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10 Uma Mudança Sutil


Notas iniciais
Oi meus amores! E eis que chegamos a mais um capítulo. Agradeço do fundo do meu coração a todos os que comentaram no capítulo anterior, vocês são os melhores. E, se leu, deixe um comentário me dizendo o que acho da trama. Boa leitura e enjoy❣

Completamente em choque ante a cena que acaba de presenciar, Maria Flor simplesmente não consegue acreditar na cena que acaba de presenciar. Simplesmente não consegue acreditar que Arthur terminou com a noiva de uma hora para a outra assim, bem diante de seus olhos, como se a dondoca simplesmente não significasse nada para ela!

Parece um pesadelo!

Um pesadelo do qual ela não consegue acordar!

Primeiro, fora acusada por aquela mulher que simplesmente a odeia, pois, ela acha que, só porque tem dinheiro, pode sair por aí humilhando as pessoas mais pobres. E depois, o fato de Arthur ter terminado com ela assim, de uma hora para a outra sem qualquer motivo aparente...!

O seu medo é que esta mulher horrível ainda pense que ela tem algo a ver com o término do noivado dos dois, o que é completamente ridículo, pois, tudo o que ela queria era ter sua vida de volta, e não estar dividindo a vida com o homem que a enganou e abandonou!

Ela olha boquiaberta para Arthur, que, parece completamente calmo e tranquilo, levando as mãos ao bolso de sua calça de forma completamente casual, como se não tivesse acabado de terminar um relacionamento de sabe-se lá quanto tempo com a noiva.

Começa a se questionar sobre o que pode-se estar passando pela cabeça do homem neste momento, e, praticamente não entende o porque dele parecer tão sossegado diante de tudo o que acaba de acontecer.

― Você está bem? – a voz de Arthur a tira de seus pensamentos.

― O que?! – Maria Flor se surpreende com as palavras do homem – Acho que não entendi.

― Acaso é surda? – Arthur dá alguns indícios de que está começando a se irritar – Perguntei se você está bem. Eu sinto muito pelas palavras de Danielly. Garanto que isso jamais irá voltar a acontecer.

Completamente atônita, Maria encara o homem à sua frente, sem ao menos saber o que pensar direito. Ela está delirando ou ele está mesmo preocupado com ela?

― Eu... – ela começa a responder – Eu não sei...! Sinceramente, Arthur, eu não sei nem o que pensar direito, ainda estou tentando compreender tudo o que acabou de acontecer.

― Não acho que tenha muito o que compreender. – Arthur dá de ombros – Apenas tirei um empecilho de meu caminho, só isso.

― Empecilho? É isso mesmo o que pensa de sua noiva?

― Ex-noiva, Maria Flor. Ex-noiva. E, até bem pouco tempo atrás, eu não pensava assim. Mas, infelizmente, Danielly se mostrou uma pessoa pouco compreensiva, principalmente no que se refere a Sadrak.

― Juro que você é a pessoa mais difícil de se entender que eu já conheci.

― Esqueça isso, está bem! E, ao invés de pensar em coisas tão sem importância quanto Danielly, pense apenas em se arrumar, pois nós iremos sair para jantar no restaurante aqui do resort.

Nem bem Arthur termina de falar e, Maria Flor sente-se completamente confusa com tudo isso, pois, o homem acaba de terminar um relacionamento e parece não estar nem aí para isso.

― Espera aí, deixa eu ver se entendi! Você quer que eu vá jantar com você em um restaurante chique?

― Basicamente isso, Maria. Mas, não precisa fazer tanto drama, é apenas um jantar entre bons amigos.

― Olha, Arthur, eu não tenho roupas para jantar em um restaurante chique com você.

― Maria, sinceramente pouco me importa o que você estará vestindo, querida. Tudo o que quero é um jantar agradável com a mãe do meu filho. É tão difícil assim entender isso?

Ante as palavras de Arthur, Maria apenas faz um sinal afirmativo com a cabeça, concordando com o tal jantar, e, sem realmente acreditar no que está acontecendo. Arthur então se aproxima dela, e, pega o filho em seus braços, a fim de que Maria possa ir se arrumar.

Felizmente, Sadrak pouco a pouco está se acostumando com ele, e, estranhamente, ele se sente bem com isso. A cada dia que passa, ele sente mais e mais necessidade de se aproximar de seu filho, e, nunca, em toda a sua vida, imaginou que algo assim viesse a acontecer.

