Notas iniciais
Kiss Me - The Fray
;*

- Mas, no final de tudo, o que aconteceu? – pediu Emily ansiosa.

- Ela me deixou em casa e foi embora. – dei de ombros obviamente.

- Quero dizer... você sabe. – bateu-me com o cotovelo leve.

- Mais nada. – encerrei a conversa voltando a encarar os exercícios de matemática.

Ouvi sua risada abafada quando virou-me para o professor novamente, estando sentada na minha frente.

Suspirei aliviada por não ter de continuar a conversa forçada, segurando um sorriso estranhamente bobo ao pensar na irmã mais nova Lovato.

Nunca iria admitir abertamente mas ontem foi um dos únicos dias que, não sei porque, me permiti ri sem motivo. Ou talvez tivesse um motivo, sendo ele Demi e falas engraçadas. Ela sempre dava um jeito de acrescentar uma brincadeira quando a conversa tomava algum rumo no qual meu sorriso diminuía, reconquistando um novo.

Tinha tanto medo de me abrir com alguém; digo, Amber sabe de tudo sobre minha vida, mas tem coisas que me questiono desde os doze anos de idade e ela só não fica ciente porque não quero que tenha parte de mim desse assunto.

Era em momentos como esse que olhava para trás vendo tudo que minha mãe havia me poupado até agora. Se não tivesse mudado de escola Demi seria somente mais uma garota num grupo fechado e que gostaria de ficar longe e agora ela quem me fazia sentir mal por não compartilhar meu medo com ninguém... mais especificamente com ela.

Limpei minha garganta com brutalidade ao quase engasgar, recebendo um olhar preocupado de Amber a meu lado. Assenti com a cabeça ainda recuperando o ar, mas logo o perdi novamente.

Perdi o foca no professor falante ao observar a figura ao longe.

Estreitei o olhar com curiosidade, mas já estava muito explicito pelo cabelo artificialmente muito preto.

- Jesus. – sussurrei baixo demais para alguém ouvir.

Por reflexo me agarrei ao papel amassado encima de todo meu material escolar, tremendo na sombra de sorriso que ameaçou minha face.

Como aquilo podia me manter tão calma?

“Just stop wondering
If we were meant to be
Forget about fate and just hold me
I'm ready to begin
The waiting has to end
Right now, today
I've got to find a way
Mine...
Until You're “

A figura de beijos e abraços estava descrita ao pé da folha, mas beijos que os concorrentes em uma brincadeira um pouco familiar para mim desde a tarde de ontem.

Franzi o cenho com dedução.

Não podia ser... Como ela faria?

Como colocaria as coisas em meu armário?

Um riso foi ouvido a minhas costas, fazendo-me lembrar da ultima pessoa em minha fileira.

Ela tem uma irmã na escola. Dallas.

Agora o que dominava em meu rosto não era a curiosidade, mas sim um começo de medo.

Virei o pescoço em direção a arvore particularmente distante para encontrá-la com companhia.

Surpreendi-me com o garoto de cabelos encaracolados que compartilhava uma brincadeira talvez boa pelas risadas inaudíveis.

Nick; o estranho stalker.

Eles eram amigos?

Já os tinha visto juntos na sorveteria mas a justificativa mais obvia era o fato do irmão mais velho e popular fazer parte do grupo.

Talvez ela não seja tão superficial quanto pensei... mas o assunto não é esse e sim o quanto é errado o que fazia.

Ela sabia que não era gay... quero dizer, talvez não seja gay... Claro que não sou. Mergulhei os dedos de encontro a minha nuca, percebendo estar gelada nas extremidades. Talvez tremendo de nervosismo.

O sinal alto tocou e meu susto aumentou.

Porque ela veio mais cedo? Geralmente vinha todo final de aula, mas ainda estávamos da penúltima. Agora na ultima.

Talvez para deixar um novo bilhete ou também não precisa ser ela. Quais as provas a seu favor?

Talvez no fundo, bem no fundo, queria que fosse.

Não.

Apertei os olhos com força ao jogar com lentidão as coisas espalhadas para minha mochila.

- Selena, tudo bem? – perguntou uma mão quente em meu ombro.

Ou eu esteja muito gelada.

