Rudy atravessou a porta primeiro. A primeira coisa que viu foram as estantes, lotadas de livros. Caminhou por entre elas analisando os títulos dos livros. Até que um homem se aproximou...

- Olá, posso ajudar? — era um homem de uns trinta e poucos anos, alto, esguio e com cabelo de penas... Cabelo de penas? Onde foi que Rudy havia escutado isso da outra vez?

- Ahn, eu preciso de uma informação... — começou Rudy, mas neste exato momento, uma garota apareceu atrás do homem. Estava procurando por um livro em uma das estantes. Era loira, alta e magra. E muito linda. Rudy não pôde deixar de olhar.

- Sabe onde eu coloquei "O Assobiador"? — perguntou a moça se dirigindo ao homem. Rudy estava paralisado...

- Não... Vou ajuda-la a procurar — disse o homem. Depois virou-se para Rudy — Se importa de esperar um minutinho?

- Não...

Enquanto o homem procurava o tal livro, Rudy aproximou-se do balcão nos fundos da loja. Havia algumas pessoas conversando com a moça. Rudy a olhou de longe. Ele tinha a impressão de que a conhecia de algum lugar... Aqueles olhos... Aquela boca... De repente ela virou e viu que ele a olhava. Ele podia jurar que ela sorrira, mas depois ela virou de novo, envergonhada.

O homem procurava o tal livro e não o encontrava de jeito nenhum.

- Onde é que você o colocou, afinal? — resmungou para a moça, enquanto olhava as prateleiras de cima a baixo.

Então Rudy olhou de relance para uma prateleira atrás de si e o viu. O Assobiador! Pegou o livro e o mostrou à moça.

- Ei, moça, não é esse livro que está procurando?

Ela o pegou.

- É sim! Onde foi que o encontrou? — ela perguntou surpresa.

- Ali! — ele indicou a estante.

- Como foi que eu não o vi ali? — ela disse, intrigada. Depois sorriu — Obrigada!

E que sorriso!!!!! Rudy estaria apaixonado? Mal conhecia a moça... Mas sentia que já a vira antes...

- Ahn... Você queria uma informação? — o homem se aproximou de Rudy.

- Ah sim! Saberia me dizer o que aconteceu com Liesel Meminger? Sabe, ela morava aqui antes do bombardeio e...

- O que disse? — o homem perguntou, só para se certificar de que ouvira direito — Você disse... Liesel?

- Sim... — confirmou Rudy. Sua voz sumindo. Seus pais pensaram a mesma coisa que ele.

O homem o olhava espantado. A moça sumira atrás de algumas estantes um pouco afastadas dali, e certamente não ouvira a menção do seu nome.

- Qual é seu nome? — perguntou o homem ao rapaz.

- Rudolf Steiner...

- Rudy!!!! — Liesel que carregava uma pilha de livros, deixara que eles desabassem no chão. — Ai meu Deus! Rudy! — e correu para os braços do amigo.

Rudy quase despencou com o peso da amiga nos braços. Desde quando ela era pesada assim?

- Lise... — falou Rudy, sufocado. Ela o soltou e o olhou com lágrimas nos olhos. — Está viva...

- É claro que estou... Rudy... Onde esteve durante todo esse tempo?

- É uma longa história...

- Vão dar uma volta — disse o homem — Eu tomo conta da livraria...

Liesel e Rudy foram ao Amper. Sentaram-se sob uma grande árvore.

- Oh Lis... Não acredito que está viva...

- Fui a única sobrevivente do bombardeio... Estava lendo no porão quando as bombas atingiram a rua Himmel... Ah, Rudy... Foi terrível!

- Estava lendo no porão?

- Sim! Lembra-se quando Frau Hermann veio me visitar?

- Ela te deu um livrinho preto... Escreveu nele?

- Escrevi a minha história: A Menina Que Roubava Livros! — Rudy riu — Estava relendo quando as bombas caíram... E você? O que tem feito? Onde esteve?

Então Rudy contou a Liesel toda a sua história: que fora morar em Nova York, que estava estudando Medicina e que na última vez que estivera na Himmel, achara que Liesel morrera no bombardeio.

- Oh Rudy... Quer dizer que de ladrão vai se tornar médico?

Rudy riu.

- Quero salvar vidas, Lis, curar pessoas... E você... De ladra de livros passou a vendedora de livros?

Foi a vez de Liesel rir.

- Bem, eu queria ser alguma coisa que gostasse. Pensei em escrever, mas não tinha certeza se publicariam um livro meu... Então eu e Max montamos a livraria...

- E como é que tem sido, desde o dia do bombardeio?

- Bom... Agora sou filha do prefeito... — Rudy a olhou surpreso.

- Eu devia ter imaginado que Ilsa Hermann adotaria você...

- Ela é muito boa... Ela e o papai são ótimos... Amo eles... Talvez você devesse conhece-los melhor...

- Sabe, Lis... Quando cheguei, hoje pela manhã, estive pensando em ir até lá... Pra cumprimentar Ilsa Hermann... Depois pensei em perguntar sobre você, quando não vi o seu túmulo no cemitério...

Liesel olhou bem nos olhos de Rudy. Como ele ficara atraente! Ela o amava havia anos, e agora sentia esse paixão se reacender...

- Então Lis, você e o Max... Vocês dois...

- Ele não é meu namorado, se é isso que quer saber — respondeu Liesel. — E desde quando você me chama de Lis?

Rudy enrubesceu.

- Ah... bem... eu não queria chama-la de Saumensch... Mas se você quiser...

Liesel sorriu.

- Saukerl!

- Saumensch!

- Saukerl!

Ficaram nisso um tempo. Pareciam duas crianças. Até que Liesel se deu conta de que precisava voltar pra casa.

- Por que não janta lá em casa? Com seus pais...

— Claro!

Meia hora mais tarde, Rudy Steiner e seus pais adotivos batiam à porta do número 8, na Grande Strasse.

Foi Ilsa quem abriu a porta.

- Faz tempo que não o vejo, Rudy. Lembro de quando vinha aqui com a Liesel... — comentou Ilsa.

Foi um jantar muito animado. Max não esteve presente. Liesel e Rudy ficaram se olhando o tempo inteiro, enquanto seus pais conversavam. O amor deles estava desabrochando outra vez. Liesel sentira isso. E Rudy também...

RUDY STEINER

[Vi esse ator no clipe Savin' Me do Nickelback, e na hora lembrei do Rudy. Foi por causa dele que eu tive a ideia de fazer a fic].

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LIESEL MEMINGER

[Essa é a atriz Dianna Agron. Não sei por que, mas ela me lembra a Liesel, e por esse motivo a imagino sendo a Liesel com vinte e quatro anos].

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