Nunca em sua vida quis ter um filho. E, desde que Sadrak apareceu em sua vida, só pensou em dar a ele uma vida digna. Mas, Maria Flor vem fazendo com que comece a pensar de outra forma e queira ser um pai de verdade para este menino. E, ter este sentimento faz com que ele se sinta bem consigo mesmo, como há muito tempo ele não se sentia.

É estranho como uma pessoa pode, de forma acidental, fazer a diferença na vida de outra, fazer com que se queira ser uma pessoa melhor.

Desde que começou a conviver com Maria e com o filho, ele vem se sentido assim, querendo ser uma pessoa melhor, querendo ser um bom pai para este menino que ele tem em seus braços!

Quer ser, para este menino, um pai de verdade. Não somente alguém que dá uma pensão, que é capaz de dar tudo aquilo que o dinheiro é capaz de comprar. Mas, ele quer ser para ele, um pai de verdade. Alguém que esteja presente na vida do menino.

Quer estar ao lado de Sadrak quando ele der os primeiros passos, quando disser sua primeira palavra. Quer comemorar, ao lado do filho, cada pequena vitória dele. E, a cada dia que passa, sente mais e mais a necessidade de ser um pai presente na vida deste menino. De fazer com que nasça um elo entre os dois, tal como existe um forte elo entre Sadrak e Maria Flor.

Maria Flor...!

A mulher mais improvável da face da terra. Aquela que era para ter sido apenas uma noite de sexo casual no Nordeste, mas que, por uma reviravolta do destino, acabou engravidando.

E agora os dois estão aqui, procurando uma forma de conviver pacificamente, pelo bem do filho que tiveram juntos.

Esse filho que, para ele, se tornou mais importante do que tudo neste mundo! Este filho, que, pouco a pouco, está aprendendo a amar!

Não demora muito e, Maria Flor está de volta, já pronta para o jantar deles. E, a simplicidade com a qual ela está vestida deixa Arthur completamente boquiaberto, pois, ela está simplesmente linda...!

Com um vestido branco florido com delicadas tulipas vermelhas, os cabelos vermelhos soltos, Arthur se dá conta de que Maria não precisa de maquiagem nenhuma para ficar bonita, que ela tem uma beleza de dar inveja a qualquer um.

― Estou pronta. – fala Maria Flor, tirando Arthur de seus pensamentos.

Ela se aproxima de Arthur e pega o filho no colo.

― Vamos. – Arthur responde a ela.

*****

Danielly chega em sua suíte no hotel com os olhos completamente tomados pela raiva. Seu rosto, normalmente branco, totalmente corado de vermelho devido ao sangue que pulsa com força sob suas veias, ante toda a fúria que toma conta de si.

Nunca, em toda a sua vida, fora humilhada desta forma!

O que Arthur fez com ela, por culpa daquela mortinha de fome, simplesmente não tem perdão! Fora o maior ultraje que já passou na vida!

Como? Como ele tem coragem de jogar anos de um relacionamento sólido na lata de lixo em questão de segundos por conta de uma maldita retirante que não tem nem onde cair morta?

Ela conhece muito bem o tipinho daquela mulher!

Sabe muito bem que vadias como ela, se fazem de sonsa com aquela carinha inocente para conseguir seus objetivos. E, aquela Mortinha de Fome fora boa demais ao engravidar de Arthur, pois, gerou com ele aquele moleque desgraçado e, este é um vínculo que não pode ser quebrado!

Mas, se aquela mosca morta acha que isso vai ficar assim ela está muito enganada!

Se a Mortinha de Fome e Arthur acham que ela é carta fora do baralho, irá amar mostrar aos dois como eles estão enganados!

Irá amar mostrar o quão perigosa ela pode ser!

Se Arthur achava que a conhecia, vai mostrar a ele o quanto está enganado! Como namorada e noiva, tentou ser para Arthur a melhor pessoa do mundo, tentou ser para ele uma mulher incrível, mostrando para ele apenas o seu lado bom, a mulher simplesmente incrível que é, e, também uma amante fabulosa! Tentou mostrar a ele que ela é, sem a menor sombra de dúvidas, é a pessoa certa para estar ao lado de um importante homem de negócios como ele.

Mas, Arthur não soube valorizá-la e, pior, foi só a Mortinha de Fome aparecer para ele jogá-la literalmente para escanteio! E, isso, ela jamais irá perdoar!

Agora, está disposta a mostrar a esse homem o seu outro lado!

A mulher perigosa que ela é!

E, não irá parar enquanto não tirar aquela maldita Retirante de seu caminho! Não irá parar enquanto não reduzir aquela Pobretona a nada! Irá acabar completamente com ela e não irá parar enquanto não conseguir atingir o seu objetivo!

