Stella

38 Capítulo 38 – Prom


Notas iniciais
CHEGOU O PROM DA STELLA AAAAA

O dia do baile chegou e, como era de se esperar, eu estava dando a loka. .

Olhei pro espelho do meu quarto pela milésima vez. O vestido preto com detalhes neon que eu tinha escolhido na loja parecia bom na loja. Agora, com a luz do quarto, eu só via uma garota que parecia ter sido atropelada por um arco-íris.

Meu cabelo estava solto, com ondas largas que caíam até o meio das costas, levemente bagunçadas de propósito , ou pelo menos era o que a cabeleireira disse. Algumas mechas com reflexos sutis em neon (ideia que parecia genial duas semanas atrás) agora pareciam gritar por atenção.

Minha maquiagem estava i-m-p-e-c-á-v-e-l.

Pele bem iluminada, blush rosado alto nas bochechas, delineado preto puxado e preciso, quase agressivo , com um toque de sombra cintilante nos cantos internos dos olhos. Nos lábios, um gloss leve que refletia a luz toda vez que eu me mexia.

Eu parecia prontinha pra estampar uma capa de revista, bem diva, amo.

— Mãe, isso não caiu bem! Eu tô parecendo uma tonhona que tentou ser fashion e falhou miseravelmente! — berrei, puxando a barra do vestido.

Minha mãe apareceu atrás de mim, já com o tubo de protetor solar na mão (óbvio).

— Stella Carter, você tá LINDA! Olha esse caimento! Olha esse brilho! Você tá parecendo uma estrela!

— ESTRELA? Eu tô parecendo uma lâmpada de LED quebrada! — gritei de volta.

— Para de drama! — ela puxou o vestido levemente pra cima no meu ombro. — Seu cabelo tá maravilhoso, sua maquiagem tá perfeita, e esse vestido foi você que escolheu!

— Exato! — eu apontei pra mim mesma no espelho. — Esse foi o erro!

Ela bufou.

— Você pediu algo diferente.

— Diferente é uma coisa, isso aqui tá mais pra evento paranormal!

A gente começou a discutir de verdade agora.

Eu puxando o vestido pra baixo, ela ajustando pra cima. Eu reclamando do brilho, ela elogiando o acabamento. As duas falando ao mesmo tempo, mais alto a cada segundo.

— Tá curto!

— Não tá!

— Tá chamando atenção demais!

— Esse é o objetivo!

— Eu tô ridícula!

— Você tá incrível!

— EU PAREÇO UM POSTE DE FESTA JUNINA!

— VOCÊ PARECE UMA IDOL DE K-POP!

Meu pai apareceu na porta, já com aquela cara de quem perdeu a paz há uns bons minutos.

A gente começou a discutir aos berros, eu puxando o vestido pra baixo, ela puxando pra cima, as duas falando ao mesmo tempo.

Meu pai apareceu na porta, suspirou e falou bem alto:

— Gente... ela está linda. Ponto final. Agora parem de gritar antes que os vizinhos chamem a polícia achando que tá tendo briga doméstica aqui.

Eu e minha mãe paramos na hora. Meu pai sorriu, orgulhoso.

— Você tá linda, filha. De verdade.

Minha mãe ficou quieta um segundo, depois me virou de frente pra ela. Os olhos dela estavam marejados.

Aquilo me desmontou um pouco.

Minha mãe ficou quieta por um segundo, o suficiente pra eu perceber.

Ela me virou de frente pra ela, com cuidado, como se eu fosse quebrar.

Os olhos dela estavam marejados.

Droga.

— Stella… — a voz dela saiu mais baixa agora — eu tô tão orgulhosa de você.

Eu engoli seco.

— Olha só onde você chegou… — ela continuou, segurando meus braços. — Fechando uma fase tão importante da sua vida, depois de tanta bagunça, tanta briga, tanta loucura…

Ela deu uma risadinha fraca, emocionada.

— Você sempre foi intensa… mas agora você tá diferente. Mais forte. Mais consciente. Você cresceu.

Aquilo bateu.

Forte.

— Mesmo com tudo que aconteceu. — ela passou a mão no meu cabelo, ajeitando uma mecha atrás da minha orelha — você tá aqui. Linda. Namorando alguém que te faz bem. Com pessoas que gostam de você de verdade…

Ela sorriu, com os olhos ainda brilhando.

