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23 Encontros
Notas iniciais
Por Eduarda:
Acorda de um pesadelo é sempre um alívio, mas quando você vê que um pouco dele é realidade o desespero e o aperto no coração voltam. Depois que fiquei desacorda tive um sono horrível com o amigo do Lucas, o Carlos. Ele me contava um história, sobre a vida dele e do Lucas.
Não gosto nem de lembrar o resto do sonho, nele tinha perdido minha filha. Olho desesperada para o chão, e ao contrário do meu sonho não estou em cômodo preto, este aqui é todo branco e também estou pendura, a sangue no chão. Mas também a um corte profundo perto do meus seios. Fico aliviada, pelo menos não é na barriga.
Ouço a tranca da porta se abrir e vejo dois homens entrarem, reconheço os dois. Um é Erick e o outro é Carlos.
“Meus Deus, não deixe tudo aquilo acontecer... Por favor.”
Carlos chega perto de mim e me conta a mesma história que me contava no sonho. Não acredito, isso tudo é por vingança. Como uma pessoa pode ser tão cruel? Pelo menos a parte da minha filha ele não fala, sei que ela está aqui ainda. Meu corte está doendo, e para variar Carlos coloca o dedo dentro dele.
_Aah..-grito com dor.
_O Lucas deve ficar louco com você gemendo assim para ele né?- ele fala rindo.- pena que ele nunca mais vai ouvir... Sabe é ótimo não ter que te matar, seria um desperdício tremendo.- cuspo na cara dele.
_Você é um nojento...- ele apenas rir e limpa seu rosto.
_Presta bem atenção, você agora é minha... Você nunca mais vai voltar a ser dele. Agora você tem que me respeita...
_Eu nunca vou ser sua, onde eu estiver ou com quem estiver, sempre vou ser dele. Sempre vou ser do Lucas, não importa o que você faça... Você pode me forçar fazer qualquer coisa. Mas nunca vai poder fazer eu te amar e ser sua. Meu coração já tem dono e eu amo o dono dele...
_Você é bem corajosa... Mas vamos ver se essa valentia toda prevalece quando estiver morrendo de fome e claro... Quando eu matar essa criança.- ele aponta para minha barriga. Lágrimas correm pelo meu rosto, o desespero me toma conta.
Eles saem e me deixam ali pendura como se fosse qualquer coisa.
Estou sentindo muita dor, não sei se vou aguentar.
“Lucas por favor... Me ajuda.”
Falo com a esperança de que em algum lugar ele possa me ouvir.
Por Lucas:
Já faz uma semana que minha filha e Eduarda sumiram e não tenho nenhuma notícia delas. Estou quase perdendo as esperanças, não sei de onde estou tirando forças.
Nesses dias não estou indo trabalhar, estou andando pelas ruas e shopping’s para ver se alguém as a viu. Mas esta sendo tudo em vão. Me sento em um dos bancos em frente a uma vitrine de roupas de crianças no shopping e me lembro da carinha que Eduarda fez quando eu dei o primeiro presente da nossa filha. Lágrimas começam a cair no meu rosto e começo a observa uma mulher olhando a vitrine da loja também, a encaro mais e vejo que é Helena. Acabo tento uma ideia, sei que ela pode me ajudar a achar elas e se ela ama tanto a Clarinha igual ela fala está na hora de provar.
_Helena.- me aproximo e coloco minha mão em seu ombro. Ela me olha assustada e vejo que estava chorando.
_Lucas?
_Eu preciso da sua ajuda...
_Pra que?
_Eles pegaram a Eduarda e a Clarinha..
_A Clarinha?
_É. Me ajuda achar elas, eu sei que você pode. Pensa na sua filha e em que estão fazendo com ela, você sabe o que eles são capazes. Me ajuda. Por favor..
_Não acredito que ele pegou ela.. Ele me prometeu.
_Ele quem Helena?
_Eu não posso te falar.
