Stolen
2 Capítulo II
Notas iniciais
A consciência me pegou desprevenida. Em um momento, a ignorância dos sonhos me embalava como uma canção de ninar, e no seguinte, minha mente passava a trabalhar intensamente, examinando e extraindo cada detalhe do que conseguia averiguar.
O som inconstante perto dos meus ouvidos me lembrou de bombas um filme de ação e eu podia jurar que logo em seguida viria uma explosão.
Mas não veio. O aroma esterilizado do ar, o frio e a forte luz que insistia sobre meus olhos ainda fechados combinava para formar um ambiente já conhecido.
Hospital.
Eu nunca gostei de hospitais. Sempre os aturei, por todas as vezes que fui forçada a fazer exames e consultas médicas que nunca me levaram à nada. E os médicos nunca gostaram de mim. Eles sempre vinham com dezenas de perguntas estúpidas e incompetentes, que exigiam respostas óbvias, muitas vezes vistas como sarcásticas. E isso sempre resultava em olhares de superioridade e desconforto.
Meus olhos queimaram apenas por alguns vacilantes segundos quando os abri, e logo minhas pupilas já se acostumavam com a claridade do quarto. Pude perceber de início que a forte luz branca incidente sobre mim, originava de uma luminária no teto que derivava de feixes exatamente sobre meu corpo. Estava deitada sobre um fino colchão, qual podia sentir o frio da maca de metal transpassando seu envoltório. Minha pele reclamou em contato com o lençol que parecia arranhar meu corpo com ligeiro e sutil movimento da minha respiração.
Uma agulha estava ligando uma veia minha a uma bolsa com líquido quase transparente, que pingava ao som das batidas do meu coração. Tive a impressão de sentir o líquido penetrando meu organismo e trazendo uma leve queimação ao se chocar contra minha corrente sanguínea. Tão rápida como veio, essa sensação se dissolveu quando fui puxada para outro item no cômodo.
No encontro entre duas paredes, estrategicamente localizado em frente a mim, um pequeno aparelho quadrado piscava uma luz branca na minha direção. Eles estavam olhando-me. Me observando.
Levantei o que achei ser uma expressão de descontento e franzi uma sobrancelha. Quanto tempo até que um deles me fizesse uma visita?
Respirei fundo e dei um impulso inicial.
Levantar foi tão difícil quanto eu temia. Todo meu corpo reclamava. Sentia partes do meu ser que nunca tive consciência contraídas, como se uma cãibra insegura começasse a me dominar, célula por célula. Eu nem sabia que era possível estar dolorida dessa forma. Meus pulmões pareciam pressionados contra uma chapa fria e esmagadora, respirar se tornara uma tarefa tão difícil quanto exaustiva.
A medida que os pensamentos entram em ordem, outra dor se tornava viva. Pontos negros brilham por trás dos meus olhos, minha cabeça parece borbulhar. Era como se o ar estivesse me pressionando, a dor no meu crânio era perturbadora e ainda impressionante. Tento me concentrar em algo além do meu desconforto, qualquer distração seria bem-vinda ou sinto que iria gritar por qualquer dose morfina ou aspirina.
Um som estridente chegou aos meus ouvidos e se distinguiu de todo o resto. Por um momento vacilei. Era tão claro que minha sorte não me permitiria uma distração como um Ryan Gosling sem camisa entrando no meu quarto, mas sim a entrada de uma mulher completamente coberta e com uma seringa em suas mãos.
Completamente coberta, seria até mesmo um eufemismo nessa situação. Eu, com uma camisola azul de papel e com um lençol sobre meu corpo, se comparada à mulher estava completamente nua.
Ela vinha trajando casacos pesados, luvas em suas mãos e botas que ressoavam com seu caminhar. Seu rosto era a parte mais exposta de seu corpo, onde eu podia enxergar apenas um par de olhos azuis como gelo, quase como o céu de uma tempestade, gelados, cinzas.