— Eu tô muito orgulhosa da minha menina.

Meu nariz ardeu na hora.

— Mãe… — eu respirei fundo, tentando segurar — Não faz eu chorar agora, pelo amor de Deus. Eu acabei de passar uma hora e meia nessa make. Se eu borrar isso tudo eu vou ter que entrar no baile emulando protagonista de filme de terror, tenha dó da sua filha.

Ela riu no meio das lágrimas.

— Você continua dramática.

— Você continua chorona.

Ela me puxou pra um abraço forte, daqueles que esmagam.

— Eu te amo, sua doida.

— Eu te amo mais, sua superprotetora.

E por um segundo… só um segundo…

eu fiquei ali, quieta. Só sentindo.

A gente ficou abraçada um tempinho, até que ouvimos um barulho vindo da janela.

Dean.

Ele estava lá embaixo, encostado na calçada como se fosse dono da rua inteira, usando um terno preto meio desalinhado gravata frouxa, camisa aberta no primeiro botão e, claro, com o maldito violão de brinquedo rosa-choque na mão.

DE NOVO.

Ele olhou pra cima, me viu na janela… e abriu aquele sorriso torto que sempre me desmontava um pouco mais do que eu gostaria de admitir.

Então começou.

Tocou duas notas no violão de plástico e cantou, com aquela linda voz que não combinava NADA com a situação:

— “Stella, Stella… desce logo que o baile tá te esperando…”

Eu já comecei a rir antes mesmo de ele terminar.

— “Eu tô aqui com meu terno e meu violão de plástico.” — ele continuou, fingindo concentração — “vem cá, que eu quero te levar pra dançar…”

— VOCÊ É UMA PIADA! — eu gritei da janela, rindo alto.

— E você tá demorando! — ele respondeu, apontando pra mim com o “violão” como se fosse uma guitarra de rock.

— Isso não é nem um instrumento de verdade!

— O sentimento é de verdade, é o que interessa! — ele rebateu, dramático.

Eu balancei a cabeça, rindo, sentindo aquele calor estranho no peito que sempre aparecia quando ele fazia essas coisas idiotas.

— Espera aí!

Saí correndo do quarto, quase escorregando no tapete, ignorei completamente minha mãe falando alguma coisa sobre “não correr de salto” e desci as escadas praticamente pulando degraus.

Abri a porta com tudo.

E sem pensar duas vezes, corri até ele.

Me joguei praticamente em cima do Dean, que mal teve tempo de reagir, ele só me segurou pela cintura, dando dois passos pra trás pra não cairmos juntos.

— Você é RIDÍCULO! — eu falei, ainda rindo, com as mãos apoiadas nos ombros dele.

Ele me olhou por um segundo. E dessa vez não tava zoando. O olhar dele desceu devagar do meu cabelo, passando pela maquiagem, até o vestido.

Um segundo de silêncio.

— …caralho — ele murmurou, quase pra si mesmo.

Eu senti o rosto esquentar na hora.

— Que foi? — tentei disfarçar, ajeitando o cabelo — Tá uma merda?

Ele soltou uma risadinha leve, aproximando mais o rosto do meu.

— Tá tão bom que mais um pouco perco o controle.

Eu revirei os olhos, mas sorri.

— Palhaço.

— Eu avisei que você ia ficar linda — ele deu de ombros — você que não acredita em mim.

— Eu ainda não acredito.

— Então deixa eu te convencer.

Ele me puxou de leve pela cintura e me deu um beijo rápido, o suficiente pra fazer meu cérebro esquecer completamente como funcionava por uns bons segundos.

Quando ele se afastou, ainda tava sorrindo.

— Pronto. Agora você acredita?

— Não — eu respondi, tentando parecer normal — mas vou pensar.

Ele riu.

— Ótimo. Meu trabalho aqui tá feito.

Eu olhei pra ele melhor agora.

— Você tá arrumado até demais.

— Eu posso ser um desastre — ele deu uma leve inclinada, fingindo elegância — mas hoje, um desastre bem vestido.

— A gravata tá torta.

— É estilo.

