Storm - A história de um anjo apaixonado
1 Capítulo 1 - Entre Humanos
Pela primeira vez ela abriu os olhos no mundo humano. Tudo era escuro e seu corpo diferente. Ela piscou algumas vezes para que seus olhos focassem e notou o que era estranho. Ela possuía sentidos! Podia sentir a água gelada tocar cada centímetro de seu corpo e isso a arrepiava. Seu peito queimava, como se houvesse uma combustão por dentro, o que era aquilo? Foi então que ela percebeu que estava submersa em água e por algum motivo desconhecido seus pulmões não conseguiam capturar oxigênio. Não era de seu gênio entrar em desespero, mas nesse momento ela começou a se debater sacudindo todos seus membros e de nada adiantava, cada vez que buscava por ar sua visão ficava mais turva e sensações novas, como câimbras, dominavam seu corpo.
Quando ela desistiu de lutar, um braço firme agarrou-se a sua cintura e a levou em direção à superfície. O rapaz a colocou sobre a grama e pressionou seu peito três vezes, em seguida tapou o nariz da garota, delicadamente abriu sua boca e através da sua empurrou ar para dentro dos pulmões da pequena estranha.
Subitamente a moça sugou ar por conta própria, emitindo um ruído que fez com que o seu herói se afastasse alguns centímetros.
— O que é você?
Embaraçado com a pergunta, o rapaz tentou guiar a conversa de uma maneira menos constrangedora:
— Oi, meu nome é Callebe... – ele se manteve calado por alguns segundos, mas a moça permaneceu deitada o encarando. – Bom preciso saber seu nome e o motivo de te encontrar dentro lago.
— Onde eu estou?
— No Lago Owey...
— Onde fica isso?
— Bom, fica na cidade de Phink Foes... Califórnia... Estados Unidos da América... . – ele esperava alguma reação da garota ao ouvir a localização.
A cidade de Phink Foes era conhecida por suas belas paisagens, muitos turistas iam para lá, pois além de lagos, tinha um ótimo clima para quem gosta de tempo instável, bosques e montanhas, era uma bela parte do litoral californiano. A cidade era rodeada por montanhas e do outro lado pelo oceano. Era como se a cidade quisesse se desconectar do resto do mundo. Seu lago mais famoso era o Lago Owey, onde famílias iam passear, vários animais viviam ao redor e a água do lago era muito linda, mas raramente alguém se arriscava a passar das margens. A cidadezinha com 40 mil habitantes e cerca de 150km³ era dividida entre campo e centro urbano. O campo era como uma parte reservada para se passar fins de semana, ou o lugar para onde os aposentados queriam se mudar para viverem longe do barulho do centro. A natureza era a melhor parte do campo, e as mansões e fazendas se misturavam ao visual como se ambos fossem um. O centro urbano possuía edifícios lindos, muito bem planejados e a maioria bem antigos. O Lago Owey praticamente era o responsável em dividir esses dois lados tão distintos da cidade e ao mesmo tempo, uni-los.
— Você não é daqui? – perguntou Callebe tentando interromper o silêncio constrangedor.
Ela continuava admirando o rosto de Callebe, se sentou e por impulso levou a mão no rosto do rapaz.
— Mas que coisa sobrenatural, posso te tocar! Estou te sentindo, Callebe!
— Acho melhor irmos até um hospital, você engoliu muita água, talvez seu cérebro sofreu algum tipo de dano e você precisa ficar de observação. – Ele se pôs de pé e estendeu as mãos para a garota. Ela esfregou a cabeça por um segundo, deu um sorriso encantador e então se lembrou de quase tudo.
— Eu estou bem, Callebe. Meu nome é Storm e eu caí na água acidentalmente. Não é preciso me levar a lugar algum. – Storm olhou para cima e sentiu o sol queimar seus olhos, colocou a mão direita sobre a testa e fitou os olhos no céu como se fosse a primeira vez que o via deste ângulo.
