Storm
1 How long have I been in this storm?
Notas iniciais
Boa leitura ;)
XoXo
Eu estava afundando. Afundando cada vez mais... O ar já começava a faltar, a água salgada invadia meus pulmões, queimando minha garganta. Era o meu fim. Cada vez mais fundo... Eu já não sentia mais nada, já não sabia mais há quanto tempo estava ali... Afundando. Estava tudo escurecendo. Eu estava caminhando para a escuridão. Já não tinha mais medo. Era isso. O meu fim. Eu não poderia voltar mais, e dizer a minha mãe que eu a amo. Recordo-me da ultima coisa que lhe disse antes de sair de casa: “Eu te odeio! Não quero te ver nunca mais. Suma da minha vida!“ Desculpa mãe, mas eu nunca vou poder ser o filho perfeito que você sempre quis. Minha vida passava diante dos meus olhos como um filme. E uma lembrança fez com que eu me arrependesse profundamente do que havia acabado de fazer. Meu irmão. Durante anos ele que me segurou, ele foi o meu pilar, me manteve em pé durante todas as minhas quedas, ele sempre esteve lá... Por mim. E agora, eu estou abandonando ele. Partindo e deixando-o só. Que merda eu acabei de fazer? Procurei por mais ar, mas ele já não existia. Tentei lutar pelo meu irmão, mas já era tarde. E como diria minha mãe: “A desgraça já esta feita”.
Senti algo me puxar para fora. Seria algo tentando, finalmente, me levar para a morte, como eu sempre desejei? Seja o que for, deixei me guiar, para onde quer que fosse... Apaguei.
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–Estava dormindo e senti alguém afagar meu cabelo e podia jurar que escutei o Gee me chamar. – tentava explicar pela milésima vez a minha mãe...
– Mikey meu filho, seu irmão não tá aqui. Ele saiu hoje cedo...
– E porque ele não falou comigo? Pra onde ele foi? Porque ainda não voltou?
– Eu não sei, filho, acalme-se... Ele só deve está dando uma volta por ai.
Eu não entendia como ela poderia estar tão calma assim. Ela sabe de tudo que o Gee é capaz de fazer.
– Vocês brigaram de novo, não foi mãe? – acusei. Ela não poderia mentir pra mim.
– Foi. – ela disse. Abaixando a cabeça e indo pra cozinha.
– Droga!
– Michael! Eu já te falei que não quero você falando palavrão. Está vendo? Isso tudo é influência do teu irmão. Assim que seu pai chegar de viagem, vou conversar com ele pra mandar esse vagabundo pra uma escola militar! – ela praticamente gritava no meio da casa.
Sai de casa, ia procurar pelo Gerard. Eu já não aguentava mais tudo que ela fazia com ele. Gerard é o meu irmão. Ele é incrível. Cheio de talentos. Porém, ninguém o enxerga. Ele sempre foi e sempre será meu maior exemplo. Um exemplo em tudo. Sempre fiquei admirado com ele e seus talentos para cantar, desenhar e interpretar. Provavelmente herdado de nossa avó. Ele sempre foi um garoto muito forte, apesar de suas recaídas. Eu quando pequeno sempre o via chorar e gritar chamando pela vovó. Ela? Sempre vinha correndo para acalma-lo. Quando fui crescendo, fui descobrindo os problemas de meu irmão, mais precisamente no dia da morte da vovó. Lembro-me dele ter ficado um mês inteiro sem sair do quarto. Eu o vi cair. E parecia que ele nunca mais levantaria. Sempre tentei ao máximo ajuda-lo, mas nem sempre eu conseguia evitar que ele se machucasse. É, eu estou falando de alto-mutilação e, até mesmo, suicídio.
Minha mãe? Nunca o entendeu. E só fazia piorar ainda mais a situação. Eu sempre imaginei que ela o entenderia se ele conversasse com ela, sempre pedi ao Gee para falar com ela, mas ele é o cara mais teimoso que já conheci. E ele sempre teve dificuldade para expressar o que sentia e o que pensava.
As brigas deles estavam ficando cada dia mais frequentes.
E eu? Bem... Dói-me muito ver o meu irmão afundar cada vez mais. Às vezes até me sinto culpado. Minha mãe sempre faz comparações idiotas. Dizendo que eu sou o filho perfeito e humilhando o Gerard por ele não ser tão “perfeito” assim. Às vezes imagino se eu fosse ruim, se eu só fizesse coisas ruins, o que é que ela faria? Uma vez fui comentar com o Gerard que eu ia mudar, ia me tornar um vagabundo, pra ver se ela parava com isso de ficar brigando com ele. Essa foi a primeira vez que ele levantou a voz pra mim. Disse que eu não estava nem louco de estragar minha vida por causa dele. E me fez prometer que eu ia continuar sendo o cara que eu sou. Estou feliz assim como eu sou. Tenho 15 anos, e sou o melhor aluno da escola. Tenho ótimos amigos, que são apenas meu irmão e, o nosso único amigo de infância, Raymond.
Sai dos meus devaneios quando senti meu celular vibrar no bolso da minha calça.
Era o Ray.
– Oi Ray.
– É... Você não tá bem não é?!
– Vai Ray, fala logo.
– É, não tá. Melhor se sentar. Onde você tá?
– Sei lá. O que foi que aconteceu?
– Mikey, por favor, diga onde você está. Vou te pegar ai.
– Na pracinha que agente brincava quando era mais novo. – agora que vim perceber até onde meus pés me trouxeram, mas o Gerard não estava aqui.
– Tá eu já estou chegando ai. Me espere. – e desligou.
Fitei o aparelho celular na minha mão. Tinha algo errado.
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