Stellar
4 Capítulo 3 - Sorte Grande! pt 2
Notas iniciais
O capitão não ficara nada surpreso em saber que a ex-capitã da segunda divisão estava envolvida também, afinal Matsumoto tinha ido a Terra, e ela era a peça chave para que aquela armação desse certo. Respirou fundo e observou de longe enquanto Hinamori sorria, um pouco desconfortável como ele podia ver, e recebia o prêmio no palco.
Fora questionada sobre o acompanhante, ‘pura curiosidade’ da pessoa que lhe dera o prêmio. Sorriu, com as bochechas cor-de-rosa e teve a ousadia de dizer a todos que era segredo. O capitão soltou a respiração que não fazia ideia de quando havia começado a prender.
E aquela fora a ultima vez que vira a menina Hinamori, depois de descer do palco a pequena fora arrastada por Matsumoto com alguma desculpa fajuta de comemoração.
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Matsumoto era escandalosa por natureza, e quando estava animada (e alcoolizada) com algo era sobrenaturalmente escandalosa. A pequena Hinamori fora arrastada para uma ‘noite das meninas’ depois que ganhou a rifa.
— Eu realmente tenho que ir trabalhar amanhã, Rangiku-san. – choramingou a menina sendo arrastada para a casa da loira que já estava semi alcoolizada. Abraçou a menina pelos ombros, a trazendo para perto demais.
— Nah, você tem que aproveitarrr – disse ela ruborizada.
Yoruichi que também já estava quase no estágio da companheira loira decidiu acompanhá-las e levou algumas garrafas de sakê para comemorar.
Quando chegaram ao recinto da mulher loira, descobriram que suas bagunças nunca chegariam perto daquilo. A casa estava toda revirada, com roupas pra todos os lados, sacolas de compras de quase todas as lojas de Tóquio (e ela tinha de fato ido a quase todas), uma bagunça geral. Hinamori não se lembrava da casa ser tão bagunçada. Sentiu-se preocupada com a amiga.
Mas naquela noite, sentaram em um canto arrumado, porque Hinamori insistiu em tirar as roupas do chão, e beberam; até mesmo a mais nova decidiu beber, que mal faria?
Depois de muitos copos, Yoruichi puxou o real motivo daquela comemoração.
— Né, Momo-chan, — e riu, — você vai levar o pequeno capitão com você, não é? – tratou de preencher seu copo e o de Matsumoto com mais uma dose de sakê.
A menina já muito corada por conta do álcool não sabia se estava envergonhada ou bêbada.
— Bem, foi o que a Rangiku-san me disse para fazer, entã– Mas antes que a menina terminasse foi interrompida pelo dedo de Yoruichi, que lhe cobria os lábios.
— Você precisa levar ele, – soluçou e chacoalhou o copo derramando do liquido ardido por ai – se não qual o propósito disso? Você precisa mostrar pra ele os poderes de uma mulher! – o modo agressivo em que disse a ultima frase assustou a menina, que se encolheu.
Matsumoto riu e levantou o copo, brindando com a mais velha.
— Sim, Momo-chan, você tem que mostrar todas as suas habilidades ao capitão!
Hinamori queria manter o pudor, mas era muito fraca quando se tratava de álcool.
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No outro dia, era sábado, e então trabalhavam apenas até meio dia, mas era óbvio que Matsumoto nunca trabalhava aos sábados, dava pra contar nos dedos a quantidade de vezes em que ela aparecera no sábado na ultima década.
Quando finalmente deu o horário, o capitão já estava exausto e ansioso, por isso não ficou nem um minuto a mais no seu escritório e foi procurar por Hinamori. Ao chegar ao esquadrão da quinta divisão, descobriu que a menina não viera trabalhar, e isso deixou os companheiros apreensivos, além dele próprio.
O primeiro sábado de neve tinha todos os atributos físicos para ser formidável, mas a expectativa e a preocupação do capitão o estavam arruinando.
Andou por entre a rasa neve que começava a se acumular e observou singelos raios de sol teimando em transpuser as pesadas nuvens de nevasca. Parecia que o sol estava tão ansioso que não poderia se guardar por detrás daquela nuvem nem por um segundo. Queria brilhar. Tinha que brilhar.
Algumas vezes, Hitsugaya gostava de analisar o clima e compará-lo a pessoas. Podia dizer que aquele sol era como Matsumoto, teimoso e determinado. Sorriu um pouco, ela era com certeza teimosa.
Continuou andando, observando o arco íris que se formava quando o sol era refletido na neve.
