Stevan Adventure
1 Dragão
Notas iniciais
CAPÍTULO 1
A luz fria do sol batia forte na janela de Stevan naquela manhã. Parecia quase a mesma luz que teria chegado na sua antiga casa, mesmo sete anos depois daqueles acontecimentos, Stevan ainda lembraria dos olhos de fogo do homem que assassinou seus pais á sangue frio. Lembrava-se do homem, com uma armadura feita de metal negro, uma cabeça de dragão ressaltada em seu peito e uma espada tão afiada quanto á voz dos corvos diante dos corpos de seus pais. Stevan nunca se esqueceria, do sorriso amargo de sua mãe antes do homem maldito a decapitá-la. O pequeno menino ainda sentia como se sua mãe continuasse dizendo em sua cabeça
- Se cuide, meu filho. -
Agora o garoto já estará com seus quatorze anos, acordará com seu cabelo castanho escuro bagunçado, seus olhos verdes pareciam vermelhos naquela manhã pois estava sentindo uma sensação estranha... Diferente.
Estava morando com a irmã de seu pai durante sete anos, dividia seu quarto com um primo na beira dos 12 anos, Zack.
Zack poderia ser considerado um menino feliz, tinha quase tudo que gostaria mesmo com as questões financeiras de seus pais. Era loiro, assim como a tia de Steven. Tinha olhos castanhos claros e um sorriso extrovertido e amigável. Possivelmente o passado de Zack foi consideravelmente melhor que o de Stevan, com certeza. Stevan juraria que vingaria seus pais e todas as outras pessoas que o misterioso homem matou. Naquela noite o homem estava usando uma máscara negra, com três chifres ressaltados em sua cabeça. Por onde passava o homem espalhava uma trilha de fogo e sua espada, mesmo com uma cor sombria, brilhava como fogo.
Stevan estava cansado do seu dia anterior de trabalho pesado nos campos do tio, mas sabia que se quisesse continuar sobre o teto deles, teria que recompensar de alguma forma. Ele fora tomar café naquela manhã um pouco mais tarde do que normalmente. Seus tios olhavam para ele de uma forma diferente, mais severa. Ele estaria pensando se fizera algo errado, mas não achou nenhum um problema que fizesse eles o observarem com aqueles olhos. Até mesmo seu primo Zack esta diferente, não estava tão agitado como normalmente. Haveria algo errado com Stevan ?
Durante o café todos ficavam em silêncio, o que era estranho porque normalmente o café é sempre uma hora animada nesta casa. A casa ficava a uma certa distância bem longa do Reino. Stevan nunca sequer teria entrado lá. Seu tio dissera que as coisas lá são mais bonitas e felizes mas nunca foi lá para diversão. Stevan ficaria imaginando como seria trabalhar para o rei, ajuda-lo como guerreiro ou qualquer tarefa do tipo.
Pela aquela manhã, o sol estava em pé, mas estava frio. Como se uma tempestade estivesse chegando, Stevan sabia que seria impossível algo assim pois estavam no verão.
Nos ultimos dias certas pessoas do reino vieram até nosso terreno nos pedindo uma ‘’pequena’’ contribuição para o reino ou nos tirariam de nossa própria casa. Mas havia algo estranho... Stevan estava se sentindo diferente, achava que algo de novo aconteceria, algo ruim.
Stevan gostaria de viajar, conhecer o mundo e explorar. Não queria ficar para sempre no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa. Na imaginação de seu primo Zack, Stevan era um grande aventureiro e Zack seria seu companheiro, mas caso Stevan um dia fosse sair numa aventura dessas, com toda certeza não iria com Zack. Na sua visão Zack poderia ser legal, mas era uma criança mimada, que não poderia sobreviver sequer alguns dias sem os pais.
Já Stevan saberia sobreviver pelo menos algum tempo do seu próprio jeito.
Mas mesmo aos olhos de Stevan, não seria uma coisa fácil sobreviver a esse mundo. As coisas aqui eram diferentes, existem seres perigosos e seres nunca imaginados antes. Criaturas que somente uma espada não dariam conta.
Stevan passara o café inteiro sem lambiscar nada. Seus tios diziam coisas como
- ‘’Você esta muito magrelo garoto, como ira ajudar no campo?’’ -
Ele daria a desculpa que não estava com fome, o que era verdade pois naquele dia gostaria de não fazer nada.
