Bleach — Stockholm Syndrome

\"O que é isto, mulher?\" Aqueles grandes olhos verdes observavam-na, aqueles olhos eram profundos, escuros, como uma floresta secreta da qual não se consegue escapar, que não se quer escapar. Tinta aparecia do fundo dos olhos dele, quase da mesma cor que as suas irís, como se elas estivessem a derreter. Para qualquer outra pessoa ele teria parecido assustador, mas mesmo desde o principio, Orihime não tinha medo dele. ela tinha medo do que ele era, de onde ele estava, e do que ele poderia fazer. Mas não tinha medo dele.

Mesmo agora, quando ela estava presa em Las Noches tendo-o a ele como guarda, ela não o temia. Ela esticou uma das suas mãos para ele segurando gentilmente uma bolacha nela. \"É uma bolacha. São de chocolate. Eu comprei-as na loja em que passei antes de... Bom antes de vir para aqui.\" Apesar da situação dela, ele sabia que aquilo não era um truque. Ela era leal para com eles, em ordem de salvar os seus amigos, e de qualquer das formas não tinha nada a ganhar em apenas envenanar um deles. Ulquiora conseguia sentir que ela também não estava a tentar seduzi-lo. Ela estava apenas a ser gentil. Para com ele. Ele conseguia ver isso no sorriso dela.

E isso nunca havia acontecido antes.

\"O que... é que ela faz?\" Ele tocou curiosamente na bolacha com um dedo. Não havia ninguém por perto, então falar um pouco com ela não era assim uma escolha tão má. E se alguém os visse ele podia sempre dizer que apenas estava a tentar ganhar a confiança dela.

\"É para comer, tolo!\" Ela riu. Ela estava, sem duvida, a começar a confiar nele. Não com a sua vida, ou com a vida dos seus amigos, mas de alguma forma, ela estava a começar a confiar. E ele não gostava disso. Ela não tinha razão para tal. Aquilo fazia-o sentir algo que ele nunca havia sentido antes, e era algo mais desagrável que outra coisa que ele já havia sentido.

\"Não quero.\" A sua mão bateu contra a estendida dela, fazendo com que o doce caisse, quebrando em dois assim que tocou no chão.

\"Oh... Eu...\" Ela colocou-se de joelhos, e apanhou as duas metades. Quando ela olhou novamente para cima, colocou um sorriso gentil, sem rastos de ódio pela rejeição dele. Nem mesmo aborrecimento. \"Tudo bem. Eu entendo.\" Ela curvou a sua cabeça ligeiramente para ele. Mordeu a bolacha que havia caído, saboreando o seu doce sabor.

\"...Elas estão... boas?\"

\"Hmm?\" Era uma grande bolacha. Aquela dentada gigantesca apenas havia devorado um quarto dela. Haviam migalhas em volta da boca dela quando ela olhou novamente para ele com as suas bochechas cheias. Isso fê-lo sentir algo. Algo mais leve que o ar, mais claro que o falso sol de Hueco Mundo. \"Oh, Swim! Ewas Estaum muto bouas!\" Ela falou com a sua boca cheia. No fim de engolir o que ainda tinha na boca falou novamente. \"Sempre queres provar uma?\"

\"Eu...Sim.\" O braço dela graciosamente levou a bolacha recém-mordida a ele, e ele inclinou-se para a frente, e deu uma leve mordida nela — ele não lhe tocou com as suas mãos, apenas a arrancou da mão dela como um cavalo esfomeado. Ao provar o sabor dela permaneceu quieto. \"...É...É bom!\"

\"Né? Eu disse.\" Aquele sorriso gentil de novo.

\"É muito melhor que a carne de Hollow. Muito melhor!\"

\"Carne de Hollow? Tu... Comes Hollows?\"

\"Quando eu era um Arankar, eu... sim, eu tinha que o fazer. Se não nos alimentarmos dos da nossa especie... voltariamos a ser Gilians e perderia-mos a nossa vontade e sanidade.\" Ele fixou os seus olhos no chão. Deve ser tão nojento na ideia dela. Ele não lhe deveria ter contado. Ela deixará de comer, o que a fará mais fraca e Aizen-sama ficará zangado. \"Eu não preciso de os continuar a comer agora, mas não há muita escolha de comida por aqui, então...\"

\"Entendo.\" Deus, ela ainda sorria, depois de tudo aquilo. Não a tinha enojado. Ela sorri mais que o Gin, ele pensou com toda a sinceridade que ainda tinha.

\"Queres comer o resto? Eu já comi tantas durante toda a minha vida, e tu apenas deste uma dentada! Tu mereces comê-la mais que eu.\"

\"Eu... não posso aceitar isso, mulher. Não seria correto.\"

\"Então vamos divideir! Vamos ter um picnik de bolachas! Eu coloco o meu cobertor no chão e abrimos as cortinas! Vai parecer que estamos lá fora! E precisamos de formigas! Picnik não é picnik sem formigas!\" Ela tinha estrelas nos olhos com o pensamento de ter um \'picnik de bolachas\' com ele? Isto... Ele tinha que parar com isto.

\"Mulher! Eu sou teu inimigo! Esqueceste-te disso?\" Seu tom de voz aumentou, pesado e dominador, tal como o seu corpo enquanto olhava para ela em baixo dele, sem mudanças em sua expressão. E ele apercebeu-se que havia deitado por água a baixo o treino que todos eles haviam tido em relação a ela, de desgastá-la mentalmente. Era suposto faze-la acreditar que eles eram seus aliados. Ele havia dito que era inimigo dela. Não havia como voltar atrás.

