Still Alive
25 Bom dia, Bela Adormecida
Sair da inconsciência era exatamente como os filmes trouxas mostravam. Primeiro, o som voltava como uma onda de barulhos indistinguíveis, até que você se acostumasse com eles, então você abria os olhos que eram queimados pela luz até que suas pupilas se ajustassem, como uma câmera sendo focada; quando o último aconteceu, James se viu na enfermaria iluminada de Hogwarts, aparentemente sozinho. Não dava para dizer, pois quando tentou olhar ao redor, os nervos do seu corpo voltaram a funcionar, apenas para serem sobrecarregados de uma dor absurda.
Seus músculos pareciam estar em combustão espontânea, todos ao mesmo tempo e era como se houvesse alfinetes por cada centímetro de sua pele. James fechou os olhos, gemendo, sem nem ao menos conseguir pedir por ajuda. Algo gelado encostou em sua testa, e alguém sussurrou em seu ouvido; ele conhecia aquela voz, e se não estivesse tão mal, teria sorrido.
— Amor, eu sei que está doendo. Apenas… respire, ok? Respire fundo — ele respirou uma vez, o que fez suas costelas reclamarem — De novo, continue respirando — ele obedeceu, e sua pele parou de incomodar enquanto ela passava as mãos geladas por seus braços, ombros e panturrilhas, massageando os músculos e melhorando a circulação. Ainda doía, mas era suportável o suficiente para que abrisse os olhos.
Lis olhava para ele, meio preocupada e meio satisfeita pela dor ter diminuído. Ele tentou falar, mas sua garganta estava muito seca; antes que sequer pedisse, ela já estava trazendo um copo de água com um canudo. Lis inclinou a maca para que ele se sentasse, e o ajudou a se ajeitar com uma agilidade incrível, como se houvesse feito isso diversas vezes antes. Logo, já estava segurando o copo para ele.
Enquanto a água fresca ajudava a clarear seus sentidos, ele a observou melhor. Lis estava horrível. Não feia, mas… sua pele estava pálida, as olheiras sempre constantes por causa dos hábitos noturnos da garota estavam ainda mais fortes, e seu rosto parecia mais magro, como se não comesse direito há semanas. Esse pensamento o deixou preocupado, quase o tomando de pânico. Ele não sabia quantas horas ou dias passara apagado.
— Quanto… quanto tempo…
— Quatro dias — certo… não era tanto tempo, mas isso o deixou ainda mais preocupado com o estado dela.
— Você está bem? — sua voz ainda estava bem rouca, mas como ela não parecia investigar isso, deveria ser normal
— Você deveria estar me perguntando isso? Não sou eu quem está em uma maca na enfermaria — ela estava mudando de assunto, certo.
— Rose? — uma sombra passou pelos olhos dela.
— Eles a levaram, ela e o Hugo — James arregalou os olhos — ele sumiu horas antes, enquanto estávamos em Hogsmead, mas apenas repararam nisso quando Minerva deu o alarme. Seu pai já está procurando os dois; os franceses devem querer usá-los para algum acordo — ele assentiu — Você quer comer alguma coisa? — ele negou e ela apenas sentou na cadeira ao lado — Sua mãe deve chegar logo; ela está por aqui, alternando entre te vigiar e ver como Lily e Alvo estão.
— E como eles estão?
— Lily está péssima, Alvo, um pouco melhor. Ah, e graças a sua idéia de deixar para as férias de primavera, seus pais não sabem que estamos namorando. Temos que fazer algo a respeito, pois já cansei de usar a minha melhor expressão de “ele é meu melhor amigo” para justificar minha presença incessante aqui nos últimos três dias.
— Quatro. Você tinha dito quatro.
— O primeiro não conta, eu também estava internada.
— Por quê?
— O contra-feitiço que usei pra te curar. Ele… é complexo. É uma troca; tenho que dar minha energia para fechar as feridas, e quanto mais tempo elas abertas, mais exige de mim. Ou seja, cheguei desmaiada aqui e só acordei horas depois.
