Stop look me
8 Capítulo 8 - Thermal shock
Notas iniciais
Quinn se sentia cansada, exausta, seu corpo suava, sua cabeça estava cheia de nós e latejava como se alguém estivesse batendo com um martelo. Pegou rápido sua mochila no armário e junto o seu celular. Mexeu nele meio confusa até digitar com dificuldade o número de Mercedes, ainda com a mão tremendo. Não entendia nada, não sabia o que estava acontecendo. Não entendia o que tinha acontecido, se sentia perdida. Elas estavam tão perto...tão excitadas, tão grudadas...”por que as pessoas não podiam ter só sexo? ” Se perguntou irritada. Quando saiu do vestiário, Sam Evans estava do lado de fora sentado num banquinho, a encarando com uma cara de quem estava com muita raiva dela e isso a deixou ainda mais brava, por que aquilo não dizia a respeito de ninguém. A culpa não era de forma alguma dela, simples assim. Santana se apaixonou sem nem mesmo uma palavra por parte dela, nem um sorrisinho foi preciso para isso acontecer. Se ela decidiu cair na tentação e ceder, a culpa não era de Quinn. Ouviu um monte de toques antes de sua chamada cair na caixa postal. Droga. Onde estava sua melhor amiga quando mais precisava dela? Insistente, resolveu ligar de novo. Mais toques. A loira já estava vermelha de raiva pela demora e a chamada já estava quase sendo novamente encerrada, quando a amiga finalmente atendeu.
M: Fala Fabray. — Argh. Provavelmente Santana já tinha contado o ocorrido pra Sam, que teria contado para a menina e agora Mercedes estava morrendo de raiva dela, com a justificativa de que ela estava brincando com o coração da latina, o que não era verdade e ela sabia disso.
Q: Eu preciso de você. – Sussurrou fria, breve, sem palavras. Não queria falar muito. Não queria ter de falar. Ouviu Mercedes suspirar e murmurar algo como "porra" do outro lado da linha, e se sentiu tão sozinha naquele momento, tão ruim e suja, que teve vontade de sair correndo. Correr era sua solução para tudo, a solução para se afastar dos problemas. Novamente aquela vontade estranha de chorar se apossou dela por inteiro, e ela respirou fundo se controlando. Não choraria por ninguém, ninguém valia a pena e ela sabia disso. Já tinha uma barreira natural contra o papel de trouxa que as pessoas empenhavam diariamente.
M: Você só sabe fazer merda, Quinn, caralho! Por que porra fez isso? — A outra falou impaciente após a frieza e o silencio de Quinn, fazendo a loira engolir em seco esperando a bronca, que não veio. Mais alguns longos segundos de silencio, que a de olhos claros decidiu quebrar, sem paciência.
Q: Não preciso de bronca vinda de você e nem deveria ter te ligado. E só para você saber, eu não fiz nada sozinha. – E assim, simplesmente desligou, sem nem se despedir, provavelmente deixando uma Mercedes chocada e surpresa por sua ousadia.
Entrou no carro que tinha ganhado em seu aniversário de 17 anos, e dirigiu até em casa, tentando se segurar e não chorar. Não queria chorar e nem podia. Chorar era uma fraqueza que ela não fazia questão. Entrou na mansão Fabray pensando que estava sozinha, e tirou o casaco, ficando só de camiseta, até trombar com a figura loira lhe sorrindo sentada no sofá.
F: Olá Lucy. – A mais velha disse segurando um riso bobo.
Q: Olá Frannie. Já pedi para não me chamar assim, mas acho que você deve ter caído do berço quando pequena ou algo assim, por que você é meio retardada e não entende as coisas. – Disse sem sorrir, demonstrando a impaciência que transbordava dela.
F: Está afiada irmãzinha! O que foi que aconteceu? Dá para ver nessa sua cara de bunda que você não está bem! — Quinn sorriu para o jeito sincero e esculachado da irmã, mas escolheu não contar nada para a primogênita. Ela nem ao menos sabia o que sentia, só um misto de emoções como raiva, atração, tudo confuso dentro da sua cabeça, e provavelmente outra pessoa não entenderia.
Subiu as escadas para o seu quarto devagar, tirou a calça calmamente ao entrar e se enfiou debaixo das cobertas, ligando o ar condicionado no máximo e sentindo o frio extremo dentro do cômodo. Pensou novamente na ironia clichê da vida, por que frio era tudo o que sentia por dentro e por fora. Acordou e lá estava Mercedes sentada na cadeira de frente para a sua cama, a olhando com olhos curiosos. A loira esfregou os olhos observando a garota de modo chateado, que devolveu o olhar.
Q: Que merda você está fazendo aqui? — Disse com a voz quebrada. Não queria ver a amiga agora, não queria ver ninguém.
M: Desculpa por hoje mais cedo, por brigar contigo e colocar a culpa toda em você. Fui injusta — disse direcionando um olhar triste para Quinn.
Q: Não quero desculpas. Eu estava precisando de você e você só soube me chutar. Eu fiquei realmente magoada por jogar toda a culpa nas minhas costas sem lembrar que ela também poderia ter saído, mas não saiu. — Os olhos da garota se encheram de lagrimas e Mercedes viu que a coisa era mais séria do que pensava.
M: Você está vestida? — Perguntou fazendo a outra lhe olhar confusa.
A loira olhou embaixo do cobertor, vendo que tinha permanecido de camiseta e calcinha.
Q: Estou, por que? — Perguntou ainda com a expressão magoada.
M: Por que eu quero te abraçar... serio Q, eu não pensei em você, desculpa. — Disse se sentando do lado da loira e lhe abraçando. Sentiu algo molhando sua blusa, e deu um beijo nos cabelos loiros.
M: O que foi? Por que esse choro, Quinei? — Perguntou carinhosa.
Q: Por que eu acho que posso estar me apaixonando por ela. Eu não sei. Não sei o que acontece quando alguém se apaixona. Eu tão confusa, tão precisando desabafar, chorar, sair correndo, sei lá.
M: Posso ser sincera com você? — Perguntou.
Q: É o que espero de você. — Afirmou.
M: Fique com ela e tire essa dúvida.
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