Notas iniciais
Okay.... Acho que vou ter que ficar pedindo desculpas infinitamente, né? kkkk Mas quem é vivo sempre aparece. Aconteceram muitas coisas que me impossibilitaram a postar novamente, mas agora estou de volta e pra ficar! Vou tentar postar todo final de semana, prometo me esforçar mais. Agradecimento especial para Camila Martins que foi atrás de mim e me trouxe de volta kkkkkk - Este capitulo é dedicado a você, sweetheart :*

Olhos cansados olhavam por todo o lugar. Nenhum lugar específico, apenas checando tudo. Paredes? Aquele lugar tinha paredes?... Teto? Assim como as paredes, nunca notou se tinha um teto. Móveis? Não. Nada. Nem deitado em uma cama estava. Portas? Janelas? Apenas uma abertura um pouco mais a frente revelava a luz solar do lado de fora, esta que não conseguia penetrar na escuridão daquele lugar. Onde, em sã consciência, ele estava? Ele tentou olhar novamente, se esforçou um pouco mais e rolou no chão. Era frio, gelado para ser mais exato. As paredes eram úmidas, escuras e havia um cheiro peculiar naquele lugar. Então, veio a realização.

Uma caverna.

Ele estava em uma caverna. Agora ele se lembrava mais... Depois da morte de Jean ele precisou se isolar. De tudo, de todos. Queria se corroer na culpa sozinho. Ninguém o entenderia, ninguém passou pelo que ele passou. Ninguém sente a falta dela como ele faz. Apenas ele e ele só conseguiria entender a dor de perder a pessoa amada por suas próprias mãos. Então ele saiu. Simples assim: apenas saiu, sem rumo, sem planos, apenas com a roupa do corpo, a velha moto de Scott, algum dinheiro e com uma foto de sua amada. Ele estava perdido, sem saber o que fazer, sem conseguir nem pensar. A dor de seu coração o fazendo ficar sedado de qualquer outra coisa, menos de ouvir a culpa na sua cabeça corroendo toda a sua sanidade. Foi então que caminhando por aí, ele encontrou essa caverna.

Lembrou-se de que foi ali onde a viu de novo. Depois de sabe-se lá quanto tempo vagando mundo a fora, ele entrou nesta caverna e ao fechar os olhos para descansar, pela primeira vez, foi quando ele a viu de novo. Por isso ele permaneceu ali, talvez aquela caverna teria propriedades mágicas, pois só ali ele a conseguia ver. Ela sempre aparecia para conversar com ele e com o tempo ele passou a sentir seu toque, seu cheiro, sua presença. Isto o animou um pouco mais, fazendo com que ele saísse da caverna de vez em quando para comprar comida, algumas roupas e utensílios ou uma bebida, como na maioria das vezes. Mas ele sempre voltava para a caverna, pois era onde ela estava. Ele desejava tanto ter morrido junto com ela. E pela primeira vez, ele realmente odiou com toda a sua força não ter tomado aquela cura mutante e se amaldiçoou por ser um mutante imortal.

Em uma de suas saídas da caverna ele conheceu uma jovem que dizia estar procurando por ele a bastante tempo. Yukio era o nome dela. Ela o levou ao Japão, onde ele encontrou problemas de novo. Ele ainda não queria ajudar ninguém, não queria se meter nos problemas dos outros, mas algo diferente aconteceu: Ah... Como ele queria dizer que resolveu ajudar aquela tal de Matiko porque seu lado heroico falou mais alto ou seu senso de justiça. Só que não. Ele não queria mentir para si mesmo e admitiu sem esforços que seu motivo para ajudar não poderia ter sido mais egoísta, pois lhe foi oferecido a chance dele se tornar aquilo que ele estava almejando por tanto tempo.

Ele deixaria de ser um mutante imortal.

Ela apareceu em seu sonho desta vez. Não Jean, mas uma morena de pele caramelo. Enquanto Jean aparecia como um anjo com seu cabelo de fogo combinando com um vestido fino rosado, Ororo aparecia como uma divindade em um vestido longo azul claro, solto e flutuante que balançava calmamente batendo em seus pés descalços. Seus cabelos brancos estavam longos e dançavam ao redor dos seus ombros. Ela se sentou ao seu lado, como sempre faziam quando estavam conversando na floresta.

No sonho ela o lembrou de quem ele realmente era: Um herói. Disse que se ele não tivesse feito o que fez, toda a humanidade seria exterminada. Disse também que ele não precisa se sentir culpado por ter feito o que era certo, o justo. Ela o pediu para não negar sua mutação, usando as mesmas palavras que ele falou a ela anos atrás, quando comentou sobre seus olhos:

"É o que te faz ser quem você é."

