Stella

40 Capítulo 40 - Stella


Notas iniciais
O último capítulo é um epílogo que se passa 10 anos depois do capítulo 39! Aqui vamos ver as versões adultas de nossos queridos, o que será que eles estão fazendo hoje?

Se alguém me dissesse há dez anos que a garota que vivia trombando nas coisas, brigando na piscina da escola e sendo expulsa de ensaios por ciúme ia acabar aqui, eu teria rido na cara dessa pessoa, e MUITO.

Mas olha só pra mim agora. Despontar no TikTok foi uma loucura. Comecei postando vídeos com incentivo da Melody e do Dean, vídeos bobos como cantando no carro, depois vídeos sendo espontânea. Aquelas performances com o Dean, ou vlogs mais simples tropeçando na rua, discutindo com minha mãe sobre protetor solar, contando histórias do meu passado caótico. E gente né que deu BOOM. Os vídeos viralizaram. Daí veio o convite pra um reality show.

Eu entrei, mas fui expulsa por agressão, e ainda chamei uma participante de cuzona manipuladora, tudo isso ao vivo. Foi épico. E, ironicamente, me deu o melhor pós-reality de todos. Hoje eu sou comunicadora, influenciadora e ainda canto. Já até participei de trilhas de novela, fiz algumas participações em séries da Netflix, desfilei pra uma marca de moda… até que inventei de dar estrelinha na passarela e fui demitida na hora. Que micão.

Atualmente eu apresento um programa semanal chamado “Stella Show”, uma mistura de pop, geek, memes e conversa sincera. É o meu cantinho. Ai eu amo.

Hoje o episódio era especial: A convidada era Margareth, uma influencer de moda que tinha acabado de participar do mesmo reality que eu anos atrás. Ela entrou no estúdio toda produzida, cabelo perfeito, sorriso de comercial. E sim, é exatamente a Margareth, a prima da Melody de dez anos atrás, augeh.

Eu sorri pra câmera, já no meu modo apresentadora profissional.

— Gente, hoje estamos recebendo no Stella Show, a rainha da moda, Margareth, aplausos por favor.

Margareth entrou desfilando e sentou no sofá ao meu lado, cruzando as pernas com elegância.

— Obrigada, Stella. Que prazer estar aqui querida.

– O melhor de tudo é que nos conhecemos há 10 anos atrás, que mundo louco!

– Sim, lembro do talco no secador que você colocou quando fui usar. – Ela dispara de repente. Deixando todos em choque.

Eu inclinei a cabeça, já com o sorrisinho.

— Velhos tempos! Mas falando do presente, depois de tudo que rolou naquele reality, vamos ser sinceras… você saiu escurraçada, né?

Margareth riu, mas devolveu na hora:

— Pelo menos eu não fui expulsa por agressão, né, Stella? E ao vivo ainda, foi icônico.

A plateia do estúdio riu. Eu também.

— Touché. Mas vamos combinar: eu fui sincera. Você foi estratégica. E olha onde a gente tá agora: as duas em primeiro lugar nos trending topics. Eu tô amando essa participação.

Margareth sorriu, mais suave agora.

— Eu também. A gente se trollava pra caramba antigamente, mas no fundo a gente se entendia, né?

Eu assenti.

— Exato. E olha só pra gente hoje. Eu aqui apresentando, você dominando a moda. Quem diria?

A gente trocou um olhar cúmplice. Depois eu completei:

— Sabe o que a gente devia fazer? Marcar um cházinho. Eu, você e a Mellody, que tal?

Margareth riu e concordou.

— Topo. Mas só se não tiver nenhuma coca-cola por perto.

Nós duas rimos, ao nos lembrarmos da trollagem do mentos na coca-cola.

— Sem promessas — eu respondi, piscando pra câmera.

Aliás, o Dean não é mais só “o coreano gato que namorava a Stella”. Ele virou um nome reconhecido pra caralho. Tudo começou com os virais que a gente fazia juntos: ele cantando comigo no TikTok, eu zoando ele, os dois fazendo duetos espontâneos. O público pirou.

Daí ele resolveu montar uma banda de verdade.

O nome? 3PD, o Trio Parada Dura. Dean na guitarra e vocal principal, Christopher Peterson no vocal e baixo (sim, o mesmo Christopher, agora marido do Luke e super talentoso), e Steve (irmão mais novo do Christopher) na bateria. Os três juntos são uma explosão de carisma, talento e caos controlado.

