emma sorriu para a filha. Continuaram jantando e conversando coisas aleatórias.
Dessa vez Cora deu uma colher de chá para suas netas e assumiu a tarefa de lavar e secar a louça do jantar, enquanto as meninas se despediram e foram dormir. No dia seguinte, basicamente fora a mesma coisa, Emma e Lana percorrendo a fazenda, Regina e Jennifer no escritório com a papelada e Cora foi para o escritório de John para ajudá-lo no projeto.
Ainda estava escuro quando Emma colocou sua mala no banco de trás da pick-up, Ruby também havia deixado sua mala no banco.
- Aqui a garrafa de café para não dormirem na estrada. – Regina entregou a garrafa térmica para sua esposa, que a deixou no suporte entre os bancos da frente Saudade do café de Bah!
Emma deixou um beijo nos lábios de sua esposa – Vou mantendo contato. – disse e olhou para sua irmã de vida – Vamos Rubs, que quanto antes formos...
- Mais cedo voltamos. – completou a veterinária, quando havia acabado de se despedir de sua esposa, e foi para seu lado no veículo. A loira fez um gesto com o braço para Kristoff, apenas fez um sinal com as luzes do farol do caminhão. Sem mais demora, a loira entrou no veículo e no segundo seguinte estavam na estrada que os levaria para a rodovia.
O dia logo amanheceu e como Emma já não estava na fazenda para Lana acompanhá-la, acabou se juntando a sua irmã e mãe confinadas no escritório. Apesar de Regina insistir para elas aproveitarem o último dia de férias, mas foram veementemente que iriam ficar com a advogada. No dia seguinte, foram para a escola no primeiro dia do penúltimo ano de ensino médio, e quando voltavam se juntavam a Regina na papelada da fazenda. Ao longo do dia Emma e Regina iam trocando mensagens e assim foram se passando os dias, até finamente Emma e Ruby estarem de volta com o caminhão que Kristoff dirigia cheio de cavalos.
Chegaram era início da madrugada, atrasaram devido a um temporal no meio do caminho que os forçaram a parar no posto mais próximo e esperar passar. Eles e mais uns dois ajudantes da fazenda desceram os cavalos, trataram deles, mas claro os deixando separados dos demais. Então arrumaram tudo e cada um tomou seu rumo, com Emma dizendo para eles tirarem o dia de folga para descanso.
Sem fazer barulho, ela entrou pela cozinha. Os cachorros vieram ao seu encontro, mas ela conseguiu que eles não fizessem tanto barulho para não acordar ninguém. Subiu e viu que o silêncio ainda pairava no segundo andar. Foi até o quarto e viu que sua esposa dormia abraçada a seu travesseiro Enfim, em casa! Sorriu, depois de tantos anos e a morena ainda tentava minimizar a falta de sua esposa, dormindo abraçada ao travesseiro da loira. Pegou sua roupa e foi para o banheiro de hóspedes tomar um banho. Minutos depois voltou e viu que Regina não havia mudado de posição. Sem pressa e com cuidado, se deitou no seu lado da cama, e instintivamente Regina soltou o travesseiro da loira e se virou para o outro lado. Emma sorriu e pegou seu travesseiro, depositou um beijo leve nos cabelos morenos, se ajeitou debaixo das cobertas Sim, finalmente em casa! não demorou para o sono tomar conta do seu cansado corpo.
Os olhos de Regina foram abrindo com o barulho dos passos de suas filhas no corredor, olhou para o relógio ao lado da cama, e viu que era hora de levantar Vamos para mais um dia! Ao se espreguiçar ainda deitada, acabou percebendo que Emma estava dormindo ao seu lado. Um sorriso apareceu em seu rosto Finalmente chegou! se mexeu para depositar um breve beijo em sua esposa, e se levantou. Colocou seu robe, soltando uma respiração de satisfação com sua esposa em casa, desceu as escadas e foi para a cozinha preparar o café da manhã. Minutos depois, Cora se juntou a filha e netas, tomaram café. Já que Cora iria para o escritório de John, aproveitou para dar uma carona para as netas até a escola.
Regina terminou de lavar a louça do café, e um sorriso travessa surgiu em seus lábios Vou recepcionar a minha loira! Enxugou as mãos e foi na direção da escada. Abriu a porta lentamente para não fazer barulho e abriu um sorriso ao ver sua esposa dormindo de barriga para baixo, seus braços debaixo do travesseiro, e a cabeleira loira espalhada pelo mesmo. O sorriso e alargou, fechou a porta, tirou seu sobe, e com cuidado subiu na cama engatinhando e pousou seu corpo sobre o de sua esposa, e começou a salpicar beijos na mesma – Não escutei você chegar ontem. – murmurou ao perceber que sua esposa estava levemente acordada.
- Cheguei tarde, e não quis te acordar. – respondeu com voz de sono, enquanto ao mesmo tempo foi se virando para ficar de frente para sua esposa, mas ainda se mantendo por baixo da mesma Adorei a recepção!
