Still Alive
44 Capítulo extra - parte I
Ansiedade era pouco pra descrever como James havia se sentido nos últimos dias. Desde que se despedira de Lis, quase três semanas antes, contara cada hora, minuto e segundo para que aquele momento chegasse. Antes de partirem da casa em Godric's Hollow, brigara com os dois irmãos, e com os primos para que se apressassem. E agora, ele estava ali.
O palácio D'Noir preencheu sua visão assim que a chave de portal os deixou logo abaixo das escadas principais. Era lindo, muito mais belo que o Pelletier, com a arquitetura e as cores mais leves, claras. A porta decorada em tema noturno era a única peça escura, sem destoar do resto, e da fresta aberta nela, saíram os cabelos ruivos que fizeram o coração do Potter acelerar.
Lis não hesitou em correr na direção dele, o vestido branco esvoaçante quando se lançou em seus braços, sendo carregada por ele em um abraço apertado. Um calor, que sempre vinha com aquela proximidade com ela, inundou seu peito, e James a apertou ainda mais forte contra si antes de soltá-la.
— Bem-vindo à minha corte, monsieur — ela sorriu ao fazer uma reverência, e James a puxou para um beijo rápido.
— É um prazer, mademoiselle.
Lis se desvencilhou dele para falar com o resto do grupo. Apesar de todos terem sido convidados para o baile na noite seguinte, apenas os irmãos Potter, Rose, Hugo e Escórpio haviam ido antes. "Para me fazer companhia" fora o que a ruiva afirmara. James deixou que ela abraçasse e cumprimentasse todos, e olhou para a porta, reparando em quem saía por ela naquele momento.
Provavelmente era a segunda vez que James a via em alguma cor clara, mas era a primeira vez que Kaleen não parecia deslocada no vestido azul e branco. A mudança não era apenas na roupa, mas no rosto, muito mais aberto e alegre que o costume, um sorriso leve esboçado em seus lábios.
— Vamos, vamos entrar. Eu não sei vocês, mas eu estou faminta. Esperei vocês chegarem para almoçar. Ah! Kaleen! Venha falar com o pessoal!
Ainda bem que ela não os abraçou, ou algo parecido. James poderia ter tido um ataque cardíaco de surpresa se o fizesse. Quando percebeu, estava sendo empurrado escada acima pela namorada, junto com o resto do grupo, para dentro do palácio, a porta se fechando atrás deles.
Os corredores eram lindamente decorados, e se Dominique estivesse ali, com certeza estaria falando sobre as influências do barroco e rococó unidas ao ar moderno e antropocêntrico ou algo parecido. James só conseguia registrar que era magnificamente dourado e suave. Nada do que ele esperava da casa de Arcturo D'Noir.
Carlo esperava na sala de jantar, em uma mesa com lugares suficientes para todos eles e ainda mais alguns. Um banquete digno de Hogwarts esperava na mesa: grande, mas de uma simplicidade impressionante.
O Lorde estava à cabeceira, Lis e Kaleen sentando à direita e à esquerda dele, obedecendo a algum protocolo que James desconhecia. Ele sentiu que todos os outros "Wotter" estavam sentindo a mesma confusão, mas Lis apenas sorriu para ele, indicando a cadeira à sua direita. Está esperando o quê?
James sentou, admirando a beleza intrincada de cada ornamento, prato e talher posto sobre a enorme mesa de madeira envernizada. Os outros foram se posicionando conforme achavam melhor.
— Já pedimos para trazer a comida — James achava que ouvir a voz animada de Lis era a coisa mais maravilhosa do mundo — Não estava brincando quando disse que estou faminta.
— Você vive com fome, Lizzy — Lis, Carlo e Kaleen riram da piada que a Pelletier contou, e os outros a encaravam como se tivesse desenvolvido uma segunda cabeça. Antes que ficasse um clima estranho, James riu junto, olhando para os olhos brilhantes da namorada.
— Que bom que seu apetite voltou, querida. Você costuma comer mais do que eu, bendito metabolismo — ela lhe mostrou a língua.
