Storm Addictive [em Hiatus]
7 I Love You, and... Don't Call me 'Ro.
Notas iniciais
No capítulo anterior...
— "Eu nunca duvidei de que fiz certo em confiar este cargo a você, minha filha."
"C- Ch-.... Pai?!" -
Ninguém ousava produzir um som, ou qualquer movimento, ou desviar o olhar da cena que se desenrolava na frente deles. Ninguém ousava sequer respirar, dispostos a ter a atenção completa ali naquele momento, todos focados em qual seria a reação de Ororo. De todas as possibilidades pensadas por cada homem presente na sala junto com a Deusa de cabelos claros, Eric foi o que chegou mais perto do acerto.
Ororo estava completamente imóvel. Depois de alguns segundos ela franziu as sobrancelhas e logo depois elas subiram acompanhando seus olhos arregalados, onde lágrimas já começavam a se juntar. Sua mão tremendo subiu para sua boca, enquanto sua cabeça começava a balançar de um lado pro outro, lentamente, ainda duvidando de que aquilo poderia ser algo real, sendo apenas uma ilusão, mais um de seus sonhos perturbadores que vinham a assombrando todas essas noites.
De repente ela deu um passo para frente, mas hesitou. Seu rosto expressava sua incredulidade e ela inclinou a cabeça, na dúvida. O tempo pareceu quase parar e tudo se movia em câmera lenta. Ela ainda com a cabeça inclinada, olhava diretamente no par dos olhos mais poderosos que ela já vira e que estava tão familiarizada com. Poderia ser, realmente, ele? E se fosse, como isso seria possível? Ela estava presente no momento da sua morte, assim como ela chorou. Ela chorou no local, ela chorou no caminho de volta para a mansão, enquanto voava (já que se recusou a voltar com os outros em um primeiro momento), ela chorou ao longe depois do seu sepultamento e o clima se fechou partilhando de sua perda. Ela, ainda, chorava enquanto visitava seu túmulo toda madrugada, sem falta, se entregando a tristeza, no único momento que podia agir de tal forma.
Não!
Não, isso não era real. Era apenas outro sonho, apenas outra esperança que sempre insistia em surgir dentro dela. Aquela vontade de nunca ter perdido ninguém. Mas ela sabia melhor. Sim, ela sabe que sua família e entes queridos sempre se vão, cedo demais até, mas se vão. Primeiro seu pai biológico, depois a sua mãe, e mais recentemente a sua figura paterna mais recente, o homem que a criou como filha se foi juntamente com seus irmãos de criação. Os três de uma vez. E logo depois, Logan também a deixou. Abandonada a mercer dos sofrimentos da vida, mais uma vez. Deixada por conta própria, para se reerguer e ser forte para todos os outros, mais uma vez. Mas ela já se acostumou com isso, a dor entorpecia as outras emoções o que ajudava nos momentos em que as lembranças queriam voltar a castigá-la. Ela já se acostumou, porque ela sabe que isso sempre acontece com tudo e todos em volta dela. Ela é a Tempestade, afinal de contas. Ela destrói quase tudo que toca, ela alaga terras, seu vento arranca folhas das árvores e suas suas raízes do chão, ela produz sons ensurdecedores, seus raios iluminam e rasgam o céu em uma imagem fantasmagórica, ela assusta, ela encobre a luz do sol, a luz da lua e das estrelas... Ela é poderosa demais, para seu próprio bem e dos outros. Talvez seja ela a sombra que aparece em seus pesadelos, toda noite, encobrindo cada raio de luz pela frente. Foi aí que se lembrou de Charles, ele a mostrou que ela era muito mais do que isso.