Regina sorriu e sem dizer uma palavra uniu seus lábios com os de sua esposa apaixonadamente – Seja bem-vinda. – disse assim que quebrou o beijo.
- Por uma recepção assim, acho que até encaro mais viagens para Glens Falls. – brincou a loira buscando os lábios de sua esposa novamente Mentira, não quero ir tão cedo para lá! As mãos da loira ganharam vida, e sem perceber Regina soltou um gemido promiscuo – Shhiiu morena, temos mais moradoras na casa. – argumentou sem noção nenhuma de que horas eram Não quero ser pega no ato!
- Não se preocupe... – mais um beijo ardente Só tem nós duas! – Elas acabaram de sair, e não voltarão até o final da tarde... – mais um beijo apaixonado Depois de muito tempo! – Temos a casa só para nós.
Emma sorriu e no instante seguinte, inverteu as posições, ficando sobre sua esposa Se é assim! – Vamos aproveitar. – atacou os lábios de sua esposa. No segundo seguinte, as mãos alvas se embrenharam por baixo da curta camisola de seda, e foi subindo suavemente pelas laterais do corpo moreno, levando o tecido junto. O beijo foi quebrado brevemente para Emma se livrar daquela peça, que naquele momento era inútil. Os lábios de Emma, começaram a percorrer um caminho descendente pela pele morena, quente e macia. Suas mãos passeavam reconhecendo cada curva, que sabia a perfeição – Ah morena, como é possível depois de tantos anos, eu te amar mais ainda de quando nos conhecemos? – perguntou ao subir se maravilhando da visão a sua frente, quando seus olhos se encontraram novamente Como posso te amar mais ainda?
- Apenas sendo possível, porque eu também te amo mais ainda. – disse entendendo o sentimento de sua esposa. Suas mãos agarraram a beirada da camiseta regata branca – Muita roupa. – murmurou e puxou a peça ofensora e a descartou em qualquer lugar quando o corpo de sua esposa estava livre, um sorriso safado surgiu nos lábios Vamos provocar um pouquinho! – Me mostre todo esse amor. – provocou.
A loira balançou brevemente a cabeça de um lado a outro Como é sem vergonha a minha morena! – Você que pediu. – entrou na provocação. Os lábios se juntaram em um ardente beijo, então Emma abriu brevemente seus lábios, assim que sentiu a língua de Regina pedido passagem. Ela massageava sua língua contra a dela, criando uma dança de desejo que era apenas delas. Um grunhido escapou da loira, pois ela amava beijar os lábios de sua esposa. Os braços da advogada rapidamente rodearam o pescoço de Emma, deixando marcas vermelhas pelas costas alvas, puxando para mais perto de seu corpo de sua esposa contra o seu, seios contra seios. Emma se embriagou com o doce perfume inebriante de Regina. O mesmo que ela caiu apaixonada desde a primeira vez que se conheceram. A Emma das cavernas que habitava na loira, depois de um longo período de hibernação devido as tarefas do casamento e filhos, acordou faminto e ela enterrou o rosto contra o pescoço da morena, seus lábios beijando avidamente toda a carne exposta.
Um gemido escapou dos lábios de Regina, enquanto sua cabeça se inclinava para o lado, concedendo a Emma maior acesso, já sentindo aquela sensação, já conhecida, que percorria o corpo da advogada enquanto os lábios de Emma beijavam seu pescoço. Seus dedos arranharam e agarraram o cabelo de Emma quando ela sentiu uma língua quente e molhada provando e provocando sua carne em pequenas mordidas nos locais certos de seu pescoço, mas sem deixar marcas. Os dois corpos se fundindo com duas peças feitas para o perfeito encaixe. Seus lábios se fundiam novamente em mais um beijo ardente, as mãos com vida própria, exploravam os corpos uma da outra, quando esbarraram numa tola barreira. As mãos morena se livraram rapidamente da calcinha de Emma. Os dedos alvos se enrolaram no elástico da insultante peça – Não vá arreben... – não deu tempo de terminar a frase, quando escutou um som característico – Tar.
- Já foi. – o sorriso traquina de Emma denunciava que ela iria fazer aquilo mesmo que sua esposa pedisse para que não o fizesse. Suas calcinhas jogadas no chão, ambas gemeram de puro prazer enquanto ambos os sexos se tocaram – Puta merda, morena. Sempre parece ser a primeira vez.
- Para mim sempre é melhor a cada vez. – Regina puxou Emma pela nuca e colaram suas bocas novamente, silenciando a falação.
Emma não pode resistir à vontade de mover seus quadris contra os de sua esposa, ao mesmo tempo que seu próprio sexo massageava contra o de sua esposa. As duas mulheres ficando instantaneamente sem fôlego, olhos verdes encarando os castanhos agora.
