Stop This Song
1 Stop this song
Notas iniciais
Um olhar.
Um olhar apenas é o que você precisa para se esquecer de tudo a sua volta. E faz com que você começe, aos poucos, a se desesperar. — Aquele olhar supostamente não deveria causar mais nenhum sentimento.
Nenhum.
Não depois de tudo que aconteceu entre vocês. Não depois de tanto tempo.
Ainda assim, você não consegue desviar seus olhos dela. Por mais que você tente, é quase impossível. E você começa a se odiar por isso, porque isso demonstra o quão ingênua você ainda pode ser. É como se ela houvesse se tornado uma parte sua, algo que nunca vai sumir completamente. Como uma tatuagem.
Exatamente como uma tatuagem.
Uma tatuagem no seu coração.
Você então percebe, por sua expressão, que já a observou por tempo demais. Isso pode acabar deixando-a assustada, porque, óbviamente, você não é a única que nunca vai se esquecer do que aconteceu. E passar a impressão errada é a última coisa que você quer fazer, então você utiliza todas as suas forças para finalmente olhar para outra direção.
Claro que, passado esse incômodo, outros teriam que aparecer. Sua respiração não está mais estável, o que é fácil de notar. Mas o pior, com certeza, é o sutil nó que agora está na boca do seu estômago. Você conhece essa sensação...a conheçe muito bem. — Já a sentira antes.
Nesses momentos, você até consegue prever o que vem a seguir: memórias. Uma quantidade enorme de memórias que você não quer de volta à sua mente, mas são impossíveis de deter. Toda vez, elas atolam sua cabeça, até você querer explodir.
Maldito o dia em que essa garota de cabelos castanhos com mechas apareceu na sua vida.
Não, você retira esse pensamento.
Bendito o dia em que ela apareceu, isso sim.
Se não fosse por ela, você teria deixado de aprender muitas coisas. Afinal, aqueles que mais te fazem sofrer são os que mais te fazem crescer.
Quando você começa a pensar em como frases clichés dominam sua vida, um frio na barriga te faz perceber que os olhos dela estão fixos em você. Inexplicavelmente, isso faz com que você se sinta o ser mais diminuto da face da Terra. E o mais estúpido, também. — Só você é idiota o suficiente para alegrar-se com uma simples referência a você por parte dela, ou com as vezes que ela fala com você, com uma normalidade surpreendente, demonstrando que não há ressentimentos. Sem mencionar os momentos de empolgação, cada vez que vocês descobrem uma nova coisa em comum; ou quando ela age de uma maneira extremamente boba, mas adorável ao mesmo tempo. É quando você revê o seu eu de antes. Seu eu pré-Cassadee.
Sim, curiosamente, ela é como um marco na linha do tempo da sua vida. Esta está dividida em pré-Cassadee e pós-Cassadee. E é evidente o quanto as coisas mudaram a partir disso. O quanto você mudou.
Um suspiro atinge seus pulmões. Odeia ficar refletindo sobre isso. Isso só piora a sensação angustiante no seu estômago. Deseja intensamente que fosse possível desligar emoções.
E você sabe que a culpa é toda sua.
Não, outro pensamento a ser retirado.
A culpa não é sua. Nem dela. Nem de ninguém.
Você não teve culpa por ter se apaixonado por ela. Nem ela, por não ter aceitado isso.
Essas coisas acontecem. Já passou. Já faz dois anos.
"Hayley?"
A voz, tão familiar, faz com que você instantaneamente olhe para a garota que partiu seu coração. E, de alguma forma, um pingo de esperança ainda luta por se manter em seu interior.
"Me empresta sua palheta?"
"Ahn?"
"Sua palheta."
"Ah, sim, claro."
Você lhe entrega o objeto, ao mesmo tempo em que seus pensamentos se evaporam, te trazendo de volta à realidade. E você ignora o leve aumento de temperatura de seu rosto, enquanto susurra para si mesma:
"Hayley Williams, sua boba, quando você vai aprender?"
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