Ela poderia ajudar ao invés de destruir, ela podia fazer brotar da terra aquilo que parecia morto, ela trazia chuva nas secas, seus raios iluminavam o céu em uma dança bonita e hipnotizante de cores mais diversas que o arco-íris e que sem ela este último também não viria à tona, ela faz a grana ficar verde e seus orvalhos nas árvores depois da chuva, quando o sol bate é a paisagem mais linda e pacífica que há. Ela não destrói, ela traz de volta à vida. Ela faz as coisas renascerem e torna o ambiente adequado para seu desenvolvimento. Ela tinha convicção disso até o momento em que a bagunça na sua vida começou e a partir de então ela tem alguns momentos de fraqueza e passa a duvidar de tal fato, isso costuma acontecer com mais frequência após ela despertar de seus pesadelos sombrios. Ela poderia ser uma maldição é uma benção ao mesmo tempo, se isso for possível.
Esta mera reflexão de si própria juntou-se com memórias que ela se esforçava para esquecer e isso foi o bastante para que ficasse insegura, mais uma vez e seus olhos voltaram a ficarem úmidos. Uma de suas lágrimas, mais persistentes, fazendo o seu caminho lentamente pela sua bochecha. Como saber se isso estava de fato acontecendo? Em meio a esse caos emocional e a batalha que estava se iniciando diante deles, como saber se era ele mesmo que estava ali diante dela, com o olhar mais amoroso e compreensível que ela recebera nesses últimos anos? As perguntas não paravam de surgir, em um turbilhão, na sua cabeça do mesmo modo que uma vontade secreta de que tudo fosse real, insistia em trazer esperança e aquecer seu coração.
Bastou apenas, o homem mais velho abrir um sorriso singelo e acenar com a cabeça lentamente, que Ororo desmoronou. Ela soltou uma gargalhada que se pareceu mais com um suspiro aliviado e sua expressão de dúvida foi substituída por uma de completo alívio e felicidade extrema é toda a sua hesitação se dissipou tornando-se alívio e êxtase. Em meio a muitas lágrimas, que ela já não se importava mais se caíam, a diretora foi correndo de encontro aos braços, já abertos, daquele que a deu um outro significado para a palavra 'Pai'. Com rapidez e ansiedade, mas ainda com toda uma agilidade e cuidados consequentes de anos de prática, Ororo se sentou nas pernas dele jogando seus braços ao redor do pescoço e encaixando sua cabeça branca sobre os ombros dele, deixando com que os braços delgados do homem mais velho a acolhessem, fazendo-a se sentir segura, protegida e amada mais uma vez.
Ele. Charles Xavier. O Diretor. O Professor. Seu pai adotivo. Aquele que a criou e a ensinou a ser uma mulher forte, boa, e uma mutante capaz de controlar seus poderes adequadamente em favor dos injustiçados... Embora este último sofreu algumas alterações durante a ausência dele. Mas isso não importa agora, porque ele está aqui. Aqui com ela. Segurando ela. Cuidando dela, mais uma vez.
Eric observava a cena e não conseguiu impedir um pequenino sorriso de canto, aparecer em seus lábios. A cena o lembrava de uma noite específica assim que Ororo chegou a mansão. Ela só confiava, integralmente, em Charles. E isso era evidente naquela noite em que ele a ouviu chorando em seu quarto, durante a madrugada...
(Eric's Flashback on)
Andando pelos corredores, depois da 3ª tentativa de colocar 2 crianças específicas para dormir de uma vez por todas, ele pensou em verificar a criança que chegara a duas semanas atrás. Segundo Jean e Scott, ela não gostava muito de brincar ou conversar e ficava sempre sozinha em um canto, e logo a classificaram como 'estranha' até ele vir e dizer o quão isso estava sendo difícil para ela também e os três deles selaram um acordo para tentar fazer com que ela se sentisse em casa a partir do dia seguinte. Ele preferiu fazer uma rápida verificação, na pequena menina nova-iorquina/africana, de qualquer maneira. Só pra ter certeza...