Eles gravaram o primeiro álbum, “CHAOS”, e explodiram. Três músicas entraram direto nas paradas: “Disaster Girl” que teve eu como musa inspiração claro, “Hurricane” e “Perfect to me”. O álbum rodou o país todo. Shows lotados, programas de TV, entrevistas. Dean vive viajando, mas sempre arruma um jeito de me levar junto ou voltar correndo pra casa.

E o shipp? Ah, o shipp “Stellan” (ou “Dealla”, depende do dia) é um dos maiores. Os fãs fazem edits nossos, edits da banda com fotos minhas no meio, edits do Dean me olhando enquanto canta. É fofo e vergonhoso ao mesmo tempo.

A arena estava lotada. Luzes coloridas cortavam o ar, o som da bateria reverberava no peito de todo mundo e o grito da plateia era ensurdecedor.

No palco, a 3PD estava pegando fogo. Dean, no centro, guitarra na mão, cabelo suado colado na testa, cantava com aquela voz grave e rouca que fazia metade da plateia suspirar:

Ao lado dele, Christopher Peterson dividia o vocal e tocava baixo com uma precisão absurda, sorrindo de canto enquanto olhava para o público. Atrás, Steve detonava na bateria como se sua vida dependesse disso.

Na plateia, bem na frente do palco, estava eu e o Luke, lado a lado.

Eu pulava, os olhos brilhando, gritando a letra junto com Dean. Luke, ria alto de felicidade toda vez que Christopher olhava na direção deles e piscava.

Quando a música chegou no refrão final, Dean se aproximou do microfone, suor escorrendo, e apontou direto para a plateia mais especificamente para onde estávamos:

“Essa música é pra todas as garotas desastradas que viraram o melhor caos da nossa vida!”

Gritei tão alto que quase fiquei rouca.

A música terminou com um último acorde forte. O ginásio inteiro explodiu em aplausos. Dean enxugou o suor da testa, sorriu para a multidão e falou no microfone:

— Galera, muito obrigado por estarem aqui hoje. Mas antes de irmos pra próxima, eu queria agradecer especialmente duas pessoas que estão aqui na plateia.

Ele apontou para mim e para o Luke.

— Stella… meu furacão favorito. Você aguentou tudo isso comigo desde os 14 anos. Obrigado por ser o caos mais bonito da minha vida.

– TE AMO MEU AMOR. – Dei um berro

A plateia riu e aplaudiu. Eu cobri o rosto com as mãos, emocionada. Luke acenou, rindo.

Então Christopher pegou o microfone, sorrindo para o Luke com aquele olhar que ainda fazia meu coração apertar de felicidade por eles.

— E pro meu marido Luke, você é a razão de eu ainda acreditar em finais felizes. Obrigado por escolher ficar ao meu lado mesmo quando eu era um idiota no armário. Eu te amo, cara.

Luke ficou vermelho, mas sorriu de orelha a orelha, gritando de volta:

— Eu te amo mais!

Dean riu no microfone e completou:

— Sem vocês dois, nada disso teria acontecido. Então… essa próxima música é pra vocês.

Christopher começou os primeiros acordes de uma versão acústica de “Perfect to me”. Dean olhou para a plateia mais uma vez, sorriu e disse:

— E pra todas as pessoas que, mesmo com alguém que traz muito caos e doideira pra sua vida, escolheram amar esse alguém do jeito que ela é.

Eu senti as lágrimas subirem. Luke apertou meu ombro, emocionado.

No palco, Dean começou a cantar a primeira estrofe, olhando diretamente para mim:

“And I found a love for me… Darling, just dive right in and follow my lead…”

Eu cantei junto, baixinho, os olhos fixos no homem que eu amava há dez anos. Luke, ao meu lado, cantava também, olhando para Christopher com o mesmo brilho nos olhos.

E naquele momento, com a voz do Dean ecoando pelo ginásio, tudo parecia ter feito sentido.

E sobre o Luke, ele virou modelo de sucesso. Sim, o mesmo Luke Watson que eu passei anos babando. Hoje ele é um dos rostos mais requisitados do país. Campanhas de perfume, editoriais de moda, desfile, o cara tá em todo lugar. O Instagram dele é um escândalo: milhões de seguidores, fotos incríveis e comentários cheios de corações.

Eu tava assistindo uma sessão de fotos dele outro dia, quando recebi um stories do próprio Luke. Ele estava no meio de um set, camisa aberta, cabelo perfeito, posando com cara de galã. De repente ele olhou pra câmera e falou direto:

— Stella, se você estiver vendo isso para de rir. Eu sei que você tá rindo. E diz pro Dean que se ele continuar postando foto sem camisa com você, eu vou processar por concorrência desleal.