— Invejoso.
***
— Então… É aqui que você está morando. Um enorme castelo barroco. Uma grande mudança desde aquela casa com metade das salas cobertas de pano.
Lis havia feito um tour às pressas com todo o grupo, mas enquanto todos estavam distraídos olhando quadros dos antigos governantes, segurou a mão de James, arrastando-o pelas passagens de criados. Para onde? Ele não fazia a mínima ideia.
— Na verdade, é uma bela evolução, considerando que passei metade da minha vida fora de Hogwarts pulando entre hotéis — ela diminuiu o passo enquanto passavam pelo corredor principal, roçando os dedos em uma moldura dourada e linda — Meu pai está feliz por aqui também. Transformou uma casa naquele terreno que meu avô me deu em um laboratório novo. Aparece aqui toda semana mais falante que um papagaio, nem parece que é o mesmo Severo.
— Sei como é. Depois dessa confusão, meu pai se aposentou, arranjou um novo hobbie dando aulas de quadribol para crianças.
— Sério?
— Sério. Ele e minha mãe estão pensando em abrir essa escolinha para pequenas crianças bruxas aprenderem a voar e jogar antes de Hogwarts. Ah, chegamos? O que tem atrás dessa porta, flor?
— Algo lindo.
James sentiu as gotas de chuva em seu rosto assim que saíram pela porta. Ia chamar a atenção da namorada, mas percebeu que ela não poderia se importar menos com aquele fato. Pelo contrário, sorria, girando pela grama, em uma alegria inocente e singela. Aquilo fez o coração dele se aquecer de uma maneira inexplicável. Era contagiante.
Ele riu e correu atrás dela, agarrando-a pela cintura enquanto a girava no ar. Um passo naquela dança sem música. Apesar da chuva, o sol despontava em alguns lugares. Era uma daquelas precipitações de verão. Lis entrou na brincadeira dele, dançando um pouco, antes de colar o corpo ao do Potter, as roupas já bastante úmidas. Suas mãos se entrelaçaram no pescoço dele.
— Eu senti tanto a sua falta, Jay — o sorriso dela era tão lindo que seu coração se apertou um pouco. Em resposta, ele tomou os lábios dela em um beijo apaixonado. Podia senti-la sorrindo até mesmo enquanto fazia aquilo.
— Também senti sua falta, florzinha — ela se afastou, mas enlaçou os dedos aos dele.
— Vem! Deixa eu te mostrar algo! — a ruiva o puxou pela mão, e ele se deixou levar pela grama, até chegarem em um jardim que explodia aos olhos com flores coloridas e vibrantes. O cheiro de terra molhada embalado ao das flores era arrebatador, e ele soube que estaria em sua próxima Amortencia, sem dúvida alguma.
Logo depois do jardim, tinha um lago. Os patos e cisnes fugiam da chuva, mas alguns permaneciam na água límpida. Era uma paisagem digna de quadros, e sua Lis era uma peça chave na beleza de tudo aquilo, enquanto corria em direção à água.
Ele percebeu a intenção dela depois de ver seu sorriso travesso. Se aproximou em expectativa, mas ela não o esperou para começar a descartar as roupas já molhadas. Os sapatos foram os primeiros, e então o vestido, cujos cadarços ela desamarrou sozinha, e então tirou dobrando ele pelas pernas. A ausência do tecido revelou a James o que ele já havia percebido. O corpo dela, ainda que só tivessem se passado três semanas, não era o mesmo que ele havia visto pela última vez.
Ela havia recuperado de volta o peso que perdera desde março, e um pouco mais. Suas pernas e quadris estavam decididamente mais largos e a barriga não estava tão lisa. A mudança foi bem vinda a ele. Estava começando a ficar preocupado com a perda de peso por estresse que ela teve desde o ataque em Hogwarts.
Mas, entre tantas coisas diferentes, aparentemente, o gosto por roupas íntimas delicadas e lindas não havia mudado. A renda cor de rosa que usava não fazia muito para cobri-la, principalmente molhadas daquele jeito. Merlin, como ela conseguia parecer ainda mais linda?
