Notas iniciais
Bem, essa é a minha primeira one aqui. Como alguns podem ver, no meu nome, tá escrito "apenas ones", o negócio é o seguinte: vou começar a postar ones de casais que eu gosto, e esse foi a primeira. Provavelmente amanhã eu postarei outra. Enfim, espero que gostem *0*

Eu estou desesperadamente desesperado nesse momento. Escrevi uma carta linda e enorme, declarando meu amor para a minha melhor amiga, Sakura, e então mandei. Do nada recebi uma mensagem de Hinata, agradecendo pela carta, e foi aí que eu saquei que tinha errado o endereço por UMA letra. Pedi para ela me entregar a carta, pra mim poder ir lá dar pra Sakura, mas Hinata apenas gritou que nunca entregaria. E daí eu estou sem saber o que fazer da minha vida.

Se você visse ela, me entenderia. Sakura é linda, não só “naqueles” pontos, se é que me entende. Mas ela tem uma risada linda, o jeito de andar e falar, e em como se irrita fácil. Posso dizer que me apaixonei mais por isso nela, do que “naqueles” pontos.

Me lembro bem quando eu descobri que estava apaixonado, bem, não foi bem eu que descobri e sim, Sai. Ele me disse que eu ficava sorrindo de mais quando a Sakura chegava, e isso me fazia parecer ainda mais idiota que o normal. Óbvio que eu não acreditei nele, bati o pé no chão e disse “NÃO!”, mas nesse segundo a Sakura passou pela gente, e eu acho que me derreti inteiro. Então, quem eu estava tentando enganar? Á mim mesmo? Exatamente, não dava nem para esconder.

E então, eu vi um filme esses dias, e tive a idéia hoje de mandar uma carta para ela, como o cara fazia para a namorada dele. Mas, bem, eu pensei que iria dar certo e não acabaria sendo esse desastre! Eu não sei o que fazer agora, tudo desapareceu e eu confesso que iria gostar mais um pouquinho de Hinata se ela me devolvesse a carta que levei quase a madrugada toda para escrever.

Por um impulso, me levantei e olhei para o teto. Sim, eu vou fazer o que está pensando.

–– Deus! – gritei. –– Deus, Deus, Deus! Eu sei que já fiz muitas coisas erradas... Já peguei na bunda da Shion, já empurrei o Sasuke rua a baixo de skate, já acabei com um desenho lindo do Sai... Mas reconsidere isso, por favor, e me diga, o que eu faço sobre meu amor com a Sakura?

–– Fale pra ela, ora. –– Deus me respondeu. Espere, Deus tem voz de mulher? E parece da minha mãe... –– E o almoço está pronto. –– Espere de novo! Não é Deus, e sim minha mãe!

–– T-T-T-T-T... –– tentei dizer, mas o “tá” não saia de forma alguma.

–– T-T-T-T-T! –– minha mãe me imitou e começou a rir logo em seguida. Maldita hora que fui pedir ajuda a Deus com a porta do quarto aberta.

Desci e me sentei em uma cadeira qualquer. Eu não sentia fome, e olhava diretamente para um ponto de nada na minha frente. Quem me conhece, sabe que eu não calo a boca nem um segundo sequer, e meus pais foram os primeiros a perceberem o meu silêncio.

–– Vem cá, você vai ou não falar que ama a Sakura? –– minha querida e discreta mãe perguntou.

–– Como é isso aí? –– meu pai perguntou dessa vez, me olhando de um jeito mais ou menos “hum...”.

–– Não sei. –– respondi, mas valeu para os dois. –– Se Hinata me entregasse a carta que fiz, tudo seria mais fácil.

–– Pare com essa conversa de gente medrosa! –– minha mãe disse e apontou o dedo para mim. Socorro. –– Se você não levantar essa sua bunda dessa cadeira agora e ir na casa da Sakura falar tudo que sente, eu te carrego até lá!

–– Mas eu ainda nem comi... –– tentei falar, sim, eu TENTEI, porquê nesse momento ela se levantou e me puxou pela blusa.

–– VOCÊ-VAI-SE-ARRUMAR-AGORA... –– ela dizia pausadamente, me deixando com mais medo ainda. –– E-DEPOIS-VAI-NA-CASA-DA-SAKURA-ENTENDEU?

–– Onde está a minha meia? Alguém viu? –– perguntei somente para disfaçar, porquê se eu não fizesse isso, cairia ali mesmo de medo. Minha mãe nunca foi como as outras, tipo, ela não aconselha ou diz que você tem que fazer algo na hora certa, ela manda e não adianta tentar falar não.