— Sinto muito…
— Não é sua culpa, ninguém esperava por isso — ela parecia querer dizer mais, mas sua mãe entrou pela porta e quase correu para abraçá-lo, parando quando ele gemeu de dor.
— Não é melhor dar um remédio de dor pra ele? — James olhos para Lis. Ele podia tomar um remédio para dor?
— Não me olhe assim, eu ia oferecer, mas você tinha que comer primeiro, e você disse que não queria comida — ele quase riu, Lis nunca deixava de ser Lis.
— Mas para tomar o remédio eu aceito, não é Srta. Snape?
— Ah, Sr. Potter, tudo bem então, vou buscar algo para você então. Vou aproveitar e avisar à Sra. Longbottom que Vossa Alteza acordou — ela girou rapidamente e saiu do quarto deixando sua mãe às gargalhadas.
— Ela é uma figura. E não deixou o quarto um minuto sequer. Acho que está afim de você.
— Mãe… Eu e Lis estamos namorando.
— Ah, isso com certeza explica muita coisa. Há quanto tempo estão juntos?
— Desde o baile.
— Então ela era a menina misteriosa? Legal, sempre achei que vocês formariam um casal muito bonito. Imagina que filhos lindos vocês teriam.
— Mamãe! — Gina riu alegremente. James havia sido abençoado com a mãe mais palhaça de todas que existiam.
— Eu acho que devemos verificar essa coisa dos Potters ficarem com ruivas.
— Acho que o problema é só dos James… James I, Harry James, James Sirius… O Alvo nunca se interessou por nenhuma ruiva — ela riu mais ainda e então um silêncio foi se instaurando — Mãe… como está todo mundo?
— Lily está se sentindo culpada, chora quase sempre por causa do Hugo, Alvo parece bem, ele e Escórpio estão ajudando ela com isso, seu pai está muito ocupado com isso tudo, estressado. E a Lis… os aurores a têm pressionado, pois foi a única a ver quem fez isso de perto, e eu acho que ela se sente culpada por não se lembrar de alguma característica dele.
— Certo. Obrigado pelo aviso, assim posso evitar o assunto, não quero que ela fique pior.
— E você, como se sente?
— Sinto que deveria ter me esforçado mais. Eu tenho treinado com a Lis, mas ainda assim não foi suficiente, ficamos incapacitados em questão de segundos.
— Ele pegou vocês de surpresa — a frase ficou no ar até que a sonserina voltasse com um prato cheio de comida e sua mãe levantar — tenho algumas coisas para fazer, então acho que vocês vão ficar bem sozinhos — ela deixou um beijo na testa dele e se foi.
— Bem, eu não sabia o que você queria, então trouxe um monte de coisa — ele olhou para o prato com alguns biscoitos, pães, um bolo; nada pesado, mas com bastante carboidrato. O bolo de abóbora parecia macio e gostoso, então ele disse que queria aquele.
Seu corpo doía demais para fazer qualquer esforço, inclusive pegar a comida, então deixou que Lis o servisse. Ele odiava a sensação de impotência, odiava ter que ser alimentado daquele jeito, mas Lis fazia tudo com naturalidade, sem pena no olhar, ou nada parecido, e comia junto com ele, como se apenas estivessem dividindo a comida dela. Ela até mesmo tagarelava, como se nada estivesse fora do normal.
— Por quanto tempo eu vou ficar assim?
— Não sei… Nunca acompanhei os efeitos do feitiço a longo prazo. Você deve estar com pelo menos 70% de recuperação até a segunda prova, na semana que vem — ele gemeu, havia esquecido do maldito Torneio. Parecia ridículo que tivessem que fazê-lo no meio daquilo tudo — Eu sei, mas os diretores querem manter a naturalidade — de novo, ela estava respondendo aos pensamentos que ele não proferira em voz alta — e você não pode faltar, pois é…
— Um contrato mágico, eu sei disso…
— Eu avisei ao pessoal que você está acordado, mas disse para eles virem mais tarde, para que você possa descansar um pouco.