— É preguiça.

— É charme.

— É falta de coordenação motora.

Ele fingiu estar ofendido.

— Você acabou de destruir minha autoestima.

— Você não tem autoestima, você tem coragem.

Ele riu alto dessa vez.

Ele estendeu a mão, ainda segurando o violão de brinquedo na outra.

— Então… — ele disse, com aquele meio sorriso — vamos pro baile?

Eu olhei pra mão dele, depois pra cara dele, depois aquele violão, e ri. Eu amo esse cara.

Balancei a cabeça, sorrindo.

— Vamos.

O baile estava lotado.

Dean segurou minha mão enquanto a gente caminhava pelo salão iluminado. As luzes piscavam em tons de roxo e azul, o globo de espelhos girava no teto e a música estava alta o suficiente pra fazer o chão vibrar. E ali, no meio de toda aquela gente, reencontramos o elenco completo da nossa novela.

Sunny estava no centro de tudo, como sempre. Ao lado dela, Malia Knight, de jaqueta de couro por cima do vestido, skate encostado na parede (sim, ela trouxe o skate pro baile). As duas trocavam farpas, mas os olhares… os olhares diziam outra coisa.

— Olha só quem resolveu aparecer — Sunny disse, cruzando os braços. — A que vive fugindo de mim.

Malia deu um sorrisinho sarcástico, mas os olhos dela brilhavam.

— E olha só quem resolveu me coroar rainha do baile. Tá ficando mole, Sunny?

Sunny revirou os olhos, mas o canto da boca dela subiu.

— Cala a boca e dança comigo antes que eu mude de ideia.

Malia estendeu a mão. Sunny pegou. As duas foram pra pista, ainda se provocando, mas coladas de um jeito que não deixava dúvida pra ninguém.

Logo ao lado, Karen estava com o novo namorado (aquele tatuado que ninguém lembra o nome). Ela me viu e abriu um sorriso falso.

— Stella! Que bom te ver aqui. Você tá… diferente.

Fingi simpatia e revirei os olhos.

O namorado dela só acenou, sem entender nada.

Melissa e Camily estavam grudadas na Sunny como sempre, uma de cada lado, fofocando sem parar.

— Olha lá a Carter com o coreano — Melissa disse alto o suficiente pra eu ouvir.

Camily deu uma risadinha.

— E a Sunny com a Malia? Isso aí vai dar o que falar.

Becky e Jenny estavam um pouco mais pra frente, tirando selfie atrás de selfie com um filtro de coração brilhante.

— Sorri, Jenny! Isso vai bombar no Insta! — Becky gritou.

— Espera, meu cabelo tá horrível! — Jenny respondeu, já tirando outra foto.

Sofy e Bianca estavam um pouco afastadas, tentando fingir que nunca tinham brigado feio no passado. As duas sorriam forçado, posando juntas como se não tivessem sido processadas pela Sunny e se desentendido por isso.

— Que lindo te ver aqui, Sofy — Bianca disse, voz doce demais.

— Igualmente, Bianca. A gente devia marcar de sair qualquer dia — Sofy respondeu, sorriso tão falso que até eu senti vergonha alheia.

E no meio de tudo isso, o casal que mais brilhava: Luke e Christopher. Eles dançavam coladinhos, como se o mundo inteiro tivesse sumido e só existissem os dois. Luke com a coroa de rei do baile meio torta na cabeça, Christopher rindo baixo de algo que Luke sussurrou no ouvido dele. Era tão fofo que chegava a dar inveja.

Eles conversavam baixinho, rostos próximos, sorrindo o tempo todo.

— Como está se sentindo? — Christopher perguntou, rindo baixo enquanto ajustava a coroa torta no cabelo do Luke.

— Tô feliz demais. — Luke admitiu, corando. — Eu nunca imaginei que ia ganhar isso. Achei que ia ser só… você e eu, dançando escondidos em algum canto.

Christopher sorriu, aquele sorriso calmo e gentil que fazia o Luke derreter.

— Eu gostei de ver você sendo coroado. Você merece, Luke. Você sempre merece o melhor.

Luke ficou ainda mais vermelho. Ele baixou o olhar por um segundo, depois olhou de novo pro Christopher, olhos brilhando.