Ele bateu, levemente, na porta e a abriu logo em seguida para dar de cara com uma jovenzinha, que no meio da enorme cama, parecia ainda menor do que realmente era, com o cobertor por cima de seu corpo apenas seus olhos arregalados estavam à mostra.
"O que foi, minha criança? Não consegue dormir?"
A pequena se limitou em apenas acenar rapidamente com a cabeça.
"Do que está com medo? Monstros embaixo da cama? Não se esqueça de que é uma mutante, nossa espécie é o que há de mais forte sobre esta ter-"
Eric parou seu argumento ao ver que a garotinha de 7 anos negava fielmente com a cabeça.
"Nada de monstros, então?..... Bom.... Pesadelos? Ah isso já diz muito."
O mutante mais velho se aproximou devagar, tentando não assustar ainda mais a pequena criança, até que se sentou ao seu lado na cama. Docemente ele pegou a coberta e abaixou até o colo da garotinha, cuidadosamente observando a reação dela para saber se estava confortável.
"Você quer me contar com o que você sonhou?"
"......."
"Tudo bem, você não precisa me contar. Mas quero que saiba que aconteça o que acontecer, você não está sozinha, Ororo. Você tem pessoas aqui que vão te proteger e vão te ajudar. Seja eu ou Charles, estaremos sempre prontos para fazer o for preciso para que você se sinta segura. Eu sei que passou por muita coisa, e não foi fácil sendo tão nova. Imagino que esteja com saudades de casa, não é?"
Com um aceno da menina de cabelos brancos, ele continuou.
"Já era de se imaginar. Rsrsrs"
Eric estendeu a mão para ela com a palma voltada pra cima e esperou que ela a pegasse. Ororo o olhou um pouco desconfiada, mas quando olhou nos olhos do adulto que estava ao seu lado, pôde ver a sinceridade e um sorriso doce e amigável em seu olhar. Apesar de muito nova, ela poderia muito bem discernir em quem ou não poderia confiar e olhando para este homem, naquele momento, ela sabia que podia contar com ele e com os outros que moravam ali. A menina tornou a olhar para a mão grande estendida em direção a ela e se sentiu tentada a tomá-la, mas mesmo um pouco relutante e devagar pôs sua mão em cima da mão oferecida. Logo a outra mão do mutante descansou em cima da dela, deixando sua pequena mão entre o aperto sutil e seguro das mãos dele.
"Minha doce menina, quero que saiba que se for da sua vontade esta será a sua casa agora. Charles e eu ficaríamos extremamente gratos e felizes se você nos desse a honra de fazer parte da nossa família."
Um pequeno sorriso iluminou a expressão de Ororo e ela acabou apertando levemente a mão que estava segurando a dela. Éric não conseguiu se conter e logo abriu um sorriso próprio, não resistindo ao brilho novo de esperança naqueles olhos doces e extremamente azuis, que mesmo na iluminação escura do quarto era visto claramente como se tivesse luz própria. Mas logo o momento singelo foi cortado, quando Ororo deixou de olhar nos olhos de Magneto para se dar conta do ambiente que ainda a cercava. Sua expressão se fechou e o medo brilhou mais uma vez no seu olhar. Eric percebendo a mudança, mandou uma verificação mental para Charles. Recebendo uma confirmação do amigo se voltou, novamente, para a criança que já não se encontrava mais apenas segurando sua mão e sim quase sentada em seu colo, agarrando seu antebraço com a pequena mão que estava livre.
"O que acha de fazer uma pequena visita ao Charles, minha pequena? Acho que ele pode ajudar você com seus pesadelos, mais do que qualquer outra pessoa aqui."
Ao ouvir o nome do seu protetor e aquele que a resgatou, seu olhar subiu novamente e ela confirmou com a cabeça compulsivamente.
"Acho que isso é um sim. Rsrsrs.... Vamos lá então. Quer uma carona?"
