Stormy nights
1 Capitulo Único
Notas iniciais
Uma fanfic que eu já tinha escrito há algum tempo (e postado no Social Spirit)decidi trazê-la para cá também! :D
Boa leitura!
Ultimamente tem sido bem ruim ficar perto do Inuyasha. Nós estamos brigando muito, mas não como antigamente, quando nós discutíamos por coisas bobas e logo fazíamos as pazes, hoje em dia nós brigamos pelas mesmas coisas ridículas ou até mesmo as sérias, mas não fazemos as pazes e guardamos ressentimentos um do outro, para liberar tudo nos próximos confrontos. Nossos defeitos e todos os pontos negativos, todas as palavras me acertam psicologicamente e eu devolvo tudo. Não chorar na frente dele, disso eu sei.
Mas hoje, exatamente hoje, foi o dia em que mais tive raiva, com uma insana vontade de espancar ele até a morte. Comparações negativas com a sarcedotisa Kikyo, insistência na minha “falta de habilidade” na cozinha, minha inutilidade e a capacidade de ficar em perigo a toda hora, foram as criticas que tive que escutar calada.
Justo eu que o amo tanto. Eu consegui com dificuldade terminar o ensino médio, em seguida o poço se abriu de novo e, sem pensar duas vezes, eu fui para a Era Feudal, dessa vez para nunca mais voltar, nunca mais ver minha família ou minhas amigas. Eu joguei tudo fora por ele, mas acho que deveria ter tido mais cuidado quanto a essa escolha.
Ressentida e sem pensamentos lógicos, eu corri pela floresta deixando a vila da Kaede. Não queria olhar para trás, mas eu não evitei e acabei vendo o sorriso do meio-youkai. Ele se sentia tão bem me machucando, aposto que ele ficaria ainda melhor se soubesse que eu estava a ponto de desabar em lagrimas. Aumentei a velocidade.
Por fim parei e olhei em volta. Não me lembrava deste lugar e esqueci por onde tinha vindo. No fim eu estava perdida. Sem meios de me comunicar, sem comida, sem esperança de ter qualquer alma a me procurar e ainda com um céu escuro ameaçando uma chuva terrível a cair em poucos minutos.
Andei por ai procurando madeira para fazer uma fogueira. Quando senti os pingos de orvalho na minha pele, mudei a busca, um lugar para me esconder, e rápido! Enfim encontrei uma caverna um tanto grande, então a tempestade chegou com ventanias fortes, raios, granizo e um aguaceiro que parecia não ter fim.
Peguei o isqueiro que havia comprado para facilitar as fogueiras. A pequena chama iluminou a caverna e fez algo cintilar na escuridão. Pela minha experiência era uma espada e pela energia que emanava dela era claramente a Bakusaiga, do Sesshoumaru. Dei um grito e cai no chão, o isqueiro caiu numa pilha de madeira no canto e iluminou as paredes rochosas e o rosto gélido do youkai.
- O que você está fazendo aqui? – A voz grave e sem emoção dele ressoou na escuridão.
- Me perdi na floresta e começou a chover. – Justifiquei-me.
Talvez seja por isso que o Inuyasha pisa em mim como se eu fosse um inseto. Eu sempre me torno submissa as pessoas, como se eu fosse sempre menor e tento enganar a mim dizendo que está tudo bem com isso.
- Onde está seu namorado pra vir te resgatar?
- O Inuyasha não é meu namorado, pelo menos não mais.
- Terminaram? – O que mais me irritava nele, era a falta de expressão.
- Não, mas vamos.
Alguns minutos de silencio. Ele colocou a espada na bainha, fazendo um som metálico. Eu olhei o rosto dele. Seus olhos eram tão hipnóticos com seu brilho dourado que faziam ele ficar até mesmo sexy. O cabelo branco era tão perfeito, me fazia quer me aproximar dele.
Sentei-me perto da fogueira, criada por acidente. Embora eu olhasse para ele, Sesshoumaru não dava sinal de que se importava com minha presença ali, era quase como se eu estivesse invisível. O silencio também era muito irritante, decidi falar algo.
- Onde está o Jaken?
- Nos separamos em uma batalha.
- Ele deve estar te procurando!
Não obtive nenhuma resposta.
- Está chovendo bastante!
Dei uma risada fraca, ele nada respondeu só continuou parado olhando para a entrada, era exatamente como se eu estivesse falando com as paredes. Então me encolhi num canto, o frio estava tomando conta do meu corpo e eu não sabia se era a chuva lá fora ou o youkai aqui dentro.
Infelizmente, quanto mais o tempo passava no completo silencio, mais eu me lembrava da briga com o Inuyasha. O local estava escuro, a não ser pela luz da fogueira iluminando um pouco dos nossos rostos, fora isso não via mais nada, facilitando as memórias a penetrarem. Minha vontade de chorar voltou intensamente, eu sei que Sesshoumaru está aqui, mas ele é uma pedra em todos os sentidos, então permiti as lagrimas de saíram junto com um som baixinho.