— Eu dormi por quatro dias.
— Não, você ficou inconsciente por quatro dias, não é o mesmo que dormir. E você está com dor. Além do mais, o remédio vai fazer você apagar, mesmo. A Sra. Longbottom disse que eles podem vir te ver após o jantar, no horário de visita.
Como se invocada pelo próprio nome, a Chefe das Enfermeiras entrou com um pequeno frasco nas mãos. Ele já havia comido, então apenas bebeu o remédio amargo enquanto Lis a ajudava a descer novamente a cama e a ajustar os travesseiros. Lis fechou a janela que ficava acima dele, e diminuiu a luz no lugar; isso, somado ao efeito da poção, fizeram os olhos dele pesarem.
— Você vai ficar?
— Até você dormir — ele assentiu e fechou os olhos, sentindo a mão dela mexendo em seus cabelos antes de mergulhar em um sono sem sonhos.
***
James ficou na enfermaria por mais dois dias, sendo importunado por seus amigos depois do almoço e do jantar, até que a enfermeira disse que ele estava bom o suficiente para ir para o quarto. A ida foi uma tortura: uma dor lancinante atingia seus músculos peitorais com o esforço de subir as escadas. Ele não aguentaria ir até a Torre da Grifinória, e também seria ruim por conta de toda aquela gente, então seu pai preferiu levá-lo para seu quarto isolado de Monitor-Chefe.
Depois de instalado, o garoto praticamente implorou por um remédio, que foi dado em uma dose forte o suficiente para apagá-lo por quase um dia completo. Ele passava a maior parte do tempo dormindo, ultimamente, mas continuava cansado e com a sensação de que fora atropelado por um bando de centauros furiosos. Lis não havia voltado às aulas ainda, apesar dos protestos do grifinório, e havia passado os últimos dois dias com ele na enfermaria, copiando os assunto que estava perdendo e as atividades que tinha que entregar mesmo não assistindo às aulas. James imaginou que ela havia passado aquele dia no quarto com ele, também, mesmo que estivesse completamente inconsciente. Principalmente por isso.
Mas quando ele acordou, estava sozinho. Ele usava aqueles poucos momentos para pensar, para vasculhar a memória em busca de coisas que pudessem ajudar o pai, que, ele podia ver, estava quase desesperado procurando pelos sobrinhos. Ele também aproveitava para verificar o próprio corpo; onde ainda doía, como ele estava evoluindo. Agora as dores se isolavam no tórax e nas costas, onde as cicatrizes pálidas cortavam sua pele ainda bronzeada, apesar dos meses de inverno. Eram poucas, e fracas, mas ficariam ali o resto de sua vida.
A porta abriu com um rangido fraco, e Lis entrou, surpresa, ao vê-lo acordado. Ela trazia um prato com comida, e pela quantidade, não era apenas para ela. Ela colocou o prato na cômoda e sorriu para ele enquanto sentava na cama. Provavelmente o forçaria a comer, apesar de sua falta de apetite, como havia feito todos os dias desde que acordara, mas James estava alerta o suficiente para reparar que suas olheiras pioraram e que, apesar do esforço, seu sorriso estava fraco, cansado.
— Lizy, você tem dormido direito?
— Que pergunta, James — ela riu — Como você está se sentindo? Está com fome? — ela fez menção de buscar o prato mas ele a segurou pelo pulso e se elevou um pouco, sentando.
— Não mude de assunto. Você tem dormido direito?
— Não muito — ela respondeu baixinho, desviando os olhos dele.
— Há quantos dias? — ela tentou soltar o braço e ele apertou com mais força — Lis — ela tremeu com o tom de voz dele; James nunca havia sido tão duro.
— Desde que deixei a enfermaria — o garoto fez as contas: três dias até ele acordar, e mais três até ali. Ele a soltou. Não era à toa que parecia tão abatida.
— Deite aqui.