Distraído com o doce som da voz da garota, sem querer, começou a observar o corpo da desconhecida. Sua pele era branca, suas bochechas eram naturalmente rosadas e seus longos cabelos negros possuíam madeixas que deleitavam sobre seu corpo um tanto exposto por causa da roupa que ela trajava. Era um vestido apertado no busto, com mangas soltas e confortáveis, sua saia era completamente assimétrica, com várias camadas. Um pouco antes dos joelhos a saia se desfazia em várias tiras. Era todo branco, apenas com algumas pérolas cor de rosa, bem claras.
Sem perceber, Callebe continuou olhando o rosto da moça, admirado. Só despertou de seu transe quando viu que a garota tentava se levantar. Gentilmente ele ofereceu as mãos, e ajudou-a a ficar de pé.
— Uau! – A expressão de Storm era como a de alguém que descobre ser capaz de fazer algo que até um segundo atrás era impossível.
— O que foi? Ficou tonta? Que se sentar novamente?
— Não, não! É que eu sempre vi os humanos andando, correndo e parecia tão fácil. Acho que preciso treinar. – Ela sorriu com um ar de “desafio aceito”.
— O que você quer dizer com “vocês humanos”? O que você é? Uma espécie de alienígena? – Callebe soltou uma risada um pouco tensa, e Storm o encarou admirada de uma forma que deixou o rapaz completamente sem graça e com o rosto rígido e sério novamente.
A verdade é que em seu mundo, no mundo Angelical, não havia sentidos, risadas, nada que ela sentia era possível. Voar e observar os humanos, cuidando da mais amada obra do Criador era o que os anjos faziam o tempo todo, essa era a função deles. Storm também se lembrou que não podia revelar seu passado para Callebe, então fingiria que desde sempre ela foi apenas uma humana. Ela ainda não se lembrava como fora parar ali, nem o que aconteceu no espaço celeste para que ela ganhasse uma vida humana sem se tornar um morfeu, mas ela iria aproveitar aquela chance ao máximo.
— Ah, era só uma brincadeira! Você também está sentindo essa sensação estranha? – ela esfregou os braços e olhou em volta como se procurasse de onde aquilo vinha.
— Você quer dizer frio? – Ele deu um sorriso, pegou o casaco que estava caído no chão onde havia largado para salvá-la e pôs nos ombros da garota. Ela deu um sorriso e inclinou levemente sua cabeça em forma de agradecimento.
— Foi um prazer conhecê-la senhorita Storm, mas acho que você deve procurar seus amigos, ir para casa tomar um banho quente antes que pegue um resfriado.
— Não se preocupe comigo, eu sou imune a doenças humanas... – Storm sacudiu a cabeça com os olhos fechados e tentou se corrigir. – Quer dizer, minha imunidade é bastante alta. Devia se preocupar com você. – Ela retirou o casaco e tentou pendurá-lo nos ombros de Callebe, mas havia uma diferença de altura que a impedia de fazê-lo. Ele deu um sorriso e dobrou os joelhos para ficar do tamanho de Storm, seus rostos ficaram frente a frente, de forma que seus olhos ficaram fixos um sobre o outro.
— Além do mais... – ela gaguejou. – Não tenho amigos aqui, e não tenho para onde ir também. Aqui me parece um bom lugar, vou ficar aqui e interagir com os outros humanos. – Storm abriu os olhos e deu um rodopio para olhar em volta, seu sorriso era resplandecente e delicado.
Callebe sempre fora muito reservado e ajuizado, mas havia um mistério por trás daqueles olhos cinzas que depois de muitos anos o fizeram dizer algo impulsivo.
— Você não pode vive às margens de um lago, eles são perigosos e frios à noite. Então tenho uma proposta. – ele fez uma pausa para tentar acreditar no que estava sugerindo e então as palavras escaparam. – Deixe-me fotografar um pouco mais e depois vamos para meu apartamento, eu te dou roupas secas e você me conta sua história até conseguirmos contatar algum parente seu, que tal?
Storm olhou em volta, levou poucos segundos para perceber que aquela era uma chance única de acompanhar um humano de perto.
— Fechado! Enquanto isso posso treinar meus passos?
A expressão da pequena mulher era tão meiga que Callebe apenas sorriu e assentiu com a cabeça.