Meus olhos faíscam para a porta deixada entreaberta atrás do seu corpo. Não sei dizer se ela percebe meu olhar, mas continua a caminhar confiantemente na minha direção com aquela vacina em suas mãos. Me pergunto se ela crê que eu deixaria que ela injetasse algo de bom grado em mim. Não imaginava que uma organização como essa pudesse ser tão ingênua a esse ponto.
– Enfim recebo visitas? Será que ganho balões e flores também? — digo ironicamente enquanto me movo pela cama, escorrendo pelo lado oposto ao da mulher.
O tubo que me conectava ao soro restringiu meus movimentos. Por um instante me pergunto se conseguiria arrancar aquela agulha do meu braço e se doeria, a aproximação da mulher me impede de refletir mais sobre o assunto. Puxo o braço em um movimento rude e sinto aquela corrente se romper. A agulha ainda estava conectada ao meu braço, mas o tubo agora apenas pingava o soro no chão gelado do cômodo.
– Opa... Acho que vão ter que mandar limpar o chão.
Não ganho uma resposta verbal, mas um grunhido me avisa que a irritei. Ela avança na minha direção. Seus passos me pegam desprevenida e ela me encurrala, me tem em desvantagem apenas por alguns momentos. Ela não devia me subestimar. Meu olhar faísca para a seringa em suas mãos, pressinto que esse poderia ser meu trunfo.
Atinjo seu rosto antes que ela chamasse por ajuda ou percebesse minha intenção de ataca-la. Tiro a agulha ainda presa ao meu braço e tento arranhar seu rosto com a mesma. A empurrando contra o chão e dando um soco em seu rosto em uma manobra habilidosa, penso ter nocauteá-la.
Penso, eu disse.
Enquanto persistia na posição, noto que mal calculei a força necessária para prendê-la. Ela não perdeu a oportunidade e me girou no chão, me prendendo em baixo de seu corpo.
– Você realmente acreditou que eles colocariam um enfermeiro normal para vigia-la? — ela disse de forma sarcástica e até mesmo surpresa com a hipótese.
Noto a escolha de palavras. Normal, ninguém era normal aqui. Nem mesmo a minha enfermeira. Nem mesmo eu. Por um instante hesito. Então uma raiva palpita pelo meu corpo, e as dores que me imobilizavam antes já não me controlam.
Mesmo uma maior parte de mim já estando incapaz de lutar, movi meu braço e dei uma cotovelada em sua face, deixando-a momentaneamente tonta. Ela recuou, e foi o que eu precisei. Eu rolei por baixo da mulher e me segurei ao pé da cama. Eu admito, soquei a enfermeira uma ou mais vezes do que o necessário para fazê-la inconsciente. Eu finalmente a soltei, enquanto me endireitava e caminhei para a minha única saída dessa prisão.
Antes de mesmo pisar fora do quarto, quatro seguranças de no mínimo 1,90 vieram até onde eu estava, me impedindo de passar por ali como uma barreira humana. Admito, minhas manobras eram de fato hábeis e engenhosas, mas eu nunca iria passar por cima de quatro brutamontes. O olhar no rosto deles me disse que eles já sabiam o que estava por vir.
Todo elemento surpresa que me dera vantagem sobre a enfermeira fora denunciado pela situação em que eu me encontrava. Expressões incrédulas e minimamente estressadas me fitavam.
– Ei, camaradas, relaxem. Vocês deviam ver o outro cara.
Ergo, o que acho ser, um meio sorriso e aproveito o pequeno intervalo de tempo para medir minhas chances. Estava em uma sala toda branca sem nenhum objeto e nenhuma saída a não ser uma porta, a qual muito provavelmente não levaria para a saída, mas sim para mais guardas e mais salas sem janelas. Eu estava encurralada.
Mas obviamente, isso não me impede de tentar.