— James, eu…
— Apenas deite aqui comigo, querida.
— Eu não estou com sono, e você tem que comer, e…
— E… eu não estou com fome. Se você não está cansada, ótimo, não vai ser problema ficar alguns minutinhos comigo, e depois comemos, pode ser? — ela o olhou, desconfiada da armadilha, mas negar seria admitir que não estava bem.
— Tudo bem, apenas alguns minutos.
Ele abriu a coberta e ela deslizou para a cama, deitando no travesseiro, e colocando a mão por cima do seu peito nu. James se lembrou de um dia, uns dois anos antes, que se machucara tanto jogando quadribol que estava quase tão dolorido quanto agora; a garota que ele namorava na época tentou deitar com ele, mas cada movimento que fazia provocava um gemido abafado nele. No entanto, Lis se encaixara perfeitamente, como se soubesse exatamente onde doeria se ela forçasse.
Seus dedos finos traçavam as cicatrizes recém adquiridas e as antigas em carícias suaves, longas e preguiçosas. Os dele também percorriam a pele macia de seus braços e de suas costas expostas pela camisa que levantara um pouco. O cabelo dela, espalhado pelo travesseiro, cheirava, tradicionalmente, a rosas.
— Então nós vamos apenas ficar aqui, deitados? — com triunfo, ele percebeu que a voz dela estava um pouco arrastada.
— Sim, aproveitar um pouco o silêncio — provavelmente ela podia ouvir o sorriso em seu rosto.
— Eu não vou dormir, James — tudo naquela frase indicava o contrário.
— Tudo bem, princesa — ela inspirou, como se fosse responder, mas acabou desistindo e resmungando enquanto chegava ainda mais perto dele, se aninhando em seu abraço. James deixou um beijo em sua cabeça — dorme bem, meu amor.
Como ele esperava, a respiração dela foi ficando mais lenta, assim como as carícias, que logo pararam. Ele apenas ficou ali, observando-a sem ousar se mexer. Ela era tão linda… Ele pensou que quase havia perdido isso, quase a havia perdido, e agradeceu por qualquer que fosse o milagre que manteve aquele monstro de tocar nela quando levou Rose embora. Ele quase morrera, sua prima fora sequestrada, mas Lis saiu sem um arranhão, como se ele não quisesse machucá-la. Isso era importante. Provavelmente. Mas sua mente já estava enevoada novamente, e logo deixou-se apagar também.
Ela ainda dormia quando ele levantou. A dor estava bem mais suportável, agora, e isso o encorajou a tomar um longo banho na “piscina” dos monitores. Lis, aparentemente, havia acabado de acordar quando ele voltou, e se espreguiçava na cama como um felino.
— Bom dia, Bela Adormecida — ele cumprimentou enquanto enxugava o cabelo ainda molhado. Ela riu e enrubesceu. Algo dizia a James que era pelo fato de ela ter apagado, e não por ele estar apenas de toalha. Lis não tinha muito senso de decoro.
— Idiota — ele gargalhou, o que fez sua barriga doer, mas não conseguiu evitar isso tanto quanto não conseguiu desviar do travesseiro que voou em seu rosto.
Alguém bateu à porta, e Lis praticamente pulou da cama, ajeitando a roupa com uma timidez recém surgida.
— James? — era seu pai — Posso entrar? — Harry se acostumara a bater e perguntar depois que pegara o filho com uma garota no quarto. Lis o olhou, como se reparasse na toalha pela primeira vez. Vai. Era o que seus olhos diziam.
— Pode, um minuto — ele correu para o banheiro depois que Lis jogou uma muda de roupas para ele. Ele ouviu Lis abrindo a porta e cumprimentando seu pai.
— Oi, Sr. Potter.
— Oi, querida. Onde está o James?
— Foi tomar banho, passou aqui para pegar uma roupa, já deve estar voltando.
— Veio fazer companhia a ele?
— Trazer comida, na verdade, ou ele não come. Por incrível que pareça, não tem tido muito apetite — James quase podia vê-la apontar para o prato intacto.
