Stella

39 Capítulo 39 – Sendo maneira de verdade


Notas iniciais
Acharam que ela não seria maneira nessa fase? *oo*

— NÃO APONTA ISSO PRA MIM! — eu gritei, me escondendo atrás do sofá.

— Eu sei abrir uma champanhe! — meu pai respondeu, claramente não sabendo.

— Você falou isso da última vez e quase despencou o ventilador do teto! — Zack entrou na frente, rindo.

Minha mãe, como sempre, estava em modo controle absoluto.

— Pelo amor de Deus, segura direito!

— Relaxa! — meu pai girou a rolha.

POP!

A rolha voou. Direto na parede.

— …foi calculado — ele disse.

O dia da formatura chegou e, claro, minha casa virou um furdunço completo.

Desde as sete da manhã a gente já estava correndo de um lado pro outro. Minha mãe gritava com o secador de cabelo na mão, meu pai tentava gravar tudo com o celular virado do lado errado, e o Zack só fazia zoar enquanto tentava amarrar a gravata torta.

— Stella, pelo amor de Deus, para de mexer no cabelo! — minha mãe berrou. — Você vai desfazer o mega hair que o salão da Irene ajudou a arrumar!

— Eu tô nervosa, mãe! — gritei de volta, olhando pro espelho. — Eu sou a oradora da turma! Se eu gaguejar, a escola inteira vai rir de mim pra sempre!

— Relaxa, maninha. Se você gaguejar, eu filmo em câmera lenta e posto no grupo da família. Vai ser épico.

— Zack, cala a boca! — eu e minha mãe gritamos ao mesmo tempo.

Minha mãe levantou a taça, olhos marejados.

— À minha filha, que passou por tanta coisa… brigas, dramas, amores, desamores… e ainda assim tá aqui, linda, forte e pronta pro mundo. Eu tô tão orgulhosa de você, meu amor.

Eu senti o nariz arder.

— Mãe… para, você vai me fazer chorar e borrar a maquiagem toda.

Zack ergueu a taça, sorrindo.

— E um brinde ao Dean, que aguenta esse furacão todo dia. O cara merece um troféu.

Eu ri e dei um tapa no braço dele.

— Cala a boca, idiota. Mas… é. Um brinde ao Dean também.

A gente bateu as taças de plástico e bebeu. Meu pai tossiu, porque a champanhe era horrível.

— Isso aqui é mais gás que bebida — ele resmungou.

— É o que tinha no mercadinho — minha mãe defendeu. — O importante é o gesto! E outra, estava na promoção.

Eu olhei pra eles, minha família maluca, barulhenta, superprotetora e completamente amorosa e senti um quentinho no peito.

— Obrigada, gente. Por tudo. Mesmo quando eu era insuportável.

— Você ainda é insuportável. Mas a gente te ama assim mesmo. – Zack diz, sorrindo.

Formatura.

Aquilo era real.

— Tá… — eu olhei pros três. — Isso é meio estranho.

— Estranho? — Zack arqueou a sobrancelha.

— Tipo, eu sobrevivi à escola.

— Milagre coletivo — ele respondeu.

— Eu não fui expulsa — continuei.

— Por pouco — minha mãe comentou.

— Eu tenho amigos de verdade — eu disse, mais baixo.

Meu pai levantou a taça.

— Um brinde.

A gente levantou junto.

— À Stella — ele disse. — Que deu MUITO trabalho…

— EI!

— …mas que também surpreendeu a gente em cada etapa.

Minha mãe sorriu, com os olhos já brilhando.

— À Stella — ela completou — que cresceu, mesmo achando que não.

Zack levantou a taça também.

— À minha irmã, a doida!

— Obrigada, Zack, muito motivador.

Eu revirei os olhos, mas sorri.

Respirei fundo.

— À mim — eu disse. — Porque, sinceramente, eu mereço né.

A gente bateu as taças.

A escola estava diferente. Não era mais aquele lugar de guerra emocional diária. Agora tinha luz, decoração, gente arrumada demais pra própria personalidade. Todo mundo usando beca. Todo mundo fingindo maturidade, alguns até convencendo.