Olhando-o em desafio, ela entrou no lago, deixando a depressão natural mergulhá-la cada vez mais na água. James sorriu de volta, arrancando a própria camisa e a calça jeans antes de ir correndo atrás dela, derrubando-a com o próprio peso na água.
— Ei! Grosso! — ela protestou entre os braços dele, se debatendo até que a soltasse.
— Não era você que não tomava banho comigo?
Cada sorriso dela fazia o coração dele falhar um pouquinho, mas ao invés de permitir que ele a puxasse para o contato do qual sentia tanta falta, Lis nadou para longe, mergulhando e molhando o cabelo com uma expressão satisfeita. Os olhos deles se encontraram, e ela arqueou uma sobrancelha.
Por que tão longe? O repuxar de lábios eram tanto um convite quanto desafio, e James mergulhou, nadando na direção dela, emergindo apenas quando a água límpida — provavelmente encantada — revelou o corpo dela se aproximando. Com um sorriso de lado, balançou o cabelo para tirar a água, arrancando risadas e interjeições de indignação dela.
— Não sei por que fiquei surpresa por seu animago ser um cachorro.
— Para a sua informação, é um lobo — ela revirou os olhos, e abraçou o pescoço dele, entrelaçando as mãos em sua nuca. Eles estavam em um nível fundo o suficiente para a água chegar abaixo dos ombros dele.
— Semântica. Lobos são apenas cachorros grandes.
— Assim você me ofende — ele tentou fazer uma expressão indignada, mas os poucos centímetros entre eles o deixavam confuso, ciente demais dos lábios macios dela.
— Oh... O cachorrinho quer petisco? Ah! — ela deu um pequeno grito surpreso quando ele a puxou pra perto, fazendo-a enrolar as pernas em sua cintura.
— O cachorrinho eu não sei, mas eu quero você.
Ele nunca se cansaria do gosto dela, da forma como seus lábios se encaixavam e sua língua explorava a dele em uma dança perfeita. Nunca se cansaria de sentir a cintura dela em seus braços, o corpo colado ao dele. A renda de seu sutiã na ponta de seus dedos distraídos.
— Então, James, me diga uma coisa — ela interrompeu o quinto beijo deles, o Potter já sentado em uma pedra lisa do lago, ela em seu colo. As mãos dele brincavam na orla da renda, subindo, descendo, e às vezes se aventurando debaixo do tecido fino.
— Sim, milady — os olhos dela se arregalaram com a palavra, as pupilas dilatando enquanto ela mordia os lábios — Gosta que eu te chame assim? — ela assentiu, engolindo em seco, e ele aproveitou para distribuir beijos em seu pescoço — O que você ia me perguntar, mesmo?
— Er... Eu... — ela suspirou antes de empurrá-lo um pouco — Você me desconcentra — aqueles olhos azuis, escuros de desejo, o encararam — Eu ia perguntar se, alguma vez, você já... Fez... dentro da água.
O Potter arqueou as sobrancelhas em surpresa, e seus dedos seguiram mais para o interior das coxas dela, em resposta inconsciente.
— Não, milady, nunca — ele pigarreou, percebendo a voz rouca — por que a pergunta?
Lis inclinou a cabeça, tentando parecer descontraída enquanto desenhava padrões desconexos no ombro dele com o dedo indicador.
— Ah... Não sei.. Essa ideia me passou pela cabeça — com um sorriso malicioso, James a puxou para mais perto, seus quadris se chocando em meio a um beijo que demonstrava o fogo que ardia dentro de ambos.
— Então, que bom que eu gosto de experimentar coisas novas, não é?
***
Lis fechou a porta atrás deles assim que entraram no quarto, e James demorou alguns minutos para assimilar o cômodo. Tinha noção de que era grande, mas não que eram três cômodos em um (isso era o que ele deduzira pela quantidade de portas). A ruiva o guiou pela porta do meio, ignorando as outras, e James ficou ainda mais maravilhado.
