Stories And Demons
5 The angel\'s visit.
O sol já ia alto quando Natally desceu as escadas, ela esperava demorar um pouco mais para encontrar seus amigos, ela não tinha paciência para escutar o que quer que Patrícia fosse dizer sobre sua roupa.
Na verdade, fazia um bom tempo que Natally não tinha paciência com Patrícia, não que alguém a culpasse; anteriormente inseparáveis as duas agora mal suportavam olhar uma para a outra. Natally havia perdido as contas de quantas brigas havia tido com Gérard e Pedro sobre isso.
Um suspiro exalou por entre seus lábios e ela encolheu-se, os braços cruzados sob o peito. Ela ouviu risadinhas em uma porta a sua esquerda e cuidadosamente a abriu, ali estava Thomas segurando alguém nos braços, alguém que Natally reconheceu imediatamente, por ser Aurora. Eles encaravam-se apaixonados e por um segundo, sentiu a martelada em seu coração, mãos taparam-lhe a boca e ela sutilmente foi levantada no ar, ela sabia que era Jonathan.
-Esta tudo bem – ele murmurou sem seu ouvido, apenas um de seus braços musculosos em volta de sua cintura, ele a erguia como se ela fosse uma boneca, afastando-a da sala, subindo as escadas, mas ele não a levou para o quarto dela. E ela não reconheceu o caminho até plantar os pés no chão.
Aquele era o quarto dele, embora tivesse o mesmo tamanho que o seu, as paredes eram de um azul escuro, sombreando o local, e ele postou-a no centro da cama, tirando-lhe os sapatos e deitando ao seu lado, ele a abraçou.
-Esta tudo bem, linda. – ele murmurou em seu ouvido, abraçando-lhe contra o peito e deixando-a chorar.
E ela chorou, soluçando sem parar, molhando a camisa dele com as lagrimas salgadas, sem importar-se com aquilo, afinal, ele também não se importava.
-Eu sou tão estúpida – ela murmurou com a voz abafada pelo peito dele. Ela sentiu-o tremer.
-Não, não é. – ele devolveu apertando ainda mais os braços ao seu redor. – vai ficar tudo bem. Não chore linda.
-Dói. – ela disse rouca. Ele apenas a abraçou mais forte. Ficou um eterno tempo ali, ele embalando-a como a um bebe, até que os soluços parassem e o choro diminuísse. – Desculpe.
-Eu não ligo – ele sorriu terno, olhando-a nos olhos, para dizer que tudo estava bem, em seguida levantou-se e puxou-a consigo — Vamos descer? Tudo bem mesmo?
-Vamos, eu estou bem, obrigada. – ela murmurou fraca, apertando-lhe a mão, em seguida calçou os sapatos e acompanhou-o porta a fora, trombando em Thomas imediatamente.
-Ora, já me trocou não é? – perguntou em escárnio olhando para a mão de ambos entrelaçadas.
-Não... – ela murmurou dando um passo a frente, mas Jonathan se interpôs, olhando para Thomas.
-Saia daqui! – ele rosnou, parecia perigoso e maior do que o outro. – Você a trocou, o que é inadmissível! – foi à resposta seca e Thomas pareceu confuso, Natally encolhia-se atrás de suas costas, incapaz de enfrentar alguém. – vamos. – ele a puxou descendo rapidamente as escadas ignorando os chamados de Thomas.
-Desculpe – a voz fraca dela ecoou a suas costas, parecia mais frágil do que era realmente, como se o choro estivesse rejuvenescendo-a.
-Vem, apenas vamos sair daqui – ele murmurou para ela parando finalmente na sala. Apenas Louise, Gérard, Pedro e Paris estavam ali. Ele olhou conspirador para Pedro e Gérard, incitando-os a seguirem-no. – Paris, você pode ficar um pouco com Natally enquanto eu vejo algumas coisas aqui – ele perguntou para a amiga, jogada no sofá, ela acenou e sorriu, andando até Natally e segurando-a pela cintura.
-O que aconteceu Nath? – perguntou, ao ver os olhos vermelhos e inchados da amiga, ela balançou a cabeça e deu de ombros, Jonathan andou até os outros dois e encarou Louise.
-Okay, já entendi. – ela levantou as mãos em sinal de entendimento e foi até Natally, preocupada com a garota. – quero saber o que aconteceu Na, e quero saber agora – eles ainda puderam ouvi-la.
-Pois bem, diga. – Pedro olhou-o pelo canto dos olhos, estava analisando os ombros curvados da amiga.
-Ela viu Thomas com Aurora – foi à resposta simples de Jonathan.
