Still Alive [Hiatus]
36 Resumption
Notas iniciais
Hoje eu fui trabalhar. Maaaaaas, eu tenho uma notícia boa para minhas leitoras antigas *--* Eu comecei a escrever Still Alive quando trabalhava na floricultura, eu voltei a trabalhar agora. Hoje me sentei no mesmo lugar onde criei o primeiro capítulo, e incrivelmente minha criatividade fluiu *-* Tenho dois capítulos novos para a continuação a partir do capítulo quarenta e alguma coisa ( já que adicionei capítulos agora ), e cara, eles tem mais de duas mil palavras *u*
— POV SARAH —
— Você não pode estar falando sério! — encarou-me chocado, enquanto recuava um passo.
— Eu sei que... Eu sei que você não quer esse filho, mas... ele é nosso! — digo levando a mão ao meu ventre ainda plano. — Eu sei... Está tudo errado. Nós sabemos o que pode acontecer se eu insistir nisso, mas é o que eu quero.
— Quanto tempo? — rosnou ignorando tudo o que eu havia dito, fechando os olhos com força.
— Aproximadamente dois... ou talvez três meses... — murmurei.
— Quando pretendia me contar? — bradou entredentes, fechando as mãos em punhos. Os nós de seus dedos tornaram-se brancos imediatamente.
— Eu... eu não tinha certeza. Minha menstruação nunca foi regulada. Ela estava atrasada, mas sempre foi comum. Passou-se um mês assim. Achei estranho, contudo, não havia razão para comentar nada. Então começaram os enjoos e as tonturas... Posso jurar que o sinto aqui dentro de mim... — concluí, deixando as lágrimas rolarem desenfreadamente.
Eu sabia que as consequências poderiam ser terríveis. Sabia também que eu poderia acabar como Lori, todavia, nada disso me importava.
Havia um bebê crescendo dentro de mim e ele não tinha culpa do mundo em que iria nascer, e também não tinha culpa da falta de cuidado de seus pais.
Ele era fruto do amor com o homem da minha vida, eu já o amava com todo o meu ser.
Pela primeira vez, vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Aquela situação estava me matando aos poucos.
— Sarah, você não percebe que está me dando mais um motivo para deixá-la aqui?! Hershel é médico, poderá te ajudar. Tem Beth e Carol que vão ter ajudar a cuidar o bebê... — disse com a voz embargada.
Jamais havia o visto tão angustiado. Eu queria acabar com sua dor, mas como? Ele estava partindo e eu estava de mãos atadas.
— Então é isso? — sussurrei com a voz trêmula. — Judith cresce sem a mãe, e você vai obrigar essa criança a crescer sem o pai?! Isso não é justo! — berrei acusando-o. — Por que ninguém se importa com o que eu quero?! Eu quero ir com você... — praticamente implorei para ele.
— Sarah, eu não quero que você vá comigo — ele disse seco, assim como no dia em que nos conhecemos.
Sabia que era apenas um artifício para me convencer a ficar, entretanto, o simples fato de pensar que ele não se importava magoava-me profundamente.
— Hey! Eu ouvi bem? A boneca está carregando um baby Dixon ali dentro? — questionou Merle caminhando em minha direção. Encolhi-me, temendo que ele me machucasse. — Calma gracinha — ele abaixou-se e tocou minha barriga. — É um dos nossos aqui, maninho! Você não pode a deixar voltar com aqueles babacas. Os nossos tem que ficar juntos.
Permaneci estática. O que ele estava querendo dizer com tudo aquilo?
Daryl encarou-o incrédulo.
— Rick deve ter batido muito forte na sua cabeça. Você não está falando coisa com coisa — comentou estreitando os olhos.
— Nunca falei tão sério, irmão — realmente, sua face não demostrava nenhum sinal de deboche. Ele levantou-se e tocou meu ombro. — Eu não vou deixar um Dixon nascer no meio daqueles trouxas. Ele vai ser um maricas! É um Dixon rapaz, tem que ser durão! — ralhou fazendo uma careta. — Você foi homem pra comer a menina, agora vai ser um bichinha na hora de assumir? É um dos nossos, portanto eu digo que boneca vai com a gente — concluiu determinado, esperando apenas que Daryl assentisse.
— Vamos falar com os outros — disse Daryl após alguns minutos aparentemente em choque. Segurou firmemente em meu braço e arrastou-me consigo em direção aos outros.
— Nós vamos embora — anunciou assim que chegamos à estrada onde os outros ainda permaneciam parados.
— Como assim nós? — Glenn ressaltou a última palavra, aproximando-se.