A mão de Emma se moveu entre seus corpos pressionados enquanto seu dedo encontrava a entrada tão familiar. Regina soltou um gemido alto quando sentiu outro dedo sendo inserido. A advogada não se segurou, permitindo que sua mão alcançasse a tão desejada parte do corpo de sua loira, inserindo dois dedos com a mesma ansiedade, apreciando a facilidade com que eles entravam. Isso a excitou ainda mais quando Emma soltou seu gemido enquanto os dedos trabalhavam juntos em um movimento de entrada e saída. Quadris movendo-se contra quadris, gemidos sendo trocados, respirações ofegantes fazendo com que seus movimentos se acelerassem cada vez mais.
Emma estava tão prazerosa ao mesmo tempo em que seus movimentos se tornavam mais rápidos, sua mão livre envolvendo um seio perfeitamente arredondado enquanto as unhas de uma mão livre de Regina fincou nas costas pálidas de sua esposa, deixando marcas vermelhas. Seus movimentos também se acelerando. Seus corpos tremiam, os músculos endureceram quando ambas alcançaram orgasmos juntas. Tendo a casa apenas para elas, não sentiram a necessidade de fazer silêncio, enquanto gemiam, quase gritando.
Seus corpos desaceleraram seus movimentos enquanto as duas mulheres desciam do êxtase que tinham dado uma à outra enquanto seus dedos deslizavam lentamente de onde tinham entrado. Beijaram-se calmamente, fazendo a respiração voltar ao normal mais uma vez. Sem pressa, quando terminaram o beijo, a loira saiu de cima de sua esposa, mas deitou ao lado da mesma, a olhando apaixonadamente.
- Acho que você falhou na sua demonstração completa do quanto me ama. – a morena provocou, apenas havia virado sua cabeça para olhar sua esposa Quero mais!
Emma deu um sorriso de lado Safada! – Ah morena, eu nem comecei, mas vou te mostrar o quanto te amo, porque vou te chupar tanto, mas tanto, que vai gozar na minha boca, e você ainda terá a sensação da minha boca percorrendo seu corpo o dia todo. – e no minuto seguinte já estava sobre sua esposa novamente e não a deixou falar, colando seus lábios em um novo beijo ardente. O beijo de Emma foi tão convidativo, que fez a mente de Regina ficar em branco.
Ergueu-se um pouco, quando quebrou o beijo, Emma permitiu-se deleitar seus olhos no corpo moreno. Os olhos verdes absorveram os seios perfeitamente arredondados da morena, sua boca, colou no pescoço moreno e foi deixando um rastro de pequenas chupadas, o suficiente para deixar o local quente, mas sem marcas, aninhou os mamilos com suas mãos, segurando os dois tão ansiosamente. Emma lambeu os lábios quando ela então tomou um mamilo endurecido em sua boca enquanto um suspiro escapou da advogada enquanto ela estava sendo adorada pela loira, sentindo sua língua quente enquanto ela a chupava. Só o mero pensamento de sentir a boca de sua esposa já estava fazendo suas coxas tremerem e seu sexo pulsar com antecipação.
- Ah minha morena... – comentou Emma. As mãos da loira continuaram brincando com os seios da morena, enquanto sua boca continuou trilhando um caminho sensual que começou desde a boca, passando pelo queixo, pescoço, chegou ao colo, então aos seios. Sem pressa Emma tomou novamente o mamilo direito em seus lábios, enquanto o outro era excitado pelos ágeis dedos alvos. Sem pressa, a loira se deleitou no seio, chupando-o, mordendo-o, acariciando-o com sua língua, e quando achou que já dera atenção suficiente, novamente trilhando um caminho de beijos nada contidos, a loira chegou ao outro seio, dando a mesma atenção ao irmão. As mãos de Regina se embrenharam nas madeixas loiras, tentando não força a cabeça de mesma contra seu peito, mas era uma luta quase perdida. Sua boca semiaberta, olhos fechado, apenas gemidos ofegantes saiam. A loira sabia que ali era um dos fortes pontos sensíveis da morena, então deu toda atenção especial a eles.
- Em... Em-ma... – gemeu Regina sentindo em seu baixo ventre aquela conhecida sensação começando a se acumular mais uma vez. Com um sorriso maroto de lado, Emma começou a trilhar novamente um caminho de pequenos beijos pelo corpo todo da morena, que foi pega de surpresa quando sentiu suas pernas sendo levantadas, apenas para senti-las repousando sobre os ombros da loira. Mordendo o lábio enquanto esperava o que estava por vir, a loira fez o seu caminho através das pernas de sua esposa, mas não antes de deixar um rastro molhado no abdômen da mesma, parando abaixo do umbigo. Um gemido escapou dos lábios de Regina, demonstrando o quanto ela amava o quão bem Emma podia trabalhar sua língua, demonstrando todo seu amor. Aquilo era algo fora deste mundo e a morena nem reclamava por isso.
