Katrina Bannett

Sem escolhas

Eu só queria poder viver como nos filmes de ficção, é tudo tão normal, perfeito, e embora tenham obstáculos, na maioria das vezes a mocinha termina feliz, o monstro derrotado os segredos são revelados e tudo termina perfeitamente bem.

Bom... Na minha vida é como se a historia do filme nem tivesse começado, a mocinha nem sabe o que é felicidade o monstro assola a cidade e os segredos continuam sendo segredos.

Depois que o Christian teve que subir para o seu quarto, fiquei sozinha decidindo para onde ir, pelo menos esse colégio tinha uma coisa boa, o tamanho.

– Oi Katrina... – minha professora de matemática. Era só o que me faltava agora, fechei os meus olhos, mesmo que ardessem mais, porém ela não podia ver a cor que ficaria.

Ela disse automaticamente depois do “OI” que precisava guardar os seus livros e ir pra casa. Sorri ainda de olhos fechados. Abri e pude ver ela ao longe no estacionamento.

Bom, os alunos do 1° ano deveriam me agradecer por essa, eles teriam aula agora.

Antes que mais algum professor viesse, decidi sair dos corredores da escola e voltar pro meu quarto mesmo, infelizmente teria que encarar minha irmã.

Entrei normalmente e fechei a porta, ouvi o barulho do chuveiro.

Tirei os meus tênis e deitei na minha cama pra ler alguma coisa mais leve enquanto ouvia algo mais pesado nos meus fones. Algumas pessoas não conseguem ler e ouvir musica ao mesmo tempo. Que bom que não sou “algumas pessoas”.

Depois de ler algumas paginas e ouvir duas musicas me deparei com a Sam falando algo, porém não consegui entender nada, o que pareceu engraçado como aqueles jogos de mímicas. Abaixei até o ultimo volume até poder ouvir sua voz.

– Desculpe o que dizia? – Falei sorrindo falsamente.

– Nada, só que daqui a alguns anos você ficará surda se continuar ouvindo musicas nessa altura.

– Engraçado – Gargalhei forçadamente, — agora você se importa comigo? Ah claro que não! Só quer dar uma de “espertinha” como sempre!

Ela me ignorou penteando os seus cabelos loiros e mexendo no seu celular.

– EEEI! O que tanto mexe aí? Mais segredos?

– Talvez – Respondeu Samantha sem tirar os olhos do celular.

Não falei mais nada, peguei minha toalha e fui tomar um banho também, precisava refrescar minha cabeça mais do que nunca.

Quando só se tem um lugar pra ficar, poucas pessoas conhecidas pra conversar, o universo se torna um pequeno terreno.

Após perder a noção do tempo no chuveiro , me arrumei, peguei os meus patins minha touca na qual a apelidei de “touca da sorte” azul, e uma pequena mochila que a coloquei nas costas e fui dar uma volta antes do inferno das próximas aulas.