Steiner e Meminger
8 Capítulo 8
Notas iniciais
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Mais um capítulo...
Depois do quase-beijo, Liesel não pode negar, mas tinha ficado balançada. Havia muito tempo que ela sentia uma coisa por Rudy, mas nunca tivera coragem de admitir para si mesma.
Ele, que sempre amara a vizinha e melhor amiga, também sentia algo especial por ela. E achava que algum dia Liesel fosse ceder e lhe dar o tão esperado beijo. Rudy nunca tinha namorado outras garotas. No fundo ele sempre tivera esperança de encontrar uma mulher que fosse parecida com ela. Até se dar conta de que Liesel Meminger era única, insubstituivel.
Rudy estava prestes a voltar para os Estados Unidos e não queria fazê-lo sem antes ter certeza de que Liesel o amava. Ele prometera que ia voltar, assim que terminasse a faculdade, e ela prometera esperar. Mas no fundo Liesel temia que tudo fosse um sonho, e que quando acordasse, Rudy não estivesse lá.
- Não seja boba, Liesel — disse Ilsa, quando Liesel lhe contou o que pensava — Não é um sonho. Vocês foram feitos um para o outro... Ainda me arrependo de ter interrompido vocês dois aquele dia... Acho que aquilo teria resultado em alguma coisa.
- Mamãe!
- O que foi? Não me resta dúvidas de que vocês dois se amam. Só que você não quer admitir...
Mais tarde, no Amper, como de costume Liesel foi ler. E como de costume o Saukerl imbecil apareceu para fazer lhe companhia.
- Você não tem nada melhor para fazer em casa? — brincou Liesel, quando viu que ele se aproximava.
- Nada, a não ser pensar em você — Liesel enrubesceu. Riu:
- Não brinque, Saukerl!
- Não estou brincando! Ultimamente ando pensando muito em você...
- Hum... Que bom que você gosta de mim... Afinal sou sua melhor amiga... Não sou?
- É... A melhor e única. Não existe ninguém como você...
- Foi por isso que sentiu ciúmes? Porque teve que me dividir com o Max?
- De certa forma...
Liesel o olhou por uns instantes. Depois deitou-se sobre a grama verde às margens do Amper. Rudy fez o mesmo.
- O que quis dizer com "de certa forma"? — ela perguntou depois de um tempo.
- Não senti ciúmes só por ter que dividir você com ele... Eu... sinto algo mais por você... Uma coisa... boa...
Liesel o olhou.
- Que coisa?
- Você sabe!
Ela desviou o olhar.
- Eu sei que sabe — ele disse. Mas Liesel continuou olhando o rio. — Lis... Você vai continuar negando? Eu sei o que você sente por mim... E também sei que o que sinto por você... é amor... sempre foi... Então por que não admite que me ama e eu faço o mesmo?
Rudy sentou-se, de forma que pudesse observar Liesel ao seu lado. Ela não soube o que fazer. Esperava por isso, mas agora... ela realmente não sabia o que dizer...
- Lis?
- O quê?
- Eu vou fazer uma coisa, e eu acho que você não vai gostar... — quando Liesel se virou para olha-lo e ver do que ele falava, Rudy se curvou e a beijou. Liesel sustentou o beijo por alguns segundos até que o afastou e lhe deu um belo tapa.
- Seu... Saukerl! Como se atreve? Você... Você...
Rudy riu, ao mesmo tempo feliz e atordoado.
- Do que está rindo? Como se atreve a me beijar dessa forma? Seu... Atrevido!...
Então, para surpresa de Rudy, Liesel levantou e saiu andando.
- Aonde é que você vai?
- PRA CASA!
Ele se levantou e a segurou pelo braço.
— Não vai não! Você vai ficar aqui e vai me ouvir!
- Eu não quero ouvir nada!
- Porque você tem medo. Medo dos seus sentimentos... E eu sei que você me AMA...
- Por que eu amaria você, seu Saukerl imbecil, seu...
Rudy abafou os chingamentos de Liesel com outro beijo, e dessa vez ela se deixou levar... Até se dar conta do que estava fazendo.
- Quer parar com isso? Não pode sair me agarrando assim em público. — ela disse se soltando dele.
- Posso saber que público? Não há mais ninguém aqui além de nós dois — respondeu Rudy, se divertindo com a situação.
- Humpf! Você me irrita sabia?
- Eu sei porque eu te irrito. Porque você me ama e isso a irrita.
- Como se eu fosse amar um ser tão exibido como você... Metido a doutor... Humpf! Duvido que saiba a diferença entre rim e coração...
- O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE? — Rudy fingiu que estava ofendido. — Pois eu sei muito bem diferenciar os rins do coração. E fique sabendo, Srta. Meminger, que eu sou um dos melhores alunos da turma.
- Grande coisa!
- Ah é?
- É!
- Sabe de uma coisa? Você que é uma metida. Só porque tem uma livraria e sabe escrever meia dúzia de palavras...
- O QUEEEEE? Como se atreve a falar assim comigo? — E Liesel começou a bater nele.
- Lis... Para... Está me machucando!
Liesel só parou quando deu vontade. Deu meia volta e já ia seguindo seu rumo, deixando Rudy boquiaberto com a sua repentina braveza. Até que deu meia volta.
- Sabe de uma coisa?
- O que?
- Eu acho que amo você... — para Rudy, aquelas palavras soaram como música. Até que Liesel se jogou em seu pescoço e o beijou.
- Eu te amo, Saukerl!
- Eu também te amo... Saumensch!
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