Stop The World
2 Between
Notas iniciais
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Selena Pov
- O que acha do nome Sarah? – tentei dando partida no carro.
- É bonito, mas ainda prefiro Melissa. – disse Amber calmamente ao acariciar a barriga.
- Hm, e Rachel? – perguntei novamente, lembrando do quanto amava o som da palavra.
- Selena, amei todos os nomes que sugeriu, mas vai ser Melissa. – riu quando suspirei pesadamente. – Você não gosta?
- Gosto, mas é que você já tem tanta certeza. – respondi acelerando um pouco mais para mudar a marcha. – Desde o tempo que não sabia o sexo já fala em Melissa.
Ela sorriu alegre pensando na filha gerada.
- É meu nome preferido.
- E é lindo. – admiti esquecendo todas minhas tentativas futuras de tentar mudá-lo.
Amber sempre foi minha amiga desde quando mudei para a cidade, aos nove anos. Estudávamos juntas, brincávamos juntas e nossas mães tinham uma amizade forte o que só nos levou a mais motivos para nos tornar melhores amigas. Mas um dia ela abandonou o colégio que freqüentávamos, fazendo com que nos distanciemos um pouco.
E foi dessa época para frente que notei mudanças em seus hábitos e na turma que começou a andar. Talvez fosse semente os nervos de uma recém adolescente procurando perigo com as gangues covardes, mas isso não afastou até ano passado.
Ouvi sua voz pela primeira vez no telefone, impedida por anos de distanciamentos e a noticia: estava grávida. E o garoto era um irresponsável que só provou mais isso se mudando da cidade quando a noticia chegou a seus ouvidos. Mas são nessas horas que os amigos verdadeiros aparecem e não deixaria de marcar minha presença.
Seu mundo caiu com o pensamento claro de ser mãe aos dezessete anos.
Amber era praticamente minha irmã e superamos seis meses juntas. No começo tudo era horrível a seus olhos e a gravidez era um erro, mas o tempo passou e o sorriso foi ficando cada vez maior quando se tratava da garotinha que crescia em seu útero.
Foi ai que fiquei insuportável ao tentar convencer minha mãe a fazer minha matricula junto a ela, mas era em vão.
Mandy, minha mãe, tinha estudado a vida inteira em minha antiga escola e queria que fizesse o mesmo.
Todos os “nãos” batidos por dois anos em minha face estavam se tornando rotina por estar acostumada, mas um dia, percebi que pareceu pensar. E a resposta final foi sim.
Lembro de ter ficado horas do telefone com Amber, escutando tudo o que tinha para me contar sobre a escola com animação e hoje estamos aqui: o primeiro dia do ultimo ano.
O pensamento de ter completado dezessete anos explodia em minha mente com felicidade, mas o medo de ser a novata era quase mais forte.
- Estou louca para apresentar você para minhas colegas. – sorriu feliz. – Nem acredito que voltamos a estudar juntas.
- Nem eu. – deu-lhe um breve olhar, logo o voltando para o transito. – Faz idéia do trabalho que deu para convencer minha mãe?
- Pior que faço. – suspirou cansada. – Ela anda de apertando muito ainda?
- Não, quer dizer, não sei. – falei sincera. – Mas é o jeito de mostrar que se importa.
- Faz algum tempo que não converso com ela, mas se continua do mesmo jeito deve ser difícil. – disse sinceramente. – Ainda te obriga a ir para igreja todo domingo?
- Não. – neguei. – Vou porque quero.
- Ou vai para evitar brigas? – tentou esperta.
- Amber, pare. – pedi. – Minha mãe só se importa demais com a igreja.
- Mas você não quer que seja assim. – apertou meu ombro continuando o assunto que tentei finalizar. – Ela te controla muito. Quer sempre ver com quem anda, o que faz e porque chegou dois minutos depois do toque de recolher.
- Ela só esta preocupada. – afirmei. – Essa idade é complica, de acordo com ela. E quer manter-me por perto.
- Ela sabe que não poderá te proteger para sempre, certo? – perguntou.
Suspirei parando o carro no estacionamento da nova escola.
- Tomare. – suspirei baixo, mas o bastante para Amber ouvir.
Ela sabia que estava ficando cansada do controle de minha mãe e suas regras ditadas pela igreja. E, mesmo que concorde com minha mãe em alguns pontos, Amber estava certa sobre a maioria de seus tópicos.