- Por que está chorando?
- Acabei me lembrando da briga que eu tive com o Inuyasha.
- O que houve? – Ele se sentou mais perto. Enfim tenho alguém com quem falar.
- Ele me comparou com a Kikyo dizendo que ela era melhor, ele disse que eu era inútil para tudo e que eu fico em perigo por que gosto de ver ele me procurar que nem um doido.
Agora eu estava chorando de verdade e tremendo. De repente Sesshoumaru se aproximou mais e usou o dedo indicador para apanhar uma lagrima. Percebendo que eu estava com frio, ele me envolveu com a cauda de sua forma youkai que sempre enrola no braço direito, era quente e fofinho.
- Não se importe com o meu meio-irmão idiota e nem gaste suas lagrimas com ele – Ele estava me consolando? – Por que você não vai embora da vila?
- Por que eu não tenho para onde ir, o poço fechou depois que eu vim para cá. Eu deixei tudo por ele...
- Então, por que você não vem comigo?
Fiquei completamente assustada. Ele era o youkai cruel que detestava humanos e meio-youkais. Então por que ele fez uma proposta dessas?
- Isso é loucura! O que deu em você para falar isso? – Encarei ele me aproximando mais do seu rosto – Não é você que não tolera nenhum incomodo nas suas viagens?! Então por que isso?
- Eu não odeio tento humanos que não me causam problemas. – Explicou — Algo em mim, inconscientemente, quer te ajudar a fugir do Inuyasha. Você me parece sem uma humana legal.
Meu coração batia forte, de repente quando olhei de novo percebi que ele não era tão mal assim, e que algo havia propositalmente nos levado a ficar juntos naquela caverna, naquele fim de tarde. Eu consegui ouvir meu próprio coração entre o eco da chuva lá fora. E quando me dei conta estava apaixonada pelo meio-irmão do meu ex-namorado. Não ligo se ele é frio e nunca vai demonstrar, eu vou fazê-lo mudar, mesmo se isso for impossível.
O som de um trovão fez com que eu me jogasse nos braços de Sesshoumaru, mas não só por esse motivo, eu queria poder expressar meu amor de alguma maneira e mostrar o quanto eu precisava dele. Já o youkai entrelaçou seus dedos no meu cabelo e escondeu o rosto na curva do meu pescoço.
Depois de nos soltarmos, quase automaticamente, demonstramos nosso amor da maneira mais especial possível: um beijo. Na verdade foram muitos beijos, mas a cada toque dos nossos lábios as emoções ferviam. Era quase tão necessário para nós quanto respirar.
E infelizmente acabou, oxigênio também é necessário. Eu não entendia como havia sobrevivido sem ele. Aqueles beijos eram muito mais especiais que qualquer coisa, o calor dele era reconfortante e o amor presente no momento era meu novo vício.
Nós dizíamos que nos amávamos, sem palavras, do nosso próprio jeito, carinhosamente. Podem me dizer que foi impulsivo,mas quando o amor surge, para que ter pensamentos racionais?
Então começamos a conversar sobre o que seria feito dali para frente, foi combinado que pela manha iríamos para a vila pegar minha bolsa e enfrentar o Inuyasha. Em meio a caverna fria lá estava eu abraçada com o youkai que eu amo: Sesshoumaru, chuva lá fora havia parado, mas eu não queria de maneira nenhuma sair dos braços dele e dormi assim.
Na manhã seguinte, acordei e senti um vazio. Ele não estava lá. Corri para a entrada da caverna e para meu alivio o encontrei. Joguei meus braços em volta do meu amado.
- Achei que você tinha me deixado sozinha!
- Eu nunca vou te abandonar! Afinal, você é minha namorada!
Mais selinhos, mais abraços, mais carinhos. Enfim encontrei alguém a quem eu posso recorrer, amar e dar a minha vida. Gostei do som que “namorada” fez. Agora nós os temos que ir a vila então eu serei livre! Andamos pela floresta de mãos dadas até que recuperamos o caminho para a vila e Inuyasha estava vindo em nossa direção.
- Sesshoumaru! – Ele sacou a Tessaiga – O que você está fazendo aqui? Por que esta de mãos dadas com a Kagome?
- Inuyasha! Está tudo acabado! Cansei de ficar sendo humilhada por você! Eu e o Sesshoumaru somos namorados agora! Então eu estou deixando a vila! – Gritei.
- O que?! – Ele ficou com mais raiva.
- Desista! Eu estou indo embora e nunca mais vou ter que olhar para sua cara!
- Ah, é?! Quero ver se você vai embora!