Balancei a cabeça em positividade ao correr o olhar para Demi novamente.

Ela continuava lá.

E agora? Sentir alegria ou desespero?

Medo?

- Aaaah. – gemi mais alto que calculei, fazendo minhas amigas me focarem. – Minha cabeça dói.

O que de fato não era mentira.

Parecia que lutava internamente com um “anjinho” e “diabinho” em uma fala grosseira, assentados em meus respectivos anjos. Só não sabia quem acusava e defendia.

- Quer ir para a enfermaria? – perguntou novamente a mão que percebi ser Dallas.

- Não. – neguei rapidamente, levantando-me ao despertar completamente. – Estou bem, vamos.

(...)

- Hoje Miley não vem. – Emily fez bico ao andarmos pelo corredor cheio.

- Porque? – perguntou Amber por educação, não se importando verdadeiramente.

- Disse que a ultima aula era importante e não podia faltar. – suspirou triste.

Saímos pela porta principal e já procurei por reflexo a garota no lugar de sempre.

Precisei pensar para andar quando assisti a de cabelos negros levantar do chão com um esboço de sorriso ajeitando os óculos espelhados estilo aviador. Um de meus ombros alfinetando minha cabeça em repreensão.

- Garotas. – cumprimentou Demi, abraçando cada uma. – Selena.

- Hmmm, que especial. – zombou Amber passeando o olhar entre nós duas.

Demi ignorou o comentário agarrando meu braço com delicadeza ao plantar o beijo suave sempre, fazendo o sangue em meu rosto acelerar pelo batimento cardíaco.

Desviei a atenção de meus “demônios” internos – ou externos – ao sorrir pequeno para o ato.

Acho que levou minha reação para bem, pois limpou a garganta engolindo a tarde de ontem ao falar.

- Posso falar com você? – pediu gentil ao roçar mais os dedos contra minha pele.

- Claro. – repassei a palavra em minha cabeça até ter certeza de não gaguejar.

Nos afastamos das três garotas que juntaram-se numa rodinha nos observando com desconfiança.

- Hm, te chamei em particular porque percebi que você não fica muito à-vontade com esse tipo de pergunta em publico. – sorriu dando de ombros. – E, talvez, por guardar em particular o possível não.

Ri do nervosismo escondido, tentando fazer o mesmo com o meu.

Poderia estar de frente com o autor de minhas cartas e, embora tudo parecesse tão obvio de longe mas agora era mais duvidoso que pensei ser.

- E o que seria? – influenciei.

- Sem enrrolação, quero tentar sair com você de novo. – expressou fazendo meu estomago revirar como o da outra vez.

- N-não. Não posso... – falei quase num sussurro.

- Porque não? – perguntou insistente.

- É muito pessoal, minha família...

- Sua mãe.

- Eu. – repreendi. – Eu não quero.

- Mas disse que não podia.

- Me, hm, expressei mal.

- Esta mentindo.

- É você quem esta colocando coisas no meu armário? – falei a primeira coisa em minha cabeça no jogo rápido.

- O quê? – franziu o cenho em confuso. – Que coisas?

- Trechos de música. – afirmei.

- M-musica!? – pareceu engasgar. – Eu não... não escrevo musicas.

- Não? – suavizei meu tom ao perceber a hesitação.

- Não mais. – disse firme. – Mas o assunto ao é esse.

- Não mais? – repeti subjetiva.

- Pelo jeito não vai sair comigo. – suspirou cansada.

- Porque “não mais”? – questionei curiosa.

- Você não me conta suas coisas “muito pessoais” e tenho de contar as minhas? – disse indignada.

- E o que faríamos nesse encontro? — cruzei os braços. – Duvido que queira só conversar como disse.

- Duvido que você queira só conversar.

Engoli em seco ao abrir minha boca, formulando uma resposta.

- Você é muito convencida. – espremi os olhos.

- Vamos sair. – convidou novamente. – Andar, como ontem.

- Me deixara em paz depois disso? – sorri.

- Se é que vai querer isso. – gabou-se arrogante.

- Convencida. – repeti ao socar o braço em brincadeira.

- Então sim? – perguntou esperançosa.

Sabia que me arrependeria disso depois.

- Sim.

Notas finais
Não revisado, já avisando.
Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.