A primeira coisa que viu foi a enorme — e provavelmente muito confortável — cama de dossel, coberta com um tecido que parecia extremamente macio. Então, havia a estante cheia de livros, a tapeçaria, e tudo o mais que ela já havia descrito sobre o lugar.
No entanto, ele percebeu, havia coisas que eram novas. Objetos pessoais, como porta retratos, uma pilha de livros e papéis de carta, uma escova de cabelo, um pijama jogado na cadeira. Era como se ela, finalmente, tivesse aceitado aquele lugar como seu.
— Você tinha me dito que isso aqui era lindo, mas não imaginava que era tanto assim — ele brincou, entrando no cômodo diretamente para a cama, sendo interrompido por um grito da namorada.
— O que pensa que está fazendo?
— Sentando nessa cama confortável, eu acho — Lis o encarou com uma expressão exasperada, uma mão no quadril, deixando-a tão parecida com Gina Potter que ele quis rir.
— Você está encharcado. Olha, está pingando por todo o meu tapete! — ela reclamou em tom choroso — De forma alguma você vai encostar na minha cama.
O tom dela era tão energético, que ele se afastou a passos lentos, como se tentasse não fazer movimentos bruscos. Quando percebeu, uma toalha felpuda estava sendo jogada em sua direção, e a Snape apontava uma porta que ele não vira.
— O banheiro é bem ali — James sorriu, erguendo uma sobrancelha.
— E você pretende me acompanhar, milady? — ela revirou os olhos, dando um suspiro exasperado, mas sorriu. E, de algum jeito, chegou naquela porta antes dele.
O banheiro também era lindo, o piso de pedra frio contra seus pés descalços. Não tinha chuveiro, mas uma banheira grande o suficiente para os dois era sustentada por pés decorados e dourados. Em alguns segundos, graças à torneira na parede, ela já estava cheia.
Lis não esperou muito para arrancar o vestido molhado antes de despejar algo na água que fez uma camada de bolhas com cheiro de cravo e maçã. As peças íntimas logo estavam amontoadas no chão, e Lis deslizava para dentro da água sob o olhar faminto e divertido de James.
Ele foi menos eficiente em se despir, deixando que ela aproveitasse da água sozinha, um pouco, mas logo se juntou a ela. A água estava fresca, perfeita para um dia de verão. James se sentou de forma que ela estivesse entre suas pernas, de costas para ele, mas com espaço suficiente para mergulhar e molhar a cabeça antes de puxá-la para perto.
— Você quer me ajudar a me limpar?
— Adoraria, milady — Lis se encolhia cada vez que ele a chamava daquele jeito, não de incômodo, mas porquê a palavra era extremamente excitante vinda dele.
Como se ele não a abalasse, deixou uma barra de sabão na mão dele, e um pano, e James começou o cuidadoso processo de ensaboar as costas dela.
— Acabei de lembrar que tenho algo para te contar.
— Devo ficar preocupada? — James conseguia ouvir o sorriso na voz dela, e mudou de ensaboar para massagear os ombros cheios de sardas. Ainda mais naquele dia do que no mês anterior, como se tivesse passado dias sob o sol.
— Eu fui aceito no programa de aurores.
Lis deslizou e se virou tão rapidamente que a água transbordou pelas bordas. Seus olhos azuis brilhavam em alegria.
— Você, o quê?!
James espelhou o sorriso surpreso que havia nos lábios dela.
— Fui aceito no programa de aurores. As aulas começam semana que vem. É por isso que não pude aceitar o convite de passar o verão aqui, com você.
Lis ignorou as últimas palavras dele, se ajoelhando para abraçá-lo. Ela pouco se importava se estavam, ambos, nus. Apenas o apertava com força, murmurando que sabia que ele seria aceito, que estava muito feliz, e que estava muito orgulhosa dele.
James sentia o coração explodir em felicidade. Havia recebido a notícia na semana anterior, mas aguardara até aquele momento por causa daquilo. Porque queria ver a reação dela pessoalmente.