Eu caí na gargalhada sozinha no sofá. Respondi o stories na hora:

“Cala a boca, reizinho. Você tá bonito demais. Manda um beijo pro Chris.”

E sobre a Sunny e a Malia… ah, essas duas.

A Sunny seguiu carreira como influenciadora de luxo e empresária. Hoje ela tem uma marca de maquiagem própria e vive viajando pelo mundo. Ela continua sendo a mesma drama queen de sempre, mas de um jeito mais... nem sei dizer. Controlada e Sunny na mesma frase chega a ser um absurdo.

Já a Malia virou skatista profissional e criadora de conteúdo de lifestyle urbano. As duas estão juntas há quase oito anos. Ainda trocam farpas como se fosse oxigênio, mas agora é puro carinho disfarçado.

Outro dia eu vi um stories delas. Sunny estava se arrumando pra um evento chique, toda glamorosa. Malia apareceu atrás dela, de moletom e boné virado pra trás, abraçando ela por trás.

— Olha só pra você, toda emperiquitada — Malia provocou. — Vai conquistar o mundo ou só vai humilhar as outras influencers?

Sunny virou o rosto, sorrindo com aquele ar de superioridade que nunca perdeu:

— As duas coisas, amor. E você? Vai continuar parecendo que acabou de sair de um half-pipe ou vai se arrumar pra me acompanhar?

Malia deu um beijo no pescoço dela e respondeu:

— Eu vou do jeito que eu sou. E você me ama assim mesmo.

Sunny revirou os olhos, mas o sorriso traía tudo:

— Infelizmente, sim.

Eu comentei o stories só com um emoji de fogo.

(POV da Melody)

Eu nunca imaginei que um dia estaria sentada numa mesa longa, com uma fila enorme de pessoas esperando por um autógrafo meu.

Mas aqui estou eu.

A sessão de fanmeeting do meu livro “Lance e Relance” estava lotada. O livro, uma comédia romântica cheia de bagunça, brigas bobas, reconciliações dramáticas e muito amor, tinha virado best-seller. Eu sorria, assinava, tirava fotos e respondia perguntas com o coração cheio.

Uma garota de uns 19 anos se aproximou, olhos brilhando:

— Melody, eu amei demais a personagem da “S.”! Ela é tão caótica e ao mesmo tempo tão real. Você se inspirou em alguém?

Eu ri, já sabendo exatamente de quem ela estava falando.

— Me inspirei em muita gente. Mas sim… a “S.” tem bastante da minha melhor amiga que vem lá da adolescência. Ela era um furacão. Ainda é.

Foi nesse momento que eu ouvi uma voz familiar vinda do lado da fila, acompanhada de uma câmera:

— Com licença, posso fazer uma perguntinha pra autora do momento?

Eu levantei o olhar e lá estava ela.

Stella Carter.

Cabelo ainda bagunçado de propósito, sorriso enorme, microfone na mão e uma equipe pequena gravando para o Stella Show.

— Stella! — eu gritei, levantando da cadeira.

Ela veio correndo e me abraçou forte por cima da mesa, rindo.

— Surpresa! Vim fazer uma matéria pro programa. Não podia perder a chance de entrevistar a minha escritora favorita.

A plateia aplaudiu, achando que era parte do evento. Eu ri, ainda abraçada nela.

Depois de um minuto de gritinhos e abraços, ela sentou do outro lado da mesa, microfone na mão, no mood profissional.

— Então, Melody me conta mais sobre o Lance e Relance. É um romance com comédia, certo? Muita gente diz que parece babadeiro.

Eu sorri, já sabendo onde ela queria chegar.

— É sim. É uma história de dois idiotas que se amam no meio de muita bagunça. Muita coisa foi inspirada no meu relacionamento real com o Zack. As brigas bobas, as reconciliações, as trollagens, tudo isso saiu da nossa história.

Stella inclinou a cabeça, fingindo surpresa.

— Ah, é? E me conta, tem uma personagem inspirada em mim nesse livro?

Eu ri alto.

— Tem. A “S.”. Caótica, ciumenta, dramática, mas com um coração enorme. E eu amei escrever ela.

Stella colocou a mão no peito, emocionada.

— Eu já li o livro antecipadamente é claro, e amei demais. A “S.” é maravilhosa. Um pouco exagerada em algumas partes, mas... MARAVILHOSA!.