Ele voltou ao quarto e sentou na poltrona que tinha, como esperado, Lis deslizou o prato para o colo dele, e ele se forçou a comer algo.
— Alguma novidade, pai?
— Não… Mas estamos perto, eu sinto isso. Pronto para a prova de amanhã?
— Nem um pouco, mas preciso participar de qualquer forma.
Harry olhou para a garota e ela se levantou com suavidade, aparentemente percebendo algo que ele não havia.
— Vou deixar os dois a sós, ok? — ela sorriu docemente e deixou um beijo no maxilar dele, logo abaixo da orelha, o que lhe enviou arrepios por toda a espinha. James conseguia sentir a tensão crescendo entre eles desde o Natal, como a eletricidade que se forma no ar antes de uma tempestade. Ele achava que enlouqueceria se tivesse que aguentar um pouco mais. A porta se fechou em uma lentidão dolorosa e ele voltou a encarar o pai.
— Ela é meiga, mas me assusta, às vezes
— É, não a mim, mas já ouvi dizerem isso.
— Como você está?
— Bem melhor. As dores diminuiram — ele diminuiu o tom da voz — Você não está nem perto de encontrar a Rose e o Hugo, não é?
Ele suspirou e pareceu afundar na cadeira que estava.
— É como um labirinto, James. Quando achamos que chegamos ao fim, nos vemos no mesmo lugar que antes. Com eles desaparecidos, estamos arriscando mais, mas não tanto.
— Não pediram resgate?
— Sim, entraram em contato. Querem a renúncia da Hermione e outros privilégios com o governo da França e da Inglaterra. Querem território. Estamos negociando, sabe, apenas ganhando tempo para ver se encontramos onde estão guardando eles, mas são tantos postos, e tantas defesas. Eles estão preparados para a guerra, nós não.
— Tinha que ter um jeito de atingi-los por dentro…
— Mas não há. Não arriscaria enviar um espião. Não temos franceses à nossa disposição. Mas… paremos com as conversas tristes. Sabe o que será a prova?
— Não. Lis disse que será no Campo de Quadribol, e pelos apitos, imagino que terá a ver com vôo — ele respondeu sem muita animação.
— Olha, James, sei que vai ser difícil, mas você consegue, eu consegui e era menos preparado que você; além do mais, não tem ninguém querendo te matar.
— Pelo que houve na última semana, duvido muito. E pai, não é isso, não ligo de vencer ou não. Só acho ridículo que, com Rose e Hugo perdidos em algum lugar da França, eu tenha que competir nesse Torneio estúpido. Eu quero poder fazer alguma coisa.
— Mas você não pode — ele se levantou, exasperado — Você não pode, James, e não deve. Você deve ficar aqui, onde é seguro, com seus irmãos. Você pode estar seguro, James, de uma forma que eu não pude.
James não disse mais nada. Não era a primeira vez que tinham aquela discussão. Começara quando ele disse querer ser auror, há dois anos,, e não parou mais. Harry acreditava que havia opções melhores para ele, mas não levava em consideração que aquele estilo de vida era o que ele queria.
— Acho que eu quero ficar sozinho, pai.
— Mas… — James levantou e ficou de frente para a janela — Tudo bem. Mas você acha que sua namoradinha vai querer um homem que se joga na frente do perigo todos os dias? Vai sonhando. Mesmo pra sua mãe foi difícil. Só para avisar, mulheres gostam de homens que chegam para o jantar todas as noites e não dos que elas nem sabem se irão voltar vivos.
A porta bateu sonoramente e James se jogou na cama, sem aceitar sequer em pensar no que o pai disse.
***
Lis voltou mais tarde com os amigos deles, que fizeram arruaça no quarto, comentando o quanto era grande e o quanto era injusto que ele pudesse ter um quarto só para ele. Eles jogaram a tarde inteira, mas James não estava com ânimo. Eles perceberam isso, e pouco antes do jantar, eles deixaram o Lis e James sozinhos. Ela tentou perguntar o que havia de errado, mas ele apenas falou que iria tomar um banho.