Enquanto ele falava, Eric, sutilmente se desembaraçava da criança e se posicionava de pé em frente à cama. Ao fazer a pergunta, ele vira de costas e com o polegar aponta para suas costas, virando o rosto apenas para ela ver seu sorriso brincalhão. Como se fosse contagiante, a menina abre um sorriso sapeca de sua própria autoria e rapidamente acena com a cabeça e fica de pé na cama. O mutante mais velho solta uma gargalhada de susto ao perder, levemente, o equilíbrio quando sem aviso Ororo pulou em suas costas enrolando as pernas em seu tronco e prendendo seus braços ao redor do pescoço dele. A mesma soltou uma gargalhada divertida por pegar seu outro protetor de surpresa com seu ato.
"Então segure firme, porque lá vamos nós!!"
Com o grito de Eric, ela se apertou um pouco mais nele se preparando para o que vinha a seguir. O mutante magnético deu um pequeno pulo e um tanto exagerado e começou a "cavalgar" rumo ao quarto de Charles dando pequeninos pulos e imitando sons de relinchos, para pura diversão da garotinha, que fazia suas próprias tentativas de imitação junto a ele, quando não estava rindo o ar fora de seus pulmões. As risadas foram diminuindo aos poucos até que cessaram totalmente quando a dupla parou de frente a porta do mutante mor daquele lugar. Devagar e com cuidado paternal, Magneto girou Ororo de suas costas para deixá-la, ainda em seu colo, na frente.
"Você poderia bater na porta, por favor, Ororo?"
A menina balançou a cabeça positivamente devagar e se virou pra frente em direção a porta. Ao se inclinar para alcançar a porta, Eric estava ali a segurando pela cintura dando o suporte necessário para que ela não caísse. Antes mesmo que ela pudesse encostar a mão na porta, eles ouviram alguém dizer de dentro 'Pode entrar, Ororo'. A garotinha olhou divertida para o mutante que a segurava, que tinha uma expressão engraçada no rosto como se eles tivessem sido pegos fazendo uma travessura, resultando na menina encolher os ombros e colocar a mãozinha na boca para deter uma risada sapeca, que ameaçava sair por entre os dentes que estavam à mostra.
Com a mão livre que não estava ocupada, ainda segurando a pequena, Eric abriu a porta e adentrou no quarto. Charles se encontrava na cama que estava de frente pra eles. Lentamente o Magneto jovem desceu a criança de seu colo a colocando no chão suavemente e logo segurando sua mão. Quando a menina tomou os arredores do quarto, se deu conta da leve penumbra que ele se encontrava. O medo logo foi tomando forma em seus olhos, mas antes que o desespero pudesse tomar controle sobre ela, Charles chamou sua atenção.
*Ororo*
A criança não se assustou com a voz em sua cabeça e prontamente respondeu, já sabia que se tratava do mutante que estava na sua frente. Afinal, não era a primeira vez que eles tinham uma conversa telepática, era assim que ela se comunicava. Ela não falava nada com ninguém, mas conversava mentalmente com Charles o tempo todo.
*Sim, Professor?*
*Porque não consegue dormir?*
*Você sabe... Sonho mal...*
*Quer me contar sobre seu sonho?*
*Estava tudo escuro. E onde tinha luz a nuvem escura passava e apagava ela é então quando eu acordei estava tudo escuro igual quando eu estava presa com a minha mamãe debaixo da mesa...*
*Eu sei que Eric já te falou isso, mas eu vou dizer mais uma vez: Você está segura aqui, minha luz. Nós iremos te proteger, porque é isso que a família faz, ela protege, ama e cuida uns dos outros. Mas eu te entendo... Se fizer você se sentir melhor, você pode dormir aqui comigo hoje, se quiser. O que acha?*
Eric estava atento na troca de olhares e logo percebeu a conversa secreta entre eles e decidiu não interferir. Ao sentir Ororo apertando sua mão, olhou para a menina para perceber lágrimas de medo e tristeza se juntando nos seus pequenos olhos. Mas logo ela abriu um pequeno sorriso e acenou levemente a cabeça. Então Eric mudou seu olhar da garota para seu amigo na cama e percebeu que o mesmo havia um sorriso singelo em seu rosto assim como um olhar amoroso cheio de compaixão, logo ele havia levantado os braços pronto pra receber um abraço. Isso bastou para a pequena criança se soltar das mãos de Eric e subir na cama e se sentar/deitar no colo do mutante na cama, sendo acolhida por seus braços. O mutante que estava em pé, abriu um sorriso com a doce cena na frente dele e entendeu que essa era sua deixa. Ele já ia fechando a porta silenciosamente, quando ouviu a doce voz da garotinha o chamando, pela primeira vez, desde que chegou.