A gente riu juntas. A plateia também.

Stella continuou:

— E o Zack? Como ele reagiu ao virar personagem de best-seller?

— Ele adorou. Vive se gabando que é o “museu” da autora — respondi, revirando os olhos com carinho.

Mais tarde, depois da sessão, eu passei na empresa de games onde Zack agora é sócio.

Ele tinha entrado como programador e, com o tempo, virou sócio de uma das maiores empresas de jogos indie do país. Hoje eles desenvolvem jogos cheios de humor, histórias emocionantes e personagens imperfeitos.

Eu entrei na sala dele carregando uma marmitinha quente.

— Oi, amor. Trouxe seu almoço favorito: estrogonofe com batata palha extra.

Zack levantou o olhar da tela, sorriu daquele jeito que ainda me desmonta depois de tantos anos e se levantou.

— Você é a melhor esposa do mundo.

Ele veio até mim, me puxou pela cintura e me deu um beijo apaixonado, daqueles demorados, como se ainda estivéssemos no começo de tudo.

Quando nos afastamos, ele encostou a testa na minha.

— Como foi a sessão?

— Foi incrível. A Stella apareceu de surpresa pra fazer matéria. A gente riu bastante.

Zack sorriu, orgulhoso.

— Claro que ela apareceu. Ela não perde uma oportunidade de aparecer na vida da gente.

Eu ri e dei outro beijinho nele.

— E você? Como tá o novo jogo?

— Indo bem. Mas nada me motiva mais do que saber que minha esposa vai trazer estrogonofe.

A gente se beijou de novo, mais calmo, mais doce.

E ali, no meio do escritório dele, com o cheiro de comida caseira e o barulho distante dos computadores, eu pensei:

Dez anos depois e a gente ainda se ama como dois idiotas que se encontraram no meio do caos.

E eu não mudaria nada.

(Fim POV da Melody)

Vocês sabiam que eu e o Dean nos casamos há pouco tempo?

FLASHBACK CASAMENTO

Eu estava no salão me arrumando quando derrubei um copo inteiro de suco de laranja no vestido branco. O tecido ficou com uma mancha enorme e laranja bem na frente.

— MÃE! EU ESTRAGUEI O VESTIDO! — gritei, desesperada.

Minha mãe entrou correndo, viu a mancha e quase teve um treco.

— Meu Deus, Stella! Como você consegue ser tão desastrada até no dia do seu casamento?!

— Eu tava nervosa! — respondi, quase chorando. — Agora eu vou me casar parecendo que tomei banho de suco!

Ela pegou um pano úmido e começou a esfregar como se sua vida dependesse disso.

— Vai dar certo, vai dar certo… respira. Você ainda é a noiva mais linda que eu já vi. Pra sua sorte compramos um vestido reserva porque eu sabia que você ia fazer lambança.

– MEU DEUS, VOCÊ É A MELHOR MÃE DO MUNDO!!!

Enquanto isso, na igreja, o Dean estava um caco de nervoso.

Quando chegou a hora dele entrar, ele tropeçou no próprio pé no meio do altar. Caiu de joelhos bem na frente de todo mundo. O barulho foi tão alto que metade da igreja soltou um “oooh”.

Ele se levantou rápido, rosto vermelho, mas rindo.

— Desculpa, eu juro que não foi ensaiado.

A plateia riu. E o pior (ou melhor) momento foi quando meu pai ia me levar até o altar.

Ele errou o caminho da igreja. Literalmente. Entrou na rua errada, deu duas voltas, e eu no banco de trás, de véu e tudo, quase surtando.

— Pai, a igreja é pra esquerda! ESQUERDA!

— Eu sei, filha, eu sei! — ele respondeu, suando. — É que tem muito carro…

É tem coisas que nunca mudam. No final, chegamos atrasados uns quinze minutos. Quando eu entrei na igreja, todo mundo já estava rindo. Meu pai me entregou pro Dean com cara de quem tinha corrido uma maratona.

A cerimônia foi simples, bonita e cheia de risadas. Minha mãe chorou o tempo inteiro. No momento em que o padre perguntou se eu aceitava Dean como meu marido, ela desmaiou dramaticamente no colo do meu pai. Zack teve que abanar ela com o folheto da cerimônia.

Quando chegou a hora do “pode beijar a noiva”, Dean segurou meu rosto com as duas mãos, olhou nos meus olhos e sorriu daquele jeito que ainda me desmonta.

— Eu te amo, Stella Carter. Desde o dia que você derrubou café em mim.

