Notas iniciais
Desculpem a demora! Minha casa estava cheia de visitas, então sabe como é... Todo aquele papo de ser sociável e blá blá blá...
Eu queria agradecer a minhas divas, lindas, fofuxas Eve - só eu posso chamar assim, ok?- e Ratinha Roedora, que me deixaram recomendações dignas de lágrimas nos olhos.
* * Pula sai do chão, ganhei recomendação! * * ~Le eu fazendo dancinha da vitória ~
Tá, parei de brisa. Espero que vocês gostem do cap *-*

— POV SARAH —

Eu poderia muito bem me acostumar com isso, com certeza. Ter Daryl só para mim era algo incomum, e ao mesmo tempo perfeito demais para ser verdade.

Ouço batidas na porta, o que faz Daryl afastar-se um pouco de mim, sentando-se a beira da cama.

— Entre — digo enquanto sento-me, apoiando as costas na cabeceira.

Vejo Shane adentrar o quarto, cabisbaixo. Daryl fuzila-o com um olhar mortal.

— Posso falar com você? — Shane pede, olhando apenas para mim, ignorando a presença de Daryl no ambiente.

— Claro — respondo simplesmente. Daryl não faz a mínima menção de que pretendia levantar-se.

— A sós — Shane esclarece, dessa vez encarando Daryl.

— Tudo bem Daryl — sussurro encarando seus olhos, agora estreitos. Ele me olha em desaprovação e levanta-se. Antes de chegar até a porta, faz questão de esbarrar fortemente no ombro de Shane.

Shane se dirige até a cadeira ao lado da cama e senta-se ali.

— Hey garota. Você nos deu um susto e tanto.

— Mas eu sobrevivi. Não, é? Vocês não esperavam que eu fosse capaz — comentei tristonha.

— Isso não é verdade... — ele começa.

— Claro que é — interrompo-o. — Todos aqui concordam com Andrea, contudo, ninguém tem coragem de admitir. Estou cansada de ser tratada como se fosse inútil, frágil e desprotegida! Todos naquele acampamento me olham como se a qualquer momento eu fosse quebrar! Até Carl é mais útil que eu, e ele é apenas uma criança — soltei tudo aquilo que estava preso em minha garganta. — Eu posso me virar sozinha, só preciso de uma chance — concluí, encarando o teto.

— Aonde você quer chegar com tudo isso, Sarah? — questionou Shane, confuso.

— Eu quero ir mais vezes à cidade. Quero aprender a usar armas, quero ser útil! — ressaltei a última palavra, esperando que dessa vez ele compreendesse. — Quero ser tratada como qualquer outro naquele acampamento — fui direto ao ponto, sem a intensão de deixar mais dúvidas.

— Tudo bem. Você está certa, mas não é a mim que você tem que convencer — ele deu de ombros.

— Como assim? — essa foi minha vez de ficar confusa.

— Daryl quase me matou porque te levei à cidade. Se quiser ser tratada de igual para igual, ele tem que mudar essa proteção em relação a você. Não queremos que alguém do acampamento seja ameaçado toda vez que se aproxime, Sarah.

— Tudo bem, Shane. Agora, se não se importa, eu preciso descansar — dei o assunto por encerrado, chateada com o rumo que a conversa tomou.

— Fique bem logo, Sarah — desejou, enquanto levantava-se. — Se você se comportar direitinho até estar completamente curada, levo-a até as aulas de tiro uma hora dessas — meus olhos brilharam em expectativa. Preferi ignorar a parte sobre “comportar-me direitinho”.

— Claro — afirmou, dando-me um beijo na testa e saindo logo em seguida.

Perdi-me em pensamentos, observando a correntinha que estava em meu pescoço.

— Gostou? — pergunta Beth entrando no quarto, fazendo com que eu me sobressalte em decorrência do susto. — Ela era minha.

— E por que você me deu? — indaguei, enquanto ela acomodava-se ao meu lado.