\"Tu não és meu inimigo, Ulquiora.\" Quando é que isto aconteceu? Quando é que os jogos se inverteram e ela se tornou aquela que o treina a ele? A voz dela acalmou-o. Ela era forte, tão boa a manipular os outros quanto o Aizen sem que as pessoas se apercebam disso. E ela era perigosa.

Mesmo quando ele se apercebeu disso, ele não desviou o olhar dela. As suas roupas eram brancas, o quarto era branco. Mesmo fora daquelas janelas tudo era branco. Como que fosse para negar a escuridão da alma dele, mas não tinha efeito — isso nunca mudou, excepto quando ele olhava para ela.

\"... Então... pelo menos dá mais uma dentada.\" Ela partiu um pouco da bolacha, e colocou-a na boca instintivamente aberta dele. Os dedos dela passaram pelos lábios dele, dando-lhe uma sensação de calor acompanhado pelo sabor do doce.

\"Tu nunca tiveste um amigo, pois não, Ulquiora?\" Ela finalmente parecia triste — Ela não havia transportado aquele olhar nunca naquele dia, nem mesmo quando duas subalternas a atacaram quando ele não olhava. E agora aquela tristeza habitava o rosto dela, e era por ele.

\"Eu... não.\"

\"Ah, então eu posso ser a tua primeira amiga?\" Ela estava a sorrir novamente.

\"Acho que já tens amigos suficientes, mulher.\"

\"Não sejas assim!\" Ela esticou um dedo para o ar, ensinando-o. \"Amigos são coisas óptimas para se ter!\" Ela pensou no sorriso de Ichigo. \"Alguns deles fazem-te rir.\" Pensou na Tatsuki a bater naqueles que a maltratavam na escola. \"Outros lutam por nós quando alguém nos faz chorar.\" E depois pensou em ninguém a não ser aquele que se encontrava à sua frente. \"E alguns deles, tu não gostas ao inicio. Mas depois, tu queres ficar mais próxima a eles. Queres agarrar a sua mão.\" Os dedos dela tocaram nos dele fazendo o coração dele parar por um pouco. \"Tu és esse ultimo tipo de amigo para mim.\"

\"Orihime-san.\" Aquilo fez o coração dela parar, os olhos dela fixaram-se nos dele.

\"Tu... dizeste o meu nome.\" Ele apertou gentilmente a mão dela e afastou-se, virando na direção oposta. Mas aquela mão ainda estava esticada no ar como que querendo algo para se agarrar.

\"Sim. Foi a primeira e última vez, mulher. Nós... não precisamos disto. Apenas irá fazer tudo mais doloroso... mais doloroso para quando perceberes... Quem eu sou. O que eu sou. O que eu farei.\" Os ombros dele tremeram ligeiramente, e ela foi na direção dele, abraçando-o pela frente com os seus braços em volta das costas dele, deixando que a sua face fosse amparada pelos peitos robustos dela.

\"Chega!\" Um grito, e um violento empurrão. As lágrimas caiam livremente pelo seu rosto. \"Eu sou um Hollow! Um Hollow, não percebes?\" Uma mão a tremer arrancou o colar do seu casaco. \"Vês isto? Vês este buraco no meu pescoço? Isto devia ser prova o suficiente para entenderes que sou teu inimigo!Para perceberes que precisas de fugir, ou matar-me! Não tens medo?\" Ela não tinha. Não havia medo no olhar dela ao abraça-lo novamente sentindo o corpo dele estremecer ao toque. \"Porque... é que tu... não tens medo?\"

Ele caiu de joelhos, escorregando pelo corpo dela até à sua cintura, com as mãos em volta das pernas dela enquanto limpava as lágrimas do rosto na saia que ela usava. Ele sentiu uma leve pressão quando a mão dela tocou na cabeça dele, correndo com os dedos o longo cabelo negro antes que eles fosse para o queixo dele puxando a face dele para cima. Também haviam lágrimas nos olhos dela, ainda assim, ela estava radiante.

\"Não chore, Ulquiora-san. Levanta.\" As suas mãos libertaram a face dele esticando-as a ele em seguida. Foi instinto o que o fez agarrá-las. Ele não pensou sobre isso, nem queria. A sua cara inclinou-se, para que ele pudesse sussurrar algo secreto, algo frágil, na orelha dela. \"Eu... Eu ainda preciso de... Lutar contra os seus amigos... visto que é o meu destino. Mas... eu vou te ajudar, Orihime-san.\" Ele não havia pedido pelo aconteceu a seguir — não precisava de mais nada para além da gentileza que ela já havia tido com ele, mesmo assim... — Os olhos dela fecharam-se num pequeno instante, enquanto que a sua se aproximava, e os lábios dela encontraram-se com os dele. Era um beijo suave mas ao mesmo tempo um ardente. — E isso congelou-o.

Ele sabia que tinha que voltar a si — que tinha que responder ao beijo, então apenas deixou o seu corpo tomar controlo. A sua mente ficou limpida e calma tomando completamente controlo dele, e respondeu ao gentil beijo dela, os seus braços em volta do corpo dela puxando-a para mais perto de si, tão perto. Ele conseguia sentir o ritmo do coração dela, e o calor húmido da sua boca. Aquilo era tudo o que ele precisava para quebrar o feitiço que Aizen tinha sobre ele.

Notas finais
Se encontraram erros peço mil desculpas!!! É que meu Word deu pal então~.... Bom... Ah! Eu sou portuguesa... Só por qualquer coisinha... Bom Mereço Reviews? Despeço-me agora e até à minha próxima fic que Chuck Norris esteja convosco!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!