— Eu te amo mais, Kwon Dean. As maiores testemunhas são o Carter e o Bombom, mesmo que ambos estejam no céu agora.

Sorrimos emocionados. A gente se beijou.

Foi um beijo longo, emocionado, cheio de tudo que a gente viveu juntos: as brigas, as reconciliações, os tropeços, as risadas, o caos. Todos da igreja comemoraram, todas as madrinhas e padrinhos que vieram da nossa juventude como a Luana, Chris, Tyler, Luke, e claro, minha amiga Melody.

Quando nos afastamos, a igreja inteira aplaudiu. Minha mãe acordou do desmaio só pra chorar mais. Zack e Melody gritavam. Luke e Christopher assoviavam. Eu olhei pro Dean, ainda de mãos dadas, e pensei:

PORRA QUE HOMÃO.

***

A mala estava aberta no meio da sala, metade das roupas jogadas no chão, e eu já estava surtando.

— Dean, pelo amor de Deus, você vai levar só três camisetas pra uma viagem de dez dias? — eu perguntei, jogando mais uma bermuda dentro da mala.

Dean apareceu na porta do quarto, só de calça jeans, sem camisa, segurando dois pares de tênis.

— Eu sou homem simples, Stella. Camiseta, bermuda, sunga e você. O que mais eu preciso?

Eu joguei uma meia nele.

— Você precisa de roupa pra quando a gente sair do quarto, seu tarado!

Ele riu e veio me abraçar por trás, beijando meu pescoço.

— A gente pode ficar pelado o tempo todo. É lua de mel, né?

— Minha mãe vai ter um treco se souber que o genro dela tá planejando passar dez dias sem roupa.

— Sua mãe já passou protetor solar em mim no dia do casamento. Eu sobrevivo a qualquer coisa.

Nós dois estávamos rindo quando a campainha tocou. Melody e Zack entraram sem esperar convite, como sempre.

— Chegamos pra zoar os pombinhos antes da viagem! — Zack anunciou, já roubando um pacote de biscoito da cozinha.

Melody veio direto me abraçar.

— Deixa eu ver se a mala da Stella tá caótica… Nossa, tá pior do que eu imaginava.

— Cala a boca, eu tô nervosa! — reclamei, rindo.

Dean se aproximou do Zack e deu um soquinho no ombro dele.

— E aí, cunhado? Vai sentir saudade de mim?

Zack fez cara de nojo exagerada.

— Saudade zero. Finalmente vou ter paz sem você roubando minha irmã o tempo todo.

— Que isso pô, sabe como é divertido pra mim tirar uma com sua cara. — Dean disse rindo.

Melody e eu nos olhamos. O mesmo pensamento maligno passou pela nossa cabeça ao mesmo tempo: Uma pequena trollagem.

— Sabe o que seria engraçado? — eu disse, sorrindo.

Antes que os dois pudessem reagir, eu e Melody seguramos os rostos deles e empurramos um contra o outro.

— SE BEIJEM. — nós duas gritamos juntas.

Zack e Dean se beijaram e se afastaram imediatamente, fazendo cara de horror.

— Que nojo! — Zack reclamou, limpando a boca com as costas da mão.

Dean riu, mas apontou pra gente.

— MALUCAS.

— Foi só uma brincadeirinha! — eu disse, morrendo de rir.

Melody ainda estava rindo.

— Vocês ficariam lindos juntos. Imagina o casal.

— Nem morto — Dean e Zack falaram ao mesmo tempo.

Eu e a Melody demos um selinho e sambamos na cara deles. Depois de mais algumas zoações, chegou a hora de ir embora. Dean fechou a mala, depois de eu enfiar mais uma blusa dentro e nós quatro ficamos na porta de casa.

Melody me abraçou forte.

— Se diverte muito, tá? E manda foto. DECENTES.

— Prometo só fotos decentes — respondi, apertando ela. — Cuida do meu irmão, hein? E não deixa ele comer miojo todo dia.

Zack deu um abraço rápido em Dean.

— Cuida da minha irmã. Se ela voltar grávida, eu te mato.

Dean riu.

— Pode deixar. Vou trazer ela inteira… mais ou menos.

Eu dei um último abraço no Zack.

— Te amo, seu idiota. Não arruma muita confusão enquanto eu estiver fora.

— Eu? Nunca — ele respondeu, bagunçando meu cabelo.

Dean segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.

— Pronta, senhora Kwon?

Eu sorri, sentindo o coração cheio.

