Stone Cold
1 Stone Cold
Notas iniciais
Emma mostrava o dedo que ostentava o anel de noivado lhe dado por Killian a sua mãe.
— Emma, é lindo. — Snow elogiava. — Eu estou tão feliz por você!
— Eu também mãe. — Henry completou, mas não demonstrava a mesma animação de sua avó.
— Obrigado. — Swan agradeceu. —Eu nunca pensei que...
— Bem, se isso te faz se sentir melhor, eu sim. — Sua mãe a interrompeu.
—Então como Killian fez o pedido? — Henry perguntou curioso. — A bordo de cruzeiro romântico no Jolly Roger?
— Bem... Não exatamente, Henry.
— Já sei ele fez Smee e o resto da tripulação fazerem uma serenata?
— Nunca saberemos, porque eu meio disse que sim antes mesmo que ele tivesse a chance de fazer o pedido.
— Mal posso esperar para contar para o seu pai. — Snow demonstrava toda sua empolgação com a notícia. Emma encostou-se à bancada deu um sorriso sem graça, e por alguma razão seus pensamentos foram parar em Regina. — Temos um casamento para planejar Emma.
— Ei mãe, vamos com calma... Oh, e quanto a isso... Vamos esperar um pouco antes de planejar.
— Oh, Emma, mas por quê?
— Mãe, Gideon ainda está lá fora, e mesmo que tenha o derrotado uma vez, nós realmente não sabemos o que ele está fazendo. E não sinto que possa me concentrar em outra coisa no momento até que eu tenha realmente terminado com isso.
E como se os pensamentos de Emma tivessem chamado por Regina, a morena adentrou a porta do flat junto com Zelena.
— Na verdade terá que se concentrar. — Regina disse assim que entrou. Emma virou para trás surpresa por vê-la ali.
— O que está acontecendo agora, Regina?
— A Evil Queen. —Zelena respondeu antes que Regina pudesse dizer algo.
— O que houve? — Emma a questionou. Zelena percebeu algo e começou a sorrir ironicamente.
— Isso é um anel de noivado? — Zelena disse pegando a mão de Emma.
— Sim, é. — Emma respondeu assustada com o puxão de Zelena em seu braço. — Killian me propôs.
Swan abriu um sorriso e Regina ficou sem reação.
— Emma! – A morena exclamou. — Estou feliz por você. Realmente estou.
Regina a abraçou em seguida e Emma aceitou de bom grado o abraço.
— Obrigado, Regina. Isso significa muito para mim. — A salvadora respondeu sem jeito, algo parecia não se encaixar.
Ela devia se sentir feliz, mas por algum motivo não conseguia, Regina estava feliz por ela e tudo que Emma conseguia pensar era o porquê a Rainha deveria estar feliz com ela se casando com Killian. O que ela não tinha ideia era que a morena por dentro estava quebrada e seu coração tinha se despedaçado em mil pedaços.
***
Regina
Ouvir aquela notícia me deixou sem reação, as palavras ficaram presas na garganta e eu gaguejei. Meus olhos ardiam, mas eu não podia chorar ali, não na frente de todos. E minha única reação foi abraça-la e senti-la nos meus braços ao menos uma única vez, mesmo que por meros segundos e eu poderia guardar o seu cheiro, seu calor. Tudo ficaria gravado em minha memória. O primeiro e último abraço na pessoa que sempre amei. Ela seria feliz. Sem mim, mas seria. Se eu pudesse gritar e dizer ao mundo como me sentia, eu faria, mas agora era tarde e as tantas vezes que tive oportunidade não o fiz. Agora não poderia deixar meu egoísmo e ódio me dominarem mais uma vez, foi por esse motivo que me separei da minha parte ruim, para ser alguém melhor. Então, agora faria o meu melhor para ver a pessoa que amava sendo feliz, mesmo que isso me afundasse em minha solidão.
Talvez esse fosse meu castigo, mesmo que me redimisse por tudo que fiz no meu passado, nunca seria suficiente. E nem a ideia de ser feliz, como a que tive com Robin me era merecida. Estou fadada a isso, a ver todos sendo felizes e eu não. Agora temos que pensar em todos os problemas à nossa volta e não há tempo para se lamentar. A Evil Queen está à solta e com ela que irei me ocupar.
***
Regina estava em seu cofre buscando soluções para seus planos e mal percebeu a chegada de Zelena.
— Você está apaixonada por ela há quanto tempo?
Regina se virou tomando um susto e não soube o que responder a sua irmã.
— Devia parar de invadir meu cofre desse jeito, Zelena. — A morena repreendeu a irmã.
— Não mude de assunto, Sis, e você sabe bem que seu feitiço de sangue não funciona comigo.