"Tio Eric!!..... Eh... Obrigada..."
Pelo apelido que a menina o deu, ele concluiu que ela aceitara sua proposta anterior e abriu um largo sorriso e se inclinou fazendo uma pequena e simbólica reverência, ouvindo logo em seguida uma pequena risada gostosa da garotinha de cabelos cinzentos.
"Bem-vinda a família dos X-men, minha cara."
(Eric's Flashback off)
*Eu senti tanto a sua falta. Tanto, pai!*
*Eu sei, minha luz. Eu também senti a sua e lamento tanto por não ter conseguido voltar antes...*
*Isso não importa. O que importa é que você está aqui. Eu nem acredito que isso possa ser verdade!!*
Eles permaneceram abraçados por alguns minutos, até que as lágrimas de Ororo cessaram. Então ela se separou dele e segurou o rosto dele com suas mãos, uma de cada lado. Ela sorria totalmente emocionada. Charles não estava muito diferente dela, ele próprio tinha os olhos úmidos e levantou uma das mãos que estava tremendo e acariciou o rosto de sua menina com carinho.
*A lembrança que eu tinha de você, não fazia jus a sua beleza pessoalmente, minha luz. Se isso for possível está ainda mais linda do que antes.*
Todos outros três homens presentes na sala conseguiram ouvir uma gargalhada que Ororo deu com a boca fechada e observaram Charles depositar um beijo carinhoso na testa da mutante mais jovem, para vê-la abrir outro grande sorriso.
*Estou tão feliz com a sua volta, pai!*
*Eu amo você, minha luz. Nunca se esqueça disso.*
*Pode deixar, eu não vou.*
"Eu te amo, pai."
E Ororo o abraçou mais uma vez o apertando fortemente e respirando fundo, para finalmente se levantar e se posicionar ao lado de sua cadeira-de-rodas. Ela enxugou suas bochechas úmidas, passou as mãos pela roupa para alinhá-las e arranhou a garganta para treinar sua voz, se recompondo antes de se voltar para os outros homens na sala. Ela olhou profundamente para cada um e sua mensagem ficou clara: ninguém precisava saber do que se passou ali dentro, era muito pessoal e íntimo e a partir daquele momento não se tocava mais no assunto.
"Bom, eu vou acomodar o Professor em seu quarto para que ele descanse um pouco. Pelo menos, antes que todos saibam de sua volta. Sabemos que as notícias por aqui correm rápido e não tenho dúvidas de que haverá um alvoroço por aqui durante um tempo."
Ororo explicou com um sorriso feliz em seu rosto e olhando levemente para seu pai, antes de voltar sua atenção aos outros presentes na sala, mais uma vez, com seu tom de voz ainda alegre e comemorativo.
"Então, eu sugiro que vocês façam o mesmo antes que a agitação comece. Tio Eric, o último quarto de hóspedes no segundo andar está livre, você pode se acomodar lá se quiser."
"Eu agradeço, minha cara, mas a Irmandade me espera. Preciso trazer ordem àquele lugar. E com isso, eu me despeço de vocês."
"Você poderia vir para o jantar, então. Irei preparar um verdadeiro banquete pra celebrar a volta de vocês três. Por favor, tio Eric."