— Pronta, senhor Carter.

A gente se despediu mais uma vez e entrou no carro. Enquanto Dean dava a partida, eu olhei pelo retrovisor: Melody e Zack acenando na porta de casa.

Eu me virei para Dean, sorrindo.

— Lua de mel, hein? Vamos ver se a gente consegue não estragar tudo.

Ele riu, apertando minha mão.

— Com a gente? Nunca. Mas vai ser divertido tentar.

E assim, com o carro andando e o coração leve, partimos para a nossa lua de mel.

O carro já estava rodando há uns vinte minutos quando eu finalmente consegui parar de rir da cara do Dean dirigindo com uma mão só e a outra ajeitando o GPS.

— Para de olhar pra mim assim — ele disse, sorrindo de lado. — Eu tô tentando me concentrar na estrada.

— Eu não tô olhando. Eu tô admirando meu marido — respondi, esticando o braço pra bagunçar o cabelo dele. — Meu marido lindo, que agora tem que aguentar uma viagem de quatro horas comigo.

Dean riu e apertou minha coxa de leve.

— Quatro horas pra chegar lá. Eu ainda preferia ter pego um avião. Mas você quis algo mais calmo e romântico.

— Calmo e romântico com a gente? A gente vai transformar lá em zona de guerra em dois dias, você vai ver.

A gente já tinha conversado sobre isso mil vezes nos últimos meses: pouco depois do casamento, a gente ia se mudar pro nosso apartamento novo (um duplex pequeno, mas com uma varanda incrível que eu já estava sonhando em encher de plantas e bagunça). E, claro, logo depois da lua de mel, íamos adotar novos pets. Eu queria um cachorro bagunceiro. Dean queria um gato que odiasse todo mundo menos ele. Ia ser divertido.

De repente, Dean franziu a testa olhando pro GPS.

— Amor… você colocou o endereço certo? Tá falando pra virar à esquerda aqui, mas não tem nada à esquerda.

Eu peguei o celular dele e olhei.

— Dean… VOCÊ COLOCOU O ESTADO ERRADO.

Ele piscou duas vezes.

— MENTIRA.

— É SÉRRIO — eu comecei a rir tanto que quase chorei. — ESTAMOS INDO PRO LUGAR ERRADO HÁ QUASE 20 MINUTOS!

Dean encostou o carro no acostamento, desligou o motor e encostou a testa no volante, rindo também.

— Meu Deus, eu sou um idiota. Casamos ontem e eu já tô levando minha esposa pro estado errado em plena lua de mel.

— Isso é tão a gente — eu disse, ainda rindo.

Ele virou o rosto pra mim, olhos brilhando de diversão e amor.

— E você ainda quer passar o resto da vida comigo?

— Quero. Mesmo que a gente acabe em no lugar errado, mesmo que a gente adote dez gatos que odeiem você e um cachorro que destrua o sofá novo do apartamento. Eu quero passar o resto da minha vida com você, Dean.

Dean se aproximou, segurou meu rosto com as duas mãos e me deu um beijo lento, gostoso, ainda com gosto de champanhe da festa.

Quando nos afastamos, ele encostou a testa na minha.

— Eu te amo, Stella.

— Eu te amo mais — respondi, sorrindo.

Nos aproximamos e nos beijamos apaixonadamente ali mesmo. Me senti realmente em um filme de comédia romântica, inclusive preciso passar tudo isso pra Melody, pra que no próximo livro hit dela seja inspirado na gente.

— Agora vira esse carro antes que a gente acabe em outro país.

Ele ligou o motor de novo, ainda rindo.

— Vamos pro lugar certo agora. E depois… pro nosso apartamento novo. Fechou?

Eu segurei a mão dele por cima do câmbio.

— Fechou. É perfeito. Nosso futuro lar doce lar.

Dean apertou minha mão de volta.

— Com você é sempre. É exatamente como eu quero passar o resto da minha vida.

– AVANTE FUTURA VIDA PERFEITA. – Gritei enquanto o carro voltava a andar.

A gente seguiu viagem, rindo, cantando errado as músicas que tocavam no rádio, fazendo planos bobos sobre o apartamento e os futuros pets. Mesmo com o GPS errado, com a bagunça, e com tudo que podia dar errado. Essa lua de mel iria ser perfeita.

Pessoas da terra, para quem possa interessar, sou uma mulher de 28 anos que tem um marido incrível, uma família doida, amigos maravilhosos e a terapia em dia, eu não poderia estar mais feliz em ser Stella Carter.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!