Notas iniciais
Oi gente!!! Este é o último capítulo da fic, o que me lembra que há tempos que não venho postar. Eu gostaria de ter feito esse capítulo muito mais emocionante, no entanto, Deus não me deu o mesmo talento que deu a Markus Zusak. Ainda assim, gostei desse capítulo.
No dia 20 desse mês a fic completa um ano. Isso me lembra o quanto amo essa fic e o quanto foi bom escrevê-la. Por esse motivo, estarei postando um capítulo especial. Espero que gostem, mas se não gostarem, comentem dizendo o que teriam mudado. Bjos! E obrigada pelo apoio que me deram ao longo de cada capítulo.

A Senhora Steiner encontrava-se sentada à mesa. Por alguma razão, o pequeno Hans não parava de chorar, isso estava deixando-a nervosa.

Seu marido, Rudolf Steiner, ainda não chegara do trabalho. Agora que ele se tornara um cirurgião tão famoso, não encontrava muito tempo para a família. Acho que a morte nunca odiou tanto uma pessoa. Desde que Rudy começara a salvar vidas, ela não tivera muito que fazer por ali. Decerto estaria se divertindo noutro lugar.

Hans ainda chorava descontroladamente. Liesel se levantou e foi até o bercinho do nenê, carregou-o, afagando-lhe. Até ensaiou uns versos de uma canção de ninar, mas o pequenino não parou de chorar. Neste instante, a pequena Rosa adentrou pelo quarto. Tinha cinco anos e herdara a beleza e os cabelos loiros da mãe.

- Mamãe! Mamãe! Alex pegou minha boneca... diga a ele para devolver...

Alex era o mais velho, de oito anos. Sempre achava divertido aprontar com a irmã.

- Alex! – a mãe chamou – devolva a boneca...

- Está bem, está bem – o garoto apareceu no quarto – Aqui está – atirou a boneca para a irmã e saiu arrastando os pés.

- ...e peça desculpas – completou Liesel. Agora ela tentava fazer Hans dormir. Já fazia tanto tempo desde a sua última gravidez, que ela já até se esquecera de como era trabalhoso cuidar de um bebê. No entanto, Alex não chegou a se desculpar, pois nesse momento, a porta da frente se abriu e um homem passou por ela.

- Papai! – as crianças correram para ele, que os recebeu de braços abertos. Rudy Steiner tornara-se um belo homem, ainda mais bonito do que fora alguns anos atrás. Seus cabelos estavam mais escurecidos e agora ele usava barba – Liesel achava que ele parecia mais maduro assim.

- Como foi seu dia, meu amor? – perguntou ao marido.

- Cansativo – ele respondeu depois de abraçar os filhos – Operei duas crianças e salvei uma mulher da morte... – deu um breve beijo nos lábios da mulher e em seguida pegou Hans, que ainda berrava.

- Ele não para de chorar... – Alex se queixou, mas nem bem disse isso e o bebê repentinamente se calou. Não demorou para que dormisse no colo do pai.

— Não sei como consegue – disse Liesel enquanto sentava-se novamente à máquina de escrever. Desde o estrondoso sucesso da Menina Que Roubava Livros, Liesel não publicara nenhum outro livro, mas estava às voltas com um romance inacabado.

- Acho que levo jeito com crianças – Rudy falou. Colocou o bebê no berço e mandou os outros dois para o banho. Voltou-se para a mulher, observou-a enquanto permanecia pensativa. Liesel não mudara muito, continuava a mesma menina teimosa que Rudy conhecia, no entanto, mais madura. Ainda conservava os mesmos cabelos loiros e compridos, o mesmo sorriso doce, e a mesma alma de criança... menos a inocência...

- Ainda escrevendo aquele livro? – Perguntou Rudy aproximando-se para espiar o que ela andava escrevendo.

- Sim, mas não sei como continuar...

- Que tal se eu lhe desse um pouco de inspiração? – ele sussurrou no ouvido da loira. Liesel ficou toda arrepiada, detestava admitir, mas ter um médico bonitão em casa fazia com que ela perdesse o juízo às vezes...

- Não, não... é melhor você ir descansar... – de qualquer maneira, Liesel não poderia perder o juízo outra vez... afinal, as crianças ainda estavam acordadas... e, bem...