_Você não esta entendendo que é a vida da sua filha que esta em jogo? Você não falou que a ama? Então faz alguma coisa. Se acontecer alguma coisa com ela, a culpa é sua...
_NÃO... A culpa não é minha. A culpa é daquele doente, que não sabe o que é “não”. Que acha que tudo tem que ser como ele quer. Eu não aguento mais...- ela fala chorando e eu abraço. Ela parece estar desesperada.- ele me prometeu.
_Quem te prometeu? Helena já tá na hora de você falar. Lembra que é nossa filha. Pensa na Eduarda também, ela está grávida. Esta esperando uma filha minha. Me ajuda..- ela enxuga suas lágrimas.
_Tudo bem. Vamos para um lugar mais reservado. Já passou da hora desse pesadelo acabar.
_Vamos.- saímos dali e fomos para um restaurando fora do shopping. Lá Helena me contou tudo. Eu não estava acreditando que o meu melhor amigo estava me traindo esse tempo todo. Meu melhor amigo fez a minha vida virar um inferno.
Assim que ela acaba de falar meu celular toca.
_Alô?
_Sr. Lucas?
_Ele.
_Aqui é do shopping, conseguimos recuperar a filmagens daquele dia, o senhor poderia vim aqui?
_Claro, estou indo agora.- falo afoito e tirado algumas nota da minha carteira.
_O que aconteceu?
_Conseguiram recuperar as filmagens do estacionamento na hora que pegaram elas. Agora temos provas para colocar aquelas merdas na cadeia.
_Eu vou jun...
_Não, você vai para casa. Qualquer coisa eu te aviso, não discuta, apenas faça o que te pedi.
_Tudo bem, qualquer coisa me avisa.
_Você sabe onde eles ficam né?
_Sei.
_Ótimo. Assim que ver as filmagens com os policiais, nós vamos lá. Me manda seu endereço pelo celular.- falo já me afastando e andando o mais rápido possível até o shopping. No caminho aviso a polícia, para elas irem para o local de uma vez. Chego e já vou correndo para a central. Os policiais já estão lá vendo os vídeos.
Olho aquele vídeo perplexo, foi Carlos que a pegou. Ele nem se deu o trabalho de mandar o Erick fazer isso dessa vez.
Não consigo não chorar, quando vejo eles a apertando e ela tentando se soltar. O desespero em seu olhar me deixa desesperado.
No vídeo também dá para ver quando elas despistam eles e Carmem consegue sair com a Clarinha.
“Minha filha está bem. Pelo menos uma preocupação a menos. Mas onde ela está?”
_O que vamos fazer agora?
_Temos que achar onde eles estão. Você conhece ele, onde ele mora?
_Ele não tem um lugar fixo, gosta de ficar mudando. Ele estava para fora do país, não sei onde ele está morando agora. Mas tem uma pessoa que sabe e vai cooperar.
_Ótimo, então vamos agir logo. Se soubéssemos que era esses caras que estava com ela teríamos agido muito antes. Eles são perigosos e pode ser tarde demais para ela. Estamos a anos atrás deles.
_Não fala...- nesse momento meu celular toca. É de casa.- Fala Angélica.
_Sr. Lucas volta para casa, a-a..
_O que Angélica? Fala logo.
_A Clarinha tá aqui. Ela esta bem Sr.Lucas... Ela tá bem.-fala emocionada.
_Eu estou indo pra aí.
_O que ouve?
_Minha filha apareceu...- falo chorando.
_Então vamos para sua casa pegar o depoimento da babá. Enquanto isso vocês dois vão para casa da pessoa que vai cooperar.- ele fala com dois de seus homens.- Sr. Lucas você pode nos dizer onde ele mora?
_Não é ele. É ela. Posso sim, aqui está o endereço e por favor não deixe ela chegar perto da minha filha.- sei que ela falou que não a deixou por que quis, mas mesmo assim não a quero perto da minha filha.
