Stickmen
1 Capítulo 1: O Plano
Notas iniciais
"A salvação só é alcançada com o ato do arrependimento. Lógico que algumas pessoas não se arrependem dos seus erros, porém poucas sentem prazer em ter prejudicado outras vidas pra conseguir o que quer. Mas existe uma minoria em que faz a coisa errada, se arrepende e continua fazendo. Eu faço parte da minoria."
Kabal está dentro de um prédio em construção, mais precisamente o 14º andar. ele está fumando, sentado em um tijolo e ao seu lado, uma mochila com um aspecto cheio. Já são 00:30 da noite de vento e frio, mas ele está agasalhado com seu sobretudo. Kabal levanta parte de sua máscara de smile feita de algodão costurado, revelando uma enorme cicatriz em seu queixo enquanto traga um pouco seu cigarro. Quando termina de expelir a fumaça para fora de seus pulmões e abaixar sua máscara, ele usa seu binóculo e observa a parte de traz do restaurante Mes Ami. Kabal olha seu relógio de pulso.
– Tsc, ta demorando... -Disse Kabal com um grunhido quase inaudível.
O mascarado abaixa seu binóculo e abre sua mochila. Lá ele tira uma garrafa térmica e serve um pouco de café para sí mesmo. No momento em que Kabal dá seu primeiro gole, uma voz vindo atrás dele o assusta.
– O Urso quer que você volte.
Kabal se engasga seriamente com o café a ponto de ajoelhar como se tivesse tomado um soco no estômago, misturando a desagradável sensação de sufocamento com sua boca queimando com o café enquanto o portador da voz misteriosa apenas observa a cena como se isso acontecesse todo dia. Kabal, aos poucos, se recupera do trauma. Ele se levanta e olha para o ser misterioso causador de seu susto.
– Oi, Okonam.
– ...O Urso...
– Eu ouvi. -Kabal senta no mesmo lugar que saiu e indica um outro tijolo não muito perto de onde está sentado para que Okonam possa sentar tambem.- E eu não vou voltar. Já dei minha resposta a umas duas semanas atrás, e olha que você estava na reunião.
– Então pelo menos me diga o por quê disso tudo. -Okonam escolhe apoiar-se na pilastra mais próxima.
– Isso eu também deixei claro na reunião.
– Claro, você tem problemas fora da cidade e tem que se ausentar para resolvê-los, mas olha só que engraçado: você está aqui, na minha frente, tomando café e fumando como um grande vagabundo!!! -Okonam altera sua voz esperando a reação de Kabal.
– ...É... -O mascarado disse o bastante para que Okonam atirasse o primeiro tijolo que viu contra a parede.- Sei que você está frustrado por não saber de nada, mas faça que nem o Ijad: Toque sua vida pra frente e conviva com isso. E sei também que o Urso não pediu nada.
– Não. -Okonam, agora mais sério, olha nos olhos de Kabal.- Foi o Ijad. -Pode não parecer, mas isso atingiu o mascarado.
– ...Desculpa, mas é isso.
Okonam o encara uma última vez e depois desaparece nas sombras. Kabal usa mais uma vez seu binóculo para enxergar os fundos de Mes Ami e encontra uma pessoa apoiada em uma parede, fumando. Parece ser um funcionário em sua pausa. Kabal rapidamente retira alguns equipamentos de sua mochila e une os equipamentos, transformando em um rifle de longo alcance com mira telescópica e silenciador. O mascarado se posiciona e aguarda 7 segundos até dar o primeiro e único disparo da madrugada. Kabal desmonta rapidamente se rifle e retira da mochila uma câmera profissional Canon para tirar algumas fotos do seu alvo já morto. Depois de guardar todo o equipamento na mochila, o mascarado usa o elevador da obra até o solo e entra no seu carro. Lá dentro ele liga seu laptop e conecta um modem portátil e envia as fotos para um endereço de e-mail um tanto quanto diferente: [email protected]. Não demora 3 minutos e ele recebe uma resposta contendo algumas informações que ele considera valiosas. Kabal liga seu carro e se retira do local.
