Steamchronicles: Na Pista Do Dragão
2 Monstros no Crystal Palace
25 de Maio de 1892. Londres, Inglaterra.
Quando Thomas H. Mayne saiu de casa logo pela manhã, ele tinha a absoluta certeza de que aquele seria um grande dia, mas não exatamente pelos mesmos motivos que se seguiram.
Colocou a sua melhor roupa. O fraque e a casaca preta foram presente de Sr. Hobbes, seu vizinho alfaiate. O colete era de seu irmão Timothy, que depois de voltar de sua última expedição com o exército, passou a compartilhar as mesmas medidas que Thomas. Os sapatos o rapaz passara a noite toda lustrando e só se deu por satisfeito quando conseguiu ver o seu reflexo sorridente no calçado bicolor. Ele havia esperado e ansiado por aquele domingo de maio o ano inteiro. Todo o seu trabalho duro de meses seria finalmente notado e recompensado.
Era a 5ª edição da Grande Exposição Dos Trabalhos Da Indústria De Todas As Nações, um evento de caráter global onde cientistas, artistas, comerciantes e industriais se reuniam a cada dez anos para celebrar os avanços tecnológicos ao redor do planeta.
Aquela seria a primeira Grande Exposição da vida de Thomas, graças ao seu talento, tanto na arte sofisticada da compreensão de relações mecânicas e matemáticas quanto em um de seus mais notáveis predicados, a lábia, que o colocou sem muitos problemas na exposição com direito a uma tenda em um ponto incrivelmente privilegiado para um jovem como ele: somente vinte metros de distância da sessão do grande inventor Charles Babbage.
Sua carruagem estava pronta há alguns minutos. Se dera ao luxo de alugar uma para aquele dia. Não sairia quase nada para bem dizer a verdade; Thomas ficaria devendo uma garrafa de uísque para seu amigo Silas, o cocheiro.
— Estamos às portas de um novo século, meu caro Thomas! – o homem rechonchudo e de uma grossa barba escura soltou logo quando Mayne pusera os pés na carruagem. – E nada melhor do que começar uma bela manhã como esta sentindo o aroma de um futuro brilhante e próspero no ar.
— Eu só sinto cheiro de carvão queimando. – Thomas torceu o nariz quando percebeu o fedor forte das ruas que o atingiu em cheio.
— Exato! – Silas continuou empolgado. – Este é o fedor do progresso! O cheiro das engrenagens do mundo à todo o vapor, se me permite o pobre trocadilho. E pelos saiotes da majestade, Thomas, você melhor do que eu deveria saber disso. És um homem da ciência, não é mesmo? Pois então. Ciencie com mais entusiasmo!
O rapaz achava engraçado o jeito com que Silas encarava certos assuntos. Era um homem já de certa idade, mas com uma mente aberta e interessada em tudo o que era novo. O cocheiro até havia comentado sobre uma novidade que “talvez mudaria o nosso jeito de ver o mundo”, palavras dele. Uma carruagem movida apenas à vapor, sem a ajuda de animais. Algo que soara absurdo aos ouvidos de Thomas naquela hora, mas sinceramente não tanto, quando refletiu sobre aquilo mais tarde.
— Eu ainda gosto de manter meus pés no chão, meu amigo. – Thomas disse sorridente, observando a agitada manhã das pessoas do lado de fora da carruagem já em movimento. – Mas eu juro que estou realmente entusiasmado com o dia de hoje! Só não sei como demonstrar isso, exceto por esse sorriso estranho que não se desprende do meu rosto por nada nesse mundo.
Foi então que Thomas ouviu o barulho do cascos dos cavalos chocando com o chão de pedra, quando Silas freou a carruagem bruscamente. O rapaz olhou novamente pela janela, e percebeu que estavam parados no meio do que reconheceu ser a Bond Street. Ótimo. Ele se pôs logo a imaginar algum provável incidente à frente, porém quando Silas entrou na carruagem segurando um vinho estrangeiro nas mãos, Thomas acabou por soltar uma gargalhada que parecia não dar há anos.