Aquela coisinha horrorosa que a aguarde, pois, ela não perde por esperar!

O que é dela está muito bem guardado!

Com este pensamento em mente, Danielly caminha até a cama, onde as suas malas ainda estão feitas. Poderia muito bem pegá-las e ir embora deste resort de uma vez por todas, mas, seu orgulho a impede de fazer isso.

Depois da completa desfeita que Arthur lhe fez!

Depois dele ter tido a ousadia de ter terminado com ela, tudo o que quer é mostrar para este homem o mulherão que ele está perdendo, e, ela fará isso!

Sua vingança começa agora!

Sem perder tempo, abre sua mala e, procura nela o vestido que trouxe para esta noite, um vestido preto, até o joelho, muito justo em seu corpo e com um decote muito mais do que ousado.

Pega o vestido e, caminha até o banheiro de sua suíte, onde não perde tempo em tomar um banho, a fim de tirar toda a poeira do corpo. Não demora muito no banho, apenas o suficiente para se sentir limpa.

Após o banho, coloca o vestido preto e senta-se em frente a um espelho, para começar a escovar seus cabelos loiros, repartindo-o de lado e deixando-os soltos. Quando vê que seu cabelo está perfeito, abre sua nécessaire e começa seu longo processo de se maquiar, afinal, não pode aparecer em público sem estar menos do que deslumbrante. Se demora bastante maquiando-se, colocando sombras bastante escuras, que dão muito destaque em seus olhos castanhos, faz um delineado gatinho e usa muita máscara de cílios, a fim de dar bastante volume a eles e a deixar com um olhar de mulher fatal. E, por último, usa um batom vermelho-vivo, que deixa seus lábios em bastante evidências, além de bem desejáveis aos olhos de um homem.

Ao ver o seu reflexo no espelho, Danielly se dá por satisfeita, e, não perde tempo em calçar um scarpin preto de salto fino. Por último, a mulher pega a sua bolsa, e, deixa a sua suíte, indo diretamente até um elevador social, que, por sorte, está parado bem no seu andar.

Sem mais perder tempo, ela adentra o elevador e no térreo, e, ali chegando, ruma diretamente para o restaurante do resort, onde, um maitre não perde tempo em cumprimenta-la, dizendo:

― Boa noite, senhorita!

― Boa noite. – Danielly responde de forma fria – Mesa para um, por favor.

― Queira me acompanhar, por favor.

Sem trocarem mais nenhuma palavra, Danielly acompanha o maitre até uma mesa indicada por ele, e, em seguida, ela pede o cardápio de vinho. O maitre se retira, e, poucos minutos depois, um garçom surge, dando a mulher o cardápio de vinhos e esperando por sua escolha.

Ela então escolhe um vinho do cardápio e o garçom não perde tempo em atender o seu pedido. O olhar de Danielly então se volta para uma das mesas, onde Arthur, a Mortinha de Fome e o Bastardinho estão, provavelmente, à espera de seus pedidos.

Sorri ao mesmo tempo em que seus olhos não desviam dos três. Vamos ver até quando Arthur irá aguentar ficar ao lado daquela Pata Choca.

*****

Ali, naquele restaurante chique e, vendo como algumas pessoas simplesmente não param de olhar para ela e para Arthur, Maria Flor sente-se completamente desconfortável ali, pois, este não é o ambiente com o qual ela está acostumada, pois, o mundo de Arthur, decididamente não é o seu!

Está acostumada a uma vida de simplicidade e, por isso mesmo, esse mundo que Arthur a jogou, por muitas vezes faz com que ela se sinta mal, pois, com exceção de Andrea, a grande maioria das pessoas deste mundo a maltratam os pobres sem motivo algum, simplesmente por terem menos do que eles.

Arthur faz um pedido a um dos garçons, e, enquanto ele não chega, não consegue deixar de notar o desconforto de Maria Flor e, afim de saber o que a incomoda, não perde tempo em perguntar:

― Qual é o problema, Maria Flor?

― Não me sinto bem neste lugar. Sinto que todos me olham de forma estranha.

Ante as palavras de Maria Flor, Arthur começa a olhar ao redor deles, e, não deixa de notar os olhares atravessados para ela, o que faz com que ele se sinta profundamente irritado.

― Venha. – Arthur não perde tempo em dizer, ao mesmo tempo em que ele se levanta.

― Arthur, eu não estou entendendo! – fala Maria Flor, confusa e sem fazer menção de se levantar.

― Não precisa entender, apenas venha comigo.

