Stella
29 Capítulo 29 – Sendo a Cúpida de Luke Watson
Notas iniciais
Depois de fugir da aula, comer sorvete com o Dean, trollar as gêmeas e ver o Zack chorando com Titanic, eu juro que só queria um dia sem drama. Mas aqui na minha vida, o drama é o prato principal do cardápio.
Eu estava andando pelo corredor do ginásio quando trombei de novo com o Luke. Literalmente. Meu ombro bateu no dele e a mochila dele quase caiu.
— Desculpa! — eu disse, já rindo. — Segunda trombada da semana, hein?
Ele riu, mas o riso morreu rapidinho. Porque do lado dele, encostado na parede, estava o Christopher Peterson. Um dos caras mais populares da escola: capitão do time de natação, sorriso de propaganda, cabelo perfeito e aquele pique de quem farma aura por ser padrão.
Christopher sorriu pra ele, todo casual:
— E aí, Luke? Treino bom hoje?
Luke quase derrubou a mochila de novo.
— Ah s-sim! Foi ótimo! Você… você nadou muito bem na última série. Sua virada de 50 metros tá… tá perfeita. Eu… eu fiquei olhando e… quer dizer, assistindo. Pra aprender.
Christopher ergueu uma sobrancelha, divertido.
— Olhando pra mim, é? — ele brincou, dando uma cotovelada leve no braço do Luke.
Luke ficou ainda mais vermelho.
— N-não! Quer dizer… sim! Mas não desse jeito! Eu só... você me ensinou tanta coisa ano passado… eu ainda uso aquelas dicas que você me deu na borda da piscina. Lembra quando você me corrigiu a braçada e eu quase me afoguei?
Christopher riu alto, aquele riso gostoso que faz todo mundo virar a cabeça.
— Putz, lembro sim. Você ficou vermelho igual tomate e disse “CHRISTOPHER SOCORRO”. Foi o dia mais engraçado do ano.
Luke coçou a nuca, sorrindo sem graça.
— É. Eu sou um desastre em muita coisa. Mas você… você sempre me faz parecer menos desastre.
Eu pisquei. Pisquei de novo. Meu cérebro ligou os pontos mais rápido que a Sunny espalhando fofoca.
— Luke… — eu chamei baixinho assim que o Christopher se afastou um pouco pra atender o celular. — Você gosta do Christopher?
Luke congelou. Depois suspirou, encostou na parede e finalmente olhou pra mim.
E o Luke… meu Deus do céu.
Ele tava desajeitado. Gaguejando. Mexendo na alça da mochila sem parar. Exatamente igual eu ficava quando gostava dele. Tipo, olhos no chão, voz falhando, bochecha vermelha.
— Gosto. Faz pelo menos dois anos.
Eu senti o queixo cair.
— Dois anos?! E você me rejeitou porque…
— Porque eu sou gay, Stella — ele completou, sem rodeios. — Eu não queria te magoar fingindo algo que nunca ia sentir. Você é incrível, de verdade. Mas meu coração sempre foi dele.
Ele não tava escondendo a sexualidade de mim. Só era discreto. E eu entendi na hora.
— Me conta tudo — eu pedi, sentando no banco do corredor. — Como você se apaixonou?
Luke sorriu, meio envergonhado, meio sonhador.
— Foi num treino de natação. Ele era novo na equipe e me recebeu super bem. Me ensinou técnica, corrigiu minha braçada, ficou do meu lado na borda da piscina.
— NOSSA LUKE QUE FOFO.
— Eu aprendi mais sobre natação com ele em uma tarde do que com o técnico o ano inteiro. E desde então… sou doido por ele. Tipo, completamente. ATÉ A BUNDA DELE É LINDA, cara... Perfeita.
Eu explodi na gargalhada. Nunca imaginei o Luke Watson falando da bunda de alguém. Muito menos com esse olhar de cachorrinho. Ain.
— Luke, eu AMEI esse seu lado! Nunca pensei que você fosse capaz de ser tão fofo e boiolinha assim. NÃO QUE SEJA RUIM, CLARO! Disso eu entendo bem.
Ele riu junto, aliviado.
Enquanto a gente conversava, o Dean passou pelo corredor, ele tava voltando do treino de basquete, mochila no ombro. Ele parou, olhou pra gente e ergueu uma sobrancelha.
