Steam Society

5 Viva livre ou Morra


No dia seguinte, Nolan acordou assustado. Sonhou com sua casa sendo invadida, sonhou com seu Pai lutando e sonhou que não pode ser capaz de proteger as pessoas que ama.

Ele se levantou no meio da noite e ficou sentado na beira da cama, pensando sobre o pesadelo. Conseguia ouvir de onde estava a respiração de Luna. Ele se levantou e foi em direção á saída do quarto. Abriu a porta devagar para não fazer barulho, e desceu as escadas na ponta dos pés. Chegou até a saída da casa, pegou um sobretudo, uma cartola e sua Sfence, e saiu para fora de casa.

As ruas de Eton de madrugada eram pacificas. Nenhum guarda nenhum criminoso, nem ao menos ratos. Apenas uma coisa chamou a atenção de Nolan. Uma silhueta perto da praça central. Uma única pessoa em meio a imensidão escura da madrugada. Nolan se aproximou com cautela para ver quem era. Se aproximou beirando esquinas e as paredes. Quando se aproximou bastante, Nolan se surpreendeu.

–Olá, Nolan – Disse a pessoa.

–Eu te conheço?

–Hahhahaha, Sou eu. Cruzz!

–Hã? Cruzz? O que está fazendo aqui?

–Eu sofro de “Insônia” e vim dar uma volta. E você?

–Eu....tive um pesadelo.

–Como foi ele?

–Eu... estava na minha vila, no momento em que ela foi atacada.

–Você é o engenheiro prodígio, não é?

–Tá tão na cara assim?

–Sim, é um pouco evidente.

–Isso não é nada bom.

–Por que?

–EU corro o risco de ser procurado por eles.

–“Eles”?

–Sim. A realeza. Eles podem estar me procurando.

–Pelo o que você fez? Ajudar vários de sua vila?

–Exato. Eles não admitem que alguém tenha autonomia. Querem que nós sejamos escravos deles.

–Isso é bem cruel.

–Sim, E agora....eu devo estar com a cabeça a prêmio.

–“Nolan, O engenheiro prodígio”. Isso parece bem legal.

–É. Tirando a parte que eu posso morrer.

–Retiro o que disse...Isso não tem nada de legal.

–Eu preciso sair daqui.

–Para onde você vai?

–......

–Infelizmente somos apenas jovens, Nolan.

–E dai? Eu tenho que fazer algo....Eu admito, Estava com medo. Mas agora eu preciso lutar.

–Só não faça nada de estúpido, cara.

–Não se preocupe.

–Bem, Eu vou indo nessa. Tenho uns 3 quadros encomendados para amanhã.

–Até mais.

Nolan ficou ali na praça, sentado, sozinho. Apenas pensando, em como um garoto de 14 anos, sozinho, iria enfrentar todo um exercito da realeza. Depois de minutos sozinho, ele se levanta e vai caminhando lentamente até a casa de Don. Entra devagar, guarda sua cartola e, sobretudo, sobe as escadas e deita na cama. Como se nada tivesse acontecido.

No dia seguinte, Nolan acorda. Toma café. Troca de roupa. Mesma rotina. Mesma chatice.

Nada parecia animá-lo, apenas os sorrisos de Nora e Luna. Passou o dia inteiro trancado na oficina, treinando e treinando. Don mostrou á ele e Luna uma área de treinamento de combate, Com bonecos de palha e uma grande arena para treino.

Os dois passaram horas ali, treinando ambos, com seu bastão e espada. Lutando entre eles. Lutando com os bonecos. Nolan ficou admirado com Luna, Apesar de uma garota riquinha e inocente, ela tinha uma habilidade inigualável. Leve, rápida e mortal, Nolan sabia que ali, nascia uma grande companheira. Já Nolan? Bem... Ele tinha talento, mas não o necessário.

Por várias vezes, deixou não conseguia dar um golpe letal em um dos bonecos, seu bastão simplesmente escorregava de sua mão, e tinha mal jeito ao brandi-lo, mesmo sendo de um material leve.

–Aah que merda!

Nolan irritado atirou seu bastão, que com a lâmina foice decapitou um dos bonecos de palha.

–Ei Nol, Calma. Você está indo bem.

–Não é o suficiente......Nunca é o suficiente.

–Relaxa, Você vai melhorar. Eu vou te ajudar.

–Obrigado, Lu.

Nolan pegou seu bastão e voltou a treinar, com mais determinação.

–Ei,Ei,Ei Crianças! Pausa pro suquinho!

Don entrou na oficina com uma bandeja trazendo dois copos .

–Querem um refresco?

–Não, valeu Don.

–Obrigada.

–Hm... Sobra mais pra mim.