— Ainda temos tempo de sobra para um brinde em homenagem à Grande Exposição Dos Trabalhos Da Indústria De Todas As Nações, meu caro amigo. – o cocheiro bradou enquando abria a garrafa sem nenhum cuidado.
— Uma demonstração de entusiasmo convincente. Agradeço, Silas. – Mayne disse enquanto fazia um gesto cavalheiroso por primeiro, para logo depois tomar as pressas das mãos do velho amigo o vinho, golando a bebida direto do gargalo.
Uma garrafa de vinho e quarenta minutos de trajeto depois, ao chegar no Crystal Palace, Thomas quase não reconheceu a estrutura como a qual o seu tio sempre lhe falava. Ele havia dito que era um lugar enorme, mas seus olhos nunca viram algo daquela plenitude para se contentar apenas um raso “enorme”. Era gigantesco, belo demais para se descrever. E havia tanta gente! Milhares, Thomas imaginou. Observou ingleses e estrangeiros fumando seus charutos em meio à conversas calorosas, crianças de todos os tamanhos e idades divertindo na grama verde da entrada do Palácio, mulheres e moças bem aprumadas e contentes como se estivessem em um baile de gala, carruagens e mais carruagens formando um pequeno caos bonito de se ver. E isso era apenas o lado de fora. O lado de dentro era o que realmente interessava, e Thomas já estava encantado muito antes.
Cambaleou um pouco ao saltar da carruagem, recebendo um riso rouco de seu amigo Silas como resposta, e já o culpou pela sua leve embriagues. Havia algo de especial naquele vinho que o deixara mais leve do que os outros vinhos normais geralmente o deixavam. O rapaz questionou o cocheiro a respeito disso, que se limitou a rir novamente.
— O meu vinho não tem nada a ver com isso, Thomas. – e estalou as rédeas do cavalo, dando meia volta e seguindo para fora daquela grande e bela confusão.
O rapaz ajeitou o fraque no corpo e tirou a cartola antes de seguir e adentrar no lugar em que mais sonhara em todos os seus anos de vida. No caminho até a porta principal do Crystal Palace observou algumas moças cochicharem e darem risinhos fogosos ao vê-lo passar, e por pouco não se segurou em ir trocar algumas palavras com uma moça de cabelos alourados que não tirava os olhos de si. Mas ainda não havia álcool o suficiente em suas veias para que pudesse se sujeitar a trocar algumas palavras com damas da alta sociedade como aquelas. Mayne sabia de suas limitações.
— Thomas! Graças a Deus! – o jovem rapaz escutou a voz de um homem gritar quando estava prestes a entrar pela grande porta adornada por cristais e aço polido. Observou a figura correr em sua direção, exasperado e ofegante.
Era Lorde Miles. O homem que fora o primeiro a dar um voto de confiança ao seu trabalho, quando Mayne tinha apenas quatorze anos. Grande responsável por financiar suas pesquisas e estudos, Lorde Miles era um homem de muito dinheiro sem um bom uso.
Viúvo e sem herdeiros, Miles sempre procurava em garotos talentosos como Thomas motivos para poder colocar a sua fortuna em movimento. E mesmo depois de todos aqueles anos, Thomas ainda não havia se acostumado com tantos mimos da parte do afortunado Lorde.
— O que aconteceu? Você está pálido como uma folha de papel, senhor. – o rapaz nunca havia o visto tão desesperado como daquela forma em que ele se encontrava ali.
— Estou apavorado, meu rapaz. Apavorado! – completou, desafrouxando a gravata de seu pescoço e enxugando o suor de suas têmporas com a mesma.
— Fique calmo senhor, e me explique o que está acontecendo exatamente.
— Foram aqueles... Aqueles monstros! – o homem disse sussurrando, mas mesmo assim já havia chamado atenção de gente o bastante do lado de fora do Palácio. Prosseguiu, ainda falando baixo. — Eles vieram atrás de você, meu jovem!
