Notas iniciais
Primeiro: Agradeço a compreensão de quem aguardou este capítulo, estava doente e desanimado para escrever, mas voltei. Segundo: O conflito começou, quem matou? e quem é a mulher misteriosa que estava acompanhada Mary na carruagem-viatura? creio que essa mulher trará muitos problemas ao nosso jovem. Vamos entra mais no mundo da família Bannabard.

O som produzido pelo metal da bala projetado para fora do cano de uma pistola calibre 38, o som fumegando aos ares, os vestígios de pólvora e metal em resistência ao atrito do ar.

Sabe como descrever o “Caos”, primeiro sintoma é o susto coletivo, seguido de pelo menos um grito e pergunta do tipo “Mas o que foi isso”, “o que é isto”, etc. Depois vem o pequeno intervalo de coragem, será que devo ir ou não, será que é seguro, então algum indivíduo mais corajoso se põe a investigar, ou aquele menos corajoso, mas que é extremamente curioso.

– Saiam da frente! Andem! – gritou o oficial Caesar, acompanhado de seus fiéis soldados.

Por último, a curiosidade coletiva: todos do casamento deixaram seus lugares, e como ratos atraídos pelo queijo, queriam saber o que realmente houve. Estendido na calçada de paralelepípedos estava um corpo de costa inerte, reconheci suas roupas.

– Tio! – grito. Ultrapasso a multidão e corro em sua direção, me ajoelho ao seu lado e viro o seu corpo, uma bala no coração – tio! – repeti, eu não queria chorar, mas a emoção falou mais alto.

Tudo ao meu redor ficou fora de nitidez, as lágrimas escorriam as minhas bochechas, não podia acreditar, eu me tornara órfão completamente, meu educador, meu mestre, o meu tutor, se fora. Sua pupila dilatou olhando aos céus, foi o primeiro parente que tive consciência de chorar a perda.

O toque e alguém que creio dizer: “Eu sinto muito!”, me despertou para o mundo real. Observei o cenário, Spencer era quem me tocara no ombro, os convidados reunidos ao nosso redor e a patrulha da vila levando em sua carruagem cela, duas senhoras, a primeira eu reconheci como Mary... A segunda era loira de olhos furtivos e gritando: “Eu não o matei! ELA O MATOU!”.

Apaguei.

***

“Não!” um grito em meio a chuva, estava de volta ao mundo do pesadelo com um corpo que não era meu, encharcado, sujo e ferido; olho ao meu redor, não estava no porão, mas no que parecia ser um convés de algum meio de transporte, seria uma grande embarcação? É muito difícil descrever o espaço ao meu redor, piratas me rodeavam e me seguravam pelo braço, grasnando e exibindo risos de pura maldade.

Algo estava diferente com o tempo, estava trovejando, ar rarefeito e as gotas de água despescavam como meteoros. As nuvens estavam tão próximas que era possível toca-las, a embarcação era estranha... Possuía grandes tecidos estendidos que curvavam com a força do vento; nota mental: o barco se locomovia com a reação causada pela ação da força do vento, uma lei física interessante.

O casco era de madeira e havia um grande mastro que erguia ao centro com um cesto, onde um pirata gritava do cesto enquanto segurava um telescópio. “Hora do julgamento, a tempestade irá se agradar deste sacrifício!”

Sacrifício, pensei. Essas pessoas não seriam loucas. Um grito de desespero ao meu lado, era minha mãe, de mãos amordaçadas e olhando para um convés com pé alto, onde um homem volumoso em aparência, sua silhueta detalhava os seus membros musculosos, assustador. Mais pavoroso ainda era o gancho em sua mão, perguntava onde ele perdeu a mão.

E os olhos, ou digo, um olho. A maioria da tripulação usava tapa-olhos ou não, mas ele era a exceção, eu não conseguiria descrever seus olhos sem vomitar. Seu olho esquerdo possuía arranhões e um pus amarelado escorregando ao canto, o se outro lado não possuía olho, em seu lugar estava um olho de vidro preso a uma tira de couro, usando como um “tapa-olho”.

“Olho Vítreo!” disse minha mãe, se ajoelhando “Por favor, não o mate!”.

Olho Vítreo desceu do convés alto, segurou o rosto da minha mãe e disse algumas palavras em sua língua, o pirata que estava no cesto desceu e traduziu.

“Ele disse que seu marido poupou a vida dele em troca da própria vida!” – disse rindo, Olho vítreo disse mais algumas palavras, e o pirata traduziu – “e disse que se a cadela continuar implorando, sua morte será ceifada também hoje! Ha, ha cadela!” rio o pirata, depois ficou sério quando Olho Vítreo o encarou. “Desculpe comandante”

Meu corpo se arrepiou, um dos piratas me segurou por trás e encostou a lâmina de uma espada curva em meu pescoço. Quem sou eu? E por que meu pai condenaria sua vida a me poupar? O que a pessoa que domino este corpo é?

O Capitão Olho Vítreo gritou em seu dialeto, e os piratas começaram a preparar algo, traziam uma grande tábua de madeira e pregavam em um canto da embarcação. Outro grupo trouxe do porão o meu pai amordaçado, sem camisa e com a costa ferida em marcas retilíneas como se fosse punido com chicote, seu rosto estava deformado por talvez espancamento.

Pai foi a palavra que queria gritar; do meu lado minha mãe implorava mais que não o matassem. Entrei em pânico, não sabia o que fazer, o grupo levou meu pai em direção à tábua e fizeram-no caminhar sobre a mesma.