Lis se afastou, mas deixou o rosto colado ao dele: testa com testa, nariz com nariz.
— Você vai ser um auror incrível — ela balançava a cabeça em uma espécie de incredulidade, com um sorriso enorme transformando seu rosto inteiro — Eu te amo tanto, tanto, tanto.
— Toujours — ele sussurrou, e ela sorriu brilhantemente antes de beijá-lo. Surpreendentemente, foi ele quem a afastou. Haviam passado tanto tempo longe... Queria beijá-la, sim, mas também queria conversar, saber como ela estava, saber... — Acredita que eu não sei o que quer fazer depois de Hogwarts?
Ela se afastou um pouco, parecendo meio constrangida.
— Bem... Eu tenho esse sonho desde pequenininha... De jogar quadribol profissional — James arregalou os olhos, ele nunca imaginaria! — E eu achava que era coisa do passado, mas... Conversei com Minerva e... Sabia que a Kaleen projeta vassouras? — a voz dela foi subindo para um tom animado — eu passei tanto tempo conversando com elas sobre isso, e.. é o que eu quero. Depois, quando eu precisar parar, tomarei a administração das minhas terra nas mãos, mas até lá... Bem, quem sabe não consigo jogar na próxima copa?
— Ah, você vai, sim. Você vai ser uma jogadora incrível — James a puxou para perto de novo, dessa vez a encaixando em seu colo — Você vai ser a melhor artilheira do século, e minha mãe vai escrever sobre como é talentosa a nora dela.
Ela sorria de uma forma encantadora, maravilhada, e James decidiu provar daquele sorriso, acabando com a distância entre seus lábios.
Era um beijo sem pressa. Muito diferente daqueles no lago. Não havia mais a urgente saudade entre eles, e James poderia passar a tarde inteira ali, apenas mordiscando os lábios macios, e brincando com sua língua. Era um beijo pelo simples prazer de beijar, não uma preliminar, apenas.
Depois do que poderiam ser minutos, ou horas, ou dias, James deixou que as mãos deles vagassem além da cintura e da nuca dela, passando para a lombar e para a carne macia mais abaixo, apertando. Ele já estava pronto, e se a puxasse apenas um pouco, deslizaria para dentro dela com facilidade, mas ele não estava nem um pouco interessado em apressar as coisas.
Parou um pouco para respirar, mas nem cogitou a possibilidade de tirar os lábios do corpo dela. Mordiscou seu queixo, lambeu a linha da mandíbula, e deixou uma trilha de beijos e mordidas desde a orelha até o ombro. A respiração ofegante dela fazia algo quente se desenrolar dentro dele.
— Eles vão sentir nossa falta — James sentiu as palavras contra o próprio rosto, que estava afundado no pescoço dela.
— Me pergunta se eu ligo. Deixa eu te adiantar: a resposta é não.
Ela gargalhou, ele se afastou para admirá-la. A luz que vinha da janela desaguava e refletia no corpo molhado dela, fazendo-a parecer uma deusa.
— Me diz, o que vamos fazer durante a tarde? — ela o olhou com estranhamento, mas deu de ombros.
— Bem, aqui tem uma biblioteca — uhum — uma biblioteca bem grande, e...
Ela listava as coisas que eles poderiam fazer, enquanto ele pegava água com a mão em concha, e despejava em seus ombros, observando o caminhar das gotas em seu corpo. Refletiam o sol enquanto desciam do colo, para os seios, as auréolas, e então para o abdômen antes de cair de volta na banheira.
— Bem... — ela engoliu em seco ao perceber o olhar predatório dele para ela — não é uma tarde tão longa...
— De fato...
James a inclinou para trás, lambendo uma gota que tinha se alojado acima do estômago dela, e então tracejou o caminho dela com a língua, pelo osso esterno, as clavículas e a garganta, antes de capturar os lábios dela em mais um beijo profundo. Lis arfava em tanta necessidade quanto ele, mas nenhum dos dois parecia querer que aquilo terminasse tão cedo.