— Eu e Sarah — esclareceu soltando meu braço. — Não vou partir em paz sabendo que a deixei — finalizou, dando-se por vencido.
— Você não pode nos deixar Sarah... — implorou Maggie, vindo em minha direção. — Somos uma família. Todos nós! Você também faz parte dela — abraçou-me fortemente.
— Sinto muito Maggie... — desculpei-me simplesmente, abraçando-a também. — Não posso existir em um lugar onde Daryl não esteja comigo — ela apenas concorda, sorrindo fracamente enquanto deixa algumas lágrimas rolarem.
No fundo Maggie me entendia. Se o mesmo acontecesse com Glenn, ela sabia que seguiria o mesmo caminho que eu escolhi.
Em seguida, Glenn e Rick abraçaram-me.
— Cuide bem do Carl, ele é um ótimo garoto — disse com a voz embargada. — Tome conta do grupo Rick — concluí ainda sem soltá-lo. Rick havia feito muito por nós, desde o começo.
— Cuide bem da bravinha, cara — disse Daryl, tocando seu ombro.
— O que diremos para Beth... para Sophia? — questionou Maggie.
— Digam a elas que segui meu coração. Elas vão me entender... Tenho outros motivos para lutar agora — levei minha mão até meu ventre, deixando que todos tirassem suas próprias conclusões.
— Ah... Eu... eu realmente espero que dê tudo certo... — continuou com cuidado, escolhendo as palavras.
Antes que eu pudesse partir, Glenn correu até mim, abraçando-me novamente e cochichando em meu ouvido:
— Tome muito cuidado com Merle. Daryl é da família dele, você não — apenas acenei positivamente, engolindo em seco.
Não resisti e acabei abraçando a todos novamente. Eu só queria que pudéssemos ficar todos juntos como antes, todavia, isso não parecia mais uma opção.
— Rick — Daryl chamou-o. — Só me prometa que se alguma coisa der errado você vai aceitar Sarah de volta.
— Vocês dois sempre serão bem vindos ao grupo. São da nossa família... — afirmou Rick, sorrindo fracamente.
— Adeus... — murmurei simplesmente, enquanto Daryl segurava minha mão, levando-me para longe.
Antes de chegarmos até onde Merle estava, ele parou subitamente e simplesmente me abraçou.
— Sarah... Me desculpe por tudo isso, é só que... eu estou tão confuso... — começou sem jeito, passando a mão pelos cabelos. — Eu... eu realmente quero essa criança, só não sei se é o certo. Eu te quero comigo, mas eu realmente acho mais seguro você ficar. Eu quero o seu bem em primeiro lugar, você sabe disso — pigarreou assim que terminou. Daryl parecia não encontrar as palavras certas para usar.
— Você se lembra daquele dia na barraca? Eu prometi que jamais te deixaria sozinho. Eu cometi esse erro uma vez e isso nos afetou muito. Você prometeu que sempre me protegeria. Reforçou isso no dia em que me acidentei. Meu lugar é ao seu lado — concluí convicta.
— Eu sei, Sarah. Você tem razão. Não sei como, mas vou fazer de tudo para que as coisas deem certo — ele puxa meu rosto gentilmente, me encarando, fazendo com que eu me perca naquele mar azul. — Sarah, eu te amo — disse em um fôlego só. — Por mais que muitas vezes eu não diga, ou que eu te faça pensar o contrário, eu te amo... Só é... difícil pra mim aprender a lidar com tantas palavras. — ele estreita os olhos e balança a cabeça, como se isso fizesse as ideias voltarem para seus devidos lugares.
— Eu te amo, Daryl. Não são suas palavras que vão fazer a diferença — disse colando meus lábios aos seus.
— Ai, isso é nojento — zombou Merle se aproximando. — Então Dixons, vamos embora? — talvez ele não fosse tão ruim assim. Por mais cruel que possa parecer, ele tinha seus motivos para ser daquele jeito.
Acho até que talvez pudéssemos conviver. Ele não iria me machucar, como ele mesmo disse, eu carregava um deles dentro de mim.
Ele passa a mão sobre nossos ombros e seguimos nossa caminhada, sem rumo definido. Evito olhar para trás, temendo desistir e voltar correndo para os braços de minha família.
Talvez eu tivesse perdido uma família, talvez eu tivesse ganhado outra, porém, apenas o tempo seria capaz de dizer.
Eu estava com Daryl agora. Sem ele, tudo voltaria a ser o mesmo vazio de sempre. Eu sabia que naquele momento eu deveria escolher um local seguro para ficar, não devia voltar para a estrada, pular de casa em casa, mas nada disso me importava. Estava levando meu herói comigo, nada poderia me afetar ou me fazer desistir novamente.
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