— Ei, Carter. Tudo bem? — Depois olhou pro Luke. — E aí? Que cara é essa?
Luke ficou tenso. Eu ri.
— Dean, vem cá. Você conhece o Christopher Peterson?
Dean cruzou os braços, curioso.
— Conheço, por quê? Ele é o líder de natação e também é meu vizinho. O que vocês dois estão tramando?
Eu olhei pro Luke, que fez sinal de “pode falar”. Então soltei:
— O Luke gosta do Christopher. Tipo, gosta de verdade. Desde sempre. E eu vou ajudar ele a conquistar o cara. Quer entrar na jogada?
Dean ficou quieto dois segundos. Depois deu aquele sorriso matador e balançou a cabeça.
— Carai — Ele olhou pro Luke. — Cara, o Christopher fala de você o tempo todo quando converso com ele sobre esporte. “O Luke é o único que realmente escuta minhas dicas”, esse tipo de coisa. Se você quiser ajuda eu topo. Somos vizinhos, posso facilitar as coisas.
Luke arregalou os olhos.
— Sério? Você… você não acha estranho?
Dean deu de ombros.
— Estranho seria você continuar gaguejando toda vez que ele aparece. Vamos nessa. O que a gente faz primeiro, Cupido Carter?
– PERFEITO. – Falei soltando um risinho maligno. – De acordo com as vozes da minha cabeça ele também tem uma queda pelo Luke. Agora que a Operação Christopher Peterson ganhou um wingman coreano, escutem meu plano.
O plano começou simples. Mas como tudo na minha vida, virou caos.
Primeira tentativa: a gente ia pra casa do Dean, que fica logo depois da escola. Espionar o Christopher chegando do treino. Aí o Luke “acidentalmente” trombaria com ele na calçada, ia fingir que tava passando por ali e o Christopher ia convidar ele pra entrar. Perfeito. Romântico. Sem erro.
A gente chegou na casa do Dean. Eu, Luke e Dean escondidos atrás da cerca, espiando como três idiotas. Christopher apareceu, mochila no ombro, cabelo ainda molhado do treino.
— Vai, Luke! Agora! — eu sussurrei, empurrando ele.
Luke saiu tropeçando, exatamente como eu antigamente: gaguejando, vermelho, quase caindo no meio-fio. E hoje... estou ajudando ele a conquistar seu crush. O mundo não gira, ele capota, não é mesmo?
— Ei, Christopher! Que… que coincidência te ver aqui!
Christopher parou, sorriu.
— Luke? Você mora por aqui?
— Não… quer dizer, sim… eu tava… passando… com os meus amigos…
Ele apontou pra gente. Dean e eu acenamos da cerca como dois palhaços. Christopher riu.
O plano deu errado total. Luke se atrapalhou, falou que “a Stella queria ver o quintal do Dean”, depois que “o Dean queria mostrar a piscina”, depois que “talvez a gente pudesse entrar pra tomar água” uma bagunça completa.
Mas, de certa forma deu certo.
Christopher olhou pro Luke, aquele olhar demorado, e falou:
— Quer entrar um pouco? Minha casa tá vazia. A gente pode conversar.
Luke ficou paralisado dois segundos. Depois sorriu daquele jeito que eu nunca tinha visto nele.
— Quero. Muito.
Os dois entraram na casa do Christopher. Porta fechada. Eu e Dean ficamos do lado de fora, olhando pela cerca.
E ali, pela janela da sala, a gente viu: os dois sentados no sofá, conversando baixo, rindo, ombro encostando no ombro. Um clima fofo, gostoso, daqueles que dá pra sentir de longe. Luke disse algo e Christopher riu, passando a mão no braço dele. Luke corou. Christopher chegou mais perto.
Eu quase chorei de felicidade.
— Olha só pra isso — sussurrei pro Dean. — Meu ex-crush e o crush dele. Eu virei cupido oficial.
– Ex-crush? TU GOSTAVA DO LUKE?
– Vish, longa história essa aí viu.
Dean riu e me cutucou.
— Você é doida, Carter. Mas uma doida boa.
Eu sorri, olhando mais uma vez pra janela. A Stella de um ano atrás ficaria surpresa se descobrisse tudo isso.
E a Stella de hoje, pela primeira vez em muito tempo, não tava correndo atrás de ninguém. Só tava ajudando alguém a ser feliz.
E isso… isso foi bem maneiro.
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