- Está me rejeitando, Saumensch? Pois saiba que o doutor aqui faz todas as mulheres suspirarem por ele...

Liesel levantou uma sobrancelha, visivelmente irritada (e enciumada), pois sabia que qualquer uma gostaria de ter um doutor bonitão em casa – mais especificamente, aquele doutor. Não disse nada, porém, limitando-se a olhar fixamente as letras da máquina de escrever, sem, no entanto, conseguir escrever nenhuma palavra. Rudy, não satisfeito e sentindo-se rejeitado, resolveu partir por um caminho que nunca falhava: tirou o paletó e a camisa, e se esparramou no sofá. Liesel fez força para não olhar o peitoral definido do marido, mas era impossível resistir.

- Eu sabia – riu Rudy quando Liesel o olhou disfarçadamente – isso nunca falha...

- Não me provoque, Rudolf Steiner...

Ele riu descaradamente.

- Saukerl! – ela exclamou.

- Do que me chamou?

- Saukerl! – ela repetiu com mais clareza e vagarosamente.

- Repita isso! – ele se levantou do sofá.

- SAUKERL!

Num instante, Rudy ergueu Liesel e a segurou com firmeza. Ela adorava quando ele fazia isso, embora, é claro, nunca admitisse.

- Solte-me seu...

- Chame-me de Saukerl mais uma vez e serei obrigado a castigá-la, Senhora Steiner...

- Ora, não pense que eu lhe darei esse gostinho, Senhor Steiner...

Rudy teve vontade de rir da audácia de sua esposa, mas queria dar lhe uma lição. Sendo assim, soltou-a e virou lhe as costas.

- Sendo assim, Senhora Steiner, creio que terá de encontrar sozinha a inspiração para o seu livro...

- Não me importo, Senhor Steiner. Garanto que irei encontrar uma inspiração...

Rudy riu.

- Posso saber como?

- Não, não pode! E acho bom o senhor ir colocando os seus filhos para dormir...

Rudy não podia deixar de achar graça. Liesel por vezes gostava de enfrentá-lo. Eles eram felizes juntos. O Destino tivera mesmo um trabalhão para uni-los. Os dois haviam se casado numa linda cerimônia, assim que Liesel recebera alta do hospital – depois de mais uma vez enfrentar a morte. E desde então o amor que nutriam um pelo outro, a cada dia se consumava ainda mais.

As crianças já haviam tomado banho, mas alegaram querer uma história antes de dormir. E quem melhor do que a roubadora de livros para contar uma boa história?

- Que história vocês irão querer?

- Que tal aquela em que eu salvo você? – sugeriu Rudy, que gostava de se gabar por ter salvado Liesel.

- Ah, já sabemos essa – disse Alex – termina com um beijo de amor e um pedido de casamento...

Os pais riram. Alex era muito parecido com o pai, parecia até uma versão em miniatura de Rudy. Rosa, no entanto, parecia mais com a mãe. E Hans – que tinha apenas um ano de idade – parecia-se com os dois.

- Talvez eu devesse contar a história de um acordeonista... – disse a Menina Que Roubava Livros, lembrando-se de seu papai, Hans Hubermann. Mas a história de que eles mais gostavam era a de um judeu no porão...

Liesel acabou por terminar o livro. Seu amor por Rudy fora uma inspiração – ela, é claro, não resistiu aos encantos do marido, quando este começou a provocá-la. No fim das contas, Rudolf Steiner acabou ajudando-a a conceber a história.

- Eu deveria receber o crédito por esse seu romance, Saumensch... Se não fosse por mim, você teria empacado no segundo capítulo.

Liesel pensou seriamente em colocar o marido como coautor, mas fora ela quem escrevera o livro, afinal, Rudy apenas tivera o trabalho de lhe dar algumas idéias. Ainda assim, ela achou apropriado dedicar a obra a ele.

“A Rudolf Steiner, que conhece esta história tão bem quanto eu. Saukerl, espero que esteja feliz por isso”, ela escreveu.

Feliz ou não, de uma coisa Rudy tinha certeza, nunca encontraria uma mulher melhor do que Liesel. Os dois haviam sido destinados a ficar juntos, e nunca se esqueciam de que aquilo era, definitivamente, uma obra da vida. Afinal, ela os separara e os unira novamente, o que apenas prova que às vezes ela gosta de nos pregar peças.

