Stella
37 Capítulo 37 – Dean vs Bombom
Notas iniciais
Já faz uns meses desde o concurso de talentos, desde o beijo no palco, desde que eu e o Dean viramos “ real oficial”. E eu juro por tudo que é mais sagrado: esses meses foram uma mistura louca de “namoro normal” + “caoticamente romântico”.
Tipo, a gente faz as coisas que casal normal faz, tipo, sair pra comer sorvete, brigar por bobeira, fazer as pazes com beijo, mas sempre tem umzinho no meio pra transformar tudo em circo.
Zack e Melody estão grudados que nem chiclete. Os dois vivem na casa um do outro, fazem cookies juntos, assistem filme abraçados no sofá… é tão fofo que chega a dar náusea (de amor, óbvio). Eu fico feliz pra caralho por eles.
E a Sunny? Ah, a Sunny… A missão cupido que eu e o Dean criamos pra juntar ela com a Malia foi… mais ou menos bem sucedida. Elas estão próximas. Tipo, muito próximas. A Sunny ainda finge que é a rainha do mundo, mas quando a Malia passa de skate no corredor ela fica vermelha e gagueja. É hilário. A gente até brinca que viramos cupidos profissionais.
Mas o melhor de tudo é o Dean.
Um dia, depois da aula, eu decidi que era hora dele conhecer o Bombom.
— Vem, vou te apresentar pro meu gato. Mas aviso: ele odeia estranhos.
Dean riu, segurando minha mão enquanto a gente subia as escadas.
— Eu consigo conquistar qualquer um. Até um gato.
Abri a porta do quarto e o Bombom estava lá, todo preto e branco, deitado na minha cama como se fosse o dono do pedaço. Assim que viu o Dean, ele arregalou os olhos, levantou o rabo e soltou um “MIAU” de aviso.
— Tá vendo? Ele já te odeia. SE FERROU — eu falei, rindo.
Dean se agachou devagar, esticando a mão.
— Ei, Bombom, eu sou o Dean. Namorado da Stella. Vim em paz.
O Bombom cheirou a mão dele e deu um tapa com a pata. Não arranhou, só avisou: “Me mima”.
Eu caí na gargalhada.
— ELE TE DEU UM TAPA.
Dean não desistiu. Pegou o celular, abriu a foto do peixinho laranja que ele adotou na loja de aquário e mostrou pro Bombom.
— Olha só, esse aqui é o Carter. Ele é meu peixe. A gente pode ser amigos, né?
O Bombom inclinou a cabeça, olhou a foto… e, milagrosamente, pulou da cama e começou a cheirar o celular. Depois subiu no colo do Dean, se enroscou e começou a ronronar.
Eu fiquei de boca aberta.
— BOMBOM, SEU TRAÍRA! Você nunca ronrona pra mim assim!
Dean riu, acariciando o gato.
— Viu? Eu disse que conseguia conquistar qualquer um.
– Palhacinho.
Mais tarde, enquanto a gente tentava tocar guitarra no quarto (Dean insistia em me ensinar), Minha mãe já adotou o Dean como genro oficial. Toda vez que ele vem em casa ela aparece com o protetor solar na mão e passa até na orelha dele.
Minha mãe enfiou a cabeça na porta com o protetor solar na mão de novo. O tubo já estava meio vazio de tanto uso.
— Dean, querido! Eu ouvi vozes aqui dentro e vi que você tá suando! — ela entrou sem pedir licença, como sempre. — O sol da tarde é traiçoeiro, mesmo dentro de casa! Deixa eu passar um pouquinho, vai?
Dean olhou pra mim com cara de “socorro”, ainda com a guitarra no colo.
— Dona Carter, eu juro que tô bem…
— Nada disso! — ela já estava ao lado dele, apertando o tubo com força. — Você é meu futuro genro, não posso deixar você com mancha de sol antes dos vinte anos. Stella, segura o cabelo dele pra trás.
Eu segurei o riso e obedeci, afastando o cabelo preto do Dean enquanto minha mãe passava uma camada grossa e branca no nariz, nas bochechas, na testa e até nas orelhas dele.
— Pronto! Agora sim. Olha como ficou brilhante! — ela disse, toda orgulhosa, como se tivesse acabado de salvar a vida dele. — E você, Stella? Já passei em você hoje?
