Stop!

1 Prólogo


Naquela noite, era se possível ver as estrelas ao céu, levando um ar romântico a os casais que se encontravam na pequena praça próxima ao parque de diversões. Lizz Lee, possuía um olhar entristecido e um corpo um tanto tremulo graças ao toque suave do vento que se passava. Suas bochechas estavam avermelhadas por causa do frio e das lágrimas. Era uma garota tímida, de pele branca e cabelos negros, curtos, que viviam sempre bagunçados. Possuía um corpo magro e não muito atraente. Seus olhos eram de um negro muito claro, que ficava marcado pela maquiagem pesada que a garota tanto gostava. Usava um moletom cinza, que ficava largo para si. Uma calça negra colada às pernas e uma bota sem salto, que chegava um pouco abaixo do joelho. Perguntava-se se hoje, alguém de sua família havia notado que a mesma não aparecera em casa. Se bem que Lizz não se importava, já que assim evitava as agressões que sofria pelo pai, bêbado e covarde.

Suspirou, dando um passo a frente. Estava realmente frio apesar das vestimentas que usava. Ou seria por que estava prestes a pular de um prédio? Bem, para ela não importava, afinal, logo esse frio iria abandona-la. Chorou, em silencio. Nunca em sua vida havia desejado chorar nos braços de alguém, mas ali, prestes a cometer suicídio, era isso o que mais queria. Lizz não possuía amigos. Não que fosse antissocial, longe disso. A mesma fazia de tudo para consegui-los, mas eles não a queriam. Sempre se perguntou o motivo daquilo. Desde pequena nunca foi de se fazer muitas amizades. Sempre fora a ''estranha'' da turma. Alguns implicavam outros lhe insultavam, mas nenhum tinha o bom senso de lhe perguntar o porquê de ser assim, tão afastada. A verdade é que desde que sua mãe morrera, Lizz teve que ser criada pelo pai. O homem não sabia o que fazer. Amava a mulher muito mais do que amava a filha, e não aceitara saber que a mesma ficaria a os seus cuidados. Não tinha jeito para cuidar de crianças, e Lizz percebera isso com o tempo. O pai se estressava muito facilmente, e quando completara nove anos de idade, o mesmo começara a lhe agredir fisicamente. Essa foi a época em que ele chegava em casa, bêbado a procura de algo para descontar a raiva. Hoje, com dezesseis anos, nada mudara.

Por esse motivo tomara a decisão de acabar com tudo aquilo. Não tinha nada para se deixar para trás. Nem amigos e nem familiares. Sorriu levemente magoada e fechou os olhos, deixando que o vento espalhasse os cabelos negros por todos os lados. Seria melhor assim, pular de olhos fechados, sem correr o risco de desistir do ato. Dera novamente um pequeno passo, sentindo-se estar ao final do prédio. Ergueu as mãos, afastando-as das laterais do corpo. Já que iria morrer, por que não fazer uma daquelas cenas de filme, em que o jovem pula de braços abertos. Suspirou pronta para abandonar-se. Esse seria seu fim.

_ O que diabos pensam que esta fazendo? _

George erguera o olhar, encontrando o corpo magro de Lizz prestes a se jogar. A morena o encarou. Assustada. Esquecendo-se do que estava a ponto de fazer. Lizz observou-o logo atrás de si. O mesmo vestia o uniforme escolar, e na mão esquerda segurava uma mochila com as cores do exercito. George era um garoto de beleza comum. Alto, com seus 1,83 de atura. Tinha os olhos de cores verdes, e possuía um cabelo curto e repicado, de um tom amarelado.

_ Garota, eu perguntei o que você ta fazendo ai _ aproximava-se _ Por um acaso não percebe que isso é perigoso? _

_ afaste-se _ Lizz gritara, fechando os olhos com força, enquanto apontava as mãos em direção ao garoto, em um sinal mudo para que o mesmo parasse.

George deixou-se ficar quieto, sem dar mais nenhum passo. Estava confuso, e não compreendia os motivos daquela menina estar ali, parada. Havia a encontrado de braços abertos, como se a mesma estivesse para se jogar.

_ Pera... _ sussurrou para si mesmo, dando-se conta do que estava acontecendo _ você não esta pensando em... _ ditou, sem terminar completamente a frase.

_ E o que tem se eu estiver?! _ Lizz encolheu-se um pouco, tremendo pelo frio e pelo medo. Por que aquele garoto tinha de aparecer agora? Logo naquele momento em que criara forçar para fazer o que há tempos desejava.

_ Olha... Não quero que pule, entendeu? _ falou devagar _ Vamos conversar _

George pousou a mochila no chão, com cuidado e sem fazer movimentos bruscos. Sentia-se em um filme, daqueles em que era um policial tentando evitar que o inimigo explodisse uma bomba. Mas não estava em um, e se odiava por isso, ate por que, caso estivesse, poderia evitar a morte de certa garota desconhecida. Suspirou cansado. Tudo que mais queria era apenas sentar-se aqui, no térreo, e observar as estrelas como sempre fazia. Mas não. Hoje tinha que aparecer essa morena de tendências suicidas.

_ Eu não tenho nada para conversar contigo. Deixe-me em paz _ pediu.

_ Tudo bem. Vamos começar do inicio_ sussurrou, dando um passo mínimo, que não fora percebido pela garota. _ Eu me chamo George Suli, e você? _ perguntou, notando-se logo em seguida o silencio.

Lizz não queria responde-lo, apesar de que ele dava a entender ser um cara legal. Magoou-se, sentindo como se Deus estivesse se divertindo a suas custas. Por que George não havia aparecido meses atrás? Assim poderia tê-lo como amigo, talvez? E quem sabe, bem, quem sabe não haveria de cometer suicídio. Suspirou, encarando os olhos verdes a sua frente.

_ Lizz... Lizz Lee _ disse em um fio de voz.

George sorriu, notando o olhar baixo e envergonhado que a mesma possuiu.

_ Que nome lindo _ elogiara com sinceridade. _ por que uma moça como você, assim, tão bonita, quer se jogar lá em baixo? _

_ Eu não sou bonita! _ retrucou mexendo nervosamente os dedos um no outro.

_ Bem, eu te acho muito linda _ Aproximou-se novamente.

_ Por favor... Deixe-me em paz. _

_ E por que eu faria isso? _

Lizz não soube o que responder. Talvez devesse dizer coisas como '' você não me conhece, então pare de fingir que se importa '' ou '' por que não adianta. Eu vou pular'' e então... Pulava. Mas Lizz não queria pular. Na verdade, ela nunca quis. A única coisa que ela realmente queria, era paz. E o único modo que ela encontrou de consegui-la, fora se rendendo a morte. Agora estava ali. Cheia de esperança, imaginando que aquele garoto poderia livrar-lhe da solidão. Estava feliz, por que alguém parecia se importar consigo.

Começou a chorar. E George preocupou-se ao ver aquilo. Pensou que aquele seria o momento em que presenciara a morte de uma jovem. Mas fora surpreendido, quando a mesma correra ate si, e em um abraço o fizera cair de costas ao chão. Ele não sabia muito bem o que fazer, por isso, apenas ergueu seus dedos para acariciar os cabelos lisos da menina que estava sobre si. Não reclamara pela dor no corpo, ou pelas lágrimas que molhavam seu peito coberto pelo uniforme escolar. Apenas a abraçara de maneira possessiva, como se a conhecesse há anos.

_ Ficará tudo bem. _

E Lizz? Bem, Lizz agradecia por finalmente se sentir ser abraçada daquela forma tão... Amável.