E começou a nos tentar golpear. Quando percebi uma batalha já havia começado. Os flashes de luz que emanavam das espadas cortavam o céu, as gotas de sangue caiam como chuva e quando eles voltavam ao chão cambaleavam mostrando os ferimentos severos. Gritei o nome do meu amado, mas isso só fez o meio-youkai ficar com mais raiva. Se isso continuasse os dois iriam morrer. Eu tentei parar de alguma maneira, mas acabei ficando ferida. Eu estava a ponto de chorar.
Isso era uma batalha de gigantes e uma humana como eu não pode fazer nada. Eu realmente não posso fazer nada?! O Sesshoumaru esta cada vez mais ferido e os ataques não permitem o corpo dele de se curar. Eu não vou chorar como uma criança! Eu vou tentar agir de qualquer maneira!
De repente Sesshoumaru é pego de surpresa e a Tessaiga vai atingir a barriga dele. Ele não vai conseguir escapar. Eles estão perto o suficiente. Eu não posso deixar. Eu tenho que impedir a todo custo! Corri para perto deles.
Eu vou dar minha vida pela pessoa que amo!
Fui veloz, peguei um punhado de terra e joguei nos olhos do Inuyasha. Empurrei a Tessaiga para longe com uma força sobre humana e Inuyasha foi levado junto ao chão, ele estava um pouco debilitado com a queda e os olhos ardendo. Coloquei o braço do Sesshoumaru sobre meu ombro e ia em direção a floresta.
- Ei, Kagome! – Inuyasha gritou e eu virei para trás.
- Ferida do vento!!! (Kaze no kizu!!!) – Esqueci que ainda tinha o olfato...
O golpe atingiu meu corpo como uma corrente elétrica, depois as gotas vermelhas voando e enfim eu e o youkai estávamos no chão. Dores por todo o corpo, mas principalmente nos locais das feridas abertas. O sangue corria em rios até o chão. Segurei a mão dele e elas se entrelaçaram. Unidos pelo destino cruel e separados poucas horas depois.
- Parece que é o fim... – Sesshoumaru disse e eu vi sou belo rosto.
- Não, esse é só um começo! – Sorri.
- Como? – Ele sorriu de volta.
- Ei, Sesshoumaru, você acredita em reencarnação?
XXXXXXXXX-----------------XXXXXXXXXXX
Mais um dia de aula, metrô lotado por culpa dos atrasos, eu acho que por causa da chuva ou coisa parecida. Homens e mulheres de roupas sociais, estudantes em seus típicos uniformes e algumas pessoas que não sei para onde vão e não me importo muito. Isso faz parte da minha rotina.
- Ei, garotinha, passa a bolsa!
Um garoto me abordou com seus amigos, não parecia ser mais velho que eu, cabelos compridos, boné escondendo os olhos. Ele estava segurando um canivete apontado para meu rosto. Olhei em volta esperando ajuda, mas a manha estava tão caótica que ninguém havia notado.
- Você não está me escutando?! Quer que eu rasgue essa sua saia?!
Ele me prendeu contra a parede, e encostou a lamina na minha garganta e eu dei um grito rouco abafado pelas vozes do metro. “Não importa quem seja, me salve desse cara, por favor!” Pensei fechando os olhos esperando receber uma facada.
- Ei! Solte ela!
Era uma voz masculina, grave e bem... sedutor?
- Quem é você...? Sesshoumaru?!
- Ah... é você, seu cachorro! Volte para casa coloque seu uniforme e vá para a escola agora!
- E se eu não quiser?!
- Nunca mais apareça na minha frente.
O agressor abaixou a cabeça e foi embora.
- Me desculpe, senhorita, aquele cara é meu meio-irmão problemático, você está bem?
Terno preto com gravata âmbar realçando seus cabelos prateados lisos que emolduravam o rosto, olhos cor de ouro. Sério, encantador, incrível, tão doce, possuindo um incrível brilho familiar.
- S-S-Sim...
- Meu nome é Sesshoumaru, você é?
- Kagome... Me desculpe, mas já nos encontramos antes?
- Creio que não, me mudei para Tókio a pouco. Mas, vamos nos encontrar varias vezes já que vou dar aula na sua escola.
- Como?!
- Sim, reconheci pelo uniforme.
Conversamos por algum tempo, o trem quando chegasse estaria lotado e o Profº Sesshoumaru (que também estava indo para a escola) não deixaria uma aluna indefesa no meio de um monte de gente.
Sesshoumaru é gentil, também sério e parece que vai ser um bom professor. Mas eu tenho certeza que já o conheci. Ele não fala a menos que puxem assunto, misterioso. O trem passou junto com uma corrente de vento e ia diminuindo a velocidade. Talvez não tenhamos nos encontrado aqui. Ele me olhou e arregalou os olhos como se tivesse a mesma sensação. Talvez fossemos próximos em outra vida?
- Ei, Sesshoumaru, você acredita em reencarnação?
Notas finais
Bye bye!
Espero que tenham gostado!
Fale com o autor