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Okonam atravessa os corredores dos dormitórios da SK até o quarto de Ijad. Ele abre a porta e encontra seu amigo, desmaiado na cama com o cobertor cobrindo ele de qualquer jeito. O ronco dizia que ele não iria acordar tão cedo. Okonam fecha a porta do quarto de Ijad e se dirige até seu quarto. O quarto do guerreiro é escasso de móveis, composta apenas por uma mesa baixa japonesa, um pequeno altar, um armário e um tapete no canto do quarto usado para meditação. Okonam considera esse tapete de cama. Ele guardas suas shurikens e kunais no armário, mas nunca sua espada, que fica sempre com ele por motivos de segurança. O guerreiro senta em seu tapete, em posição de lótus. Está agora em um momento de paz e serenidade.
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– Estou com um mau pressentimento. -Diz Okonam ajustando o retrovisor do furgão para ver seus companheiros se equipando.
– Que nem nas outras 57 vezes? -Diz Kabal recarregando suas armas habituais: Uma Desert Eagle, uma Glock e sua Dragunov.
– Pelo menos temos um plano, certo?
– Temos sim. -Diz Ijad, se levantando- Vamos entrar lá e plantar a mão em todo mundo antes que eles pensem em fazer alguma coisa!
Kabal e Okonam observam Ijad com várias granadas, C4 e explosivos pendurados pelo corpo. A resposta dos dois é dita em unissom:
– Ijad, você fica no carro.
– O quê? Qualé! Mas porquê?
– Porquê você vai falhar com o objetivo. -Kabal continua a calibrar suas armas.
– E outra, se entrarmos lá sem sermos sorrateiros, o PSKO vai fugir. -Disse o guerreiro.
– Vamos lá gente! Eu sou tão sorrateiro quanto um gato.
– Claro que é. -O mascarado guarda suas armas.- Mas só nos primeiros 5 segundos de missão. -Kabal e Okonam saem do furgão.
– Mas gente...
– Fim de papo -Okonam fecha a porta do Furgão com o ex-terrorista dentro.
10 minutos depois, Kabal e Okonam estão dentro do depósito atrás de algumas caixas se escondendo dos capangas presente.
– Quantos traficantes estão aqui? -Pergunta Okonam sussurrando.
– Conta dali que eu conto daqui. -Kabal aponta pro outro lado da caixa e eles começam a contar. O ambiente é típico de um depósito desembarque de mercadorias. 8 funcionários está descarregando dois caminhões, o resto estão armados com rifles de assalto, escopetas e submetralhadoras. Alguns estão conversando e montando guarda, outros estão jogando cartas ou estão bebendo.
– Contei 27. -Diz Kabal.
– 23. -Diz Okonam.- Parece que as pessoas que estão descarregando não possuem armas, o que nos dá 42 pessoas armadas.
– Acho que é mais fácil eliminar aqueles que estão longe dos outros, "de grão em grão, a galinha enche o papo".
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Ijad está sentado no banco do motorista com o braço no volante apoiando a cabeça enquanto ouve rádio, tocando "Freedom Song" do Bob Marley. Seu sentimento é de insatisfação por estar no carro, sendo que a missão toda está acontecendo dentro do galpão. Ijad não é assim. O ex-terrorista é explosivo tanto quanto suas granadas. Uma simples ordem não vai segurá-lo, mas ele é consciente para não estragar a missão.
– Se estou ajudando ficando aqui no furgão, então eu sou ótimo em trabalho em equipe. -Ijad se aconchega no banco do motorista, se sentindo útil.
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– Tá, mas como vamos atrair eles para longe do grupo? -Pergunta Okonam.
– Estava pensando em esperar eles se separarem, mas vai levar muito tempo. -Kabal conclui que seu plano é ruim.
– Que tal separarmos? Assim fica mais fácil intercepta-los.
– Boa ideia. Você vai até aquelas caixas enquanto eu...
De repente, uma janela do galpão se quebra. Alguém jogou um macaco de pelúcia dentro do galpão, daqueles movidos a pilha e que seguram dois pratos. Alguns traficantes ficaram alarmados e curiosos, mas depois começaram a rir e brincar com o brinquedo.
– O que foi isso? -Pergunta Kabal, olhando para o pequeno aglomerado de 7 traficantes segurando uma pelúcia.
– Aquilo parece ser um macaco de brinqued... -Disse Okonam, lembrando instantaneamente o que aquilo significava.- Ah droga...
O brinquedo liga sozinho, batendo seus pratos e fazendo barulho habituais.
– Eu vou arrebentar a cara do Ijad! -Diz Kabal se escondendo atras da caixa.