— Sabe, é uma longa história... Quer mesmo ouvir? — questionou.

— Acho que não me deixarão sair daqui tão cedo. Além do mais, gosto de histórias longas — sorri, dando margem para que ela continuasse.

— Bem, quando eu tinha sete anos, havia uma garota que brincava com Maggie. Ela me odiava, dizia que eu era fraca. Um dia nós estávamos brincando perto do lago, e ela tinha um colar com uma brilhante pedra verde. “Ele é lindo, né mana?” falei para Maggie indicando o colar da menina. “Você gostou, magrela?” ela disse para mim. Eu fiz que sim com a cabeça. “Eu dou ele pra você, mas primeiro você tem que provar que não é uma fraquela covarde”, continuou, zombando de mim. “Vamos! Tudo o que você tem que fazer é pegar o colar quando eu jogá-lo no lago. Se você fizer isso o colar é seu e eu nunca mais pego no seu pé”. Eu era uma criança, e ela realmente me tirava do sério. Eu não acreditei, quando de fato, ela tirou o colar e o arremessou com força, fazendo com que ele afundasse bem no meio do lago, onde eu sabia que era mais fundo. Tirei meu casaco e me preparei para pular. Maggie segurou meu braço e disse pra eu não dar bola pra ela, que ela era uma idiota, mas eu era teimosa, estava cansada de ser chamada de covarde. Soltei-me rapidamente de Maggie, e então eu pulei. Eu até sabia nadar, mas não tão bem. Passei um longo tempo mergulhada no lago, procurando pelo fundo, até meus pulmões arderem, implorando por ar. Então eu subi. Puxei um fôlego e mergulhei novamente. Vi aquela pedrinha reluzindo em meio à lama, e sem pensar se conseguiria aguentar, eu mergulhei até lá e o coloquei no pescoço. Meu ar acabou ao mesmo tempo que minhas forças. Eu achei que iria morrer, entretanto, Maggie apareceu subitamente e me tirou de lá. Fiquei de castigo por meses! — ela permitiu-se rir, e eu a acompanhei, mesmo que estivesse completamente tensa com a história. — Mas valeu a pena, a garota nunca mais riu de mim — comentou triunfante. — Toda vez que olho para esse colar, lembro-me da coragem que tive naquele dia... Por isso o dei a você: Para lhe dar coragem para continuar. Com certeza você vai precisar mais do que eu. Cuide bem dele viu? Ele é especial pra mim, afinal, quase morri por ele! — advertiu-me, em tom de brincadeira, abraçando-me em seguida.

— Obrigada. Muito obrigada mesmo, Beth! Por tudo, e... principalmente por estar aqui ao meu lado.

— Imagina! Você faria o mesmo por mim — sorriu, afastando-se para me encarar. — Agora me diz: Você bateu no Daryl, ou o que?

— Por quê? — arregalei os olhos, confusa.

— Ele saiu daqui praticamente quebrando tudo, esbarrando em todos e com a maior cara de poucos amigos! — ela parecia realmente assustada. — Você insultou a mãe dele, ou coisa do tipo? — obriguei-me a gargalhar com sua última constatação.

— Ele não gosta muito que Shane converse comigo. Daryl está com raiva por ele ter me levado à cidade — respondi, revirando os olhos.

— Sabe, no meu tempo isso tinha outro nome! — essa foi sua vez de gargalhar. — Antigamente se chamava ciúmes — sussurrou a última parte como se fosse um segredo.

Ri junto com ela.

— Você acha? — perguntei, tornando-me séria em uma fração de segundo.

— Eu não acho... Eu tenho certeza! — encarou-me como se questionasse minha sanidade.

Beth, venha jantar! — Patrícia gritou, do andar debaixo.

— Já vou! — respondeu no mesmo tom. — Hey, você acha que consegue levantar? — dirigiu-se a mim.