— De mim? – Thomas estranhou e ficou ainda mais preocupado. Todo o álcool de seu corpo parecia ter evaporado. – Que tipo de monstro, pelos deuses estaria atrás de mim?
— Eu disse que você ainda não havia chegado. E bom, certamente que eles não pareceram muito contentes com a minha resposta.
— O que eles fizeram para o senhor? Eles o feriram? – Thomas começou a procurar por hematomas pelo rosto de Lorde Miles, que logo se afastou.
— Oh não, não me feriram fisicamente. Mas o que aquela mulher, se é que eu posso chamar aquela figura enviada das trevas de mulher disse... oh Thomas. Fiquei apavorado como um garotinho!
— Leve-me até eles, senhor.
Os dois seguiram em meio à multidão infinita de pessoas até o que Thomas imaginou ser o escritório de Lorde Miles, aos fundos do Palácio. Thomas estava preocupado demais com o que acontecera ao seu tutor para prestar atenção na infinidade de coisas interessantes que estavam por toda a parte à mostra na exposição. Caminharam por mais alguns minutos até que avistaram a porta da pequena sala. Thomas exitou por um momento antes de adentrar, então Lorde Miles se adiantou por ele, girando a maçaneta dourada por si mesmo.
E não era exatamente esse tipo de recepção que Thomas esperava ao chegar por lá.
Eram três os tais monstros. Um velho, um homem imenso e uma senhorita.
— Thomas Hussel Mayne? – quem quebrara o silêncio fora a mulher ruiva, alisando com uma mão o seu pomposo vestido azul-celeste que saltava aos olhos, acompanhado de um gesto delicado ao tragar seu sobranie também azul com a outra, que acabara por deixar um odor suave de tabaco por todo o cubículo. Era bonita, mas emanava um alerta de perigo a Mayne por todas as suas curvas bem desenhadas.
Thomas apenas acenou com a cabeça, e observou o velho abrir a boca, mas não soltar nenhum som no fim das contas.
A sala era pequena e modesta. Modesta até demais para alguém como Lorde Miles. Thomas estranhou. As estantes de madeira escura e envelhecida cheias de livros velhos ocupavam a maior parte do cômodo. A mesa bem organizada e quase vazia tratava do resto do espaço. Havia um cheiro de mofo forte no lugar, mas a fumaça do cigarro da moça ruiva encobria-o quase que por inteiro.
— Deixe-nos a sós, Miles. – o homem de pele acobreada, que Thomas também imaginou que ultrapassava facilmente os dois metros de altura, ordenou em uma voz calma. – Dez minutos serão suficientes.
Miles se retirou, porém não antes de pedir para Thomas o avisar prontamente com um grito de socorro caso a situação se complicasse. Ele iria atrás da polícia logo que saiu às pressas de seu próprio escritório.
— Então você é o tal reckoner? – as palavras saíram dos lábios da mulher ruiva juntamente com um sorriso debochado. Thomas se freou mentalmente antes de fazer uma careta em reprova.
Seu tio Anthony tinha aversão àquela palavra. Reckoner. Certa vez Thomas havia se autodenominado daquela forma sem querer, perto demais dos ouvidos de seu tio e por uma mera questão de bons reflexos conseguiu desviar de uma chave de fenda que atravessara toda a oficina na direção de sua cabeça. Para seu tio aquilo soava como algo imoral, quase obsceno. Provavelmente pelo motivo de ser frequentemente usada para se referir a pessoas que prestavam serviços ilícitos e contra as leis dentro do submundo tecnocientífico. Ele preferia o termo programador. Um programador não precisava se sujeitar a trabalhos sujos de gente desonesta, um programador apenas se suja quando há graxa demais em seus instrumentos de trabalho. Um programador era honrado.
Mas aqueles três não pareciam estar atrás de uma demonstração de moralidade, muito longe disso. E mesmo assim, talvez Thomas não soubesse bem como demonstrar tal coisa.
— Ouvi dizer que sou. – forçou um sorriso. – Mas tudo depende de quem está interessado.