"Como poderia negar algo a você, minha criança? Guarde meu lugar na mesa ao seu lado, sim?"
Ororo abriu um enorme sorriso mostrando os dentes e acenou empolgada com a cabeça. Eric beijou sua mão, como havia feito quando chegaram e a deu um último abraço antes de acenar a cabeça para os outros mutantes presente na sala e ir em direção a porta. Ao passar por Charles, diminuiu a velocidade e pousou a mão sobre o ombro de seu velho amigo e com uma troca de olhares e acenos de cabeça, ele se foi.
"Ororo, eu te encontro no corredor, acompanharei o Magneto até a porta."
"Como quiser, Professor. Alcanço você em um minuto. Então, voltando ao assunto. Wolverine, seu quarto continua desocupado e continua pronto pra uso. Vampira deixou claro que ninguém entraria no quarto enquanto você não estava presente e quem quebrasse a regra iria arcar com ela. Logo ninguém ousou ir contra."
Ororo sorriu tristemente no comentário e Logan soltou uma pequena risada imaginando sua garotinha ameaçando quem chegasse perto de sua propriedade, mas seu sorriso diminuiu de tamanho ao se deparar com a expressão e sorriso triste de Ororo e percebeu que ela não tinha a esperança em seu retorno como Marie tinha. O pequeno sorriso do mutante feral sumiu por completo quando ouviu as próximas palavras que saíram de sua boca, logo em seguida.
"Bom, Remy, você já sabe onde fica meu quarto. Pode subir e assim que eu tiver instalado o meu pai adequado e confortavelmente, eu subirei com nosso almoço tardio."
"Rsrs Como desejar, mon ami. Você sabe do quê e como o Remy gosta."
"Espera um segundo, aí. O 'cajun vai ficar hospedado no seu quarto, 'Ro?!"
"O que Gambit, pode fazer, homme? Sou irresistível."
Ao ver Logan dar um passo para frente apertando as duas mãos com força junto ao corpo e Remie já se posicionando para o embate, Ororo viu que era hora de intervir no confronto de testosterona e ego inflado entre os dois mutantes.
"Tá bom. Já deu por hoje, vocês dois. Você, não me chame de 'Ro e quanto a você Remy Lebeau, vamos."
Ororo segurou os ombros de Remy e o girou para frente o empurrando gentilmente, em direção a porta. Ao abaixar os braços, sentiu uma mão grande e forte segurando, levemente, o seu pulso. O aperto era sutil, mas ao mesmo tempo, bruto e gentil, sendo o suficiente para fazer Ororo parar de dar um passo adiante. Ela apenas virou a cabeça levemente, olhando de lado para o mutante que a parara.
"Sim, Wolverine?"
Ele bufou, em aborrecimento, ao ouvir o nome saindo da boca dela, mas decidiu não falar nada sobre isso... Por enquanto.
"Queria falar com você, 'Ro.... Você sabe que precisamos conversar."
"Sim, eu sei que precisamos. E nós vamos, só... (Suspiro)... Só não hoje e com certeza não agora. Tudo bem? Já tivemos, todos, muitas emoções pra um dia só."
Ela suspirou, demonstrando cansaço e logo saiu do aperto de sua mão forte, indo em direção a saída da sala e de encontro com o mutante de olhos vermelhos. Antes de passar pela porta, porém, ela apoiou uma das mãos no batente da mesma e novamente virou o rosto, olhando de lado para Logan, proferindo suas últimas palavras, deixando-as flutuando no ar da sala ocupada agora, apenas, pelo mutante solitário com seus próprios pensamentos e justo quando ele achou que a raiva inicial dela tinha passado, sendo que ela havia falado tão delicado e gentilmente com ele um segundo atrás, ela o mostra que ele estava enganado.
"E pela última vez, Wolverine... Não me chame de 'Ro."
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