— Acho que sim. Se você me ajudar — admiti, um pouco constrangida.

— Então vem. Vamos jantar, eu te ajudo — passou um de seus braços magros por minha cintura, ajudando-me a levantar. Então me guiou pacientemente pelas escadas, até a cozinha.

Jantei calmamente, entretanto, eu precisava voltar ao acampamento, saber se Daryl já estava mais calmo.

Após jantarmos — mesmo insistindo muito — não me deixaram ajudar com a louça. Pedi para que Beth buscasse a mochila com as roupas que eu havia pegado hoje na cidade, afinal, eu não podia sair de camisola pra lá e pra cá.

Beth insistiu para que eu tomasse banho em seu banheiro de novo, e eu não recusei.

Após tomar um relaxante banho, vesti uma blusa branca de mangas compridas, e um shortinho jeans que mostrava um pouco demais das minhas pernas. Nem me importei, afinal, ninguém reparava em mim. Calcei meus coturnos que já estavam se tornando batidos, e rumei em direção ao acampamento.

A maioria já estava dormindo, e não vi Daryl na frente da nossa barraca. Provavelmente ele havia ido caçar, uma vez que, percebi que ele fazia isso sempre que fica nervoso.

Entro na barraca sem cerimônia, imaginando estar sozinha. Sou surpreendida por Daryl, que estava deitado sem camisa, o que fez com que minha respiração cessasse imediatamente. Por Deus! Eu nunca me acostumaria com aquele homem! Provavelmente percebendo meu olhar deveras indiscreto, ele passa a me encarar, sustentando um sorriso malicioso.

Um segundo se passa, e então ele passa a analisar-me da mesma forma que anteriormente eu fazia com ele. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ou até mesmo sentir-me constrangida, ele me puxa, sem a mínima delicadeza, deitando-se sobre mim. Imediatamente, segurou-me possessivamente, colando nossos corpos e devorando meus lábios com urgência.

Sua mão rápida desceu para minha coxa, apertando-a, fazendo com que um suspiro escapasse de meus lábios sem permissão. Logo ele encaixou-se entre minhas pernas, instintivamente, enlacei-as entorno de seu quadril. Em nenhum momento ele deixou meus lábios. Sua mão abandonou minha coxa e rumou até minha bunda, apertando-a firmemente.

— Daryl... — sussurrei, infiltrando meus dedos seus cabelos. Tudo era tão incrivelmente novo! Ele causava-me sensações que sequer julguei que poderiam existir.

Daryl afastou seus lábios dos meus por um instante, e encarou profundamente meus olhos, antes de voltar a beijar-me.

Com urgência, sua mão foi subindo, tocando cada centímetro de meu corpo, como se quisesse memoriza-lo. Por fim, puxou levemente meu braço. Não pude controlar e acabei gemendo pela dor que o simples toque me causou. Ele afastou-se imediatamente.

— Me desculpe — sussurrou, ofegante.

— Tudo bem — disse enquanto tocava levemente seu rosto.

Ele deitou-se ao meu lado e me puxou para o seu peito. Sinceramente, creio que jamais me acostumaria com a sensação de tranquilidade e segurança que me invadia todas as vezes que ficava naquela posição.

— Tenho que me controlar para não acabar te machucando, Sarah — murmurou, parecendo angustiado.

— Logo eu ficarei bem! ­— soltei imediatamente, parecendo um pouco desesperada. Eu agradecia a Deus por ele não poder ver meu rosto naquele momento. Tinha certeza de que havia atingido um tom absurdamente constrangedor de vermelho.

Ele riu, e seu peito balançou-se minimamente.

— Mal posso esperar por isso! — puxou-me um pouco para cima, fazendo com que eu deitasse ao seu lado, selando nossos lábios novamente.

Notas finais
E então, o que acharam? Que tal seguirem o exemplo da Eve e da Ratinha Roedora e me deixarem uma recomendação? Façam uma autora feliz! ♥