E ainda acrescentou em seu tom de repreensão o mandando tomar vergonha na cara e deixar de ser um covarde, sempre fugindo das coisas. Isso fez seu humor se levantar um pouco e até um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Nem em seus sonhos com Jean isso havia acontecido, eram encontros nem felizes, nem tristes, quase sem emoções, mas por uma estranha razão esse sonho com Ororo despertou algo desconhecido nele, algo que estava adormecido por um tempo muito longo, que ele ainda não tinha conhecimento de que ele tinha. Ao começar a desaparecer ela sussurra, voltando a falar em seu tom doce e suave, o que ele não estava aguardando:

"Volte pra casa, Logan. Precisamos de você.... Eu. Preciso de você"

Após este ocorrido ele foi em frente ajudar aquela... A Ma... Mayko, ele acha. E quando tudo estava terminado, ele refletiu o quão perto esteve de ter seu adamantium retirado à força de seu corpo, tirando sua imortalidade. Foi então que sentiu que era hora de ir para casa. Yukio disse que o acompanharia, o Japão não era mais o seu lugar. E assim os dois partiram rumo aos Estados Unidos.

—_________________________________________________________________

"Já faz um longo tempo, certo Logan?"

Ao ouvir aquela voz, ele achou que tinha regredido e estava tendo ilusões de novo, mas não. Ele se virou e realmente ele estava lá, juntamente com seu antigo amigo e um outro mutante de olhos vermelhos, que lhe parecia familiar. Ele sentiu um arrepio correr por sua espinha e mais do nunca, ali no meio do aeroporto com todas as pessoas e o tempo parado em sua volta, ele sentiu que algo estava por vir e que ele precisava voltar o quanto antes para casa.

—_________________________________________________________________

(N/A: A partir daqui continua o capitulo anterior)

—_________________________________________________________________

Ele desceu da limusine preta e caminhou até a porta da frente e parou por alguns segundos.

"Você está bem?"

"Sim Yukio. É só... Bom, faz um tempo." — Ele suspirou.

"Você já me disse que costumava deixar assim, então não é como se eles estivessem esperando nunca mais te ver."

"É, pode ser... Mas ele..." — Sinaliza para o mutante sendo ajudado a sair do carro logo atrás dele. — "Com certeza eles não estavam esperando."

"Vai ser um choque e tanto, né?" — Yukio fez uma careta.

"Não se preocupe. Vai ser muito divertido!" — Logan diz dando uma gargalhada.

"Você ainda não me convenceu. Tem certeza que está tudo bem?"

"Yeah. É só essa sensação de que está tudo diferente, de que não é mais o mesmo..."

"Bom, isso é óbvio.. Duh! Afinal, faz uns três anos que você deixou, certo? É lógico que quando você voltasse as coisas estariam diferentes."

"Quatro. É isso aí. Eu não sei porque estou me preocupando tanto, não é como se eu estivesse ansioso pra voltar pra esse lugar mesmo."

"Pff. Até parece. Vou fingir que eu acredito nisso, por você Logan. Rsrs"

"Hmff. Cala a boca, nanica."

Ele se virou para frente e tocou a campainha. Logo abriram a porta e antes que ele pudesse dizer 'Olá' para Bobby, ele foi atingido por uma bola de alegria, chamada Marie.

"Logan! Eu senti tanta a sua falta!"

"Também senti sua falta, nanica."

Bobby riu e deu pequenas batidas nas costas do mutante mais velho que acabara de aparecer em pé no limiar da porta com suas bagagens jogadas ao chão e tentando se manter em pé com uma Vampira pendurada em seu pescoço.

"Bem vindo de volta cara."

(Ororo's POV)

Assim que Bobby abriu a porta da frente, eu nem precisei olhar para saber quem era. > Primeiro houve essa sensação, os pequenos pelos da minha nuca se ouriçaram e um pequeno arrepio percorreu meu corpo cansado quase me fazendo suspirar.

— Segundo, dava pra sentir seu cheiro chegando até mim através do vento que adentrou pela porta.

— Terceiro, eu senti sua presença assim que pisei no último degrau. Não era tão forte, estava mais para um instinto, mas de alguma forma ou por alguma razão eu sentia que ele estava ali atrás da porta. Eu achei que eu estava louca, mas infelizmente parece que não.

E por fim, porém não o menos óbvio > Quarto: Marie chegou a porta em velocidade recorde gritando por todo o caminho.

Eu comecei a abrir um sorriso com a visão de Logan tentando se equilibrar com o salto de Marie em cima dele, mas assim que nossos olhos se cruzaram... Eu me lembrei. Me lembrei daquela noite. De quando compartilhamos a cama, do quanto me senti bem ouvindo ele vir com meu nome, mas logo me lembrei dele chamando por ela em seu sonho, da sua partida repentina sem avisos prévios, de nunca ter ouvido falar dele durante tanto tempo. E logo, eu não pude mais sorrir... Eu não conseguia mais sorrir. Eu achei que poderia vê-lo de novo e agir como se nada tivesse acontecido, mas eu não consigo. Eu não posso. Não dá pra fingir que nada me afetou.