Callebe pegou suas coisas que estavam jogadas ao chão, ajeitou sua câmera e voltou à sua rotina. Fotografar era sua única paixão, era sua forma de expressar seus sentimentos, já que palavras nunca foram seu forte, ainda mais depois de tudo aquilo... O Lago Owey era um lugar perfeito, havia vários animaizinhos correndo por ali, as margens do lago era um cenário perfeito. O fotógrafo focava em um passarinho que pousava distraído em um galho, as vezes via algum gesto humano digno de ser eternizado, como uma criança caminhando pela primeira vez, amigos correndo de braços abertos com os cabelos voando e de repente lá estava Storm, cerca de dez metros atrás, correndo entre falsas passadas que quase a derrubavam. Com um sorriso tão encantador que sem pensar, era uma foto. E então assim, sem querer, Storm se tornou a modelo do dia. Ela rolou na grama, sentou entre famílias que aproveitavam o lugar para observar a natureza apenas para perguntar qual era a sensação de ter uma família, rodou com crianças nos braços, correu de um lado para o outro como se correr fosse a maior descoberta realizada até hoje. E quando notaram, ambos estavam esgotados. Eles se sentaram na rua, em um passeio próximo a moto de Callebe.
— Acho que temos um problema, Storm.
— Também acho.
— O que faremos?
— Eu não sei, nunca havia sentido isso!
— Desculpe, eu estou falando sobre os capacetes... O que você está sentindo?
— Tem um vazio aqui dentro e dói! – ela pôs a mão na barriga e fez uma expressão triste, confusa.
— Só você mesmo! Você está com fome!
— Ah, e o que eu devo fazer?
— Comer! Mas vamos comer quando chegarmos em casa. Bom, você vai com meu capacete, não queremos que bata a cabeça novamente e comece a falar coisas ainda mais estranhas – ele deu um sorriso provocativo enquanto colocava o capacete na cabeça de Storm.
— Eu nunca andei em uma dessa antes.
Callebe colocou a mochila para frente de seu corpo, se levantou e ajudou Storm a se levantar e a instruiu:
— Bom, você vai se sentar atrás de mim, colocar uma perna para lá e outra para cá. E vai se segurar onde for mais confortável e seguro. Qualquer problema, só me avisar.
Storm assentiu com a cabeça e seguiu os comandos de Callebe. Primeiro ele montou na moto, logo depois ela repetiu seus movimentos. Quando ele acelerou pela primeira vez, Storm quase caiu da moto, então por reflexo ela colocou os braços em volta de Callebe e o abraçou. Quando ele sentiu os pequenos braços ao seu redor e o busto de Storm tocando suas costas, ele sentiu o rosto corar um pouco, mas continuou acelerando. Depois de dez minutos em cima da moto, Storm já estava com os braços abertos, cabelos esvoaçando contra o vento e um sorriso estonteante, por onde passavam as pessoas olhavam.
— Vamos Callebe, tente também! É mais legal do que só observar.
— Eu estou pilotando! Segure-se firme e pare de chamar tanta atenção! E cadê seu capacete? – gritou o rapaz preocupado.
— Eu reparei que você não estava usando, então joguei o meu fora pra ficarmos iguais!
— Você o quê? Jogou meu capacete fora?
Satisfeita com a aventura, Storm voltou a abraçar Callebe e dessa vez repousou a cabeça nas costas do jovem rapaz, fechou os olhos e sorriu. Cerca de 40 minutos depois lá estavam eles, de frente a um prédio com mais de 15 andares. O Edifício Stanis ficava de frente para a Praça Murg, os olhos de Storm correram por toda a praça. Admirada com as luzes, observando bem o coreto e todas as fontes, Storm nem notou que estava boquiaberta perante tanta beleza. Callebe entrou no estacionamento, estacionou, desceu da moto e ajudou Storm, que saltou graciosamente, pousou seus pés descalços no chão e então seguiu Callebe que se dirigiu ao Hall de entrada do prédio, cumprimentou o porteiro, entrou no elevador e pressionou o botão sete. Sorriu para Storm que não parava de rodar no cubículo completamente perdida. Ele segurou a mão da moça e continuou olhando para frente, ignorando a vergonha que sentia. Ela olhou para as mãos entrelaçadas e apertou mais firme enquanto lembrava-se de quantas vezes já havia visto aquilo da outra dimensão. A porta se abriu e então eles entraram no apartamento.