Don colocou a bandeja na mesa e se sentou, ficou apenas observando os dois lutando. Nolan precisava de um pouco mais de prática, e Luna, estava indo perfeitamente bem. Talvez seja por que sua arma é mais fácil de usar, Ou, Ela tenha nascido para isso.

–Crianças, hora do descanso!

–Não... Só mais uma hora.

–Vocês estão trancados aqui por 5 horas.

–Foi pouco tempo. Não conseguimos melhorar em nada.

–Vão descansar! Vocês não podem se sobrecarregar.

–Ah...Ok.

Os dois saíram da oficina ouvindo Don resmungando:

–Não acredito que deixei uma garota entrar na minha oficina!

Nolan e Luna descansaram o resto do dia inteiro. Comeram, tomaram banho e brincaram com Nora. Foram dormir exaustos.

No meio da madrugada, Nolan é acordado por alguém. Era Don, Em pânico.

–Nolan! Acorda! AGORA!

–Hã? Djon? O gue voze faz agui?

–Você não tem muito tempo! Os imperiais estão te procurando na cidade!

–Hã? O QUE?

–Sim, eles seguiram seu rastro. Saia dessa cidade agora!

–Grr...Que merda. Não posso......minha mãe e...

–Elas vão ficar bem! Eu tenho fontes, e elas dizem que apenas você está sendo procurado. Vá Nolan, Não se preocupe com elas.

–Para onde?

–Para a cidade mais longe possível! Desapareça desse país.

–Ok, só me deixe pegar minhas coisas.

Nolan levantou-se rápido e começou a guardar roupas e utensílios em sua mochila. Nisso, Luna acordou.

–Ei Nol, Por que a pressa?

–Eles me acharam.

–Quem?

–O império me achou!

–Ah meu deus, Nol! Você vai fugir?

–Sim!

–Sozinho?

–Sim!

–Não!

–O que?

Nolan parou tudo o que estava fazendo e fitou Luna

–Disse algo de errado?

–Sim! Claro! Você acabou de dizer que quer vir comigo.

–Então...

–Isso é loucura!

–Tarde demais.

–O que?

–Eu já previ que uma hora ou outra você teria que fugir as pressas. Eu deixo minha mochila pronta pra isso desde então.

–Aaa....V-Você me assusta....

–Vamos logo!

–Don tem uma porta dos fundos lá em baixo. Podemos sair por ali e pegar a estrada mais próxima.

–Estrada? Não. É mais fácil de ser visto. Vamos pelos campos e florestas.

–Ok. Vamos.

Os dois desceram as escadas em silêncio e o mais rápido possível. Passaram pelas portas dos fundos que dava diretamente a uma das saídas da cidade. Saíram pelo portão de saída e se perderam no meio das arvores.

Depois de correr quilômetros, os dois pararam em uma área aberta da floresta e descansaram. Nolan estava em choque, Qualquer barulho nas arvores e arbustos que ouvia ele já segurava firme sua Sfence. Luna sempre tentava acalma-lo, mas ela estava do mesmo jeito. Até que os dois ouvem barulhos nos arbustos. A principio parecia um animal, mas o som ia cada vez mais ficando mais alto. Até que Nolan percebeu que era alguém. Sem pensar duas vezes, empunhou sua Sfence e ativou a foice.

Esperou.....

Passos mais pertos....

Esperou....

Mais pertos....

Nolan se aproximou da moita. Suas mãos tremiam, mas ele se sentia obrigado a fazer aquilo. Por ele, pela sua família. Por Luna.

–Quem está ai?

Ninguém respondeu.

Nolan em um movimento súbito brandiu sua foice e cortou o arbusto.

Folhas, Galhos e.....Tinta?

Quando Nolan viu quem era, mal pode acreditar. Cruzz, o jovem artista de Eton estava na moita.

–EI, NOLAN! O que pensa que esta fazendo?

–Cruzz? Ai meu deus! Descula cara.

–Hm...Sorte que não me acertou. Mas você me deve um vidro de tinta.

–Ok, Eu pago. Só não sei quando.....Aliás, O que você está fazendo aqui?

–Você foge da cidade sendo perseguido por caras da realeza e ainda leva contigo a filha de um dos soberanos da Inglaterra? Você achou mesmo que eu não iria participar?

–Não é uma brincadeira, cara.

–Eu sei, Por isso vim pronto para o pior.

–Com o que? Tinta?

–Eu peguei a arma do meu pai emprestada.

–Hã? Ah... Interessante.

–Hahahahah, E ai? Posso entrar na brincadeira?

–Ok, Ok. Você tá dentro. Mas vai pro final da fila.

–Ah...mas eu vou ter que ficar atrás dela?

–É por ordem de chegada.

–hahahah, Ok.

Os três conversaram um pouco, até parecia que nada de tudo aquilo tinha acontecido. Cruzz e Nolan se esforçaram para fazer uma fogueira, lá eles comeram carne e logo depois foram dormir.