Lis apertava os ombros dele, e James beliscava um dos mamilos entre os dedos, fazendo-a soltar gemidos cada vez mais agudos. O ventre dela contra a excitação dele o deixava tenso, como uma corda prestes a se partir. Então, não possuí-la imediatamente se tornou um grande desafio de autocontrole. Pelo menos até perceber que ela estava tremendo.
O Potter a afastou, percebendo como a pele dela estava arrepiada, os dois mamilos túrgidos. A respiração dela vinha trêmula. De desejo, sim, mas de algo mais, também.
— Você está com frio — Lis corou, mas assentiu. James a puxou para um selinho — Saia e se enxugue. Não quero que fique doente. Chega de banho pra gente.
Lis não parecia muito feliz com aquilo, mas saiu, e James lhe deu um tempo de vantagem para se enxugar e ir para o quarto antes de levantar e usar aquela toalha que ela lhe dera. Cruzou a porta com ela enrolada na cintura, apenas para encontrar a ruiva sentada na cama, usando um roupão verde escuro e uma toalha enrolada nos cabelos.
— Agora eu posso usar sua cama? — ela levantou, interceptando-o antes que ele a deitasse no colchão.
— Sim, pode. Acredito que ainda não terminamos.
— Com certeza, não — ele a beijou enquanto tirava a toalha de seus cabelos. Não havia nada mais sexy do que Lis de cabelos bagunçados.
Então, a empurrou de leve, para que deitasse na cama, e deu a volta no colchão até estar sentado ao lado dela, desamarrando com cuidado o roupão.
A pele dela ainda estava meio fria, mas ele já sentia o calor florescendo do desejo. As mãos dele apenas a acariciaram, passando pelas costelas, quadris, cintura. James deitou, abraçando-a, e mordeu uma camada de gordura que começara a se acumular abaixo do umbigo dela.
— Eu gosto disso...
— Diz isso por que gosta de morder, ou por que finalmente ganhei algum peso? — ele mordiscou novamente, descendo um pouco para a virilha, beijando-a.
— As duas coisas são verdade — ele prosseguiu com a trilha de beijos, mas para cima, e parou no espaço entre os seios, segurando os dois nas mãos — Gosto desses, também.
Ele capturou o olhar dela. As pálpebras pesavam de excitação, e as pupilas quase tomavam todo o azul.
— Tem alguma parte de mim que você não goste?
James se afastou, percebendo a ironia na voz dela, mas analisou-a da cabeça aos pés, voltando para seus olhos. A respiração dela estava ainda mais ofegante.
— Não... Não tem — ele encheu a mão com o seio direito dela — mas eu realmente gosto destes aqui.
Antes que ela pudesse esperar, ele colocou o seio esquerdo na boca, mordiscando o mamilo, e chupando. Lis começou a se contorcer sob seu toque, e ele alternou, para morder o outro seio.
A respiração da ruiva vinha em arquejos, e ela puxou James, para que os lábios dele estivessem nos dela, de novo. Para sua consternação, a mão dele sumiu de seu peito, reaparecendo entre suas pernas.
James a encontrou quente e úmida, e a provocou com movimentos circulares e lentos antes de introduzir um dedo, fazendo-a arquear o quadril. Lis interrompeu o beijo, ofegando.
— James, chega — ele colocou outro dedo, estocando com mais força, e ela arquejou sonoramente.
— Chega, é? — ele a observou perder as palavras enquanto apertava os macios lençóis.
— Chega de brincadeira. Eu preciso... Agora.
James riu, mas não fez um movimento para atender ao que ela queria. Adotando outra estratégia, ela pôs a mão no membro dele, que apontava pela toalha desde o momento que ele a havia colocado. Lis o apertou, fazendo-o quase gritar.
— Lis!
