Notas iniciais
Tá aqui seu presente, me perdoe a escrita de merda Thams :33

Tom Felix Riddle estava com medo.

Medo por sua maior obra, um retrato em óleo de uma modelo desconhecida com um diadema, cujo valor ultrapassava a casa dos milhares. E agora, alguém queria rouba-lo.

Tudo havia começado quando Tom, recém admitido na faculdade de arquitetura e com um pendor natural a arte, decidiu testar sua habilidade com modelos vivos se juntando a turma de artes por somente uma classe e criando, sem saber, a sua opus magna. O retrato era de uma das modelos da faculdade. Ela usava um vestido azul e um diadema que parecia cara demais para pertencer ao departamento de artes.

Havia algo de diferente naquela moça que compeliu Tom a guardar seus rascunhos dela e, anos depois, pintar seu retrato que ele, sarcasticamente, apelidou de ‘Bruxa com Diadema’, devido ao olhar da moça que parecia enfeitiçar quem o observasse por muito tempo.

Havia quase 10 anos desde que ele abandonara totalmente a arquitetura, voltasse para os quadros e feito uma carreira com suas aquarelas melancólicas e as vezes, surreais. Seu agente, Abraxas Malfoy, dono de uma galeria (dentre várias outras coisas), insistiu por meses até que ele, relutantemente, deixasse a ‘Bruxa’ ser exposta por uma noite.

Tinha sido um sucesso.

Vários colecionadores fizeram ofertas que ele, para o desespero de Abraxas, recusara com um sorriso amarelo. Aquele retrato iria voltar para seu ateliê, até que ele conseguisse se despedir da moça.

Pelos sons em seu telhado as duas da manhã, alguém havia cansado de esperar.

Com o coração batendo em staccato, e rezando para que seus pais estivessem dormindo um sono profundo, Tom se levantou e foi investigar.

Os passos haviam sumido e uma sombra se movimentava pela sacada, em direção ao ateliê. Tom respirou fundo e com passos largos, porém silenciosos, ele abriu a porta na mesma hora em que a figura havia entrado pela janela. Houve vários segundos de silencio entre eles até que os dois saltaram em direção ao quadro, tentando impedir o avanço do outro ao mesmo tempo. O ladrão era pequeno e ágil, mas Tom era muito mais alto e mais forte, o que resultou nele segurando a figura vestida de preto pela cintura, enquanto este o chutava e esperneava.

A confusão acordou o resto da casa, que consistia do casal Riddle, Mary e Thomas, e os fez correr até o quarto em questão e ver a cena um tanto quanto patética entre seu filho e o ladrão, que agora começa a gritar:

- Me solte, sua girafa, me solte, ou eu juro que te mato!

- O que você estava fazendo na nossa sacada, hm???

O ladrão tinha uma voz feminina porém um pouco rouca o que ainda causava dúvidas no pintor se era um ladrão ou uma ladra. Prendendo a pessoa mais firmemente com um braço, ele puxou a máscara que este usava. Uma cachoeira de cabelos pretos e sedoso o atingiu no rosto, fazendo que ele soltasse a ladra (agora ele tinha certeza que era uma mulher). Ela se virou e Tom Félix Riddle perdeu o folego.

Era a modelo do quadro. Ela estava mais velha, obviamente, porém seu olhar continuava tão mágico quanto antes. Ele reparou que ela ainda estava falando, porém o choque era grande demais para entende-la. Ele disse:

- É você.

-... nunca teria pensado, em toda a minha carreira, ser pega no colo de um estranho e.... Eu sou o quê?

- A mulher do meu quadro.

- Pois não?

- É por isso que você está aqui, não é? Para pegar o seu quadro?

- Thomas, chega de conversar com a ladra e vá chamar a polícia! — sua mãe resmungou, abraçando com o marido, que olha a cena de sobrancelhas erguidas. Era, no mínimo, engraçado, mesmo que ele não fosse admitir para Mary.

A ladra parecia confusa.

- Olha aqui amigo, eu fui paga para levar uma pintura de uma moça, e é isso que eu pretendia fazer. Eu não tenho a menor noção de arte, eu não sei quem é você e, sinceramente, eu não me importo.

Tom sentiu seu rosto fazer um biquinho de mágoa contra sua vontade.

- Eu sou relativamente conhecido, sabe? E esse quadro que você pretendia levar é seu. Você já trabalhou como modelo viva para o departamento de arte de Oxford?

- ...ok, eu quero ver esse quadro agora.

Depois de alguns minutos convencendo a mãe e o pai a a) não chamar a polícia, b) deixar os dois sozinho e c) voltar para cama, Tom se viu sozinho com a mulher de sua vida. Bem, não literalmente a mulher da vida dele, tendo em vista que os dois tinham trocado meia dúzia de palavras e ela tinha tentado roubá-lo, mas todos que o conheciam haviam brincado pelo menos uma vez que ele era casada com a pintura e agora ela estava ali, sentada na sua cadeira, mexendo nos seus pincéis enquanto ele desembalava o famigerado quadro.

Era muito para um homem só.

- Hm, eu ainda não sei seu nome.

- Ótimo.

- Quem chama a filha de ‘Ótimo’?

- .... Você é muito engraçadinho, sabia?

- O meu é Thomas, Ótimo. É um prazer finalmente conhece-la.

- Meu nome é Rowena, ok? Chega de enrolação, cadê essa pintura maldita?

- Ok, ok, calma, está aqui — ele disse, virando-se com o quadro nos braços. O olhar de Rowena parecia fixado e a mão direita dela fez um movimento abortado, como se ela quisesse tocar mas tivesse decidido na última hora que não iria.

Passaram alguns minutos assim, ela olha o quadro e ele olhando ela. Por fim, ele disse:

- Se você fizer algo por mim, eu te dou o quadro.

Os olhos dela se estreitaram marginalmente.

- Algo o que?

- Você..., bem, é que... Você quer sair comigo?

- Desculpa?

- Sabe, sair comigo? Tipo, eu te levo em algum lugar legal, a gente janta fora e....

- Eu sei o que é um encontro, quero saber por que você quer sair comigo?

As bochechas estavam em chamas.

- Eu passei os últimos dez anos admirando os meus rascunhos e esse quadro, pensando em como os seus olhos me prenderam naquela sala e como eu fui idiota em não ter tentado falar com você naquele dia e bem... Agora você está aqui.

Rowena deu um sorriso de canto de boca e o coração de Tom disparou.

- Eu acho que o meu empregador não vai morrer se não receber esse quadro, sabe? O que você me diz de sábado que vem?

BONUS: THOMAS E A FALTA DE ROMANTISMO ALHEIA

- Você está me dizendo que a mulher dos seus sonhos tentou roubar o quadro que você pintou dela há não-sei-quantos-anos atrás e agora vocês estão saindo?

- Não acredita em mim, Abraxas?

- Não. Sim. Talvez. Olha, Tom, você é um safado sortudo e eu quero que você seja muito feliz e coisa e tal, mas você não acha meio perigoso? Ela pode ser uma assassina, esperando o momento de te envenenar e roubar sua fortuna.

- Que fortuna, Brax? A única coisa que ela me roubou foi o coração.

- ... eu não creio que você realmente falou isso. Seu romântico fajuto.

- ‘Afora o teu olhar, nenhuma lâmina me atrai mais o brilho’

- Eu vou desligar na sua cara, eu juro.

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