— Eu não tenho tempo para seus sermões, Zelena. O que quer que eu responda, você já tirou suas próprias conclusões.
— Eu quero que você lute sem medos pela sua verdadeira felicidade, Regina Mills. Você já não deve nada a ninguém, seu passado não pode lhe assombrar mais. Até mesmo sua parte má teve um final feliz e você também merece um. — A ruiva tentou encorajar a irmã.
— Não há nada que eu possa fazer, ela vai se casar com ele. — Ela disse frustrada. — Talvez seja esse o meu destino, Zelena, ver todos sendo felizes a minha volta e eu não.
Zelena não conseguia acreditar que sua irmã pudesse desistir tão fácil, ela tinha derrotado grandes inimigos e conquistado reinos. Como podia desistir de lutar por sua felicidade, por seu amor verdadeiro?
— Eu não acredito nisso, Sis, todos merecem uma segunda chance. Você acreditou em mim e eu vou acreditar em você.
Zelena se aproximou de Regina e a abraçou, não houve resistência por parte de morena e ela se permitiu chorar nos braços da irmã.
***
Os dias se passaram e Mary estava tão empolgada com os preparativos do casamento da filha que se esqueceu do resto à sua volta.
— Regina, eu preciso da sua ajuda, não sei qual local escolher para casamento da Emma. — Snow falava sem parar, deixando a prefeita sem paciência.
— Snow eu não tenho tempo para isso. Preciso terminar o feitiço de proteção para a cidade. Só isso manterá Gideon e a aquela fada louca fora de Storybrooke. — Ela caminhou em direção à porta do flat, quando se deparou com Emma descendo do andar de cima vestida de noiva.
O mundo parou, e Regina só conseguia ver Emma à sua frente. Ela parecia um anjo, o seu anjo. A sua salvadora, aquela que lhe salvara de tudo, que lhe dera amor mesmo antes de se encontrarem, afinal ela amara Henry sem restrições. Ao ver Swan tão linda, Regina teve certeza que não suportaria mais, ela não conseguiria viver em mundo onde Emma fosse de Killian e não dela. E sem dizer uma única palavra ela deixou o apartamento dos Charmings, indo ao único lugar que lhe daria uma solução definitiva. Ela caminhou a passos firmes até entrar na loja de Gold.
— Rumple, apareça! — Regina gritou. Rumple apareceu desconfiado e sem ter ideia do que Regina queria.
— O que a Ex-Rainha deseja em minha humilde loja?
— Eu quero fazer um acordo, Rumple. — Regina respondeu decida.
O Dark One ficou surpreso, mas um acordo era um acordo e sempre havia coisas úteis a se ganhar.
— E o que tem a me oferecer, Regina?
— Minha magia, Rumple. Ela será sua se me der o que eu quero.
— Tentador, querida. Então, entre e vamos conversar. Você me diz o que deseja e poderemos chegar a um acordo satisfatório para ambas as partes.
O velho homem deu passagem para Regina e ela entrou. Ela tinha mais uma vez escolhido o caminho mais fácil e talvez fosse se arrepender no final.
***
No dia do casamento de Emma e Killian, Regina não apareceu e a loira ficou aflita, porém tentou não demonstrar. Ela queria parecer feliz para todos e principalmente para seus pais que a toda hora a parabenizavam.
Ao fim da cerimônia Emma desistiu de esperar por Regina, talvez ela não gostasse de casamentos e por isso não tinha aparecido, mas o olhar da morena no dia que a vira vestida de noiva não saía de sua cabeça.
— Não, Emma. É apenas coisa da sua cabeça, esqueça isso. — Ela murmurou para si mesma.
— Está tudo bem, Love? — Killian perguntou todo sorridente.
— Sim, Killian, está tudo perfeito. — Emma o respondeu lhe dando um selinho em seguida.
Logo todos seguiram para a festa na prefeitura, e do lado de fora, Regina observava tudo.
— Seja feliz meu amor, espero que esse pirata lhe faça feliz. — Mills disse baixinho, virou de costas e começou e caminhar em direção ao seu carro.
A aquela altura Zelena tinha descoberto o plano da irmã e tentou impedi-la sem sucesso algum, pois a prefeita já estava no limite da cidade. Henry estava preocupado com sua mãe, e deixou a festa de casamento da outra mãe de fininho. Assim que o garoto chegou à mansão de Regina encontrou tudo calmo e vazio.
— Mãe você está aqui? — O garoto perguntou bem alto enquanto subia as escadas. Ao chegar a seu quarto encontrou um envelope sobre a cama. Apreensivo ele o abriu e leu seu conteúdo.