- Onde iremos trabalhar hoje, pai ? – perguntou Zack.
- Você cuidará dos porcos e bois aqui pela volta Zack. Seu primo e eu iremos ficar com o trabalho mais pesado. –
- Hum ? Onde vamos, tio ? – perguntou Stevan
- Iremos para o Reino sobrinho, conhecerá o escudeiro do rei. Ele esta pedindo para alguém cuidar dos estábulos reais. – respondeu seu tio, Bertwin
- Legal! – disse Stevan esperançoso.
- Só não me faça passar vergonha, sobrinho. – disse seu tio, brincando.
- Ok.
Saíram os dois à cavalo logo depois do café da manhã. Bertwin em seu cavalo negro e Stevan no seu cavalo cor branco-dourado. Chegariam ao reino algumas horas depois, fariam o trabalho e voltariam já no mesmo dia.
Durante a maior parte da viagem ficavam em silêncio, a pessoa que Stevan tinha menos contato naquela casa seria seu tio.
De uma distância longa Steven conseguiu observar de longe a casa de seus tios, era estilo chalé. Era feita de madeira escura e não tão grande, mas do tamanho suficiente para o conforto de quatro pessoas.
Quando estavam conseguindo enxergar o muro do reino, Bertwin começara a conversar com seu sobrinho.
- Como você está ? – perguntara o tio.
— Sinto que estou bem. – Stevan respondeu a ele.
- Zack fala sobre algo como uma... uma aventura. O que tem a dizer sobre isso ? – perguntou Bertwin.
- Nossa, ele é uma criança, não dê muito atenção ao que ele diz. – disse envergonhado.
- Stevan. Você não respondeu minha pergunta. – disse em um tom sereno.
- Ah, tudo bem, tio. Durante um tempo eu pensaria sobre sair de sua casa e viajar, conhecer o mundo, descobrir coisas. – disse Stevan, quase vermelho.
- Isso é desafiador... Gostei da sua ideia garoto, teria minha benção. – respondeu seu tio Bertwin.
- O que ? Você esta realmente falando sério, tio ? – disse Stevan num tom surpreso.
- Haha! Claro que não estou garoto, mas você estaria por sua própria conta e risco, de mim, ganharia somente a benção e teria que talvez carregar um fardo para você. Zack. – disse Bertwin.
O resto da viagem Stevan estava contente, com um sorriso feliz em seu rosto.
Mesmo não tendo contato o suficiente com seu tio, Stevan o considerava como um segundo pai, ele o cuidará do menino desde mais novo e dará sempre o que foi necessário para viver. Era um homem grande, um corpo não muito atlético, mas não era obeso. Tinha uma barba que chegara até mais ou menos o seu peito, uma barba castanha, assim como os olhos de Zack.
Chegando ás portas do reino, Stevan enxergou algo que se pudesse ficaria olhando para sempre. Ele estaria vendo as quatro torres enormes do castelo, elas estavam em formato de fila indiana, de maior para menor. A quarta torre era esplendida, linda de se ver. As torres eram provavelmente feita de mármore das Cavernas Cristalinas. Mas só conseguira enxergar isso, em volta da cidade havia um muro que parecia infinito, era extremamente gigante.
As portas da entrada do reino eram gigantes, imagino ter pelos 6 metros aprofundado pelo muro. O muro era feito de pedras cinzentas, grandes e na parte de cima eram espetosas.
Os guardas da cidade olhavam com uma cara de superioridade para os dois homens que chegavam de cavalo na cidade.
- Aos serviços do escudeiro do Rei, Sir Wenton. Iremos cuidar dos estábulos reais. – disse o tio de Stevan.
- Você e quem ? – perguntou o guarda, com uma voz irritante aos ouvidos de Stevan.
- Eu. – respondeu Stevan. – O sobrinho de Bertwin Conald.
- Ei! Sobrinho, abaixe a bola. – disse Bertwin nervosamente.
- É. Ok, entrem seus idiotas.
Os guardas abriram as portas gigantes, fazendo um estrondo enorme.
Na cidade batiam raios gigantes de sol, fazia calor. Estranhamente parecia que tinha mais sol dentro da cidade do que no lado de fora e talvez realmente tinha...
