Stirb Nicht Vor Mir

2 Parte 1: Desafio de ouro


Notas iniciais
Obs: Será comum ver citações dos gaidens (Tiger’s Daughter e The Son of the mists) que antecedem esse, e de outras obras que levam o nome da franquia Saint Seiya.

Quando Máscara da Morte de Câncer retornou de uma missão e surpreendeu a todos com o anúncio de que teria um discípulo. Alguns dias depois partira para a Itália a fim de treinar seu sucessor, voltando sete anos depois ao Santuário. E para a surpresa de todos, com apenas doze anos Faust estava preparado para o desafio final que o sagraria cavaleiro de Atena no dia seguinte.

O garoto loiro e de cabelos curtos e arrepiados olhava a arena que seria o cenário de seu teste, sozinho em seus pensamentos, quando sentiu a presença de mais uma pessoa. Olhou para o lado e viu um homem de aparentes quarenta anos, cabelos e barbas em um tom de castanho bem claro.

Não fazia ideia de quem era, mas sentiu uma enorme cosmo energia vinda dele. O homem olhava para uma gigantesca rocha, que fora trazida horas antes por dezenas de soldados. Parecia examiná-la, como se analisasse um provável alvo.

—Aí está você, moleque. –Máscara da Morte aproximou-se, de modo relaxado com as mãos nos bolsos da calça. –Está fazendo o que aqui? Ah, é o Aiolia ali na Arena? Olha só... Deixou a barba crescer!

Faust quase não notara sua aproximação, mas manteve o rosto sério e carrancudo que sempre exibia. Depois sentiram o cosmo poderoso de Aiolia e este com um soco certeiro reduziu a enorme rocha a incontáveis pedrinhas, que se espalharam por diversas direções.

Faust ficou impressionado, mas sabendo que o homem era um cavaleiro dourado devido ao seu cosmo, não era de se espantar que facilmente destruísse a rocha.

—Ele é bem forte!

—Treinando a potência do cosmo? Ele não para nunca? –dizia o canceriano mais velho, coçando a barba mal feita no queixo.

—São amigos, mestre? –o menino perguntou curioso.

—Não diria amigos. –Máscara da Morte coçou a nuca. –Acho que tive só um amigo aqui em toda a minha vida, mas faz muito tempo isso.

—E onde ...? –Faust sentiu o forte cheio de bebida que vinha do mestre quando ele se aproximou mais e faz uma careta. –Já está bebendo? São nove horas da manhã!

—Em algum lugar do planeta já é o happy hour. –sorriu, provocando o garoto, sabendo que ele não teria papas na língua de lhe chamar a atenção. –Ah, você é sério demais para a sua idade, Faust!

—É um bêbado inútil! –o garoto resmungou. Máscara da Morte agarra a cabeça do rapaz, em seguida lhe aplica uma chave de braço em seu pescoço, Faust balança os braços em protesto.- LARGA! LARGA! MALDITO!

—Quem está chamando de bêbado inútil, seu anãozinho? –gargalhando e acenando para Aiolia que teve sua atenção atraída pelo barulho que os dois faziam ao discutirem. –Peça perdão!

—Não peço! Seu bêbado!-puxando a bochecha do Cavaleiro de Câncer, de modo bem dolorido.

Ficaram nesse impasse, entre trocas de ofensas e agressões físicas, até que perceberam a presença de Aiolia bem atrás deles. Nenhum havia notado que o cavaleiro de Leão abandonara a arena e subira até onde estavam.

—Hei, Aiolia! Como vai? –Máscara da Morte cumprimentou, sem relaxar no golpe que havia aplicado em seu discípulo. –Ficou bem respeitável com a barba nova!

—Estou bem. –o outro cavaleiro ergueu uma sobrancelha com a cena. – Acho que está matando seu discípulo.

—Que? Isso? –o garoto batia no braço dele, pedindo por ar. – Praticamente fazemos isso todos os dias! Está acostumado.

Finalmente o cavaleiro solta Faust, que se apoia nos bancos de pedra para respirar.