É necessário dizer que Max Vandenburg continuou sendo o braço direito de Liesel durante anos. Ao que se sabe, certo dia, uma moça apareceu na livraria Himmel. Era uma adoradora de livros, tal qual Liesel, e não demorou para que Max caísse de amores por ela. Se quer saber de um segredo, ela ia até a livraria todas as manhãs, apenas para ver o rapaz. Logo, estavam casados e com dois filhos.

Os Hermann continuaram vivendo felizes em sua casa na Grande Strasse. Ao que parece, Ilsa Hermann superara a perda do filho e agora se dedicava à leitura dos livros de sua biblioteca. Seu marido, agora um ex-prefeito, parecia feliz em acompanhá-la nessas leituras.

Allina e Audrick Altermann, os pais adotivos de Rudy, moraram em Molching durante muitos anos. Parecia apropriado que ficassem por lá, uma vez que fora ali que haviam se conhecido, se casado e adotado Rudy. Além disso, sempre viam os netos.

E eu que acompanhei toda essa história de perto, digo que Liesel Meminger foi uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Decerto você se pergunta quem sou eu e como sei de todos esses detalhes. Eu lhe digo: eu sou a vida! Quem melhor do que eu para saber como contar essa linda história de amor? Talvez não seja tão simpática quanto à Morte, mas peço que não me julguem... eu apenas faço o meu trabalho. E embora sempre me julguem, não sou uma pregadora de peças, apenas coloco obstáculos nos caminhos das pessoas, pois, sem eles, elas nunca chegariam à vitória. Não se pode optar pelo caminho mais fácil, mas por aquele que nos ensine algo. E foi esse caminho que Liesel Meminger e Rudolf Steiner percorreram.

Também é prudente dizer que a Morte não os rondou durante muito tempo. Só muitos anos depois é que veio buscar os Hermann – morreram num incêndio em sua mansão – e os Altermann – que morreram de velhice. Mais uma vez, ela encontrara A Menina Que Roubava Livros...

Agora necessito levá-lo de volta ao presente, caro leitor, de volta para o momento em que Liesel Steiner participa da cerimônia de lançamento seu livro...

Era uma noite de autógrafos, em Munique, e havia mais gente do que Liesel esperara. Seu novo livro estava sendo um sucesso e ela não podia acreditar o quanto havia se tornado famosa em tão pouco tempo. Desde a publicação da Menina Que Roubava Livros, ela estava alcançando tanta fama que Rudolf Steiner ficara enciumado.

- Não reclame, Saukerl... Foi você mesmo quem me incentivou a publicar o livro, depois de tantos anos...

- Mas isso não significa que eles devam assediá-la tanto, Saumensch... – reclamava Rudy enciumado.

- Por ora trate de ficar bem quietinho aí, Senhor Steiner. E sorria para as pessoas...

Rudy não teve outro remédio a não ser fazer o que sua esposa dizia. A um canto, Alex, Rosa e o pequeno Hans, se divertiam com os avós. Pareceram muito mais animados com a chegada de Max.

- Tio Max! Você veio!

- Mas é claro que eu vim... Não poderia perder mais um grande feito da ladra de livros...

Liesel era só sorrisos. A todo o momento seus fãs vinham lhe dizer o quanto ela era uma ótima escritora, e, é claro, algumas das garotas mais assanhadas comentavam o quanto Rudy Steiner era bonito.

- Como ela é sortuda! – suspiravam.

- Sabe de uma coisa, Senhora Steiner? – Rudy sussurrou no ouvido de sua esposa, ao fim da noite de autógrafos – Acho que estou pronto para ter um quarto filho...

Ela enrubesceu.

- S-saukerl... não fique dizendo essas coisas...

Rudolf riu descaradamente.

- Estarei esperando-a no nosso quarto de hotel... – sussurrou mais uma vez, e saiu andando com um sorriso safado no rosto.

Liesel abanou-se com seu livro. O nome era “Que Tal Um Beijo, Saumensch?” e contava a história de amor de duas crianças. Fora inspirado na história de amor de Liesel e Rudy.

- Saukerl – ela murmurou, mas logo estava sorrindo. Nove meses depois nasceu a pequena Barbara...

Notas finais
Não se esqueçam de ler o capítulo especial, que postarei em breve. Bjos e não deixem de comentar.