Na 7ª batida, o brinquedo explode, destruindo 7 traficantes e parte da área em que se encontravam. Simultaneamente, uma explosão destrói parte da parede perto dos restos dos traficantes, revelando uma entrada alternativa.
– PAPAI CHEGOU!!! — Grita Ijad saindo da entrada improvisada, lançando três granadas em direções aleatórias. A primeira granada cai perto de uma caixa de tamanho mediano, explodindo, revelando e destruindo alguns carregamentos de armas. A outra cai embaixo de um dos caminhões, espantando os funcionários e explodindo o veículo. A terceira granada cai bem no local em que Kabal e Okonam estão escondidos.
– CORRE! -Grita Kabal para Okonam, fugindo dali antes que a granada exploda. A granada explode assim que Kabal e Okonam saem do local.- Essa foi por pouco.
– Plano B? -Okonam desembainha sua espada.
– Plano B. -Kabal se esconde atrás de algumas caixas e prepara sua Dragunov para eliminar alguns inimigos.
Com sua Dragunov, Kabal se prepara para atirar em alguns capangas a mais distantes. Ele elimina 3, mas outros 5 perceberam sua presença e rapidamente se esconderam atrás de algumas caixas e atiram contra ele, mas o mascarado atira nas próprias caixas prevendo a posição dos seus alvos, "varando" o bunker improvisado dos capangas e eliminando todos eles. Okonam Ficou com os inimigos mais próximos. Com sua Muramana, o guerreiro atravessa, quase como uma dança mística, 4 capangas, fazendo eles caírem mortos no chão. 6 atiram contra Okonam, que rapidamente usa sua habilidade com sua espada para desviar as balas em sua direção e devolve alguns projéteis com a mesma velocidade que vieram contra os traficantes. Ijad planta uma C4 no caminhão restante e lança duas granadas: A primeira explode perto de 5 capangas escondidos atrás de algumas caixas. A segunda voa direto para Okonam, que logo recebe a ideia e chuta a granada para um grupo de capangas mais distante, explodindo neles. O ex-terrorista corre em direção ao Kabal e se esconde em seu bunker.
– O plano é o seguinte, você atira naqueles... -Ijad é interrompido com um tapa na nuca.
– Idiota! O plano era você ficar no carro e nós capturar-mos o PSKO!
– E perder a festa? Até parece. E além do mais, a culpa é sua. -Diz Ijad com naturalidade.
– MINHA? POR QUÊ DIABOS A CULPA É MINHA?
– Não sei, a culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser.
Okonam se junta com Ijad e Kabal no bunker.
– Querem parar de brigar e focar no plano? -Diz Okonam se esgueirando para ver quantos capangas sobraram.
– Plano? Que plano? -Pergunta Ijad indignado.
– Plano B. -Diz Kabal e Okonam simultaneamente.- Granadas! -Alerta Okonam. Kabal atira na primeira granada em pleno ar com sua Glock, fazendo ela explodir nas alturas. A segunda, Ijad agarra ela e joga de volta para o remetente.
– E quando foi que adotaram o Plano B? -Pergunta Ijad.
– Quando o "papai chegou." -Diz Kabal, recarregando seu rifle.
O restante dos capangas subiram no caminhão para fugir da pequena guerra que estava acontecendo.
– Estão fugindo. -Diz Okonam guardando sua espada.
– Não, não estão. -Ijad aciona o detonador, fazendo o caminhão explodir em chamas e sucata queimada.
Sem mais tiros, explosões ou mortes. o Galpão está vazio.
– Fizemos a limpa. -Ijad caminha em direção ao escritório do depósito que fica no segundo andar.
– Que nem nas outras 57 vezes? -Diz Kabal seguindo Ijad.
– 58. -Corrige Okonam.
– Que se dane. Quem está contando?... -Diz Ijad.
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PSKO está sentado em frente a escrivaninha almoçando um belo prato com Brócolis, purê de batatas, um pouco de macarrão com azeite, uma carne que parece ser pernil ao molho madeira e uma taça de vinho do porto. Ele está trajando seu habitual terno de linho italiano preto com uma gravata vermelho sangue e seu tapa olho para esconder seu olho esquerdo. Dos dois lados dele há um capanga, cada um armado com uma FAL. o escritório é um pouco comprido medindo da porta até a escrivaninha, mas não é estreito. Kabal, Okonam e Ijad abrem a porta dúpla do escritório com um chute e caminham em direção ao PSKO.