—Velho...bêbado...maldito! –dizia ofegante, ficando furioso ao notar que Máscara da Morte o ignorou completamente, conversando com o outro cavaleiro. –NÃO VIRE AS COSTAS PARA MIM!

—Tsc! Deixa de ser estressado, garoto. Vem, vou lhe apresentar o Cavaleiro de ouro de Leão.

Faust se aproximou desconfiado e depois fitou de baixo para cima o homem diante dele. Sentiu-se pequeno, tanto pela estatura do mesmo quanto pela força e cosmo poderoso que ele parecia exalar. Havia um ar de sabedoria que somente anos de batalhas poderiam formar em seu olhar, ao mesmo tempo sérios e bondosos. Engoliu em seco e estendeu a mão, gesto que foi correspondido.

—Então é o jovem que anseia a armadura de Câncer? Prazer.

—Prazer...senhor!

—Olha só, todo educadinho! –Máscara da Morte não perdia a chance de zoar seu aprendiz, que ficou corado. –Devia ser assim com seu velho mestre, sabia?

—Cala a boca...-o guri resmungou em resposta.

—Bem, vá pra Casa e continua a treinar seu cosmo. Amanhã é o seu teste e tem que se preparar. -avisou. –Ah, só para você saber.

Faust olhou para o mestre que apontou com o polegar o colega, com um sorriso que beirava o sadismo em seu rosto.

—É com ele que você vai lutar.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.

Logo mais na Casa de Câncer.

Faust tentava se concentrar, mas simplesmente não conseguia. Ficar sabendo que teria que enfrentar um dos mais poderosos cavaleiros de ouro da história do Santuário, havia lhe tirado toda a calma que antes possuía. Por sete anos, treinou duro para conseguir essa chance, que lhe havia sido negada dois anos antes pelo seu mestre. Segundo ele, era muito imaturo para usar uma armadura dourada.

Contentou-se por treinar mais, expandir mais seu cosmo. Quando finalmente convencera seu mestre a lhe dar uma chance... Agora não sabia se poderia vencer esse desafio e conseguir sua armadura dourada.

—Aquele velhote fez de propósito! –resmungou, desanimado.

—O que ele fez desta vez? –a voz suave de sua irmã sempre tinha o poder de acalmá-lo.

Faust olhou por sobre o ombro e a viu. Sempre com aquele vestido branco que usava naquele dia, sempre com um sorriso carinhoso no rosto.

—Acho que ele não quer que eu me torne Cavaleiro de ouro, Margareth. –respondeu, sentando no chão e apoiando o rosto com uma mão.- No teste amanhã vou enfrentar um cavaleiro de ouro! Fiquei sabendo que ele é um dos mais fortes da história!

—Não. Ele já sabe que você se tornou capaz de ser um cavaleiro de ouro faz um bom tempo. –ela lhe respondeu serena, colocando a mão sobre sua cabeça.

Faust fechou os olhos, parecia sentir o toque carinhoso de sua irmã e foi se acalmando.

—Sei não. Ele está sempre me provocando.

—Ele gosta de você. –Margareth sorriu quando o ouviu suspirar contrariado.

—Imagine se me odiasse...

Margareth sorri. Aqueles dois mantinham um laço que ia além da relação mestre e aluno. Para Faust, o cavaleiro de Câncer foi o único pai que realmente conheceu, e sabia que as constantes implicâncias e brigas eram preocupações sinceras e fortaleciam essa amizade. Embora o cavaleiro não demonstrasse, ela sentia que estava muito preocupado, não apenas pelo teste, mas se Faust poderia se ferir seriamente.

Tem sido assim desde que se conheceram. Ela os tem observado, sempre acompanhando seu irmão. Quando Faust tinha só sete anos ficou acamado com uma febre alta que não cedia, ela testemunhou o cuidado do cavaleiro pelo menino, o desespero quando a febre fez seu corpo pequeno convulsionar-se, a maneira protetora que o abraçou embaixo do chuveiro gelado para esfriar seu corpo e fazer a febre ceder.

