Still Hope

1 Primeiro Registro - Queda Livre


Eu abri meus olhos pela primeira vez e ainda estava no ar. O que eu vi foram as estrelas gêmeas deste lugar, aqueles raios azuis iluminavam os vales e as montanhas acima de mim, se eu não estivesse tão alto teria dado um grande suspiro para aproveitar a vista. Quando ergui meus olhos para ver onde seria meu local de pouso eu percebi que não conseguia ouvir a assistente de vôo, meu nanotraje estava defeituoso e meus ouvidos estavam zunindo devido a explosão.

Ah sim, a explosão abaixo de mim! Eu havia esquecido. Me virei para tentar olhar para trás, de onde eu vinha. Haviam destroços entrando na atmosfera por todos os lados, a quantidade de gás liberado na explosão havia criado um grande clarão flamejante na órbita do planeta e estava rapidamente se afastando. Eu deveria me preparar para o impacto, mas ao ver aquela cena eu não consegui pensar em nada...

A não ser...

Quando abri os olhos novamente, vi ao meu redor borrões marrom escuro. Minha visão não estava turva, meus olhos ainda funcionavam, talvez eu estivesse surdo, mas meu capacete ainda estava inteiro, então é o ambiente ao meu redor que estava borrado e turvo. Eu sentia ainda o calor da queda, e percebi que estava submerso quando vi as bolhas que se formavam ao redor do meu traje incandescente. Eu estava desnorteado, procurei o chão mas não encontrei, meu assistente de nado não funcionava, e para piorar, a visão não me ajudava naquele líquido salobro. Inspirei profundamente, não sabia quanto ar ainda me restava no traje, não sabia nem mesmo se a atmosfera daquele planeta era tóxica ou radioativa, naquele momento eu não sabia de muitas coisas, mas eu precisava me acalmar.

Se há líquido na superfície do planeta, e ele é capaz de formar bolhas, a probabilidade é que estas bolhas irão subir. Eu tentei me guiar pelas bolhas que se formavam ao redor do meu traje que rapidamente esfriava. Agora com a direção adequada fiz o melhor que pude para nadar para a superfície. Eu não lembro de ter tido algum treinamento em natação ou de ter nadado alguma vez sem o meu assistente, mas naquele momento a necessidade me deu a capacidade necessária para emergir.

Quando finalmente pude ver fora do líquido me vi em um rio, havia uma certa correnteza e eu estava sendo levado para longe do meu local de queda. Eu ainda podia ver o local do impacto no entanto, haviam formas de vida vegetais por todo o lado e algumas haviam se incendiado no local de impacto. Para não me perder eu rapidamente procurei por algum galho ou folha grande o suficiente que eu pudesse me segurar para não ser levado para mais longe ainda. Assim que encontrei um, me agarrei a ele e me puxei para a margem. Eu precisava sair do rio e fazer a análise de danos no nanotraje, sem a assistência do traje seria impossível sobreviver num planeta desconhecido.

A vegetação ao meu redor era densa e composta de árvores, arbustos e relva muito similares a uma floresta tropical, se não fosse pela coloração azulada de suas folhas e o casco branco da madeira. Seria muita sorte a minha se eu tivesse pousado por acaso em um planeta Jardim ou um planeta Éden, mas eu não estava otimista no momento. Me arrastei alguns metros para fora do rio e me recostei em um tronco largo de uma grande árvore cujas raízes adentravam o rio e cuja copa se estendia até a outra margem

Ali eu finalmente pude observar meu estado. Minha perna direita estava completamente perdida, arrancada possivelmente na explosão ou talvez na queda. Meu pé esquerdo parecia estar torcido ou quebrado. As baterias adicionais no cinto do meu traje haviam sido atingidas e estavam destruídas. Eu retirei a caixa-preta do nanotraje para verificar o que havia acontecido, eu não lembrava de nada antes de acordar. Parece que o traje foi alvejado por 6 feixes laser, então administrou sedativos e anestésicos de combate antes de desligar, isso explica eu não sentir dor, mas estes anestésicos vão durar apenas algumas horas, quando o efeito passar eu irei desmaiar e então serei presa fácil para qualquer coisa que viva neste planeta.

Então eu ouvi os zunidos rasgando o ar acima de mim, parece que finalmente eu estava conseguindo ouvir novamente, um feixe laser enorme atravessando a floresta e incendiando as árvores uns 40 metros acima do rio. Em seguida o chão tremeu com três impactos consecutivos, eu consegui ver de relance por entre a copa das árvores o que eram. Pods de Aterrissagem, cada uma dessas maravilhas tecnológicas conseguia trazer dez homens da órbita para a superfície de um planeta em menos de um minuto, além de serem equipados com armamentos pesados para limpar as áreas de pouso. Como eu fui tolo em pensar que iria ter tempo para pensar em minhas próximas ações. Seja lá quem atirou em mim na nave não iria parar antes de me ver morto, e estava vindo para terminar o serviço.

Notas finais
Este é o primeiro capítulo de Still Hope, espero que gostem, por favor comentem, eu vou tentar responder mas eu sou meio preguiçoso, não sei quando vou postar mais coisas aqui, vai ir conforme a minha vontade. Bjs S2