-O que? – Gérard perguntou alterado, levantando-se de um salto – iremos lá agora mesmo – ele moveu-se para a porta, mas Pedro segurou-o pelo braço.
-De jeito algum – foi à resposta – duvido que ela queira isso. Alem de que, temos que juntar os cacos dela agora, ela não iria querer que fizéssemos isso. – Pedro resmungou, em tom baixo ainda encarando Natally.
-Ele esta certo – Jonathan concordou num suspiro. – ela não precisa de brigas, ainda mais agora. – Gérard concordou com um aceno de cabeça. Ele soltou-se de Pedro e encaminhou-se até Natally.
-Nós vamos cuidar do seu coração – ele disse para ela e ela acenou jogando-se nos braços do melhor amigo.
-Obrigada – murmurou para Gérard, sentia-se fraca e boba, por ter deixado ser enganada daquele jeito, finalmente soltou-se de Gérard e sorri para os amigos. –Eu vou dar uma volta, não se preocupem, vou ficar bem. – trôpega ela escorrega porta a fora, não podia continuar fingindo tanto.
-Ela não vai ficar bem, não é? – Paris pergunta desgostosa e Louise concorda, era obvio.
Daenarys estava escondida olhando pela janela, deliciava-se com aquilo, com a dor de Marie, como se fosse sua força. Ela havia usado de ilusão para enganar a garota e continuaria até que em seu desespero, Marie cometesse uma loucura.
-Livre arbítrio, não significa em suma, nada a você? – uma voz suave e encantadora murmurou a suas costas e Daenarys voltou-se para Gabrielle, a irmã mais nova, a pequena anja, ela tinha cabelos longos e loiros, que esvoaçavam a suas costas, olhos azuis intensos capazes de penetrar a alma, e a pele tão branca quanto uma pérola.
-Ora, Gabe, eu sou um demônio, vou influenciar a escolha dela, apenas. Sabe como eu sou. – Daenarys sorriu, mostrando os dentes fortes e perigosos.
-Por teu veneno escolheu viver, e por ele vai morrer, Daenarys – foi à resposta da Gabe – irei conhecer o receptáculo de nossa mãe.
-Ah, a ultima sofrida, o anjo caído. – a demônio zombou, mas a anja não lhe ouviu, abriu suas enormes asas brilhantes e alçou voo, ignorando a irmã.
Natally estava sofrendo, e aquilo fazia mudanças no tempo, mudanças providenciadas por Azraquiel e Taremá, eles sofriam como o receptáculo de sua mãe, o ar frio e o tempo úmido pronunciavam a vinda de uma tempestade, não haveria sóis por dias, ambos os demônios haviam pronunciado isso.
A garota estava sentada em uma das cadeiras de balanço da varanda, encolhida em uma bola, ela gostava do vento que açoitava seus longos cabelos e do ar úmido e frio que deixava seu rosto gelado, mas mesmo assim, nada impedia as lágrimas de escorrerem.
-Teu corpo não foi feito para a dor. – uma voz murmurou e ela olhou para o lado, o anjo estava ali. – ola receptáculo de minha mãe.
-Pode me chamar de Natally, eu gosto. – a garota sorriu para o anjo – você deve ser Gabrielle, Taremá falou-me de você.
-Sim, sou Gabrielle – o anjo sorriu e sentou-se no chão, de frente a garota. – porque choras?
-Porque sou humana. – um sorriso pequeno brotou nos lábios dela e Gabrielle sorriu.
-Tu lembras tanto nossa mãe quanto é possível, até mesmo nos mais delicados e mortais gestos. O mundo foi cruel com você, criança. – as lágrimas prateadas escorreram pelo belo rosto imortal do anjo.
-Não seria o mundo, se não o fosse. – Natally replicou fungando, as lagrimas haviam parado de cair.
-És tu mais inteligente e sábia do que acredita, poderia eu ter sua sabedoria, mas ela vem dos homens mortais e com eles nos alimentamos junto à fonte do universo. São de pessoas como você que o mundo precisa. – Gabrielle suspira pegando as mãos de Natally e colocando-a sobre seu rosto – tem o mesmo toque que ela, esperei tantos séculos por isso, é tão bom tê-la aqui novamente. Agora devo-me ir, tu deve entrar minha doce jovem esperança, tu deves aguardar a vinda de Azraquiel esta noite e te preparas para novos desafios.
-O que? – a garota replica atordoada, não pensava tão bem quanto gostaria e talvez aquele fosse o efeito de Gabrielle, mas o anjo apenas sorriu e levantou-se sumindo na noite escura.
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