— Mãe, eu tô dentro de casa! — eu reclamei, rindo.
— Mesmo assim! Raios ultravioletas atravessam vidro, eu vi no programa de saúde!
Dean ficou ali, parado, com o rosto todo branco e brilhando, parecendo um fantasma de protetor solar. Ele olhou pra mim, resignado, e só falou:
— Obrigado, dona Carter… agora eu tô protegido até o ano 3000.
Minha mãe sorriu, satisfeita.
— Assim eu gosto. Vocês dois são tão bonitinhos juntos. Dean, se precisar de mais, é só gritar. E não esquece: no baile de formatura eu quero foto com vocês dois, tá? Com protetor, hein!
– Tá bom, mãe.
Ela saiu do quarto finalmente, fechando a porta com cuidado (mas não antes de dar mais uma olhada e dizer “que casal lindo!”).
Eu caí na gargalhada assim que a porta fechou.
— CARALHO DEAN... você tá parecendo um marshmallow derretido.
Ele olhou pro próprio reflexo no espelho do quarto e começou a rir também.
— Eu acho que sua mãe me adota mais que o Bombom. Olha isso… eu tô brilhando mais que uma estrela.
Eu me aproximei, ainda rindo, e passei o dedo no nariz dele, tirando um pouco do excesso.
— Bem-vindo à família Carter.
Dean segurou minha mão, puxando ela pra longe do nariz dele. Ele me olhou daquele jeito que faz meu estômago dar cambalhota.
— Eu gosto. De toda essa bagunça. Da sua mãe que me passa protetor solar, do seu gato que me deu tapa, do Zack zoando e eu gosto de você exatamente assim, Stella. Furacão e tudo.
Ele me puxou pra um beijo lento, a guitarra esquecida no colo. O Bombom pulou na cama e ficou olhando, como se aprovasse o casal.
Eu corei, mas sorri.
— Mesmo eu sendo um furacão?
— Principalmente porque você é um furacão.
Ele me puxou pra um beijo lento, a guitarra esquecida no colo. O Bombom pulou na cama e ficou olhando, como se aprovasse.
Eu pensei:
Namoro normal? Nunca foi. Mas é o nosso normal. E eu não trocaria por nada.
***
A maior preocupação da minha vida agora, acredite se quiser, não é mais briga com a Sunny, nem ciúme bobo, nem shows, nem drama familiar.
É o prom de formatura.
Sim. O baile. A noite que todo mundo fala que é “a mais importante da vida escolar”. Pra mim, só significa uma coisa: chance gigante de eu tropeçar no vestido, derrubar alguma coisa ou simplesmente estragar tudo como sempre.
A loja de vestidos estava lotada de garotas gritando e mães discutindo. Eu tava no meio de um mar de tule e glitter quando minha mãe puxou um vestido rosa-bebê cheio de babados.
— Olha esse, Stella! É perfeito! Você vai parecer uma princesa!
Eu fiz cara de nojo.
— Mãe, eu não quero parecer princesa. Eu quero parecer maneira. Tipo, algo que eu usaria. Preto, com detalhes neon, ou talvez vermelho escuro, curto, sem toda essa nuvem de tecido.
Ela colocou a mão no peito, dramática.
— Meu Deus, você quer ir parecendo uma punk no baile da escola?
— Eu quero ir parecendo EU — respondi, já estressada.
Eu tinha finalmente encontrado o vestido dos meus sonhos: preto curto, com detalhes prateados neon que brilhavam quando a luz batia, decote sutil, modelo justo o suficiente pra ser maneira, mas sem parecer que eu tava tentando ser sexy demais. Era perfeito. Era EU.
Eu tava no provador, girando na frente do espelho, tirei o vestido e estava determinada a levar ele. Mas foi só eu sair do provador...
— Mãe, esse é o único que serve em mim! Eu vi primeiro!
Lá estava ela: uma garota da minha sala, Larissa, com a mãe dela do lado.
Minha mãe, que estava atrás de mim com mais três opções rosa, congelou.
— Stella, esse é o vestido que você escolheu? — ela perguntou, já em modo alerta.
— É. E eu vi primeiro — respondi firme.
Larissa virou pra mim com cara de nojo.
— Eu peguei ele primeiro, Carter. Você sempre quer roubar tudo, né?
A mãe dela, uma mulher alta e bem maquiada, cruzou os braços.