Aquela era a cota de sossego dele, e aproveitando que já a tinha atingido, decidiu voltar a procurar por Hinamori, e consequentemente, Matsumoto.
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Decidiu optar pela segunda divisão, e mais uma vez sem sucesso. Procurou em mais um bocado de lugares em que poderiam estar, e no final das contas, foi à casa da menina.
Bateu na porta e escutou algumas coisas caírem; alguns minutos se passaram até que uma desarrumada Hinamori abrisse a porta.
— Você está horrível. – disse sem rodeios.
Ela sorriu levemente, e abriu espaço para que passasse.
O capitão observou que a casa de Hinamori continuava a mesma, cheia de livros espalhados, mas organizada em todos os outros aspectos. Ela o levou para a sala e sentou-se no sofá, fechando os olhos em seguida por conta da ressaca.
— Soube que você não foi trabalhar hoje. – ele comentou, observando as reações dela.
A menina se encolheu no sofá e tossiu, massageou a fronte e depois de mais de dois minutos, respondeu:
— É, acordei faz alguns minutos. – a voz estava baixa e fraca.
— Eu não esperava isso de você. – o tom não era divertido, era sério.
A menina continuou na mesma posição.
— Sinto muito, Shiro-chan.
Cansado de observar aquilo, levantou-se e pegou a menina no colo; a princípio, ela se assustou, e até soltou um gritinho histérico quando foi suspensa nos braços fortes do capitão, mas depois se aconchegou em seu peitoril, e ele a colocou na cama.
— Só quero que fique bem, Momo. – disse levemente e beijou a testa da menina.
O capitão passou o sábado cuidando da amiga de ressaca. Mas não perguntou a ela nenhuma vez como acabara naquela condição. Não que ‘não fosse da conta dele’, ele não era do tipo que fazia perguntas das quais já sabia as respostas.
– Seus companheiros estavam preocupados com você. – comentou ele.
— Eu sinto muito. – disse a sonolenta Hinamori.
— Eu estava preocupado com você.
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Enquanto a rotina começava cedo, excepcionalmente sem atrasos, Matsumoto não dava o ar de sua presença mais uma vez. A princípio, o capitão achou comum, afinal era mesmo comum, mas depois de dois dias, se sentiu preocupado, e pensou realmente em partir a procura dela. Era muito comum Matsumoto não ir trabalhar, mas ele sempre recebia ao menos um comunicado inútil de alguma de suas viagens ou doenças fingidas.
O inverno era inebriante, talvez só pra ele, mas mesmo assim, era inebriante; Andar sobre a neve, sentir os pequenos flocos tocarem a pele, aquela brisa fria que causava queimaduras, tudo aquilo era ótimo pra ele. Hitsugaya se perguntava como as coisas tinham acabado daquele jeito, ele sempre tendo que procurar as mulheres que o cercavam, e na maioria das vezes as encontrando em situações desfavoráveis. Desde quando aquilo havia se padronizado?
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Hitsugaya estava em seu caminho para a casa de sua tenente quando acabou encontrando com Hinamori, ela estava com algumas pilhas de papel, muito trabalho.
— Oh, Shiro-chan! – indagou ela ao vê-lo. – Que estranho ver você por aqui...
Cansado de corrigir o apelido pelo título, sem dizer uma palavra pegou metade dos papéis dela.
— Ah, Obrigado. – disse com as bochechas pintadas de rosa.
Ele acenou e a acompanhou até onde alguns oficiais do quinto esquadrão esperavam por ela. No momento de se despedir e ir embora, Hinamori se lembrou de algo;
— Ah, Capitão, você estava indo à casa da Rangiku-san, não? – e surpreendeu ele por lembrar-se de usar o título – Bem, eu estou um pouco preocupada com ela, da ultima vez em que estive lá, estava muito mais bagunçado que o normal, e parecia que ela não comia algo decente há muito tempo. Me pergunto como ela está agora... – sorriu um pouco e deu adeus ao capitão.
Ele estava preocupado.
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Não se importou em bater na porta que já sabia que estava destrancada e adentrou o lugar rapidamente. Em pouco mais de três minutos observando sob a penumbra do local, notou o que Hinamori havia dito, realmente era bagunça incomum até mesmo para Matsumoto.
Pensou em chamar por ela, mas decidiu por não fazê-lo. Atravessou o maior cômodo da casa e encontrou uma Matsumoto extremamente alcoolizada aos prantos sobre algumas sacolas.
— Até pra você, dizer que há algo errado é eufemismo.
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