- Finalmente. – sorriu animada para o começo do ultimo ano ao mudar de assunto. – Vem, vamos para a rodinha.
Senti minha mão sendo puxada com força quando começou a correr para um abraço apertado com uma loira.
- Emy! – comemorou. – Que saudade.
- Eu também. – sorriu a garota de dentes brancos. – Porque não me ligou.
- Estava ocupada com essa coisinha aqui. – acariciou a barriga cuidadosamente. – E você não vai vim abraçar minha filha?
A outra garota da conversa encarou Amber com um sorriso largo de amizade, repetindo o movimento da outra em seguida.
- Selena, essas são minha amigas. – apresentou-me. – Emily e Dallas.
Apontou respectivamente para as duas garotas loiras.
Dallas continuou sorrindo ao estender o mão para mim, limpando o cabelo loiro sujo do rosto.
- Prazer. – falou quando aceitei o cumprimento. – Boa sorte nessa escola, vai precisar.
- Obrigada. – respondi. – Já imagino.
Olhei ao redor para os grupos sociais já em formação conforme os jovens adultos chegavam.
Percebi as vozes ao meu lado quando os assuntos pós-feiras começaram a surgir entre as garotas, mas estava muito ocupada tento uma primeira impressão do espaço.
Havia muito mais pessoas que imaginava e tinham seu tempo tomado em conversas animadas e risadas altas, mas congelei ao encontrar um olhar em mim.
Prendi a respiração percebendo que ainda não desviara o olhar.
O garoto levantou a mão tão hesitante quanto eu num aceno discreto, enquanto observei perifericamente a gangue de nerds.
Acenei com um sorriso simpático ao voltar meu olhar com rapidez para as garotas ao meu redor, que percebi me olharem confusas.
- Hm? – foi tudo que consegui quando seguiram meu olhar anterior.
- Ele? – perguntou Emily.
- Ele me cumprimentou. – deu de ombros tentando não parecer nervosa.
Dallas riu divertida.
- O Nome dele é Nick. – continuou mostrando os dentes enquanto levantava a mão para o alto, acenando novamente para o garoto. – Ele é legal, só o irmão que é idiota. Quer que te apresente?
- Não. – respondi rápido. – Não quero nenhuma relação esse ano.
- Hm, difícil. – comentou Emily, mexendo pouco os lábios ao falar. – Atrás de você.
Não consegui ao menos me virar e já senti algo colidir contra minhas costas.
- Wow, me desculpe. – pediu a voz masculina. – Minha culpa.
- Tudo bem. – me virei, enfrentando o garoto alto de olhos azuis.
- Meu nome é Drew. – apresentou-se com o sorriso que todos julgavam galanteador.
- Selena. – sorri minimamente pedir ajuda pelo olhar a meu grupo.
- Ela não quer casos, Drew. – cuspiu Amber com arrogância. – Volte para seu time de lesados.
- Nossa, parece que alguém esta com ciúmes. – cruzou os braços focando minha melhor amiga, que revirou os olhos em impaciência. – Ok, nos vemos mais tarde Selena.
E assim correu para algum tipo de comemoração na rodinha de jogadores, onde trocava toques de mão com todos os rostos divertidos.
- Fique longe dele. – avisou Emily primeiro ao perceber que Amber ainda tomava ar. – É um idiota.
- Parece que todos os garotas aqui são. – falei simplesmente, fazendo-as rir.
- É por isso que me libertei deles. – Emily colocou a mão sobre o coração, inspirando.
- Como assim? – confundi-me.
- Ela namora uma garota. – Dallas sorriu para a amiga apaixonada. – E você, esta em meninas também?
- Não. – respondi quase engasgando. – Não, isso é...
- Não é do tipo preconceituosa, certo? – o rosto sorridente de loira escura sumiu séria.
- Não. – neguei falando com as mãos. – Não. É só que nunca conheci ninguém assim.
- Pois bem, agora conhece duas. – falou como se estivesse conhecendo-a agora. – Fique tranqüila, não vamos te levar para o mal caminho.
- Obrigada. – sussurrei pensando do possível ataque cardíaco de minha mãe ao saber sobre minhas novas amigas.
Notas finais
Meu tempo anda muito apertado, mas continuarei normalmente de semana em semana nas terças-feiras. Não segundas como WOC.
Obrigada por tudo, ;))
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