Ela também havia ficado aflita, mais ainda por não poder fazer nada. Ficou ajoelhada em frente aos dois no chuveiro, querendo chorar. Mas espíritos não podiam mais chorar. Ela não queria que ele morresse tão jovem, sem conhecer nada da vida.

Foi quando Máscara da Morte parecia fita-la e lhe disse algo:

—Ele vai ficar bem. Não se preocupe.

Foi a primeira vez que ele demonstrou ser capaz de vê-la também. Talvez sempre pudesse, mas não havia contado a Faust. Naquele dia, teve a confirmação de que havia feito a escolha certa em sua busca por um protetor para o irmãozinho.

—Faust, confie em si mesmo. –Margareth diz antes de desaparecer. –Seu mestre confia.

Faust decidiu voltar ao seu quarto e dormir. Teria que estar bem descansado para enfrentar o que lhe esperava no dia seguinte.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.

O sol ainda nem havia despontado no horizonte e Faust já estava acordado, se preparando para o grande dia. Vestiu com suas roupas de treinamento e foi até os aposentos de Máscara da Morte batendo em sua porta. Bateu uma vez. Duas. Três e nada. Decidiu entrar e o encontrou ainda dormindo de bruços na cama, roncando bem alto.

—AINDA NÃO ACORDOU?!? –gritou bem alto, furioso, fazendo com que Máscara da Morte acordasse sobressaltado, caindo da cama com o susto.

—Que? Quem? Os espectros estão atacando de novo? –avistou Faust e começou a bocejar. –Ah, é só você.

—Como assim só eu? Esqueceu que dia é hoje??? –tentando se controlar em vão.

—Deixa eu ver... –Ficando em pé e coçando as costas e depois o braço. –Hmmm...sexta. –percebeu a irritação de Faust e começou a rir. –Relaxa garoto, eu sei que dia é hoje. Só não precisa ficar agitado, já vamos.

—Como pode ser tão irresponsável? E ainda é cavaleiro de ouro! -Faust suspirou fitando-o.

—Bem, Faust. –ignorando o que lhe dissera de novo. –Preparado? Deve estar nervoso.

—Eu... –desviando o olhar.

—Se estiver incerto então é melhor nem ir. –disse-lhe sério colocando uma camisa limpa. –Se tiver dúvidas, não vai passar nesse teste.

—Mas...

Câncer coloca a mão em sua cabeça e lhe diz sério:

—Esqueça quem o seu oponente é. Tem que confiar em seu cosmo, lógico sem subestimar seu adversário. Eu subestimei um pivete de bronze uma vez e perdi feio uma luta.

—O senhor? –para Faust parecia difícil imaginar essa cena.

—É, eu era bem idiota na época. –Saindo do quarto, acompanhado pelo discípulo. –Fiz coisas idiotas também.

Caminharam até o local onde a urna da armadura dourada repousava. Logo ela iria para a Arena para pertencer a outro cavaleiro ou continuar com o atual. Máscara da Morte sorri admirando-a, tocando-a com cuidado.

—Sabe, essa coisinha aqui é meio temperamental. Ela não vai tolerar que a use de modo errado de novo, escutou? –rindo. –É igual uma mulher, nunca esquecerá as merdas que você fizer. Por isso, demorei tanto para escolher alguém melhor que eu para usá-la.

Faust fitava a armadura com igual admiração ao de seu mestre.

—Por que, mestre?

—Por que o que?

—Está desistindo da sua armadura de ouro para outro?-virando o rosto para o mestre. –Desde sua última missão, desistiu de usá-la. Por que?

Máscara da Morte ficou um instante em silêncio, como se procurasse as palavras certas. E sem tirar os olhos da armadura dourada lhe respondeu:

—Quando te acolhi não o fiz pensando em torna-lo meu sucessor. Só achei que alguém com seu dom merecia algo melhor do que morar na rua e passar fome. Achava que você seria um cavaleiro de bronze, mas... –suspirou. –Em minha última missão, perdi a minha fé como cavaleiro dourado.