Então começou a distribuir beijos na parte interna da coxa direita, então passou para a coxa esquerda. Sempre sem pressa alguma, apenas aproveitando o momento. As mãos de Regina instintivamente foram novamente para os cabelos loiros, e enterrou as pontas de seus dedos na vasta cabeleira – Adoro seu cheiro... – Emma falou, passando a ponta do nariz por todo o sexo, arrepiando a pele morena e arrancando um breve gemido dos lábios da mesma – Adoro seu gosto... – a língua começou a se infiltrar por entre os grandes lábios e veio percorrendo toda a extensão do sexo da morena até chegar ao púbis e novamente depositar outro beijo, mas esse de boca aberta e terminando com uma leve sucção.
- Ai Em-ma... Não tortura, por... favor... Só mostre o quanto me ama... – gemeu Regina olhando lascivamente para a loira perdida entre suas pernas – Me come logo! Me chupa bem gostoso. Quero gozar na sua boca. – pediu despudoradamente.
Emma sorriu – Ah morena, vou te chupar todinha e bem gostoso. – murmurou contra o sexo de sua esposa. Um gemidos lascivo escapou dos lábios de Regina ao sentir seu sexo vibrar com as palavras de sua esposa. As mãos da loira passeavam fervorosamente pela parte de trás das coxas, deixando algumas marcas vermelhas, até finalmente se fixarem nas nádegas e ali apertarem com força ao mesmo tempo em que a boca da loira abocanhou o sexo de Regina. Aquele gesto da loira fez com a morena jogasse a cabeça trás, afundando no travesseiro, seguido por um alto gemido extasiado que saiu de seus lábios. Instintivamente a morena começou a mexer seus quadris de encontro com a boca de Emma que a devorava impiedosamente. O desejo da loira estava estampado na forma como saboreava aquele fruto raro, suas mãos deixando marcas vermelhas nas nádegas ao mesmo tempo que ajudavam os movimentos dos quadris de Regina, aumentando mais ainda o prazer que a loira proporcionava a sua morena. Emma alternava entre chupadas leves, chupadas fortes, massagens, e leves mordidas no clitóris. O abdômen de Regina se contraía involuntariamente diante de tanto prazer que estava recebendo, sua respiração já estava pesada e fora de ritmo, seu coração parecia que estava correndo uma maratona de tão acelerado que estava. Sua boca aberta permitia todos os gemidos saírem sem problema nenhum. Ela voltou a olhar para a loira entre suas pernas, sua pele estava arrepiada pelo mix de sensações que estava sentindo, o lençol debaixo dela, apenas ajudava na alta temperatura de seu corpo. Seus quadris se movimentavam de acordo com o movimento da boca de loira.
- Em-maa... – começou Regina, pois sentia que o orgasmo estava chegando e esse seria mais forte que o anterior – Den-dentro! – pediu com a respiração entrecortada.
- Não! – respondeu a milímetros, fazendo o sexo de sua esposa vibrar novamente, mas Regina soltou um murmuro contrariado – Vou só te chupar. – falou e colou novamente sua boca no quente e ardente sexo de sua esposa, retomando as chupadas vigorosas. O gemido ecoado no quarto fez a loira se arrepiar e continuar sua degustação se intensificar mais. Aquela sensação que estava se acumulando em seu baixo ventre, entrou em ebulição. Regina estava em combustão, sua temperatura corporal que a cada instante só aumentava assim como aquela sensação em seu baixo ventre borbulhava devido ao que Emma estava fazendo em seu sexo, era como se seu sexo fosse um fogo queimando ardentemente e seu baixo ventre fervesse e estivesse a ponto de transbordar. Então no instante seguinte, o gemido visceral que saiu dos lábios de Regina, foi majestoso.
O corpo moreno todo paralisou por alguns instantes, apenas sua respiração entrava e saída através de sua boca, pois era automático. Emma continuou dando beijos, agora, suaves em todo o sexo de Regina, limpando algum traço de seu orgasmo. Quando achou que havia dado atenção suficiente a fruta proibida de Regina, Emma tirou as pernas que estava mole de cima de seus ombros a posicionando no colchão novamente. Apoiada em suas pernas e braços, foi subindo seu corpo, sem deixar admirar sua morena, mostrando que ela estava ali. Os olhos de Regina ainda turvos devido ao prazer que acabara de chegar, vagarosamente envolveu seus braços ao redor do pescoço da loira quando começou a ter novamente o comando de seu corpo, puxou sua esposa contra seu cansado corpo. Emma sorriu apaixonadamente para sua amada, se deixando ser envolvida pela sua morena. Com seus dedos entrelaçados na nuca da loira, Regina puxou Emma para um beijo cheio de paixão, amor e carinho.
-SQ-
Júlia estava com o pensamento longe naquele começo de tarde, ainda não havia nenhum paciente agendado, e muito menos uma emergência.
- Oi mamãe. – atendeu o celular quando viu que era sua mãe morena.
- Oi minha filha, como está? – veio a voz da morena do outro lado da linha.
A médica sorriu – Vou bem, apenas com muita coisa na cabeça. E vocês? A mãe, como está? – quis saber.