Astutamente avanço em direção ao brutamontes número um, aquele mais perto de mim. Eu sabia que no quesito força, estava em alta desvantagem, mas na área de agilidade eu ganhava deles. Decidi usar isso a meu proveito. Pulo sobre ele, atingindo-lhe com um chute que vira seu rosto em um ângulo doloroso. Infelizmente para mim, ele pensava rápido. Meu tornozelo fora puxado para trás, lançando todo meu corpo contra o chão frio.
Em um momento eu era jogada pelos ares e no instante seguinte todo meu corpo colidia contra uma superfície fria. Senti minha cabeça estourar em dor, mas não me permiti render. Fui direto para o meu próximo concorrente, com toda a força que restava. Ele não via o golpe se aproximando, mas com rápidos reflexos segurou meu pulso girando-o de uma forma dolorosa. A dor foi o último dos meus problemas. Pude perceber dois outros homens vindos em minha direção. Um deles, segurou meus braços que estavam completamente desorientados buscando qualquer superfície de contato, enquanto o outro tomou minhas pernas entre suas mãos, negando meus movimentos e me deixando imobilizada como um animal para o abate.
Aquele quem eu acertara no rosto primeiramente me fitava com uma curiosidade implícita nos olhos. Olhos escuros que me brilhavam em tremor. Vejo o objeto pontiagudo reluzir na minha direção. Penso em gritar ou implorar por misericórdia. E talvez, quem sabe talvez, eles resolvessem me ajudar. A irônica impossibilidade desse ato me faz rir. E é a última coisa que faço antes de sentir o sono arrebatador me conter.
***
Abri meus olhos lentamente ao acordar, sentindo as pontadas de dor que agora estavam em maior evidência. Fiz uma tentativa (fracassada, inclusive) de me levantar para poder analisar o ambiente que estava. Esse aliás, era diferente do que eu me encontrava antes.
A luminosidade ainda estava forte, mas considerando todas as brigas e lutas do meu passeio, meus olhos sensíveis eram o menor dos meus problemas. As paredes brancas me cercavam de maneira quase claustrofóbica, contudo a sala não era pequena, apesar de parecer me sufocar. Uma mesa alta toda de madeira e esculpida com símbolos arabescos desconhecidos estava à minha frente. Eu tinha uma sensação de estar qualquer tipo de tribunal onde a acusada era eu.
Um homem excêntrico e estranho me observava cautelosamente, parecia ainda incerto a respeito do que viria a acontecer. O silêncio cresceu, e eu o estudei rapidamente. O cabelo negro e sombrio, por mais que grosso e escorrido pela sua nuca, deixava no topo de sua cabeça uma área nua da sua careca. Seus olhos eram castanhos e possuíam um lampejo feroz e violento mas, ainda assim, transmitiam certa tranquilidade. Seus traços eram extremamente contraditórios, o que me deixou confusa por um instante e levou uma pontada até o centro da minha mente enquanto eu tentava desvendá-lo.
Foi quando eu me dei conta de que havia uma série de pessoas em torno de meu assento. Dezenas de rostos estranhos e não familiares que me observavam como se eu fosse um animal de circo ou uma obra de arte valiosa. Preferia a segunda hipótese, mas a primeira parecia mais realista. Seus corpos amontoados em meu entorno me impediam de ver se havia alguma porta ou janela, por onde pudesse escapar.
O silêncio foi quebrado pelo homem curioso e extravagante.
– Oh, olhe para você. É verdade, não é? Você realmente existe, e não é apenas um delírio de um suicida em seus últimos momentos.
Sua voz possui uma conotação forte e vibrante. Me pergunto se aquela frase era feita como uma afirmativa ou um questionamento. A confusão e incerteza dos meus pensamentos me fizeram vacilar, mas mantive minha cabeça erguida como se estivesse compreendendo.
– Isso é ridículo. — blefei, me segurando para não me exaltar.
– Estávamos procurando por você há dezessete anos, senhorita Adornetto. — ele afirmou com um timbre agudo.
Tinha um tom engraçado quase desconfortável na voz dele, o que me deu calafrios. Grunhi, e então afundei no meu assento, com os braços cruzados no meu peito.