"Meu príncipe, eu lhe peço que me perdoe desde já por partir sem lhe dizer adeus. Sinto que não há mais lugar na sua vida para mim, mas estou bem e em paz porque sei que será feliz com sua mãe e Killian. Logo vocês três serão uma família de verdade. E eu parti com certeza de que você sempre me amou por inteiro, até mesmo a minha escuridão e isso me enche de alegria. Cuide de sua mãe e seja um bom menino. E me desculpe por lhe magoar com essa partida. Eu preciso recomeçar, mas saiba que eu os amo com tudo que sou.
Com amor,
mamãe."
Assim que terminou de ler, Henry tinha os olhos cheios de lagrimas. Sua mãe tinha partido e ele nem ao menos sabia a razão. Ele releu o bilhete algumas vezes e uma parte ressoou incontestavelmente na sua cabeça “Eu os amo com tudo que sou.” O bilhete era direcionado a ele, mas Regina tinha dito que os amava e aquilo significava muito. Ele concluiu o óbvio que já desconfiava por tantos anos, sua mãe amava Emma além do que imaginavam.
O garoto pegou o papel e o botou no bolso, correu pela casa em direção saída, ele tinha algo a contar a Swan e não podia esperar mais.
***
No limite da cidade Regina olhava para trás com pesar no olhar, mas tinha tomado sua decisão e não voltaria atrás. Olhou para papel em suas mãos, sua nova vida estava toda ali e assim que bebesse a porção que Gold lhe dera tudo seria real, mesmo não sendo. Ela tirou o vidrinho do casaco, abriu o frasco e o tomou, mas antes de entrar em seu carro disse suas ultimas palavras:
— Eu amo você, Emma Swan. — Confessou o que tinha guardado no peito há tantos anos.
Agora se sentia leve, entrou no carro e deu a partida, Storybrooke e todas as suas lembranças tinham ficado para trás.
***
Na festa de casamento de Emma e Killian todos dançavam animados, mas a valsa dos noivos foi interrompida por Henry Mills que invadiu o salão aflito.
— Mãe, eu preciso falar com você. — O garoto disse sem fôlego.
— Se acalme e fale devagar garoto. — Emma respondeu ao filho. A loira se virou para o marido e disse algo. — Killian, nós dançamos depois. Vou ver o que Henry precisa me dizer.
— Tudo bem, Love, temos a vida toda para dançarmos ainda. — Jones disse sorrindo.
Henry puxou a mãe para longe e foi dizendo tudo de uma vez só. A salvadora precisou se sentar ao ouvir que Regina tinha partido da cidade. E era algo definitivo.
— Ela não disse o por quê?
— Não mãe, mas eu acho que no fundo, você sabe. — Henry disse olhando para Killian.
Em seu coração Emma entendia, mas em sua cabeça, tudo ainda era confuso demais.
— Zelena. Precisamos encontrar a Zelena. Ela deve saber de algo. — Ela sugeriu.
— Ótima ideia mãe.
— Garoto, você fica aqui e distrai a todos, eu vou trazer sua mãe de volta. — Emma informou decida e se levantou da cadeira. Sem perder tempo ela usou sua magia e sumiu do local, deixando seu filho para trás. Henry sorriu cheio de esperanças de que finalmente teria uma família de verdade.
Assim que chegou a fazenda onde Zelena residia, Swan procurou por sinais de Regina, mas só achou a pequena Robin dormindo em seu berço. Quando a ruiva apareceu as perguntas bombardearam a mulher.
— Onde ela está, Zelena?! — Emma gritava desesperada.
— Ela foi embora Swan, ela não suportou ter que perder a única coisa verdadeira que ela teve para um pirata mentiroso. — A ruiva esbravejou.
A loira ficou parada digerindo o que acabara de ouvir. Finalmente o que seu coração lhe dizia há tanto tempo começava a fazer sentido em sua cabeça.
— Eu não sabia... Achei que ela amasse o Robin.
— Às vezes, queremos tanto ser felizes que acreditamos até mesmo nas nossas próprias mentiras, Emma. Ela foi ao inferno POR VOCÊ. Pra te dar a felicidade que você deu a ela quando se tornou Dark One.
Mais uma vez a salvadora se sentia derrotada, o amor esteve tão perto todo aquele tempo e ela sequer o tinha notado.
— Ela deixou isso para você. — Zelena lhe entregou um papel.
Emma não sabia se estava preparada para ler o que estava escrito ali.
— Seja corajosa, Swan, ao menos uma vez. Ela foi por você, agora é a sua vez de ser por ela. Lute!