Estou surpresa. Não consigo expressar outra reação para esta situação, porém quando eu olho nos seus olhos... Aí sim começo a sentir algo mais forte. Raiva. Eu estou ficando com muita raiva desse mutante feral idiota! Como ele ousa chegar aqui, olhar na minha cara e sorrir pra mim com a cara mais lavada do mundo?!? Ele só pode estar zoando com a minha cara.

Eu estava prestes a me virar para sair quando vejo uma sombra atrás de Logan. Aquele é... Não, não pode ser. Já faz tanto tempo que eu nem sei se eu conseguiria reconhecê-lo. Quem eu quero enganar, é claro que eu reconheceria ele em qualquer lugar. Seus olhos são inconfundíveis. Me concentro um pouco mais na silhueta que fica mais visível e meu coração não pode acreditar no que meus olhos estão vendo na minha frente.

"Oh, pela Deusa..." — solto em um suspiro.

"Stormy?"

Ao ouvir este apelido ridículo que eu imaginei que nunca ouviria de novo nesta vida, eu literalmente voei para o dono da voz e o agarrei no abraço mais apertado que eu já dei na vida e enterrei meu rosto no espaço entre seu pescoço e clavícula. Logo senti seus braços, relativamente fortes, cercarem minha cintura e nos girar no mesmo eixo.

"Remyyy!!!! Deuses, eu não acredito! Você está aqui. Bem aqui. Eu digo, bem aqui na minha frente!! Graças a Deusa!"

"Remy pode dizer que Stormy está muito feliz por ver Remy de novo."

Eu apenas ri e me afastei o suficiente para que ainda estivesse cara a cara com ele com nossas testas quase se encostando e olhando em seus olhos vermelhos hipnotizantes.

"É claro que eu estou feliz em te ver! Ah Remy, eu senti tanto sua falta."

"Hey, Remy não gosta de ver Stormy chorando, principalmente por causa de Remy. Eu também senti muito a sua falta mon a mour."

Remy limpou uma lágrima solitária que escapou de um dos meus olhos, sem a minha permissão ou conhecimento. Eu apenas dou mais um sorriso brilhante pra ele com alegria sendo exibida na minha expressão facial.

"Haham!"

Uma tosse falsa e bastante exagerada, devo acrescentar, me fez sair do meu pequeno mundo com Remy e eu finalmente olho à minha volta. Vejo todos olhando pra nós com expressões engraçadas em seus rostos, indo de confusão à incredulidade e isso me faz gargalhar um pouco. Então, pela primeira vez, me dou conta da posição em que eu e Remy nos encontramos. Eu estava com minhas pernas ao redor do seu quadril e meus braços preguiçosamente apoiados em seus ombros com minhas mãos unidas atrás de seu pescoço, enquanto Remy, me segurava com seus braços ao redor do meu quadril com suas mãos descansando perigosamente perto da minha bunda. Isso não me incomodava, eu e Remy somos realmente muito próximos, mas entendo que os outros não estão acostumados com isso.

"Desculpem atrapalhar os pombinhos, mas temos assuntos mais importantes a tratar."

Olho para a porta para encontrar um outro mutante que eu não esperava ver na mansão... Não de boa vontade, pelo menos, ou em termos que pareciam amigáveis já que ele veio junto com Remy.

"Err... Nos desculpem." — eu disse descendo do colo de Remy e fui em direção à porta e recebi o mutante com um pequeno sorriso sincero e um abraço que eu ansiava dar a um tempo.

"Éric. É bom ter você aqui de volta"

"Igualmente minha cara." — disse me dando um beijo na bochecha. — "Porém temo que o motivo não é um dos melhores. Embora eu precisava matar as saudades suas."

Ele disse saindo do abraço e eu dei um sorriso em troca. E falei a próxima frase, com um pouco de desgosto, olhando diretamente para aquele a quem eu quase teria esquecido da presença se não fosse por essa sensação de dormência estúpida das minhas pernas.

"Eu não poderia pensar em um motivo diferente para a visita de Todos vocês."

Notas finais
E então? O que acharam? Bom, tem mais surpresas vindo por ai e espero que vocês não tenham desistido de mim kkkkk Prometo me dedicar mais a fic. Bjos a todos e obrigada :3 P.S: Gente, estou muito triste com o falecimento do Domingos Montagner, ele faz parte de três dentre os meus OTPs brasileiros favoritos (Ursulano, Ligel e Debingos) e com certeza uma pessoa maravilhosa que não merecia esta tragédia. Se alguém também gosta dele ou de algum desses OTPs, fiquem a vontade para lerem minha série de oneshots desses casais em homenagem a ele. Estarei postando a partir desse final de semana. Que ele descanse em paz :'(