A ruiva suspirou, soltando mais uma nuvem de fumaça pelos lábios finos.
— Posso apenas adiantar que o interessado paga muito bem. – insinuante, mas Thomas Mayne não se deixaria levar.
— O que querem de mim? – Thomas arqueou uma das sobrancelhas, inquisitor.
— Queremos que você faça o que sabe de melhor. – a ruiva prosseguiu. – Queremos você construa uma máquina.
Thomas estava inquieto. Não se lembrara de quando havia ficado tão tenso em uma situação antes além daquela. Aqueles três certamente não pareciam nada como os monstros que Lorde Miles pintara para si do lado de fora do palácio, mas também eram de longe pessoas com quem ele se sentiria confortável em dividir uma sala tão pequena como aquela. O clima estava pesado, e a fumaça do interminável sobranie azul da mulher havia passado de agradável para sufocante em uma questão de minutos.
— Parece-me jovem demais. – o homem grisalho se pronunciou pela primeira vez desde que Thomas colocou os pés naquela saleta. O velho, de roupas que pareciam mais velhas do que ele estava sentado folgadamente na cadeira que pertencia ao Lorde, apenas coçou o nariz e apontou para o rosto de Thomas. – Olhe só Hank, mal tem pelos nessa cara. – os três intrusos riram. — Afinal, quantos anos tem, meu jovem reckoner?
— Dezoito. – Thomas respondeu à contragosto depois de deixar um silêncio pairar, mostrando-se cada vez mais desconfortável.
— Garantiram-me que ele é o melhor para o trabalho. – o grandalhão, que Thomas deduziu ser o tal Hank confirmou, e pareceu bastar para os outros dois que se entreolharam de uma forma complexa demais para o entendimento do jovem programador, deixando um Thomas ainda mais curioso do que antes. — Garantiram-me também que ele aceitaria nossas condições.
— Ninguém garante nada por mim a não ser eu mesmo. – já estava farto de todo aquele jogo e das palavras atravessadas e cruzadas, então não teve medo de soar um pouco mais grosseiro naquele momento. Não sabia quem o recomendara, não sabia quem eram aqueles três ou o quão perigosos eles poderiam ser, não sabia o porquê de não estar aproveitando o que seria o melhor dia de todo o seu ano. Se tinha uma coisa que Thomas odiava, era não saber das coisas quando mais precisava.
— Rapaz esperto. – a ruiva comentou, repousando a sua delicada piteira na mesa de Miles ao seu lado. – Porém não tão esperto para se limitar a falar apenas quando lhe for solicitado.
— O que vocês querem de mim? – Thomas tornou a repetir, já com sua paciência e calma se esvaindo. – E que diabos vocês fizeram para Lorde Miles? O pobre homem estava consternado quando me encontrou minutos atrás.
— Não tocamos em nenhum fio de cabelo do seu precioso Lorde, rapaz. – a mulher disse, desdenhosa. – Eu apenas aproveitei o momento para questioná-lo a respeito de algumas... verdades que ele se recusa a ouvir há anos. Mas não foi para falar do bem-estar daquele patife que viemos até aqui.
— Temos uma proposta para você. – Hank disse, com um certo entusiasmo na voz.
— Não estou interessado. – Thomas respondeu quase automaticamente. O grandalhão soltou uma gargalhada estrondosa.
— E nem sequer ouviu o que temos a dizer! – o homem comentou com os outros, ainda rindo como se tivesse ganhado uma aposta por conta daquela resposta tão automática de Thomas.
— Já disseram muito. E não disseram nada. – Thomas estava firme em suas palavras, pelo menos na aparência. – Eu não sou o reckoner que procuram. Não construo máquinas ou seja lá o que for para pessoas como vocês.