_Tudo bem. Agora vamos.
_Vamos.- nesses dias o que estou mais fazendo é correndo com esse carro, mas são tantas emoções. E agora não estou aguentando de ansiedade para ver minha filha. É tão bom saber que ela está bem.
Chego em casa afoito e não vejo Clarinha na sala, os policiais de algum jeito chegaram primeiro do que eu e estão interrogando a Carmem.
_Cade minha...
_Papa...- ouço um gritinho vindo da escada.
_Filha.- corro até ela e lhe dou um abraço. Estou chorando, realmente pensei que nunca mais iria vê-la.- minha princesa, você está bem amor?
_To bem papa. Adê a mama? To com audade. Pu que ela não foi comigo?
_Mamãe foi fazer um viagem, mas o papai vai trazer ela de volta. Eu prometo, tá bom? Ela vai voltar.- falo colocando minha filha entre meus braços e a apertando. Meu choro agora é um pouco mais forte. Sei que minha filha não está entendendo nada, mas assim é melhor. Não quero que ela saiba que a mãe dela está em perigo e talvez não volte. Não quero que ela sinta essa dor que estou sentindo.
_Papa. Cê tá com audade da mama ambém né?
_Muita minha filha.- falo secando minhas lágrimas.
_Não peucupa não. Ela pometeu pa mim que nunca ia me dexa. A mama vai vota papa.- sorrio para minha filha e lhe dou outro abraço.
_Ela vai amor. Ela vai voltar. Agora a senhorita vai ficar com a Angélica, papai vai achar a mamãe.
_Ta papa. Trás a mama de vota.
_Vou trazer.-lhe dou um beijo e vou em direção aos policiais que tinham acabado de conversa com Carmem.
_E agora?
_Agora eu e minha equipe vamos atrás deles. Já que a moça a qual o senhor mandou a gente procurar já nós falou onde é o esconderijo deles. Vamos pega-los hoje a noite.
_Eu vou junto.
_Senhor é muito perigoso.
_Não importa. Minha mulher está lá. E eu quero ir.
_Tudo bem. Sei que não vai adiantar nada a gente tentar te convencer ao contrário.
_Ótimo.
_Seis horas uma patrulha vai vim te buscar.
_Obrigado.- tomei um banho e fiquei com minha filha até eles chegarem para me pegar. Entrei naquele carro orando para que nada desce errado e que minha mulher estivesse bem.
Chegamos e o capitão me explicou tudo que eles iriam fazer. Assim que entrassem e estivesse tudo em ordem eu poderia entrar. Eu apenas concordei.
Eles entraram e depois de alguns minutos comecei a ouvir alguns tiros. Estava temendo pela vida dela mais do que tudo agora.
“E se algum tiro acerta nela? Meu Deus não deixe nada acontecer... Por favor... Protege ela.”
Mais algum tempo passou, não sei exatamente quanto, pois para mim cada minuto era uma vida inteira. Finalmente me liberaram para entrar.
Me levaram onde ela estava e estavam acabando de desamarrar ela. Antes de ir até ela parei na frente de Carlos que estava com um tiro na perna e o soquei.
_Nunca mais chegue perto da minha família.- falei gritando e eles o tiraram dali.
_Lucas..- ouvi Eduarda sussurra enquanto a colocavam no chão cuidadosamente.
_Amor.- corri até ela e a deitei em minha perna.- eu senti tanto medo de te perde. Desculpa por fazer você passar por isso tudo. Me perdoa minha pequena.
_Amor..- ela sorriu.- você me chamou de amor..
_Chamei, pois é isso que você é. Você é o meu amor, minha vida. Meu tudo... Eu te amo Du.- falo passando a mão em seu rosto e a beijando.
_Eu também te amo.- fala sorrindo e fecha seus olhos.
_Du... Amor.. Por favor não me deixa. Abre esses olhos lindos, por favor...- falo desesperado e chorando em cima de seus peitos.
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