Subi para o meu quarto, e parecia que todas as roupas que eu tinha, do nada, começaram a ser inúteis. Troquei mais de um milhão de vezes de camiseta e calça, e ainda não estou satisfeito. Meu cabelo também está de brincadeira comigo, não quer parar nem passando a piastra da minha mãe. Ok, eu vou desistir de fazer isso, porquê acabei de queimar meu dedo com esse troço. Peguei um boné pra tentar disfarçar o cabelo e desci.

Como esperado, mamãe estava lá me esperando. E pela cara que fez, viu que eu não estava nada arrumadinho como o esperado.

–– Muleque, pela miléssima vez... –– ela disse fechando os olhos, e os abrindo em seguida, e caminhando em minha direção. –– Eu não quero te ver usando esse tipo de boné.

–– Mas mãe, essa é a moda! –– expliquei e ela riu sarcástica. Tudo bem, eu acho que ela tem até é razão por ter falado isso. –– Não vou tirar!

–– Vai! –– ela insistiu.

–– Não vou tirar! –– repeti.

–– Vai! –– ela estava começando a ficar brava.

–– Não vou tirar! –– gritei.

–– Vai! –– meu pai disse, descendo as escadas e pegando meu boné por trás. –– Quer carona, bebê? –– ele perguntou, colocando o meu precioso boné em sua cabeça e o virando para trás.

–– Não. –– falei sério. –– Eu sei o caminho para a casa da Sakura, e vou sozinho, nem PENSEM em me seguir.

No caminho eu estava falando sozinho, quer dizer, treinando o que iria falar quando ela ficasse frente a frente comigo. Eu estava parecendo um louco fazendo aquilo, dava pra descobrir isso, pela cara que as pessoas faziam quando eu passava por perto. Mas então eu o vi... Sai... Minha salvação...

–– SAI! SAI! SAI! –– gritei. Obviamente as pessoas olharam novamente para mim. É, eu ainda acho que “Sai”, é um nome mesmo que desnecessário pra colocar em alguém.

–– O que? –– Sai perguntou. Ele estava com uma pasta enorme de desenhos, provavelmente iria mostrá-lo para Ino, como sempre fazia.

–– Você tá ocupado?! –– perguntei de volta.

–– Na verdade, eu estou sim... –– ele respondeu.

–– Ah, que ótimo! –– gritei novamente. –– Você vai me ajudar!

–– Mas, Naruto, eu tenho que ir em um lugar... –– ele tentava explicar. Bem tentava mesmo, porquê eu já estava o arrastando comigo.

Parei Sai na minha frente, respirei fundo e peguei em suas mãos. Á esse ponto, ele deve estar pensando que eu sou outra coisa que sempre suspeitou.

–– Sai... –– comecei. Eu colocaria o nome de Sakura no começo, mas preferi assim. –– Todo esse tempo que nos conhecemos, todos os segredos que temos... Tudo isso me fez ficar ainda mais apaixonado por você. Mas amar você, assim, em segredo, não dá, né? Então, eu preciso saber de você. O que é que sente por mim? Olha, se não sentir nada, eu não irei te culpar ou lhe obrigar a começar a sentir alguma coisa. Sei que muitas vezes é difícil encontrar quem também nos ama. E então?

–– VOCÊ TÁ DE SACANAGEM COM A MINHA CARA?! –– Sai gritou pegando novamente a pasta de desenhos, e quase a arrebentando no meu rosto.

–– Espera aí! –– gritei de volta, enquanto via ele ir embora. –– Não é isso que você tá pensando, Sai! Volta aqui! –– E ele foi mesmo embora, se virou somente para mostrar o dedo do meio para mim. Eu não sei porquê sinto que acabei de fazer a maior burrada da minha vida.

Segui para a casa de Sakura novamente. Eu ia contando os passos, porquê ainda não estava totalmente pronto para falar tudo o que planejada –– e não duvido muito que quando ficar de frente com ela, esqueça tudo de vez.

Não demorou muito e eu já estava lá, em frente a sua porta, tremendo de medo de ir em frente e tocar a campainha de vez. Ás vezes eu pensava em tocar, daí do nada, me dava alguma coisa e eu não tocava. Um baixinho se achando o fodão que se nomea Konohamaru, passou por mim sem dizer nada e como eu tinha feito alguma coisa “errada” com ele, o filho da mãe tocou a campainha e saiu correndo. Eu fiquei completamente congelado. Eu não conseguia me mecher, nem de um lado ou para o outro, e isso piorou quando Sakura abriu a porta.