— Minha filha experimentou esse vestido há vinte minutos. Vocês chegaram agora.
Minha mãe deu um passo à frente.
— Com licença, mas minha filha já está com ele na mão. E tenho certeza que ficou lindo nela! Combina perfeitamente com a Stella.
A mãe da Larissa riu, debochada.
— Combina? Nessa aí mais vai parecer que ela tá indo pra um cabaré, não pra um baile de formatura. Minha filha vai ficar elegante. Esse vestido é refinado.
— Refinado? — minha mãe quase gritou. — Esse vestido vai ficar ridículo nessa sem sal da sua filha!
Eu e Larissa nos olhamos ao mesmo tempo, ambas vermelhas de raiva.
— MÃE, QUE ISSO — eu falei.
— Mãe, você tá piorando! — Larissa disse ao mesmo tempo.
Mas as duas mães já estavam no modo guerra total.
— A SENHORA ACHA QUE PODE CHEGAR E MANDAR NA LOJA INTEIRA SÓ PORQUE TEM DINHEIRO? — minha mãe berrou.
— Dinheiro? EU TENHO BOM GOSTO! — a outra respondeu.
Larissa puxou o vestido da mão da minha mão.
— Eu vou levar esse!
Eu puxei de volta.
— Eu vi primeiro!
– SOLTA ESSA MERDA GAROTA. – Gritei
– SOLTA VOCÊ.
A gente começou a puxar o vestido de um lado pro outro como se fosse uma corda de cabo de guerra. O tecido esticou. As mães gritavam. A vendedora apareceu correndo, desesperada.
— Moças, por favor! Temos só um modelo!
Eu soltei o vestido na hora, cheia de raiva.
— Deixa… deixa ela levar — murmurei pra minha mãe.
Minha mãe virou pra mim, chocada.
— Stella, você merece esse vestido!
– Ai, mãe, eu mereço muita coisa, menos passar mico por causa de duas doidas varridas igual essas aí. Ainda mais com meu namorado lindo dentro da loja.
Enquanto isso, do outro lado da loja, Dean estava experimentando ternos com o vendedor. Eu espiei de longe. Ele saiu do provador com um terno preto simples, mas bem cortado, camisa branca aberta no primeiro botão. Ficou absurdamente gato. Ele olhou pro espelho, mexeu no cabelo, depois fez uma cara de pânico.
— Eu vou ter que dançar, né? — ele murmurou. — Tipo… dançar de verdade? Eu sou bom em basquete, mas isso… isso é outra coisa.
Eu ri baixinho, mas meu coração apertou. Ele tava nervoso. O Dean, que normalmente é todo confiante e rebelde, tava genuinamente preocupado com a ideia de dançar no baile.
Ele me viu espiando e veio até mim, ainda com o terno.
— E aí, Stella. Já escolheu o vestido que vai me fazer tropeçar a noite inteira?
Eu suspirei, segurando um vestido preto curto com detalhes prateados que eu tinha gostado.
— Ainda não. Minha mãe quer me transformar em uma boneca de porcelana. Eu só quero algo que eu me sinta… eu mesma.
Ele sorriu, aquele sorriso que sempre me desmonta.
— Você vai ficar linda de qualquer jeito. E eu… eu vou tentar não pisar no seu pé a noite inteira.
A gente riu. Mas eu não consegui esconder o que tava sentindo.
Eu mordi o lábio, o medo subindo de novo.
— Eu só… tô com medo de estragar tudo como sempre. De tropeçar, de derrubar alguma coisa, de virar o centro do caos no meio do baile.
Ele puxou meu queixo pra cima, obrigando eu olhar pra ele.
— Ei. Você não vai estragar nada. A gente vai dançar, rir, tirar foto ridícula e, se você tropeçar, eu caio junto. Porque agora a gente é time, Stella. Eu e você.
Eu senti os olhos marejarem, mas sorri.
— Tá bom. Então eu vou com esse preto. E você… vai ter que dançar mesmo, hein? Nem que seja pisando no meu pé.
Ele riu e me deu um beijo rápido na testa.
— Combinado.
Enquanto eu voltava pro provador, ainda com o coração acelerado, pensei:
Prom de formatura. Eu, o Dean, um vestido maneiro e a chance de não estragar tudo.
Quem diria que a garota que vivia em guerra com o mundo ia chegar até aqui?
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