Faust o fitou espantado. Seu mestre perder a fé?

—Fui um inútil e deixei um amigo morrer. Mais de uma vez eu o deixei na mão. –o rapaz nota a tristeza na voz do mestre. –Eu decidi que não poderia ser mais um cavaleiro de ouro, pois era uma merda como um. Ela não gostou disso, mas entendeu. Ela merece coisa melhor do que um fracassado.

Faust percebeu que ele falava novamente da armadura dourada. Queria dizer ao mestre que não o considerava um fracassado, e sentia que a armadura tinha o mesmo sentimento que o dele, que podia sentir a tristeza dela por sua decisão. Mas quando iria lhe dizer isso, o cavaleiro já estava saindo do salão.

—Vamos comer algo antes de irmos para a Arena. Rápido, não vai se atrasar.

Depois de uma rápida refeição matinal, os dois caminharam juntos na direção da Arena. Ela estava cheia de pessoas naquele momento. Soldados, cavaleiros, servos. Todos curiosos para ver aquele embate e fazendo secretamente apostas de como seria seu desfecho.

Faust pode ver que haviam colocado a urna da Armadura de Câncer sobre um altar, em frente aos assentos reservados ao Grande Mestre e Atena. Era a primeira vez que o garoto a via e ficou algum tempo olhando para a deusa com ar admirado, achando-a a criatura mais linda que conhecera.

—Está babando, guri. –a voz jocosa de seu mestre o tirou do transe, deixando-o sem graça. –Vá para o centro da Arena, estão te esperando. Vou ficar junto aos outros assistindo. E lembre-se, garoto...

Faust o fitou esperando pelo o que ele diria:

—É o cosmo mais forte que vence a luta, não se o cavaleiro é de ouro ou de latinha de alumínio, entendeu?

O menino concordou, dando um risinho com a comparação infeliz que havia feito, foi quando ouviu a voz do Grande Mestre Dohko anunciar o início do embate.

—Estamos aqui para o embate pela armadura de Câncer. O desafiante que almeja um lugar entre os Doze Cavaleiros de ouro é Faust, discípulo de Máscara da Morte.

Faust entrou na arena e pode perceber que todos falavam dele, mas ignorou prontamente. Dohko faz um sinal e todos se calam para ouvi-lo falar:

—Não haverá tempo limite para o embate, seu adversário será... –entrava na arena naquele instante o cavaleiro que iria enfrentar. –Aiolia de Leão. Basta acertar um golpe contra seu oponente para decidirmos pelo fim da luta!

Faust novamente se sentiu pequeno diante de Aiolia, ainda mais por ele estar trajando a armadura dourada de leão, mas manteve a calma ao lembrar-se das palavras de seu mestre.

—O cosmo mais forte... –murmurou as palavras, quase como um mantra. –O cosmo mais forte...

—COMECEM!-ordenou Dohko e o povo na Arena começou a ovacionar.

Na área da plateia, Máscara da Morte observava os dois com um certo ar de apreensão em seu rosto. Quando escutou dois cavaleiros menores conversando, não conseguiu conter sua impaciência.

—Um moleque contra o cavaleiro de leão?!

—Será um massacre!

—Calem as bocas, seus idiotas! –vociferou e ambos estremeceram. -Não importa se o oponente é um santo de ouro. Não é a armadura que decide uma luta, e sim seu cosmo. Francamente, como conseguiram suas armaduras se não aprenderam isso? fizeram curso pelo correio de cavaleiro?

—Acalme-se Máscara da Morte. –a voz de Shiryu atrai sua atenção, e aproveitando-se disso os dois que enfureceram o cavaleiro de ouro saíram rapidamente daquele lugar.

—Ah, é só você. –desdenhou voltando a atenção para a arena. –Não veio me aporrinhar também, né? Ficou metido demais depois que ficou com essa armadura de ouro de libra.

—Não. –Shiryu ficou do seu lado para acompanhar a luta. –Vim torcer pelo seu garoto.

—Ele vai surpreender muita gente.