Eu ajustei a minha roupa de formatura, olhando em volta.

Sunny estava lá com Malia, obviamente discutindo sobre alguma coisa irrelevante, mas sem se desgrudar.

Melody também estava linda, tranquila, diferente. Melhor. Ela me viu e nos abraçamos.

– Obrigada por vir amiga. – Falei, a apertando no abraço.

– Você vai na minha também né fofa, já é essa sexta! – Ela respondeu.

– A é né.

Luke e Christopher estavam sentados juntos, conversando como se o mundo não fosse acabar dali a alguns minutos.

Dean encostado na parede, me olhando com aquele meio sorriso.

Eu respirei fundo.

— Vai dar certo — ele disse, como se lesse minha mente.

— Eu sei — respondi.

Mentira, mas eu queria acreditar que sim!

A diretora subiu no palco, toda emocionada, e fez um discurso longo sobre “o futuro brilhante que nos espera”. Depois chamou meu nome.

— Stella Carter, oradora da turma!

Eu subi no palco com as pernas tremendo. Olhei pra plateia: minha mãe chorando, meu pai gravando tudo, Zack fazendo joinha, Melody e Zack de mãos dadas, Dean na primeira fila sorrindo pra mim como se eu fosse a única pessoa no mundo.

Respirei fundo.

Eu subi. A respiração meio errada, as mãos levemente trêmulas. Mas quando eu cheguei lá… Olhei pra todo mundo.

— Oi, gente… Eu sou a Stella Carter. E se vocês me conhecem, sabem que eu passei boa parte desses anos sendo uma bagunça ambulante. E eu não vou mentir… eu realmente não achei que ia chegar até aqui.

Algumas risadas.

— Tipo… honestamente. Existiram várias versões possíveis do meu futuro, e muitas delas envolviam expulsão.

Mais pessoas riram, e eu comecei a me sentir mais a vontade no discurso.

— Mas… de alguma forma… eu tô aqui.

Respirei.

Olhei pra frente.

— E olhando pra todo mundo… eu acho que a gente pode concordar em uma coisa.

— A gente sobreviveu.

Dessa vez, aplausos leves.

— Eu briguei, trollei, me apaixonei, me desapaixonei, causei caos… mas também aprendi. Aprendi que a escola não é só prova e lição. É sobre as pessoas. Sobre amores que nascem nos corredores, intrigas que viram amizade, mentiras que doem e verdades que nos fazem criar asas. Sobre desafios que a gente acha que não vai superar e quando menos percebemos, a gente vai lá e supera.

Minha voz abaixou um pouco.

— Ninguém aqui foi perfeito.

Olhei ao redor.

— A gente brigou. Mentiu. Se machucou. Machucou os outros.

Pausa.

— Mas também… a gente amou.

Aquilo ficou no ar.

— A gente criou amizades. Algumas deram certo… outras não. Algumas ficaram… outras viraram memória.

Olhei pra Melody.

Pra Sunny.

Pro Dean.

— A gente mudou.

Respirei fundo.

— E talvez seja isso que mais importa.

Minha voz ficou mais firme.

— Não quem a gente foi no começo… mas quem a gente escolheu ser no final.

Eu pausei, olhando pro Dean.

— Aprendi que a gente pode começar uma fase achando que vai viver em guerra com o mundo… e terminar ela em paz. Com amigos verdadeiros, com uma família doida que nos ama, e com alguém que vê o furacão e ainda escolhe ficar.

— Aprendi que dá pra errar… e ainda assim tentar fazer melhor.

Minha voz falhou um pouco.

— Então… obrigada. Obrigada à escola, aos professores, aos amigos, aos inimigos, à minha família e ao Dean. Eu não sou mais a garota que vivia em guerra com o mundo.

Eu sorri, lágrimas escorrendo.

— E eu ainda sou eu. Nós ainda somos nós.

A plateia explodiu em aplausos. Eu desci do palco direto pros braços do Dean, que me esperava com um abraço enorme.

E ali, no meio de todo aquele barulho, eu soube que o capítulo mais caótico da minha vida tinha chegado ao fim.

Mas a história? Essa estava só começando. E agora eu acho que realmente estou sendo maneira de verdade.