- Aqui está tudo bem, sua outra mãe acabou de viajar para Glens Falls, e os gêmeos estão cada um em lugar para os estudos. As gêmeas estão na escola, já que começou o ano letivo.
- Nossa, quanta coisa. – comentou e sorriu, mesmo sua mãe não podendo ver o sorriso.
- Bom, estou ligando para falar sobre a proposta de emprego que você me enviou. – a advogada foi ao motivo da ligação.
- Uia, não esperava que me ligasse tão rápido assim. – comentou surpresa – Mas o que você acha?
- Judicialmente não vejo nenhum problema ou nada subentendido nas entrelinhas, é o que está escrito mesmo. – respondeu Regina – Agora o que eu acho? Acho uma proposta muito boa de emprego, e o principal, benefício a todos os envolvidos. – fez uma pausa – Quanto a salário, folgas e direitos sobre pesquisa, se para você é compatível com o que você acha justo, não vejo porque não aceitar.
- Entendi. Vou terminar de ler, antes da reunião com a diretoria do hospital, e levar tudo em conta. – comentou a morena mais nova – Obrigada mãe.
- Se precisar que vá para Boston quando você for falar com os representantes do hospital de Los Angeles, caso, aceite a proposta, só me avise. – ofereceu Regina.
- Não vou negar a sua ajuda. – concordou Júlia sorrindo – Te ligo novamente. – se despediram e o celular foi colocado sobre o lugar vazio sobre o sofá, já que Júlia estava aproveitando suas horas de folga em casa.
- O que tia Regina disse sobre a proposta? – Meghan saiu do quarto delas, terminando de se arrumar, já que ia para o hospital.
- Que é uma proposta clara e sem enganação, e que deveria acertar se eu achar válida todas as opções. – respondeu Júlia olhando para sua esposa.
- Bom, eu não vou dizer o que você deve ou não fazer, mas estou aqui te apoiando qual seja a sua decisão. – disse Meghan se sentando ao lado de sua esposa, do outro lado no sofá, que estava vago.
- Obrigada. – Júlia sorriu – Tenha um bom dia de trabalho. – deu um beijo suave em sua esposa – Você será a primeira a saber qual seja a minha decisão.
Um sorriso iluminou o rosto da veterinária – E você aproveite sua folga, qualquer coisa me liga. – falou Meghan se levantando e já saindo na direção da porta.
Despediram-se e então sozinha novamente, Júlia sorriu ao ver seu gatinho dormindo confortavelmente na almoçada que ele usava como cama e voltou sua atenção a proposta em seu colo. Ela não resistiu quando viu esse gatinho lá no hospital quando os donos falaram que não queriam mais o bichano, agora tinha um novo lar, uma nova família que o amava muito e se um dia ele foi abandonado, agora não se lembra mais devido a vida de marajá que havia ganhado.
-SQ-
- Bom dia Doutora Swan-Mills. – falou o diretor geral do hospital – Agradeço por vir. – estendeu a mão indicando a cadeira vaga na enorme mesa de reunião.
- Bom dia senhores. – cumprimentou antes de sentar, o restante do corpo diretório responderam logo em seguida.
A senhora mais velha, ali presente Cassandra Gordon, era a diretora geral do hospital – Doutora Swan-Mills, obrigada por vir. – disse, sentada a ponta da mesa diretora. Júlia apenas assentiu com a cabeça – Bom, creio que já deva saber o motivo de sua presença aqui. – começou.
- É a parceria entre os hospitais, não?
- Exato. – a senhora respondeu – Os representantes do outro hospital marcaram uma reunião conosco, e eles nos contaram sobre tudo. Sobre a primeira proposta de emprego e a sua recusa, e então a parceria que poderia beneficiar a todos nós. O MassGen, o hospital de LA e claro, você.
Júlia assentiu com um aceno de cabeça – Sim, depois eles conversaram comigo e deixaram uma cópia da proposta. – comentou a médica – A qual eu li, e conversei com a minha advogada sobre isso. – completou – Por favor, não estou duvidando de nada, apenas quis um respaldo jurídico.
- Todo direito seu. – concordou Corey Gordon, vice-diretor geral.
- Então estamos aqui para saber qual será o próximo passo. – falou Cassandra – Porque bem ou mal envolve a todos.
Júlia soltou uma longa respiração – Eu ainda tenho mais alguns dias para dar uma resposta aos representantes. Mas eu vou aceitar a proposta, porque será benéfico a todos. Amanhã eu vou ligar para os representantes e marcar um horário com eles.
- Se você nos permitir, podemos fazer isso e marcamos aqui na sala de reuniões. – sugeriu Cassandra.
- Aceito a oferta de ser aqui nessa sala a reunião, mas acho respeitoso que eu faça a ligação, se não se importarem. – comentou Júlia – Como disse, como um respaldo jurídico, gostaria que a minha advogada estivesse presente nessa reunião.
- Não nos opomos de forma nenhuma. Também teremos o nosso advogado presente, já que você irá aceitar a proposta. – concordou a diretora geral – Peço apenas que nos avise o dia e o horário que marcar, por favor.