Minutos depois, ele saiu do banheiro, apenas com um short de dormir, e encontrou a ruiva virada de costas, inclinada contra a escrivaninha do quarto, usando apenas roupas íntimas. Provavelmente deve ter achado que ele demoraria um pouco, e aproveitou para trocar de roupa. Ele se aproximou, devagar, já sabendo que ela estava ciente de sua presença; passou o braço por sua cintura e colou os corpos dos dois, enquanto beijava seu pescoço. Lis suspirou e inclinou a cabeça, aproveitando a carícia. Não era muito melhor do que uma gata manhosa, como sempre.
O Potter a virou e beijou-lhe os lábios, abrindo-os delicadamente com a própria boca; Lis retribuiu o beijo enquanto as mãos passeavam nas costas nuas do rapaz, traçando cada músculo com os dedos, enquanto o beijo efervescia. Ele sentia aquela eletricidade entre eles, aumentando, e explodindo com o gemido que ela deu quando ele mordeu seu lábio inferior.
Com um movimento ágil, ela sentou na escrivaninha, enlaçando as pernas nele, aproximando-os; ela o sentia completamente, agora, e o calor irradiava entre seus corpos. A mão de James passeava por sua coluna e por mais abaixo, rapidamente, como se quisesse tocá-la por inteiro de uma só vez. Não parecia suficiente. Não era suficiente. Seus dedos buscaram o fecho do sutiã, mas ela se afastou, ofegante.
— James, James… Você sabe que não pode fazer esforço — ele a odiava por estar certa; ainda sentia dores quando levantava da cama, quanto mais se a tomasse do jeito que queria. Ele assentiu e voltou a beijá-la no pescoço lentamente. Ele percebia que ela precisava tanto daquilo quanto ele; uma distração, era o que eles queriam, e era o que ele daria.
— Eu posso estar machucado, Lis… — suas mãos voltaram para o fecho enquanto ele sussurrava — mas você não — o sutiã deslizou, sendo esquecido no chão, libertando os seios fartos e pesados da garota. James admirou a pele branca como o leite, manchada por algumas sardas que ele tanto amava.
Sua mão logo tomou o lugar que o bojo ocupava, com toques preguiçosos, e ela gemeu longamente enquanto ele traçava uma trilha de beijos do pescoço para baixo. Lis arqueou a coluna quando a boca dele alcançou onde antes estava sua mão, sua língua descrevendo círculos cada vez menores; e sua respiração se tornou um soluço quando ele a mordiscou um pouco.
James se afastou para olhá-la; ela estava ofegante, as bochechas rosadas como ele gostava, a boca entreaberta, como se não houvesse ar suficiente no mundo. Uma de suas mãos passou da nuca até a boca da garota, em uma carícia delicada, onde permaneceu, traçando a linha dos lábios vermelhos, tão tentadores. Ele deu um sorriso malicioso, e aqueles olhos azuis se arregalaram quando a mão que ela não estava vendo alcançou seu ponto sensível entre as pernas, e então se fecharam enquanto ele a massageava lentamente, ainda por cima do tecido.
Depois de um tempo beijando-a e aproveitando o calor úmido em uma de suas mãos, e o fornecido pelas dela ao se agarrar em seus braços esguios, mas musculosos, ele se afastou e tirou a peça de baixo, uma coisinha de renda preta, linda, e que cheirava ao prazer dela. James a encarou nos olhos, e ela piscou duas vezes, paralisada; ele imaginava se ela conseguia ver a fome dentro de si através deles.
Precisando de toda a força de vontade para se controlar e não tomá-la ali mesmo, em sua mesa de trabalho, ele se ajoelhou em frente a ela, ainda brincando com o emaranhado de nervos entre aquelas pernas maravilhosas. Ele assoprou, e ela o xingou; ele riu e, com certeza adorou o som que ela fez ao prová-la pela primeira vez.
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