E, após dizer estas palavras, Arthur tira Sadrak da cadeirinha de bebê, ao mesmo tempo em que faz, mais uma vez, menção para que Maria Flor se levante. Ela faz o que ele pede, e, se levanta, começando a acompanhar o homem para fora do restaurante.

Os dois deixam o resort e caminham pela cidade, até que chegam a um restaurante com uma aparência bastante simples e um ambiente bem familiar.

Arthur faz menção de entrar, mas, Maria Flor o encara confusa, para então dizer:

― O que está acontecendo, Arthur?

― Achei que você não estava se sentindo confortável no restaurante do hotel, então, decidi vir aqui contigo. Acho que aqui você se sentirá mais confortável.

― Espera um minuto. Você fez isso... Por mim...?

― Sim. Pelo visto, eu não sou o vilão que você me pinta, não é mesmo?

E, após dizer estas palavras, Arthur dá uma piscadela para Maria Flor.

Os dois então adentram o restaurante, e, escolhem uma mesa um pouco afastada das outras. Arthur solicita uma cadeirinha de bebê e é imediatamente atendido por um dos funcionários do restaurante.

― O cardápio, por favor. – solicita Arthur.

O funcionário então entrega para Maria Flor e Arthur o cardápio e, os dois começam a olhar o cardápio, com Arthur com um olho no cardápio e o outro em Maria.

― O que vai querer? – Arthur não perde tempo em perguntar.

― Eu não sei. – Maria Flor responde com sinceridade – Acho que qualquer coisa que você escolher para mim está ótimo.

― Você tem certeza disso?

― Absoluta.

Ante as palavras de Maria Flor, Arthur faz o pedido, escolhendo uma simples macarronada a moda da casa, vinho para ele e suco para Maria Flor e Sadrak. Não demora muito e, chegam com os pedidos dos dois.

Jantam de forma animada, conversando sobre assuntos totalmente casuais, e, tanto Maria Flor quanto Arthur acham o jantar bastante divertido, e, o homem fica espantado como Maria ri e se diverte, como conversa com ele de forma completamente distraída e espontânea, como ela nunca antes havia conversado.

Essa garota ri e ele vê que é algo espontâneo, que vem do fundo do coração dela e, pelo que ele consegue se lembrar, há tempos não vê uma mulher sorrindo assim, com uma alegria que vem do fundo da alma.

Nunca esteve com uma mulher que consegue sorrir assim, de forma tão espontânea, e, se pega gostando da companhia de Maria Flor.

Ela conversa sobre nada com o que ele está acostumado com mulheres, como vestidos, cabelos, maquiagem... Ela fala muito do filho, o que faz com que ele perceba, mais uma vez, que a vida dela parece se resumir basicamente em Sadrak.

― Você não tem sonhos, Maria? – ele se vê questionando.

― Sonhos? – Maria o olha confusa – Como assim, sonhos?

― Sonhos. Todos nós temos sonhos. Quais são os seus?

Ante as palavras de Arthur, Maria Flor se queda pensativa. Sim, ela tinha sonhos, mas, teve de deixar todos eles para trás no momento em que se descobriu grávida e foi expulsa de casa. Desde então, tudo o que consegue pensar é em Sadrak e nunca tinha parado para pensar novamente em seus sonhos e se um dia poderia vir a torna-lo realidade.

― Não vai me responder? – Arthur volta a questionar.

― Fazia muito tempo que alguém não fazia uma pergunta como esta. – fala Maria.

― E você não vai me responder?

― Medicina.

― O que?

― Meu sonho sempre foi cursar medicina e ser médica, salvar vidas. Mas, eu não gostaria de ser uma médica desses hospitais de gente rica, do tipo que nega atendimento para um bebê ardendo em febre. Não, eu gostaria de ser uma médica para ajudar as pessoas pobres e necessitadas, assim como eu, par mostrar a elas que há quem se importe com quem tem tão pouco.

Arthur fica surpresa com as palavras de Maria Flor, pois, não esperava que ela fosse uma pessoa tão altruísta assim.

― É um belo sonho.

― É apenas um sonho, Arthur.

― Quem sabe um dia se torne muito mais do que isso, não é mesmo?

Maria apenas dá de ombros, sem entender o que o homem quis dizer com isso. Terminam o jantar e, deixam o restaurante, onde começam a caminhar pelas areias da praia, ainda conversando de forma animada.

E, enquanto conversam, Maria não consegue deixar de notar no quanto, dia após dia, Arthur vem aprendendo a ser mais gentil com ela, e, isso é algo que ela estranha, pois, sempre achou que o homem era somente um arrogante.

Mas, esta mudança sutil que ele vem apresentando...

Será que este homem realmente está mudando?

Notas finais
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