–– Olá. –– ela disse. –– O que quer? Resposta da lição de novo, igual ontem?

–– N-N-N-Não! –– respondi. Porquê não consigo ficar normal perto dela? Que merda! –– Você tá sozinha em c-c-c-casa?

–– Sim, eu estou. –– Sakura respondeu, e se afastou um pouco da porta para me deixar entrar. –– Se quer entrar, então entre logo, ou vou fechar na sua cara.

–– Ah, ok. –– falei antes que ela fizesse isso mesmo.

Eu costumava brincar naqueles apoios perto das escadas da casa de Sakura, tipo, ficava esfregando a bunda naquilo até doer ou ela me empurrar lá de cima. Mas hoje era diferente, e eu estou tão nervoso, que nem mechi em nada.

Subimos para o quarto dela, e lá tinha um monte de coisas estranhas, que pareciam tintas e o chão estava TODO sujo, nem sei como consegui entrar naquilo.

–– Mas o que é isso tudo? –– perguntei.

–– Eu vou pintar o cabelo. –– ela me respondeu, indo em direção ao espelho e vendo alguma coisa lá.

–– Porquê? –– quis saber. Bem, infelizmente a minha curiosidade era maior que a vontade de falar três pequenas e simples palavras.

–– Promessas. –– respondeu. –– Prometi a Ino que se ela começasse a namorar, eu iria pintar meu cabelo de azul e bem, eu não achei que ela iria mesmo fazer isso, mas fez.

–– Eu gosto do seu cabelo natural. –– falei. –– E você não precisa pintar, se não quer.

–– Não sou do tipo que promete algo e não faz. –– ela disse, e me olhou em seguida. –– O que você veio fazer aqui?

–– Bem... –– Pense em algo, Naruto, pense. –– Eu só passei por aqui, então agora que sei que vai pintar o cabelo, posso te ajudar! O que acha?

–– Você só estragaria meu cabelo! –– ela disse, e riu em seguida. –– Tudo bem, eu vou pintar isso, só que bem mais tarde. Quer tentar fazer brigadeiro?

–– Só se for agora! –– gritei e pude vê-la revirar os olhos.

Quando descemos para a cozinha, deixei que ela fizesse tudo sozinha –– não é egoísmo ou algo assim, e sim porquê eu acabaria deixando tudo cair –– e depois Sakura me mandou fazer algo curioso: ligar uma porrinha que parecia um rádio que estava encima do sofá. Fui até lá e liguei, logo começou a tocar uma música que eu não conhecia, mas ela, com certeza sabia decorada, porquê começou a cantá-la.

–– Ok, muita concentração agora. –– ela disse, quando voltei para a cozinha. –– Deixa eu ligar aqui...

–– Tô nem aí se queimar o dedo. –– falei brincando. Mas não foi assim que ela sacou.

–– E eu também não vou estar nem aí se você acidentalmente ser jogado no meio da rua. –– Sakura disse, e sorriu logo em seguida. Não era o típico sorrisinho “doce” dela, o que me deu um certo medo.

Sakura fez a maior parte do serviço, o que me deixou livre para ouvir quase todas as músicas daquela caixinha. Não tinha sequer uma que eu conhecia ou gostava. Parei de mecher nas coisas quando ela deu um grito da cozinha, óbvio que eu fui correndo para lá, mas para a minha surpresa, ela tinha sumido. Por impulso, sai da cozinha e voltei, e exatamente nesse momento, Sakura me atacou passando chocolate no meu rosto.

–– Agora eu tenho certeza que você está acordado. –– ela disse, piscando em seguida e se virando.

–– Peraí, você acha que eu vou deixar isso assim? –– perguntei. Eu acho que está na hora certa para fazer e dizer o que estou planejando a mais de 5 anos.

–– Sim, eu acho. –– ela respondeu. –– Até porquê, o que você pode fazer? A panela de chocolate está comigo, e não tem nada aqui que você possa me sujar.

–– Bem, eu posso fazer isso. –– falei, me aproximando dela.

–– Tá pensando em fazer o que, filho da mãe? –– Sakura perguntou, pegando a primeira coisa que viu pela frente e colocando sobre a minha camiseta, e para minha infelicidade, foi uma vassoura com um cabo duro pra caralho. –– Nem se aproxime!