- Pode deixar que avisarei. – Júlia se levantou – Bom, se não precisam mais de mim, voltarei para meus pacientes.
- Fique a vontade. Agradecemos novamente. – falou Corey. Despediram-se e Júlia voltou para sua sala.
-SQ-
- Boa tarde senhoras e senhores, agradeço por aceitarem fazer a reunião aqui na sala da diretoria do hospital. – falou Cassandra sentada a ponta da mesa – Espero que esteja tudo bem, que nossos advogados estejam presentes. – apontou para o advogado do hospital e para Regina, ao lado de Júlia.
- Agradecemos. – falou Aysha sorriu educadamente – De modo algum, eles podem acompanhar a reunião. — então olhou para a médica – Então doutora, creio que temos uma resposta para nossa proposta.
- Sim, vocês têm. – falou Júlia séria – Eu aceito a proposta de emprego de vocês, mediante a tudo que está na proposta que me entregaram.
- Não tenha dúvidas disso. Então fechamos o acordo? – comentou Oswald sorrindo satisfeito após o aceno afirmativo de cabeça de Júlia, abriu sua pasta, pegou cópias do contrato – Aqui está o acordo. – entregou uma cópia para Cassandra e outra para Júlia, que imediatamente passou para sua mãe.
Regina começou a ler o contrato, assim como o advogado do hospital – Está tudo em ordem, tudo que estava na proposta está aqui. Não vejo problemas em oficializarmos o acordo. – entregou a cópia para sua filha.
- Concordo com a advogada da doutora Swan-Mills. – falou o advogado do hospital – Nada a mais ou retirado do combinado.
- Então vamos assinar. – Aysha disse empolgada. Tanto Júlia quanto Cassandra assinaram, para logo depois Oswald e Aysha também assinarem. E como testemunhas os advogados. Todas as cópias foram assinadas.
- Mesmo sobrenome? – Oswald estava confuso.
Júlia sorriu – Desculpem, minha mãe é a minha advogada. – esclareceu.
- A cada minuto sinto que realmente fizemos a escolha certa em insistir com a nossa oferta de emprego para você, doutora. – comentou Aysha – Bom, então creio que estamos todos de acordo... – foi pegando uma cópia de cada contrato assinado, enquanto deixava outra com Júlia e Cassandra – Agradeço profundamente a nossa nova parceria, que acredito que será cheia de bons frutos futuros para todos nós. – estendeu a mão apertando as outras mãos.
- Bom, senhoras e senhores, assim que conversamos com os diretores do hospital de Los Angeles, entraremos em contato para começarmos as obras necessárias. – foi a vez de Oswald falar – Até breve. – se despediram e saíram.
- Doutora, fico muito feliz que tenha aceitado a proposta. – comentou Cassandra olhando para as duas mulheres que haviam se levantado.
Júlia sorriu – Se eu não tivesse aceitado, eles viriam atrás novamente. – brincou, fazendo os quatro ali presentes rirem – É uma proposta que será ótima para todo mundo, não tinha porque não aceitar. – fez uma pausa – Bom, também fico feliz pela parceria. Vou aproveitar o restante da minha folga para mais tarde vir para o meu plantão. – despediram-se e mãe e filha saíram da sala.
- Doutra, com licença... – falou Cindy, depois de dar três batidas e abrir a porta da sala – Sua paciente das três já esta ai, pode mandar entrar?
- Claro, pode favor. – pediu Júlia voltando a realidade, e sorriu. A secretária apenas assentiu com um aceno e fechou a porta assim que saiu.
-SQ-
Emma estava concentrada em fazer seus relatórios. Olhos castanhos estavam atentos a qualquer movimento que a loira fazia. Seu corpo tremeu brevemente quando viu os lábios de sua esposa tocar a caneca em que estava bebendo seu café Droga! Ela cumpriu a promessa de me fazer sentir os lábios dela por meu corpo o dia todo! Quando alguns lampejos do que havia acontecido naquela manhã voltou, fechou os olhos e se concentrou em seu contrato.
Um sorriso de lado surgiu nos lábios de sua esposa – Está com frio, morena? – brincou Eu exatamente o que está passando pela sua mente! Lábios, beijos e sensações durante o dia todo!
- Por que estaria com frio? – questionou ainda com os olhos fixos no papel a sua frente, pois sabia exatamente porque sua esposa lhe perguntava aquilo Aparente estar tranquila, rápido!
Uma risada escapou dos lábios de Emma Engana muito mal! – Por nada, é que vez e outra percebo alguns pequenos tremores em você. – respondeu safadamente.
- Apenas tédio de ficar lendo contratos hoje. – disfarçou, limpando sua garganta e se concentrando nas linhas no papel a sua frente.
- Sei... – foi apenas o que Emma comentou rindo e voltando a sua atenção a tela do computador a sua frente.
- Chegamos mamãe! – anunciou Lana assim momentos antes de abrir a porta.