—Acredito que sim. Ele tem um cosmo muito forte para a idade.

—Sim. Ele vai conseguir se igualar ao cosmo de Aiolia, mesmo que o suficiente para dar um golpe.

—Com certeza vai ser um companheiro de valor.

—Sim. Ah, Shiryu?

—O que é?

—Você nunca tira essa armadura? –olhando-o com a armadura de libra, enquanto os demais usavam roupas civis para ver a luta.

—Nunca se sabe quando for preciso usá-la.

—Você é bem estranho...

Na arena, a luta começara. Aiolia mantinha uma postura relaxada, apenas calado e analisando o garoto diante dele, Faust não continha a tensão que o dominava. Então ele fecha o punho e seu cosmo se eleva, concentrando-o em sua mão, avançando contra Aiolia pronto para disparar um golpe.

Mas ao aplicar o soco, viu com surpresa que Aiolia segurou o golpe com apenas um dedo.

—É bem forte... –o leão dourado falava, fitando-o friamente. –Mas não está no meu nível.

Aiolia apenas eleva seu cosmo, jogando Faust para trás com violência e fazendo-o cair com força ao chão.

—Putz! –Máscara da Morte coloca a mão no rosto, abrindo com os dedos um pequeno espaço para continuar olhando a luta. –Como você cai numa dessas, Faust?

Faust sentia todo o seu corpo reclamar de dor quando se levantava, e cuspiu um pouco de sangue que veio a sua boca, fitando o cavaleiro de leão que permanecia parado no mesmo lugar, com a mesma expressão fria no rosto e com um cosmo assustadoramente poderoso.

“-Ele é um monstro!”

—Eu geralmente não gosto de machucar os outros, ainda mais uma criança como você... –dizia Aiolia, observando Faust.

—Criança? –a palavra teve um efeito imediato no rapaz.

—...Com seu nível, e sua atual motivação, não poderá me atingir...

—Me chamou de criança?-ficando em pé com mais rapidez.

—...Desista enquanto ainda pode. Quando descobrir se quer mesmo ser um cavaleiro de ouro e for mais forte, voltaremos a nos enfrentar.

—EU NÃO SOU MAIS CRIANÇA!!

Aiolia ergue uma sobrancelha, olhando para Faust.

—Eu não sou nenhuma criança... –dizia novamente, e na mente do garoto imagens de quando era muito pequeno, da irmã que sempre esteve do seu lado e de como morreu e não pode fazer nada por ser muito pequeno. –Crianças são indefesas e nada podem fazer quando o pior acontece. Só conseguem chorar e lamentar quando perdem alguém importante. Eu não sou mais assim.

—Por que quer tanto a armadura de Câncer? –Aiolia perguntou com certo interesse.

—Por que alguém tem que proteger essas crianças. –respondeu, voltando a postura de ataque, elevando seu cosmo mais ainda.

—Hmmm ... –Aiolia dá um meio sorriso. –Então me mostre do que é capaz. Vamos ver se serve para proteger alguém.

Faust ataca novamente, lançando seu cosmo a distância em Aiolia. Apenas os cabelos e a capa do cavaleiro se move diante daquele golpe, e novamente ele revida apenas com a pressão de seu cosmo dourado, jogando o menino contra uma parede da Arena, bem abaixo de onde estava seu mestre.

—Se morrer facilmente vai ser uma vergonha, guri!-gritou Máscara da Morte ao discípulo. –Você sabe o que fazer para ganhar essa luta facilmente, moleque.

—Cala a boca!- gritou de volta ao mestre.

—Estou apenas dando uma ideia.

—Não vou fazer isso, seu velho bêbado inútil!- berrou novamente contra o mestre, espantando a todos.

—Tsc... garoto teimoso!

O garoto se ergue com mais dificuldade que antes, respirando com dificuldade sentindo uma dor aguda do lado, presumindo que deveria ter quebrado algum osso da costela, mas mesmo assim sorri. A cena dele seriamente ferido causou preocupação em muitos que assistiam a luta, até mesmo em Atena.