Storm conseguiu caminhar por todo apartamento e observar cada detalhe só enquanto Callebe buscava uma toalha e roupas que suas amigas haviam deixado em sua casa.
O apartamento era grande, bem mobiliado. Na entrada havia um tapete com os dizeres “This is my Spot”, referência a seu personagem preferido de “Big Bang Theory”. Havia quadros com arte abstrata e vários action figures. As cores eram em tons pastéis ou em preto e branco. Na sala a televisão era embutida na parede e logo abaixo, uma pequena estante com vários consoles. A sala e a cozinha eram divididas apenas por um balcão que servia de mesa.
Callebe entregou as roupas e a toalha para Storm e se dirigiu para a cozinha. Storm as colocou no sofá e seguiu Callebe.
— Você quer comer antes?
— Antes de quê? – disse Storm ao se sentar em um banco da bancada que dividia sala e cozinha.
— Antes de tomar banho e trocar essas roupas para não ser presa por atentado ao pudor.
— O que tem de errado com minhas roupas? Elas foram feitas especialmente para mim lá onde eu vivia.
— Mas aqui onde você está agora essas roupas são extremamente sensuais, você está seminua.
— O que é sensual? – Storm perguntou inocentemente enquanto encarava suas vestes.
Callebe corou, virou-se para a geladeira e pegou dois sanduíches naturais que havia comprado mais cedo no mercado, e uma jarra de suco de laranja, dois copos e sentou-se de frente para Storm, serviu-a e começou a comer.
— Bom... ser sensual é ser muito bonita, atraente. – Storm mordeu o sanduíche e de boca cheia retrucou:
— Eu sou bonita para você?
— Isso não é tipo de pergunta que se faça.
— Nossa, isso tem um sabor tão maravilhoso! Parece nuvens dos céus!
Callebe riu e continuou a comer. Após a refeição ele mostrou o caminho do banheiro para Storm e disse que estaria preparando as camas, qualquer coisa bastava chamar.
Completamente confuso e sem entender o que estava acontecendo, mas bem curioso e sentindo uma espécie de paz dentro do peito, ele caminhou até seu quarto, parou de frente para sua cama de casal que sempre era ocupada por ele e sua solidão e então começou um conflito interno: onde Storm dormiria?
— Tem espaço suficiente para nós dois, mas o que ela pensaria de mim? É melhor colocá-la no sofá, ou melhor, eu vou dormir no sofá! – Callebe começou a falar consigo e entrou em desespero ao perceber que havia uma completa estranha em seu banheiro.
— Ai meu Deus! – um grito ecoou pelo apartamento.
— Storm! – Callebe correu em direção ao banheiro e sem pensar entrou. Storm estava nua com o chuveiro ligado, ela apenas olhava a água cair. Os olhos do rapaz se mantiveram fixos apenas no rosto da garota, evitando desviar sua atenção para qualquer outro lugar.
— O que houve? Está tudo bem? Você gritou e eu achei que estivesse acontecido algo... – gaguejou Callebe.
— A temperatura é elevada, você já experimentou? É incrível. Vem ver!
Storm olhou para Callebe com uma expressão tão meiga que não poderia haver maldade naquele convite. Callebe se manteve sério e focado apenas no rosto dela, lentamente ele fechou a porta enquanto respondia;
— Se a água do chuveiro não fosse quente, não tomaríamos banho! Amanhã cedinho vou te levar ao médico, você deve estar com alguma amnésia ou algo assim.
Ele retornou à sua missão de preparar cama para ambos em cômodos diferentes. Enquanto isso, Storm se colocou embaixo do chuveiro, era incrível! Chuva quente dentro de casa, sem precisar de nuvem! E então ela começou a esfregar um objeto retangular em seu corpo, assim como via os humanos fazendo. A sensação que a espuma causava a fazia sorrir, era tudo tão novo e gostoso. Ela manteve o rosto elevado para que a agua caísse diretamente sobre ele e em seu cabelo, era indescritível o prazer que aquele simples banho trazia.