- Salva pelo gongo. – brincou Emma rindo, enquanto Regina apenas ergueu uma sobrancelha.
- O que temos que fazer hoje? – perguntou Lana assim que abriu a porta do escritório – Mãe! – exclamou a morena mais nova ao ver sua mãe ali. Jennifer abriu um sorriso vendo Emma ali também, e imediatamente as duas adolescentes foram correndo abraçar sua mãe loira.
- Surpresa! – brincou a loira mais velha.
- Quando você chegou? – Jennifer quis saber.
- Agora de manhã. – respondeu Emma voltando a se sentar em sua cadeira – Como foi esses dias aqui na fazenda? – quis saber começando uma conversa.
- Confesso que senti falta de te acompanhar. – confessou Lana pegando os papeis que sua mãe lhe entregou, depois de ter indicado o que precisava ter feito – Hoje nós vamos andar pela fazenda? – quis saber.
- Foi bem burocrático. – brincou Jennifer voltando a sua tarefa de ontem que não havia terminado.
Emma riu – Burocracia muitas vezes é bem chata, mas faz parte. – respondeu então olhou para sua outra filha – Hoje não, eu preciso preencher alguns papéis da viagem. – escutou uma respiração frustrada sair dos lábios de Lana – Sei que estava doida para sair dos papeis e levantar uns fardos de feno, amanhã eu prometo que podemos correr pela fazenda.
- Já que não podemos largar os papeis hoje. – resmungou a morena mais nova e as duas mulheres mais velhas apenas sorriram, e cada uma voltou para sua tarefa.
-SQ-
- E a bola voa na direção da defesa, e Tom corre para na direção dela, e para tentar alcançá-la salta com seu braço estendido... – parou a narração – Opa, assim que Tom tocou no chão, desabou e imediatamente sua mão foi direto para seu joelho esquerdo. O juiz interrompeu a partida para ver o que aconteceu.
- Olha, com o replay da jogada, Tom aterrissou de mal jeito, olha como a perna está torta, e isso acarretou em alguma contusão no joelho esquerdo. – disse o comentarista.
- Pelo jeito que ele está segurando o joelho, creio que ele não tem outra opção a não ser a substituição. – disse o narrador – Agora entra em campo a equipe médica e o técnico, para avaliarem a situação de Tom.
- Toda preocupação agora é necessária, e nesse instante o médico chama o maqueiro. – falou o comentarista – Vamos torcer para que não seja nada e que ele possa voltar a jogar.
- Vamos torcer para isso. – concordou o narrador – Agora o técnico sinalizou a substituição. E por hoje o jogo acabou para Tom. – fez uma pausa pequena – O juiz indicou para retomar o jogo e repetir a jogada... – continuou narrando – Atenção, exames preliminares indica rompimento do ligamento do joelho. A equipe médica comentou que amanhã farão mais exames para saber realmente a extensão da lesão de Tom.
- É uma pena, ele vinha jogando mais uma temporada excelente. – disse o comentarista – Mas vamos torce para que não seja nada grave, que ele consiga se recuperar logo e que volte a jogar.
- Sim, vamos torcer para isso. Enquanto isso o Red Sox consegue mais uma corrida, e assim vai encaminhando mais uma vitória. – narrou.
-SQ-
- Tom? – atendeu Emma – Você está bem? – perguntou preocupada, havia escutado o que havia acontecido com o filho durante o jogo, mas sabia que era inútil ligar para saber notícias – Vou colocar no viva-voz, sua mãe também está aqui.
- Tirando o que houve no jogo, acho que sim. – respondeu.
- Onde você está? – Regina perguntou preocupada.
- Estou no hospital, a equipe está aqui comigo. – informou – Sei que já sou grandinho, mas será que uma de vocês poderia vir me pegar? – pediu – Não quero incomodar ninguém aqui.
- Claro que vamos. – respondeu Emma olhando para sua esposa Quem vai?
- Liga para a Jú. Se ela não estiver em plantão, ela pode te fazer companhia enquanto estaremos indo para Boston, pode ser? – sugeriu Regina olhando para sua esposa.
- Sim, claro. – concordou Tom – Vou desligar para ligar para a Jú, e vou esperar por vocês.
- Depois passa por mensagem qual hospital está. – pediu a morena antes do filho desligar.
- Tudo bem, eu passo sim. Esperando por vocês. – disse e desligou.
Emma olhou para sua esposa – Acha melhor irmos as duas ou apenas uma de nós?
Regina parou por um instante – Não adianta nos afobarmos, que não ajudará a situação de Tom. – comentou colocando uma mão em sua testa e a outra na cintura.
A loira olhou para sua esposa Ela tem razão! – Vá você e me mande notícias assim que puder. Afinal você ainda é a empresária dele. – escutou seu celular apitar – Tom mandou mensagem, ele está no mesmo hospital em que Júlia trabalha. Disse também que a Jú está trabalhando nesse momento, e só ia terminar a consulta e já ia para o andar dele.
