Still Into You
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Olhei para frente e joguei as malas no chão. Abri-as e peguei a primeira roupa que eu vi. Ou seja, um short azul claro com uma blusa do Guns N' Roses. Eu podia ouvir a discussão desnecessária dos garotos do lado de fora, mas apenas fui tomar banho.
(...)
Estava pegando minhas malas para sair de dentro do banheiro, com o IPhone na mão tocando alguma coisa que devia ser AC/DC. Por fim abri a porta e joguei as malas para o lado de fora. Eu ouvia vozes no andar de baixo, mas achei que era apenas os meninos jogando video-game ou fazendo qualquer coisa que eles fazem normalmente.
– Estou com fome — falei descendo as escadas e conectando um fone de ouvido no celular. Ao contrário do que eu pensava, os garotos não estavam jogando video-game nem nada, estavam apenas olhando um pra cara do outro.
– Tem coca na geladeira, acho que já sabe — falou James.
– Ela vai acabar com a nossa coleção de coca cola, James — falou Carl — Estou só avisando.
– Eu estou com fome, não com sede.
– Bem feito — falou Carl.
– O que você quer? — falou James.
– Comida... ?!
– Você se faz de burra, né.
– Não, mas você se faz de suicida. — grunhi — Eu estou com fome.
– Isso nós já entendemos — Carl falou e se inclinou um pouco pra frente, um pouco irritado — O que você quer comer?
– Hum, pizza. Pizza é bom. — falei dando de ombros.
– Tá, tá — James pegou um celular que estava em bolso e digitou um número — Alô? E aí, Drack! Tudo na paz, cara? Bem véi, eu quero uma pizza de... É!... Não, pode pedir pro Zack trazer? Ele sabe onde é... Tá ok, cara... Certo? Falou. Tchau. — James desligou o celular e o guardou. — A pizza vai chegar em alguns minutos. Pronto? Podemos conversar em paz novamente?
– Enquanto eu estiver abrigada nessa casa idiota por contra vontade própria — respondi — Vocês nunca terão uma paz.
– Deu pra perceber — decidiu Edward — Que horas são, James?
James arregalou os olhos, como se perguntar que horas eram fosse a pior coisa do planeta Terra. Estranhei um sorriso de coringa quase rasgar seu rosto, enquanto rugas se formavam ao redor de seus olhos azuis.
– HORA DE AVENTURA!
Observei James gritar e quase cair da cadeira, porque quando ele levantou os braços, eles subiram rápido demais, e ele meio que se desequilibrou.
– Ele não pode ser meu irmão. — falei baixinho, observando a estupidez do garoto à minha frente.
Fui em direção à cozinha, pra ver se tinha algo pra comer antes da pizza. Abri as prateleiras e vi um milhão Ruffles e milho. Já que eu não iria comer milho mesmo — acho que ninguém comeria aquele milho -, peguei o pacote de salgadinho e andei até a sala novamente.
– Hey, sr. Hora de aventura — falei para James — Onde é meu quarto nesse fim de mundo?
James me olhou e logo após fechou os olhos, encostou a cabeça um pouco mais na cadeira, parecendo estar quase se desmanchando em preguiça.
– Carl — respondeu — Mostre pra essa praga onde é o quarto dela.
– Hey! Anda, vem, desgraça. — falou Carl.
– Parem de me chamar de desgraça, bando de bocós — falei levantando e revirei os olhos, irritada — Nem me conhecem direito e já acham que sou irritante...
– Preferimos não conhecer — disseram os três em unissom, dando de ombros.
– Vocês... Argh, deixa pra lá. Carl, onde é a porcaria do quarto?
– É por aqui — Carl falou, dando as costas indo subir as escadas. Dei de ombros, quase agradecida por um lado. Segui o garoto estúpido até onde seria meu quarto. Aposto que iria virar, em menos de dias, um verdadeiro cenário de guerra.
Chegamos no andar de cima, e Carl foi um pouco pra direita. Ele andou pra perto de uma porta cinza — assim como as outras — e ergueu a mão em direção à maçaneta. Girou-a e abriu a porta. Peguei minhas duas malas — ou arrestei — até o quarto, jogando elas lá dentro, sem nem ao menos perceber o lugar onde dormiria.
– Pronto, agora passe o resto do dia aí pra mim poder comer sua pizza.
– Nem fodendo — falei, revirando os olhos pela quinta vez em dois minutos — Estou com fome.
Olhei pro Ruffles em minha mão e o abri, revelando umas quinze batatinhas, que de longe seçariam minha fome. Bufei e fui comendo as batatinha, indo até a escada. Parei e coloquei os fones de ouvido do meu celular que ainda não tinha os colocado. Desci a porcaria da escada enquanto escutava o solo de November Rain tocar baixo.
Comendo os últimos Ruffles restantes, cheguei ao andar de baixo e sentei no sofá, observando a televisão. Olhei um pouco mais pra cima e vi que os ponteiros apontavam 6:30 da tarde. Tínhamos pedido a pizza no mesmo instante, mas queria que aquela merdinha chegasse logo, ou um entregador ganharia um olho roxo e um braço a menos.
Depois de November Rain terminar de tocar, Decode possuiu meus ouvidos, e logo a voz de Haylley me fez fechar os olhos e cantar baixinho. Como estava com só um fone de ouvido, eu poderia ouvir tudo que se falava e tocava.
Quando pensei que não, a campainha da casa tocou. Deveria ser o entregador, então levantei e fui atender a porta.
– Me dá dez dólares — falei para James — Agora.
– Argh — James se inclinou um pouco pra trás, e pegou uma carteira que estava em seu bolso da calça, na parte de trás. Olhou-la por dentro, e pegou dez reais — Pega.
Peguei o dolar e andei até a porta. Abri-a, pensando que o entregador feio e magro, com cara de chines apareceria, mas o que vi foi bem diferente.
Encarei uma loira oxigenda dos pés à cabeça, que sorria que nem uma gazela falsa e dava pulinhos ridículos.
– Quem é você? — perguntou a Loira oxigenada — Belo cabelo! Posso entrar? Cadê o Carl? E o James? E o Ed...
– Olha aqui, loirinha dos infernos — falei, já irritada — Pegue esses dez reais e saia logo daqui.
A garota estúpida sorriu.
– Olha aqui, capetinha ruivo — falou, ainda sorrindo — Saia da minha frente, quero falar com os garotos. Sou prima de Carl, então cale a merda da sua boca e...
– CARL — gritei, irritada com as palavras da loira — TEM UMA PUTA QUERENDO TE VER AQUI.
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