—Desista, rapaz. -Aiolia o avisava. –Seu corpo não vai aguentar outro golpe.

—Me force a desistir...-novamente assumia a postura de ataque, limpando com a costas da mão o filete de sangue que caia sobre seu rosto e atrapalhava sua visão.

Entre os presentes na plateia reinava o silêncio. Todos querendo saber se o menino aguentaria mais um golpe de Aiolia ou se renderia. Alguns olhavam para Máscara da Morte esperando alguma reação dele, mas este observava a tudo com os braços cruzados e um sorriso de lado na face.

—Sabe, Máscara da Morte. –Shiryu comenta observando atentamente a luta. –Como mestre do garoto pode pedir o fim do teste se achar que ele atingiu seu limite.

—Poderia. –ele mantinha a mesma postura. –Conheci duas pessoas em minha vida que por mais que pareçam derrotados, conseguiam se levantar e reagir em uma luta. Eles não eram de desistir.

Shiryu olhou curioso para o outro cavaleiro, voltando a focar na Arena quando sente o cosmo de Aiolia lançar novamente Faust longe, e este novamente se erguer para lutar.

—Um deles é você, Shiryu. O outro está naquela arena, e não vai desistir tão fácil de uma luta.

Contrariando as expectativas, Faust não queria ceder ou desistir. A força de vontade do garoto em vencer e conseguir sua armadura dourada estava impressionando o Cavaleiro de Leão, inclusive por ver que o cosmo de seu jovem oponente parecia crescer cada vez mais, a cada golpe recebido. Se o garoto pudesse usar a técnica que aprendera com seu mestre, talvez a luta já tivesse tido um final, mas era um teste físico. Até onde iria seu cosmo e sua agilidade em uma luta?

—Posso ganhar sem usar todo o meu cosmo...

Faust murmurava, enquanto seu corpo já bastante ferido era envolvido pelo seu cosmo dourado, a determinação em seus olhos de um azul pálido, em seguida se lança contra seu oponente, com maior velocidade que seus ataques anteriores.

.“-Margareth...se eu fosse forte naquela época como sou agora... Você ainda estaria viva... vou vencer sem precisar te perder de novo!”

Desta vez Aiolia não conseguiu lançar um contra ataque com seu cosmo para se defender. Sentiu o rapaz passar por ele, parar a poucos metros, com o punho em riste como quem acabara de desferir um golpe. O movimento fora rápido demais para a maioria presente na Arena acompanhar, apenas cavaleiros mais experientes puderam testemunhar o que houve.

—Ven...ci... –murmurou o garoto, fazendo com que Aiolia se virasse em sua direção, pouco antes de cair ao chão já sem forças.

Da parte descoberta em seu braço um corte surgiu e sangue escorria manchando sua armadura dourada. Aiolia sorri diante da vitória de Faust.

—ISSO AÍ, MOLEQUE!-gritou Máscara da Morte comemorando, depois ri para Shiryu. –Eu sou um excelente professor ou não sou?

O cavaleiro de libra não pode discordar.

—Faust venceu! –Dohko anunciou e a plateia começou a ovacionar, e o mestre observa a deusa olhar preocupada para o menino deitado na Arena e sendo amparado por Aiolia. –Temos um novo santo dourado, Atena.

—Ele é apenas uma criança, Dohko. –a deusa fitou o patriarca. –Tenho receio de que não esteja realmente preparado para os desafios que virão.

—Eu sei, mas seu cosmo é grande e se tornará maior. –Dohko mantinha uma expressão mais confiante em seu rosto. –Acho que ele vai nos surpreender ao nos mostrar até onde seu Cosmo poderá alcançar.

—Sim. Espero que tenha razão.

Mas a preocupação não abandonou a deusa, ao ver o jovem cavaleiro de ouro de Câncer ser levado nos braços por Aiolia para fora da Arena e receber os primeiros socorros por seus ferimentos, mas a imagem do sorriso no rosto do garoto conseguiu suavizar um pouco seu coração.

Continua...

Fim da Parte 1.