A advogada apenas assentiu com a cabeça e saiu para fazer uma pequena mala para poder viajar para Boston – Assim que eu chegar mando notícias. – se despediu e entrou na pick-up azul, apenas esperou pelo aceno de Emma e deu a partida no veículo e em seguida estava na direção da rodovia.
-SQ-
- Tom! – falou Júlia assim que entrou no quarto em que estava – Com você está? – deu um abraço no irmão.
- Não estou sentindo tanta dor, porque me deram um analgésico. – comentou e soltou um suspiro – Disseram que talvez eu possa ter rompido o ligamento. – explicou.
Júlia indicou o cobertor se poderia erguer e recebeu um aceno positivo de seu irmão. A médica olhou o joelho já inchado, com muito cuidado colocou a mão e observou o joelho enquanto ia mexer vagarosamente – Acho que é isso mesmo Tom. – comentou – Sei que não é a minha área, mas lembro das aulas na universidade.
- Então está ruim mesmo. – falou desanimado – E agora? – quis saber.
- Vamos fazer mais exames amanhã quando o joelho estiver menos inchado, e avaliar melhor o grau da sua lesão. – respondeu o médico da equipe que havia acabado de entrar no quarto – Depois de examinarmos melhor, então veremos qual procedimento iremos adotar.
- Entendi. – comentou Tom ainda desanimado.
- Calma Tom, não desanime, há muitos médicos bons e protocolos de recuperação de mais alto nível. – Júlia tentou animar.
O médico da equipe se aproximou – Sua irmã tem razão. Você irá passar a noite aqui, para evitar ficar andando de um lado a outro, fora a medicação que precisa. Amanhã de manhã estaremos de volta e faremos mais exames. – explicou enquanto Tom assentiu – Amanhã estarei de volta, tente descansar e não movimentar essa perna. – pediu e saiu do quarto.
- Mamãe está vindo. – anunciou Tom olhando para sua irmã.
Júlia sorriu e parecia que seu irmão havia voltado a ser criança novamente – Eu te farei companhia até ela chegar, tudo bem?
- Eu agradeço. – disse se posicionando mais deitado na cama.
- Amanda já está sabendo? – perguntou enquanto ela puxou uma cadeira para ficar mais perto de seu irmão.
Tom negou com a cabeça – Achei melhor não contar até ter uma posição melhor sobre a minha lesão.
- Entendi. – comentou a médica – Quer que eu ligue para ela e a tranquilize? Porque uma hora ela irá saber o que houve. Isso se já não sabe.
O loiro soltou um suspiro – Você tem razão. Não, eu ligo e falo com ela. – pescou seu celular sobre a mesa ao lado de sua cama, e discou o número de sua namorada – Mandy? – começou quando ela atendeu a ligação. Júlia aproveitou para mandar mensagem para sua mãe loira dizendo que estava com Tom e iria esperar pela outra mãe chegar, a não ser que houvesse alguma emergência e ela fosse chamada.
- Como Mandy reagiu? – Júlia quis saber quando Tom desligou a ligação.
- Está preocupada, mas a acalmei dizendo que estou bem. – soltou um suspiro – Assim que ela puder, estará aqui.
A médica assentiu com um aceno de cabeça – Quem bom. A mãe disse que a mamãe está vindo e ficará aqui por alguns dias te acompanhando. – mostrou a conversa com a mãe loira.
Depois da ligação e da troca de mensagens, os dois irmão ficaram conversando tranquilamente, e excepcionalmente a noite estava calma e naquelas horas seguintes não precisaram de Júlia – Oi Tom. – anunciou Regina entrando no quarto quase cinco horas depois de Tom ter falado com ela – Como você está?
- Oi mamãe. – a morena o envolveu num abraço carinhoso. Depois deu um abraço em Júlia – Estou bem diante de tudo até o momento.
- Gostaria muito de ficar aqui, minha ainda chefe me liberou para ficar aqui, mas infelizmente eu preciso voltar para o meu plantão. – anunciou – Qualquer coisa me chamem. – disse a porta do quarto.
- Tudo bem Jú, agradeço que tenha ficado aqui com ele. – falou Regina sorrindo para a filha, a médica apenas sorriu e saiu do quarto – Tirando seu joelho, como você está realmente? – perguntou ao se sentar na cadeira que Júlia estava minutos antes.
- Bem mamãe, apenas frustrado por ter me machucado. – respondeu.
Um sorriso carinhoso apareceu nos lábios da morena – Eu entendo, mas são coisas do esporte que acontece. No fim ficará tudo bem e logo você voltará a jogar. – incentivou. Ficaram ali conversando, depois da morena fazer uma chamada de vídeo para sua esposa e os três conversaram por alguns minutos até encerrarem a ligação. Os dois continuaram conversando coisas amenas, até que finalmente os analgésicos fizeram efeito e Tom acabou dormindo. Regina arrumou a coberta sobre o filho e voltou para a cadeira em que estava e ali ficou velando o sono do filho até ser vencida e acabar dormindo também.
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