— Pessoas como nós? – o velho levantou-se da cadeira e se aproximou, não mais mantendo o semblante calmo de antes. Aquele homem conseguiu fazer com que Thomas desse um passo para trás, ainda que discretamente, ao procurar manter uma distância segura. O rapaz pode observar que o homem mancava do pé esquerdo enquanto caminhava até ele. E que também não era tão velho assim olhando com mais atenção. Aquela expressão dura e cansada em sua face não eram só da idade. Tinha algo muito mais profundo no rosto daquele homem que Thomas novamente não fazia a menor ideia de como identificar. Sua curiosidade fora despertada. Gostaria de saber da história daquelas pessoas, de como eles chegaram à ele, e por que eles o consideravam o melhor para sabe-se lá o que ele serviria. – O que você sabe sobre pessoas como nós? – o homem prosseguiu irritadiço, franzindo o cenho e fazendo Mayne vacilar com o olhar.
— Pessoas como nós não costumam dar segundas oportunidades. – o homem alto completou, colocando uma das mãos sobre o ombro do velho, calmamente o trazendo de volta para a cadeira almofadada de Miles. Thomas agradeceu internamente por aquela interferência, mas ainda assim se sentiu em condições voltar a enfrentá-los.
— Então quer dizer que isso é uma oportunidade? Achei que ameaça estava muito mais de acordo com as suas atitudes.
— Mayne. Apenas nos ouça antes de descartar essa chance ao vento, sim? – a mulher pediu com calma, juntando as duas mãos e as repousando sob seu abdome. – Garanto que a sua recompensa será boa o suficiente para manter você, seus estudos e todas as despesas de suas outras duas ou três gerações futuras. Garanto, rapaz.
Thomas ponderou. O exagero da mulher ao falar do dinheiro não passou despercebido por ele, até por que Thomas não conseguiu encarar aquilo como uma mentira. Ela poderia muito bem estar falando a verdade, e por mais estranho que parecesse, ele ainda não havia notado qualquer intensão de falsas verdades nas palavras daquela moça. Ou mesmo nas dos outros dois presentes.
— Thomas apenas basta. – disse à mulher, e consequentemente aos outros dois estranhos.
— Ethel Greene. – a ruiva apenas maneou a cabeça.
— Henry J. Kirby. – o gradalhão foi o segundo a se apresentar. – Me chamam Hank, e Hank também basta.
Thomas esperou que o homem velho se apresentasse, mas ao invés disso, ele apenas se aproximou novamente, fazendo Thomas temer por sua vida por mais uma vez naquela manhã. Enquanto o seu olhar acompanhava o velho mancar até onde ele estava, dessa vez Thomas não conseguiu se mover nem por um centímetro.
E quando o velho estendeu a mão a Thomas, o mesmo demorou um tempo para entender o que aquele gesto significava. Era muito mais do que um aperto de mão educado. Havia um acordo implícito e muito bem escondido por trás de tudo aquele ritual. Thomas sabia muito bem que quando aquele aperto de mão se desfizesse, estaria de alguma forma brutalmente envolvido com o que aqueles três estranhos, que na sua cabeça passaram de monstros à seres deveras interessantes em uma questão de minutos.
— Reverendo Jesse para você, meu jovem. – o homem disse sorrindo pela primeira vez, ao passo que apertava firmemente a mão de Thomas, que retribuiu o sorriso quase que instantaneamente.
O reckoner por um momento se perdeu nos olhos azuis e cansados daquele senhor misterioso, e se esqueceu de que tudo o que se passava fora daquela sala.
— Irei ouvir a tal proposta, Hank. Ethel. Reverendo. – observou um a um, se perguntando internamente o que seu amigo Silas diria naquele momento. Pensou no cocheiro por que o mesmo sempre tinha um bom conselho guardado na manga, e sempre parecia usar nas melhores horas. E então prosseguiu. — Mas já adianto e quero que saibam que dinheiro algum desse mundo me fará construir alguma coisa que eu não me sinta cem por cento envolvido e completamente ciente do que trata e de todos os seus fins.
— Ah, mas você se envolverá, Thomas. – o velho garantiu. – E saberá de tudo, e isso eu lhe prometo. Saberá de tudo e sentirá o gosto da verdade até quando esse se tornar insuportável.
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