Na cidade tinha varias casas, muitos bares e uma parte com vários mercados diferentes, logo depois dos mercados teria uma escada gigante que levava direto até a porta do castelo. Diante a escada descia várias cachoeiras e davam ao um lago que cercava o reino inteiro.
Os estábulos ficavam no lado direito do castelo, na parte mais sombria do reino. Onde se ouviam relinchos de vários cavalos, pareciam selvagens. Stevan e Bertwin subiram as escadas, apressadamente pois estavam atrasados ao seu trabalho. Se aproximaram. Lá dentro os cavalos estavam todos selados, haviam cerca de 14 cavalos, no fim do corredor, estava um cavalo que chamava mais atenção. Era um alado com uma supresa... Grandes asas saiam de sua parte lateral, uma do lado esquerdo e outra do lado direito. Ele era praticamente cinza escuro, quando relinchava, vapores vermelhos saiam de suas narinas, seus olhos brilhavam em um tom dourado forte. Stevan teve a impressão que o cavalo, quando olhará para ele mudará a cor de seus olhos para um vermelho brilhante. Stevan sentiu medo. Era o cavalo do rei Joseph Grégory.
- Tio... Olha essa coisa.- disse Stevan assustado.
O cavalo parecia soltar fogo pelas narinas quando Stevan o chamou de ‘’coisa’’.
- Parece que seu amigo aí não gostou muito do nome carinhoso, sobrinho. – disse o tio com humor.
- É, vamos começar logo tio, não gostei muito desse lugar.
Começamos a limpar os estábulos, estava nojento e fedendo. Não foi nada confortável.
Terminamos perto do fim da tarde, começara a ficar frio e mais escuro do que naturalmente, aquele cavalo estava olhando seriamente á Steven.
— Pronto tio, vamos logo. Essa coisa me assusta. – disse Stevan nervoso.
De repente á porta dos estábulos é aberta. O escudeiro do rei entrou, Sir Wenton. Um homem com olhos friamente escuros, usava uma barba aparada, um cabelo longo e escuro, um sorriso amarelo. Ele fixou o olhar em mim.
— Olá! – disse convencido.
— Oi. – respondeu Stevan e Bertwin ao mesmo tempo.
Os dois fizeram reverencias e se agacharam.
- O que acharam do nosso grande alado cinzento ?
- Assustador. – disse Steven rapidamente.
- Se você não tem nada a esconder, não tema. – disse o Sir Wenton.
- Meu sobrinho não iria se assustar tão facilmente. – disse Bertwin.
- Assim.. Espero, criança. – disse o Sir Wenton.
Então veio um estrondo seguido de um rugido. Então saíram dos estábulos correndo para ver de onde o rugido vinha. Eles olharam desesperados para todos os lados e então eles o viram. Um grande réptil sobrevoava pelo reino, seu rugido causava uma pequena surdez em todos abaixo dele. Ele tinha asas gigantes e uma calda espinhosa, seus olhos eram de um laranja escuro, parecia vermelho sangue. Tinha dentes do tamanho de uma mão humana, mais afiados do que qualquer coisa que Stevan já teria visto. Então uma esfera flamejante saiu em uma velocidade incrível de sua boca. Acertou em cheio á terceira torre. Pedaços de escombros saíram voando pelo ar, junto com dois ou três corpos totalmente desapagados. O monstro rugiu novamente e espalhou o terror no reino. O Sir Wenton e seu tio Bertwin, sacaram duas espadas de aço com um cabo de ferro e foram tentar afastar a fera do Reino.
- Eles voltaram! – gritou o escudeiro.
- Corram ou lutem! Os dragões voltaram – gritou meu tio, Bertwin Conald.
Steven só enxergava flechas indo na direção do majestoso dragão, elas não o afetavam, a sua pele parecia ser feita de diamante, pois era impenetrável, muitas pessoas corriam desesperadas, algumas provavelmente não sabiam o que estava acontecendo. O reino de Ageb estava sendo completamente destruído, incêndios começaram e ninguém sabia o que fazer. O monstro escamoso cuspia bolas de fogo e mataria varias pessoas, adultos, crianças.