— Sabe… eu passei tanto tempo escondendo o que sentia por você. Achando que nunca ia poder ter isso. E agora gente tá aqui. Dançando no meio de todo mundo. Sem esconder nada.

Christopher parou de dançar por um instante, segurou o rosto do Luke com as duas mãos e encostou a testa na dele.

— Eu também escondi por um tempo. Mas agora eu não quero mais esconder. Eu quero todo mundo sabendo que você é meu.

Ele inclinou o rosto e beijou o Luke. Foi um beijo doce, calmo, mas cheio de sentimento. Luke correspondeu, passando os braços ao redor do pescoço dele, como se não quisesse soltar nunca mais.

Quando se afastaram, Luke estava sorrindo de orelha a orelha.

— Eu te amo — ele disse baixinho, quase tímido.

Christopher deu um beijo rápido na ponta do nariz dele.

— Eu te amo mais. E vou te dizer isso todo dia, até você cansar.

— Nunca vou cansar — Luke respondeu, rindo.

Eles voltaram a dançar, mais coladinhos agora, Christopher sussurrando algo no ouvido do Luke que o fez rir alto. Pareciam completamente no mundo deles.

Dean apertou minha mão, rindo baixinho.

— Olha só pra gente. Todo mundo aqui tem história. E a gente no meio dessa loucura toda.

Eu sorri, encostando a cabeça no ombro dele por um segundo.

— É. E mesmo assim, a gente tá aqui. Juntos.

Ele me puxou pra pista quando uma música lenta começou a tocar.

O Baile passou tão rápido que eu nem vi as horas passando. Quando a última musica começou a tocar, eu e o Dean estávamos na pista.

A última música da noite começou a tocar.

As luzes baixaram, o globo de espelhos girou devagar e os primeiros acordes de “Perfect” do Ed Sheeran encheram o salão inteiro. Era lenta, doce, perfeita.

Dean não disse nada. Só segurou minha mão, me puxou pra pista e me envolveu pela cintura. Eu passei os braços em volta do pescoço dele. A gente começou a balançar devagar, coladinhos, como se o resto do mundo tivesse sumido.

Ele encostou a testa na minha, voz baixa, quase um sussurro junto com a música.

— Você tá tremendo.

— Eu tô nervosa pra caralho — admiti, rindo baixinho. — Eu passei o ano inteiro achando que ia estragar tudo no meio do baile.

Dean sorriu, aquele sorriso que ainda me desmontava.

— A gente é um casal de verdade, Stella. E você não estragou nada. Na verdade… você consertou um monte de coisas.

Eu senti os olhos arderem.

— Eu fui uma jumenta ciumenta, explodi com você, fugi… e mesmo assim você veio atrás de mim. Você sempre vem atrás de mim.

— Porque eu gosto de um desafio. — ele respondeu, girando devagar comigo. — Gosto da bagunça, das trombadas, das brigas idiotas, das reconciliações, gosto de tudo que é você.

A voz dele ficou mais baixa, quase rouca:

— Eu te amo, Stella Carter. Do jeito mais caótico possível.

Eu parei de dançar por meio segundo. As lágrimas caíram antes que eu conseguisse segurar.

— Eu também te amo, Dean. Muito. Mais do que eu imaginava que fosse capaz de amar alguém.

Ele riu, limpando uma lágrima minha com o polegar.

— Então a gente combina. Eu te amo com todo o caos. E você me ama com toda a paciência que eu preciso ter.

A gente se olhou. A música chegava no refrão mais bonito. Dean cantou baixinho junto com a letra, só pra mim:

“You look perfect tonight…”

Eu sorri, emocionada, e puxei o rosto dele pra mim.

A gente se beijou ali, no meio da pista, devagar, como se o tempo tivesse parado. Um beijo de verdade. Sem pressa. Sem medo. Só eu e ele.

Quando a gente se afastou, as luzes do baile ainda giravam ao nosso redor. Dean encostou a testa na minha de novo.

— Melhor baile da minha vida — ele murmurou.

Eu ri, ainda com lágrimas nos olhos.

— Melhor baile de todos.

E ali, no meio de toda aquelas luzes, de todas as coroas, de todo o caos que era a nossa história, tudo valeu a pena.