Um último olhar de meu pai sobre mim e minha mãe, com os lábios ele disse “Conte a eles, salve-os”. Tudo foi muito rápido, meu pai foi golpeado por uma espada de um dos piratas e caiu inerte da tábua para fora da embarcação. Ao meu lado, minha mãe golpear o pirata que a prendia, de suas botas ela tirou uma lâmina com cabo de madeira, uma adaga e golpeou quem me prendia, depois cortou minhas amarras.

“Corra! E avise-os!” ela gritou, eu não queria deixa-la, mas meu corpo ordenou sair daquele local. A última cena antes de pular para fora da embarcação foi ter visto minha mãe ser golpeada pelo Capitão Olho Vítreo pela costa e ter dito algo que me soaram como “Você é o próximo!”

Saltei ao nada, como poderia ser possível, eu não mergulhei em nenhum lago ou rio, a embarcação não era um transporte marinho, mas aéreo, isso explica o colchão de ar em sua parte traseira, a tempestade, a condições do vento e os motores no lugar dos remos. Mas isso não importava agora, pois estava caído para a morte.

***

Acordei.

Uma cama de casal com almofadas de pena confortáveis, lençol de seda e colchão de algodão. O quarto possuía o teto inclinado em direção à parede que continha uma única janela, que por sinal cobria do teto ao chão, não possuía cortinas e lançava a claridade do sol no interior do quarto.

– Onde estou? – me perguntei, esfregando os olhos e me sentando na beira da cama.

Olhei ao me redor, não havia mais nada no quarto. A porta se abriu e um rosto travesso surgiu.

– Bom Tarde dorminhoco! – disse Spencer.

Olhei ao meu redor mais alguma vez, estava na casa da Avó de Spencer. Nunca estivera aqui por restrição do meu tio, não era um local com meu tio descrevia, parecia até... Parecia até mais organizado que o meu quarto.

– Vamos, a avó está esperando na cozinha! E o banheiro fica no ao lado do seu quarto, primeira porta a esquerda! – fechou a porta em seguida.

Encontrei minhas roupas limpas e passadas no banheiro, pela primeira vez não tive problemas com a encanação, depois de fazer as necessidades, desci para a cozinha, onde encontrei a avó de Spencer e o próprio sentado a mesa, comendo uma torrada.

– Quanto tempo que não aperto essas bochechas! – disse ela, largando o bule de café na mesa, vindo em minha direção, apertando minha bochecha e me abraçando – sente-se querido, o lanche esta pronto!

– Desculpe Senhora, mas... – digo – lanche?

Ela me apontou ao medidor de sol, a sombra pendia para o 6/7, que dizer estava anoitecendo, não sabia quantas sombras eu dormir, quanto tempo.

– Ah não! – ela disse balançando a cabeça e servido uma fatia de bolo – não me chame de senhora, me chame Madame Gengykar! A Grande bailarina da Taverna Azul!

– Ex-bailarina! – corrigiu Spence, enquanto bebia um copo de suco.

Spencer tinha um relacionamento meio estranho com sua avó, ambos se amavam, ela cuidou dele durante toda sua vida, seus pais? Sr. Lenny morto em um desabamento de mina de carvão e sua mãe faleceu doente. Sim o sobrenome de Spencer é Lenny Bannabard.

Sua avó era ex-bailarina da Taverna Azul, e trabalhava “entretendo” os homens da Vila Spunk, até que conheceu o Avô de Spencer que também morreu em um desabamento de mina; os avós por parte de mãe ainda existem, mas não deram importância a Spencer, talvez porque não queriam se misturar com os “Bannabard”.

Mas a situação iria mudar para os descendentes de Bannabard, se Spencer aceitasse o emprego de secretário da prefeitura; creio eu que até o meu tio se orgulharia se ele tivesse ainda vivo.

– Bom sim! – exclamou Madame Gengykar – então meu amado... O que você seria para mim? Neto? – perguntou, avaliando nosso parentesco.

– Tia de terceira geração, talvez? – arrisquei.

– Ah tanto faz, vou lhe tratar como um neto! Você pode ficar aqui se quiser, temos dois quartos extras, caso queira usar o outro de escritório e... Sinto por seu tio, meu querido! – disse sem respirar.

– Agradecido, mas acho que não ocuparei tanto espaço em sua residência, Madame Gengykar. – disse – prometo que irei dividir as minhas economias com as despesas da casa.

– Ah não se preocupe, meu querido! – disse ela fazendo outro carinho em minha bochecha como se fosse mais um de seus netos. Observei Spencer e seu olhar de ciúmes.

– Bem, acho que eu e Spencer precisamos cumprir nosso turno na muralha! – digo olhando ao visor do medidor de luz que agora estava em caminho a 7/7 (1).

– Meu querido, tem certeza que não quer descansar mais um pouco? – perguntou Madame com olhar de preocupação – o enterro do seu tio será amanhã pelo dia, tenho certeza que a vigília irá entender a sua falta!

– Vovó, o deixa servir! – disse Spencer, já se levantando para se arrumar, caminhando em direção ao seu quarto.

– Não tudo bem! Irei ao enterro do meu tio amanhã, mas acho que não será bom, fica lamentando mais ainda! – disse.

– Tudo bem meu querido! Spencer! – ela gritou ao ver do corredor o neto pegando uma toalha – deixe o nosso hóspede tomar banho primeiro, ele é nosso convidado!

Spencer olhou para nós em choque, mesmo triste, aquele foi a primeira vez que exibi um sorriso, como nunca conheci a Madame Gengykar antes?

Notas finais
Incentive, leia e divirta-se. Chegou ao final deste capítulo? Então comente... você estimula-rá o autor a continuar.