– Matem-os. -Disse PSKO cortando um pedaço de pernil. O primeiro capanga aponta sua FAL em direção ao Kabal.
– Lento demais. -Disse Kabal sacando sua Desert Eagle, atirando no capanga antes que ele fizesse o mesmo, eliminado seu alvo. O outro capanga iria reagir, mas Ijad arma seu canivete.
– Sua mentranca contra meu canivete. -Desafia Ijad para o capanga restante, que foi mais inteligente e correu para fora do escritório para salvar sua vida.
– Não se encontra mais funcionários leais. -PSKO toma um pequeno gole de seu vinho.
– Não mesmo. -Disse Ijad olhando para o capanga desertor.- Então, jeito fácil ou dífícil? -Ijad mostra uma corda para PSKO, esperando que ele opite pelo jeito difícil.
– Estão servidos de pernil? -PSKO oferece a eles um pedaço de seu almoço, como um cavalheiro inabalável.- Os jovens de hoje em dia cuidam tão bem da própria saúde. -PSKO sorri sadicamente.
– Passo. -Diz Kabal.
– PSKO, em nome da segurança nacional, você está preso por tráfico de equipamentos ilegais, formação de quadrilha, assassinato e sequestro. Você tem o direito... -Okonam percebe que seu discurso não está sendo levado a sério, pois PSKO está gargalhando como se tivesse ouvido uma piada.
– Não ria assim há dias... -Disse o assassino enxugando suas lágrimas com o guardanapo.- Como se você pudesse me deter...
– Eu não sei se você percebeu, mas seu exército caiu. -Disse Okonam.- Você não tem mais pra onde se esconder.
– Engraçado, eu ia lhe dizer a mesma coisa, Okonam. -PSKO se levanta de seu lugar, fazendo os três assumirem posição de combate.- Você acha mesmo que pode deter algo tão poderoso como eu?
– Tenho certeza que...
– Pense bem, Okonam. Primeiro eu vou transformar este mundo em um grande balde de betume fervente, começando com sua querida aldeia. -PSKO encara ferozmente Okonam.
– Mas do que você está falando? -De repente, o ambiente começa a ficar mais morto, sem cor, sem forma, sem temperatura.
– Depois vou devorar todas as pessoas que você ama em um grande banquete que realizarei com meus lacaios. -Seus olhos adquirem um formato mais ferais, pequenos chifres brotam de sua testa e seu terno se transforma em grandes asas feito de sombras.
– O que significa isso? -Okonam procura seus amigos, mas eles desapareceram misteriosamente. O medo e pavor tomam conta de sua mente.- QUEM É VOCÊ?
– Quem não, Okonam, mas "o quê" seria mais adequado. -O ambiente começa a ficar escuro até que nada possa ser observado, exceto PSKO.- EU SOU TUDO AQUILO QUE VOCÊ MAIS TEME!!! -PSKO avança em direção o Okonam.
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– NÃO!! -Okonam desperta subitamente de sua meditação, preparando sua espada para perfurar seu agressor. Só que tudo não passava de um sonho. É de manhã, ele está em seu quarto e segurando o pescoço de Ijad que está segurando um pão francês com presunto. O silêncio toma conta do local.
– Nunca mais entro no seu quarto. -Diz Ijad ímovel.
– Desculpa. -Diz Okonam guardando sua espada em soltando seu amigo.- Eu tive um pesadelo. -Okonam observa o pão com presunto que Ijad tem em mãos.- E você sabe que eu não como carne.
– Sei sim, isso é pra mim.
– E então?
– Queria saber se você encontrou o Kabal. -Ijad abocanha seu café da manhã.
– ...Encontrei sim e ele disse que não.
– Acho que eu já sabia da resposta. -Ijad engole o pão.- O grupo não é a mesma coisa sem ele.
– Não, não é...
– Bom, bola pra frente. -Ijad da de ombros e abre a porta do quarto.- A galera toda ta te esperando no refeitório. -O ex-terrorista sai do quarto.
"Ijad pode até ser impulsivo de vez em quando, mas ele não lança uma única granada sem saber o que está fazendo. É uma pessoa consciente e sabe o que quer, mas Kabal sempre foi uma pessoa fechada. Desde o dia em que Kabal saiu, ele não falou nada com ninguém. Se trancou fora da SK. O que ele está tramando? Ele vai nos atacar? Ele está buscando ajuda? Seja lá o que for, que tenha consciência do que está fazendo"
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