– O que vocês querem de mim?! — exigi impaciente.
Todos os homens que me cercavam riram surpresos pela pergunta inesperada. Enquanto eu estava pensando o que diabos os levou a me capturar, eles deveriam pensar por que diabos tiveram que capturar uma garota ignorante como eu. Aquilo me corroeu por dentro até alcançar um ponto que despertou em mim uma vontade de gritar ou chutar algo. Ameacei fazer um movimento, mas esse logo foi abafado por um dos gigantes postos ao meu lado.
– Sua inocência me surpreende, senhorita Adornetto. – aquele homem volta a falar, fitando-me com vigor — Nunca esperaria uma pergunta tão estúpida quanto essa. Mas não se preocupe, deixaremos você a par de todas as notícias. Mas tudo no seu devido tempo.
Bufei e revirei os olhos, um ato que deveria parecer infantil aos seus olhos, como uma criança birrenta. Ao meu ver, era a única forma não-verbal de expressar meu descontentamento sem torcer o pescoço de um deles.
– Mas claro, deixe-me apresentar primeiro. Sou Kohl Stohl, chefe do Departamento de Inteligência Especial de Mentes Desenvolvidas e um dos líderes da Corte de San Viltis. De qualquer maneira, devemos prosseguir. — ele fez uma pausa dramática que me deu calafrios.
– Você já sabe que eu não vou ficar aqui, e que em menos de uma semana vocês estarão me procurando mundo a fora. Então por que insiste em me manter presa? Estupidez da sua parte? — questionei com uma voz feroz e raivosa.
Ele bateu suas mãos na mesa de forma assustadora, como se por um instante ele houvesse perdido a cabeça. Em seguida se levantou da mesa em um gesto tão nobre. E de uma forma instigante, logo abriu um sorriso malicioso e até mesmo diabólico.
– Porque você, dessa vez, não vai conseguir fugir.
Aquela frase atingiu um ponto cego em meu corpo que por muito tempo não fora despertado. A fúria, se comparada a minha indignação e meu ódio, era de certa forma reconfortante. Me levantei da mesa em uma questão de segundos, e nem mesmo aqueles homens altos e fortes conseguiram me segurar. Cheguei nele antes que pudessem me alcançar. A urgência de fugir daquele ambiente junto aos meus violentos pensamentos, fez com que minha mão se fechasse e fosse em direção de Kohl.
Eu não poupei os socos. Ele tentou, de maneira fracassada, me bater no rosto mas graças sua pequena coordenação motora ele atingiu meu ombro. A dor se espalhou, mas eu não parei. Respondi com uma joelhada em seu estômago. Antes mesmo que pudesse piscar, me direcionei para a porta.
Esquivei-me de alguns homens, mas apenas um deles me alcançou. Dei um chute na parte íntima de meu captor. Golpe sujo, mas eu nunca disse que jogava limpo. Ele foi um pouco para trás, parecendo ofendido e furioso. Atacá-lo distraiu momentaneamente todos os outros, mas logo depois, eu observei que tinha um próprio grupo de brutamontes para enfrentar. Eles estavam em maior número, e eu não poderia enfrentá-los da mesma forma que fizera com Kohl. Mas eu tinha um ponto de vantagem: eles tinham medo de mim. Eles me viam, não como uma presa, mas como um detento extremamente perigoso e tóxico. Mas eu sabia, que mesmo tendo medo de mim, eles não hesitariam em lutar comigo. Afinal, eles foram treinados para isso — para essa luta constante com inimigos, por mais assustador que esse inimigo pudesse parecer.
Então antes mesmo que eles pudessem reagir, abri a porta com toda força que me restara. Eu tinha certeza que haveriam outros seguranças no corredor, mas não me detive. Era a minha única saída. O corredor fazia uma trilha reta e depois de cerca de cinquenta metros havia uma bifurcação. O pavor tomou conta de mim por um instante, mas não me deixei hesitar.