O tio de Stevan estava tentando batalhar bravamente contra a fera, quando o monstro pousou no chão, ele cortará um pedação interno de sua asa, o monstro gritou. Ele tentava acertar golpes fatais no seu inimigo, mas ele devia ser quinze vezes maior que ele. O monstro mirou seu olhar nele e rosnou, abriu sua boca mostrando dentes super afiados e surgiu uma esfera de fogo gigante. Bertwin desviou, sua roupa estava chamuscada e boa parte rasgada, não era muito novo mas tinha muita habilidade em campo de batalha, mas contra o monstro.. Nada adiantava. Seus golpes não acertavam ou não causavam dano algum. Flechas de vez em quando fincava na pele do monstro, ele rugia de uma maneira que botaria medo em qualquer ser. O escudeiro do rei tentou atacar, o dragão simplesmente usou sua cauda e o empurrou para longe. O Sir Wenton foi arremessado durante metros e metros, seu corpo estava totalmente deslocado e o homem que Stevan temeria por alguns momentos, morreu em um simples golpe.
Stevan estava surpreendido pela força do monstro que matou um homem em menos de minutos. O monstro era coberto por poucos espinhos brilhantes. O dragão já teria destruído metade do Reino e nada o conseguia parar.
Foi então, naquele momento que um vento cortante passou pelo ar. Um único ataque que decapitou o monstro. Todos ficaram-se perguntando o que tinha acontecido, quando de repente um homem com cabelos longos que usava um rabo de cavalo. Ele usaria uma espada estilo Katana, ele atacou tão rápido o monstro que ninguém percebeu como aconteceu. O estrondo da cabeça da fera caindo no chão foi parecido com um terremoto, logo quando cairá no chão, a cabeça virou algum tipo de energia negra e voou disparadamente para o céu.
O homem agora ficou mais visível, ele tinha uma pele morena clara, usava uma barba mal aparada e um cabelo longo com um comprido rabo de cavalo até a metade de suas costas. Ele usava a espada em suas costas, como se fosse aqueles ninjas do oriente que as pessoas tanto falam. Stevan ficou fascinado, ele olhou o homem com talvez um certo reconhecimento.
-Uma criatura rara, fazia tempos que não via um demônio desses fora do próprio inferno. – disse o homem numa voz rouca suave.
- Você fez o que um exercito inteiro não conseguiu em menos de minutos ? – disse Stevan. – Quem é você ?
- Eu sou um samurai, sou Speyu.
-Samurai ? Que droga é essa ? – perguntou Stevan ao homem.
- Mais respeito e cuidado com suas palavras criança. – disse o homem calmamente.
- Odeio que me chamem assim, eu tenho 14 anos! – disse Stevan indignado.
- Eu sou um samurai, de onde eu vim, somos habilidosos homens que usam espadas leves e elementos da natureza juntos, garoto. – respondeu o samurai deixando duvidas na cabeça de Stevan.
- Como assim ? De onde você vem ? Algum lugar especial ? – perguntou apressadamente Stevan.
- Eu vim depois das montanhas do Oeste, onde os homens e seres são diferentes de vocês do Leste, lá nós sabemos usar a natureza a nossa favor. E certas pessoas sabem usar tão bem que podem reviver criaturas que até antes eram mitos ou foram extintas. Este dragão é só o começo... – disse o samurai Speyu.
- Você diz... Monstros ? Além dos que já existem aqui.. Quer dizer seres mais fortes ? – perguntou um pouco sonhador.
Uma aventura foi tudo que Stevan sempre quis e talvez esteja perto do começo dela.
-Seres muito mais fortes, além de sua imaginação... Francamente, vocês do Leste são tão desinformados. – disse o samurai de uma maneira debochada.
- Então me ensine, me informe, você diz sobre combinar a sua arma e a natureza, me diga o que significa? Foi o que você fez ? – perguntou com olhos cheios de esperança.
- Sim, tenha permissão pra vir comigo e venha, sinto que --- conseguirei fazer você entender e usar essa força. – disse o samurai de uma maneira confiável.
Stevan ficou pensando, porque um convite desses assim do nada ? Provavelmente havia algo diferente.
-Meu tio me permitirá, mas por que você me convidou tão rápido ? – perguntou Stevan curioso.
- Sinto algo que nem mesmo você sente e que se você for como eu penso, poderá ser poderoso neste mundo. Venha comigo, criança.
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