— Ninguém mandou me deixar na vontade — ela apertou de novo, tirando a toalha, e começou a tocá-lo de forma lenta e provocativa. Era uma competição de tortura, para ver quem cedia primeiro. James viu quando o ventre da namorada se contraiu, e sorriu satisfeito quando ela perdeu, gemendo o nome dele e se contorcendo antes de relaxar sobre o colchão.
Ela o olhou com os olhos um pouco desfocados, e James logo cobriu o corpo dela com o próprio peso, recebendo carícias lânguidas nos braços.
— Precisa de um tempo pra respirar?
— Vai se-
James a calou com um beijo, e Lis enroscou as pernas no quadril dele, chocando-a contra a rigidez dele.
— É o que eu pretendo fazer, milady — uma onda elétrica percorreu todo o corpo dela ao ouvir aquelas palavras, e ela cravou as unhas nas costas dele quando o sentiu deslizar para dentro dela, preenchendo-a da forma como ela necessitava. Seu interior ainda pulsava por causa do ápice, e James gemeu ao sentir isso.
— James?
— Han? — ele não conseguia formar uma palavra completa naquele momento, enquanto se aprofundava nela.
— Não acha que devíamos... — ela mordeu o lábio inferior — usar alguma proteção?
James gargalhou tanto que ela gemeu com o movimento involuntário de seus quadris.
— Meio tarde pra isso, não? — ele respondeu, investindo uma vez — eu uso uma poção para isso.
— Eu deveria usar, também, não acha? — ele fez o melhor para dar de ombros naquela posição, agradecendo pelas flexões que o prepararam para permanecer tanto tempo daquele jeito.
— Apenas se quiser. Ouvi dizer que os efeitos colaterais nas mulheres podem ser bem desagradáveis — ele se retirou, voltando lentamente. Simplesmente não conseguia ficar parado — Mas acho que não precisa, considerando que vou embora no fim da semana, e que ficaremos um mês ou mais sem nos vermos.
— Ah! Não diga isso! Eu vou arranjar um jeito de te visitar — ela tentou o melhor que pôde formar uma frase completa com ele se movendo contra ela — Mas não vamos falar disso agora — ela lançou o quadril em direção ao dele, como incentivo — E pare de ser gentil. Já tivemos muito disso hoje, não acha?
Ele a obedeceu no mesmo instante, e então os dois se tornaram além de palavras. Seus corpos se moviam em uma dança cujos passos eles ainda estavam se familiarizando, mas que estava sendo prazerosa para ambos. A música era os nomes deles, ditos em gemidos dissonantes ou preces sussurradas, até que ambos se romperam, explodindo em estrelas e espumas, e seus corpos derretessem juntos.
Lis não se importou de tê-lo sobre ela. Achava o peso reconfortante de algum jeito, pelo menos da forma como se arranjaram. Ficaria satisfeita em permanecer ali o resto do dia, se o relógio na cabeceira não lhe chamasse atenção.
— James, eles definitivamente vão sentir nossa falta. Sou a anfitriã, estou sendo muito mal educada em largar todas as visitas com tio Carlo.
— Nós precisamos, mesmo, levantar?
Ela não se deu ao trabalho de responder, empurrando-o até conseguir deslizar para fora da cama. Pegou o roupão abandonado no chão.
— Preciso de outro banho — ela disse, para ninguém em particular, enquanto recolhia suas coisas pelo quarto. Pretendia se vestir no banheiro, para não correr o risco de ser seduzida pelo namorado.
Somente quando chegou à porta da sala de banho, que reparou que não estava sozinha.
— Não, você não vai entrar. Não temos tempo — ela não esperava o sorriso irritantemente delicioso que ela lhe deu. Por Merlin! Ele estava completamente nu em sua frente, ela precisava fechar a porta imediatamente, antes que cedesse.
— Como quiser, milady — suspirando, ela pousou uma mão no peito dele, sentindo o coração ainda acelerado. Roubou o sorriso dele com os próprios lábios antes de empurrá-lo.
— Guarde toda essa sua boa educação para mais tarde, amor — com um sorriso, deu um tapinha no traseiro dele e se trancou no banheiro, deixando um James gargalhando pra fora.
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