— Por que será que não podíamos interagir com esse mundo? – Storm ficou parada apenas sentindo a água cair sobre seu corpo enquanto encarava o nada e sussurrava seus pensamentos. – Por que será que eles me mandaram para cá? E sem maior parte dos meus poderes...
Storm ergueu a mão em direção à parede e como mágica enviou uma breve brisa de vento para a outra parede. Ela encarou a mão e pressionou os lábios demonstrando decepção consigo.
Alguns minutos depois ela caminhou em direção à sala, onde Callebe estava sentado com um notebook no colo vendo as fotos tiradas naquele dia. Com a toalha jogada sobre os cabelos de um jeito qualquer, Storm se sentou do lado do rapaz e depois de encará-lo voltou seus olhos para a tela que o mesmo observava. As fotos retratavam um mundo diferente, provavelmente era a forma como Callebe o via. Algumas focavam em um só objeto ou ser... em uma havia uma borboleta abrindo suas asas com o fundo completamente desfocado, porque aquele era um momento exclusivo da borboleta. Em outra foto uma criança com apenas alguns dentinhos parecia correr e sua mãe logo atrás como se estivessem brincando de pega-pega. Algumas fotos faziam Storm sorrir e até mesmo tocar a tela. Até que após algumas imagens... Storm. Ela estava completamente focada, seu sorriso era maravilhoso e seu vestido angelical voava devido ao vento, assim como seus cabelos. Seu sorriso era tão grande que suas bochechas inflaram fazendo com que seus olhos ficassem bem espremidos, pequenos. Quando a foto surgiu, rapidamente Callebe passou para a próxima, mas também era de Storm, assim como a próxima, a próxima, e a próxima... ele fechou o notebook um pouco constrangido e se dirigiu a Storm.
— Hora de dormir! Amanhã será um longo dia. Levaremos você ao hospital e logo em seguida procuraremos por sua família.
— Eu não tenho família aqui. – ela respondeu desviando o olhar e focando seus próprios pés que estavam suspensos no ar enquanto ela os esfregava.
— Onde está sua família então?
— Acontece que eu não tenho uma família de verdade, tem aqueles que foram criados da mesma forma que eu, por isso os chamo de irmãos, mas onde eu vivia, era apenas uma hierarquia. Havia apenas respeito, temor, ordens e regras. Acho que isso não é bem uma família...
— Então você não conhece seus pais?
— Eu nunca vi meu criador, eu apenas ouvia falar dele...
— E você não pretende voltar para lá?
— Eu acho que não sou mais bem-vinda. Também não sei como voltar.
— Se você quiser ajuda, amanhã podemos procurá-los...
— Não! É impossível achá-los, só eles podem nos achar.
— Então você veio de algum tipo de companhia secreta ou algo assim?
— Digamos que sim... é complexo demais para seu cérebro humano entender.
— Ah é, meu “cérebro humano”, desculpe senhorita de espécie superior desconhecida. – Callebe sorriu, e se pôs de pé. – Bom você vai dormir lá na cama, e eu aqui na sala, qualquer coisa é só me chamar, vem comigo.
Storm o seguiu até o quarto. Durante o caminho, ao longo do corredor, ela arrastava seus dedos delicadamente para aproveitar seu novo poder. O poder de sentir, o tato humano. Ao chegar ao quarto, Storm não teve grande surpresa, ela parecia tão acostumada com o grande quadro pendurado na parede, o criado mudo com um abajur, a grande cama com edredom preto e letras em branco, a cortina branca, o tapete branco e felpudo.
— Bom, essa é sua cama. Eu estarei na sala.
— Tudo bem.
Callebe virou-se em direção à porta e deu dois passos, parou ao ouvir seu nome.
— Callebe... muito obrigada. – ela caminhou em direção a ele e se colocou na ponta dos pés, para alcançar-lhe a face esquerda, com muita dificuldade ela lhe deu um beijinho. Ela estava acostumada a ver humanas fazendo aquilo, então pensou que era o momento certo.
O rapaz um pouco tímido direcionou o olhar para a pequena criatura e sorriu. Era estranhamente bom o sentimento que Storm emitia.
— Boa noite, durma bem, Storm. – e lhe deu um beijo na testa.
Fale com o autor