Corri de uma maneira que eu nunca fizera antes. Meus pés mal encostavam no chão, e eu sentia o ar cruzar meu corpo de uma forma quase confortadora. Mas, como previra, um homem surgiu no meio de meu caminho. Tentei manter minha velocidade, e quem sabe eu conseguiria passar por ele sem ter que parar. Olhei rapidamente em seus olhos e senti algo paralisar dentro de mim. Aqueles olhos negros azulados pareciam atravessar meu corpo, enxergando dentro de mim e implorando por atenção. Logo a seguir, senti um cheio de ervas preencher o corredor claro e longo.
Percebi que minha velocidade foi gradativamente diminuindo. Ainda estava relativamente rápida, mas reduzida. Estava impotente, fraca, mas ainda assim curiosa ao ver aqueles olhos me observando em um sinal de desaprovação. Antes mesmo que eu pudesse perceber, caí ao seu encontro. Senti uma força desumana me pressionar e notei nossos corpos chocados um contra o outro, presos no chão.
Graças ao seu peso ele havia me derrubado no chão me deixando ineficaz e inútil. Todo movimento ou técnica que eu poderia utilizar estava impossibilitado e impedido pela sua força. Nossos olhos se encontraram e pude perceber um desespero e mesmo assim fúria vindo do estranho homem.
Seu hálito de hortelã se tornou palpável no ar quando percebi que ambos estávamos ofegando. Senti meu cabelo preso em minha testa por conta do suor e uma sensação de centenas de formigas subindo pela minha perna. Seus olhos, assim tão de perto, denunciavam que não eram escuro como eu antes achava, mas possuíam um brilho azul marinho como a noite. Busco na minha mente o reconhecimento por aquele indivíduo.
A verdade me atinge com a intensidade de um disparo de uma arma.
Os olhos, o perfume de erva doce e a atmosfera concentrada de raiva e descontentamento impetuoso rasgam pela minha mente a memória do seu rosto. Ele era o mesmo homem que me impedira de fugir uma primeira vez, no topo do prédio. E agora, ele me interrompia pela segunda vez.
Iria me certificar para que não houvesse uma terceira.
– Fugindo de novo? Quantas vezes vou ter que te prender?
Algo em seu tom de voz contradiz suas feições grossas e rudes. Ele parece se divertir, como se duvidasse de mim.
– Se tudo correr como eu espero, nenhuma outra vez. Nunca mais vamos cruzar caminho.
Tento chutar suas partes baixas, mas acabo acertando seu estômago. A surpresa da dor ainda em coloca em vantagem, e escapo por baixo de seu corpo. Estou apenas alguns passos de distância quando enxergo o vidro de uma janela no final do corredor. Por um único momento me pergunto se deveria me preocupar com o número de andares, mas logo a duvida se dissolve. Me preocuparia com a queda depois. Primeiro temos que resolver o pulo.
Tomo mais impulso na minha corrida e uma exclamação estrangeira atrás de mim me permite saber que meu perseguidor havia descoberto minhas intenções. Não paro para ver se ele estava próximo, apenas tento ser mais rápida com minha corrida, e no último instante o sinto um par de mãos segurarem minha cintura.
O empecilho súbito me faz agir como um elástico bem esticado. Por um momento meu corpo continua no impulso para frente. E no seguinte, volto com toda a força para trás, trombando em cima homem que me detêm.
Parece cômico, porém o único sentimento que me invade é a certeza do ódio cego por esse infeliz homem que vem se intrometendo mais do que devia na minha vida.
– Quer parar de tentar fugir? — sua voz soa estressada, mas não raivosa, aos meus ouvidos, ele vê graça nas minhas tentativas de escapar. — Esse é um prédio de segurança máxima, mesmo que se jogue pela janela ou ache seu caminho pela porta da frente, acha que vai sair do lado de uma estação de ônibus e sumir daqui? Cai na real, você está presa. Lide com isso: você não vai à lugar nenhum.
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