–– Tá bom. –– falei em voz de tédio, mas por dentro estava morrendo de raiva por não ter tido coragem o suficiente.

–– Mentira, se aproxime sim. –– ela disse do nada, andando em direção a mim. –– Não, nem se aproxime!

–– Se decida. –– disse, rindo de como Sakura me olhava com uma sombrancelha erguida, dando aquela de “durona”.

Sakura apenas me olhou mais uma vez, suspirou e virou de costas. Eu estava a ponto de explodir, se não falasse o que está na ponta da minha língua. Então a segui o mais silencioso possível, e vi que deu certo, porquê quando ela se virou, soltou um grito de susto.

–– Sério, o que veio fazer aqui? –– ela perguntou cruzando os braços.

Mordi o lábio em nevorsismo. Porquê eu estava com tanto medo de falar aquilo? É tão simples.

–– Bem, eu vim aqui confessar o meu amor de mais de 5 anos por você. –– falei tudo de uma vez e a vi ficar surpresa na minha frente. –– Eu mandei uma carta para você, mas acabei errando uma letra e por isso, foi para a casa de Hinata e ela não quis me entregar. Minha mãe disse e me obrigou a vir aqui falar tudo para você pessoalmente, e quando eu estava vindo, tentei dizer uma declaração para Sai e ele achou que eu era gay. Quando estava na sua porta, fiquei com medo de tocar a campainha e Konohamaru passou e fez esse favor para mim. E é isso, eu amo você e agora vou parar de falar e respirar antes que eu morra.

Sakura não disse nada por um tempo, e sua boca estava um pouco aberta por ter sido pega de surpresa com uma resposta como essa. Depois, vi lágrimas descerem por seu rosto e ela veio para cima de mim.

–– Idiota, idiota, idiota, idiota, idiota! –– ela gritava enquanto jogava muitas coisas em mim. Não deu para nem saber o que era. –– Como você consegue ser tão idiota?!

–– O que eu fiz?! –– perguntei, e foi então que vi, que estava deitado no chão. Como cheguei até aqui, não faço a menor idéia, porquê nem senti quando eu cai.

–– O que você “não” fez, né! –– Sakura dizia pegando no cabelo. –– Todos esses anos, eu aqui estava esperando você me dizer isso, que me amava e você vem e só fala isso agora!

–– Mas como eu ia saber que você também gostava de mim? –– perguntei, vendo ela bater a mão no chão com toda a força. Acho que poderiam cortá-la em qualquer lugar, que não sairia um pingo de sangue.

–– Eu não gosto de você, caralho! –– ela disse se virando e olhando para mim. –– Eu te amo. Tem uma enorme diferença, se você não sabe.

Não falei mais nada depois disso. Era bem óbvio que ficaria esse clima estranho depois que eu falasse o que acabei de falar. Eu estava em um canto, e Sakura do outro. Fazia mais ou menos um minuto que ela estava de cabeça baixa, e não duvido que também estava chorando. Me aproximei quase que arrastando.

–– Ei... –– chamei um pouco baixo. –– Você tá bem?

Foi quase que por um segundo, eu voltei a estar no chão novamente, porquê Sakura me empurrou para lá. Pude ver que ela não estava chorando, e tenho quase certeza, que ela sabia que eu a chamaria uma hora ou outra.

–– Eu amo você tanto. –– ela disse, me olhando, e então depois, aconteceu a coisa que eu mais estava esperando na minha vida; ela me beijou.

Foi um beijo calmo, daqueles que se tem tempo para apreciar, sabe? Então, foi assim. Eu acho que não fui o único que ficou vermelho enquanto estávamos nos beijando, Sakura também tinha a mania de corar com quase todo o tipo de coisas. E eu também amava isso nela.

–– E eu sempre te amei. –– falei em seu ouvido depois que nos separamos. A abracei forte, não do jeito “amigo”, e sim do jeito “namorado”, o que eu vou ser daqui alguns dias, porquê eu tenho que treinar mais um pouco para isso. Bem, eu espero que quando eu venha a fazer isso, o pestinha do Konohamaru não apareça, ou talvez o Sai –– falando nele, preciso pedir desculpas depois.

Mais cedo, eu achei que minha vida estava acabada por causa da carta, mas então minha mãe veio e me disse aquilo, me deu coragem, e cá estou eu agora, com a garota que eu sempre desejei ter, praticamente, a minha vida inteira.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!