Swan desdobrou o papel e leu o que estava escrito lá. Emma leu as ultimas palavras da carta deixada por Regina: "Desculpe-me Emma, mas eu não poderia viver em um mundo lembrando que você pertence a ele e não a mim." As lágrimas rolaram, e Swan olhou para o dedo vendo o anel de casamento e sentiu um nó na garganta. Amava Regina com tudo que tinha e agora estava casada com Killian Jones.
— Um anel e algumas palavras ditas não mudam sentimentos verdadeiros, Emma. — Zelena a lembrou.
Disposta a tudo, Emma sumiu em sua fumaça branca e apareceu na casa de Regina. Ela buscou por algum sinal, mas o que achou foram papeis que a levaram a loja de Gold.
— O que você fez com ela?
— Dei a ela o que ela queria, Swan, uma nova vida longe daqui.
— Pra onde ela foi?! — Emma gritou sem paciência.
— O único lugar no mundo onde, de certa forma, ela se sentiria perto de você e Henry. Para onde ela os mandou uma vez.
— Nova York. — Emma concluiu.
— Eu quero que me dê a mesma poção que deu a Regina, Gold.
— Sabe de tudo que abriria mão, Salvadora? Toda magia vem com um preço.
— Eu estou disposta a pagar.
Sabendo que aquela decisão mudaria o destino de todos, O Dark One viu a chance de nova oportunidade para todos. Inclusive para ele mesmo. Ele buscou dentro de uma gaveta um pequeno vidro e o entregou a Emma.
— Tome no limite da cidade e diga sua confissão mais verdadeira. O resto acontecera gradualmente.
Emma apenas balançou a cabeça em sinal de concordância e sumiu novamente em sua fumaça, aparecendo no limite da cidade. Ainda vestida de noiva ela, olhou para trás, abriu o vidro e tomou seu conteúdo e disse em bom e alto som o que seu coração guardava há tanto tempo:
— Eu amo você, Regina Mills. — Em seguida ela desapareceu do local.
***
Emma apareceu em frente à porta de um prédio antigo, uma mulher passeava com um cachorro, e o animal correu até ela.
— Me desculpe, ele sempre foge. — A morena se desculpou.
— Tudo bem eu adoro cachorros. — Emma respondeu.
E quando o verde e o castanho se encontram um turbilhão de sentimentos, vieram à tona. Elas se reconheceram mesmo sem entender, mesmo sem saber o motivo.
— Não me pergunte o por que ou como, mas estou aqui por você. — Swan se adiantou.
— Eu sei. — Mills disse em sussurro.
A salvadora foi até sua rainha e beijou intensa e profundamente. As arvores ao redor jogaram sobre elas as primeiras flores da primavera, o amor nascia novamente, forte e imenso ele transcendeu todos os reinos. As memórias voltaram, mas elas não queriam voltar estavam felizes onde estavam.
— Falta algo Emma. — Regina finalmente disse em meio ao beijo.
— Ele dará um jeito de vir até nos Regina. Nosso filho é esperto, afinal ele puxou a você. Com a certeza de um futuro juntas, elas voltaram a se beijar uma vez mais.
— Amo você Regina Mills. — A loira finalmente pode dizer a ela.
— E mutuo Emma Swan, porque eu também amo você.
***
Em Storybrooke as horas se passaram e Henry não conseguia mais dar desculpas a Killian e aos avós. Ele teve que contar a verdade, por fim Zelena se juntou aos outros e contou apenas o que achava convincente. Eram os sentimentos de sua irmã e não sentia que tinha o poder de revelar nada.
Henry descobriu que sua mãe abriu mão de sua magia e suas lembranças para que ele e Emma pudessem ser felizes e isso o fez amá-la ainda mais. Sua surpresa foi que Emma fizera o mesmo e ele tinha ficado para trás.
— A historia não chegou ao fim, Henry. — Gold disse aparecendo atrás do neto.
— Elas partiram sem mim. O que posso fazer agora? — O garoto lamentou.
— Você é o autor, escreva um final, pois como eu lhe disse a historia ainda está sendo contada.
E como se tudo fizesse sentido Henry correu para casa em busca de seu livro, ainda havia paginas em branco lá. Em uma delas Emma e Regina estavam em parque sorrindo e felizes, mas como seu avô tinha lhe dito aquele não era o final da historia delas. Tirando sua caneta do bolso para usar uma ultima vez o garoto escreveu algo.
Henry havia chegado à vida de Emma e Regina para completar sua felicidade e juntos recomeçarem, se tornando uma família simples e feliz.
Por fim ele sorriu, pois havia dado a suas mães algo que tanto almejavam, e consequentemente ele também. A felicidade. Alguns segundos depois, Henry desapareceu e a imagem do livro foi alterada. Emma e Regina sorriam uma para outra, mas no meio delas havia um garoto que demonstrava em seu sorriso, a mesma felicidade de suas mães.
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