No dia seguinte, Nolan acorda os dois cedo e já arruma as coisas para partir.

–O que? Mais já, cara? – Perguntou Cruzz ainda sonolento.

–Não podemos ficar no mesmo lugar por muito tempo.

–Ah sim....faz sentido.

–Para onde nós vamos – Disse Luna já em pé e pronta para partir.

–Não sei

–Nem faço ideia.

–Bem.... Eu conheço uma amiga que pode ajudar.

–E onde ela mora?

–Ai está o problema.....

–Onde, Luna?!

–Londres.

–O que?

–.....

–Ir direto á capital pode ser suicídio.

–Não podemos arriscar, galera.

–Esperem, garotos. Pensem bem....Eles sabem que, tirando eu, vocês são apenas citadinos humildes e sem futuro.

–Isso doeu.

–Direto no peito.

–Continuando...

–Quem em sã consciência iria pensar que dois citadinos humildes sem futuro...

–Ai....

–...Iriam a maior cidade da Inglaterra? Londres seria o ultimo local de busca deles.

–Hmm.....faz sentido.

–Mas Londres fica a 7h daqui.

–Deve ter uma ferrovia por aqui que leva diretamente á Londres.

–Trem?

–Isso.

–Vamos, Vamos! Eu nunca andei de trem.

–Ok, mas reserve um saco.

–Ué. Por quê?

–Vai entender.

Os três partiram até a estação mais próxima. Luna comprou passagens para os três, e todos entraram no gigante de ferro.

–Isso é demais.

–Calma, Nolan. Hahahahah, É só um trem.

–Ele foi projetado George Stephenson, um engenheiro genial.

–Hahahah, agora entendi o por que de tanta felicidade.

Os três se sentaram juntos, Nolan e Cruzz insistiram em ir na janela.

–Rapazes, é a primeira vez de vocês. Não acham melhor....

O trem começa a se mexer.

–AH MEU DEUS.

–VOU MORRER!

–Eu avisei...

–Para essa coisa, Luna!

–Calmas vocês se acostumam.

–Eu acho que vou.....

–AH NÃO! Toma, eu trouxe um saco.

Depois de muitos vômitos e gritos, os três chegaram a Londres, a cidade utópica.

A cidade era imensa, carruagens indo e vindo, pessoas andavam para lá e para cá sem parar, barulhos, vozes em todo o lugar. Uma digna cidade capital.

–Isso é gigante!

Nolan foi correndo em direção as lojas, e ficou admirando uma por uma. Loja de peixes, artesanatos, livros, açougue e até uma oficina. Tudo parecia tão evoluído, como se os três estivessem avançado no tempo.

–Rapazes, É por aqui.

Luna guiou os dois através de ruas movimentadas, onde os três se perdiam na multidão. Passaram por ruas pequenas e desertas, até chegar em uma rua escura e silenciosa.

–É aqui? – Disse Nolan com medo.

–Sim. É na ultima casa.

Em toda a rua só havia uma casa, ficava bem no final da rua sem saída, na parte mais escura e sombria dela. Os três foram em direção á essa casa devagar.

–Nem parece a mesma cidade.

–É como se eu estivesse em Windsor ou uma cidade menor ainda.

–Calma rapazes, Vocês vão gostar dela.

Chegaram até a porta da ultima casa, numero 616. Era uma casa roxa, com janelas e portas escuras. De dentro, se via uma fraca iluminação de velas. Um lugar perfeito para rituais.

Luna bateu na porta.

–Ellie? Está ai?

A porta se abriu do nada, rangendo alto.

–É....ela está. Venham comigo.

Luna entrou na casa devagar para não tropeçar em móveis pelo caminho.

–Ellie? Eu preciso de ajuda.

–Estou aqui no fundo.

A voz era calma e doce. Não aparentava ser de alguém maligno.

Os três chegaram ao último quarto. Era um quarto grande, com várias velas iluminando. No fundo, estava ela, Ellie, com um capuz sobre a cabeça e sentada em um tapete, possivelmente meditando.

–Ah, Ellie. Desculpa atrapalhar.

–Não se preocupe, Eu já estava no fim.

Ellie tirou o capuz, Era uma moça jovem, com cabelos curtos e escuros assim como seus olhos. Ela se levantou e cumprimentou Luna

–O que vieram fazer na cidade mais barulhenta do pais?

–Pedir ajuda á alguém que sabe o que fazer.

–Hm....Podem falar.

–Esses dois comigo se chamam Nolan e Cruzz. Nolan é o famoso “engenheiro prodígio de Windsor”

–Aah sim. Já ouvi falar.

–Eu sou tão famoso assim?

–Mais do que imagina.

–Continuando: Ele precisa de ajuda para vingar-se do império.

–Mexeu com gente grande? Gostei de você.

–Acredite, Não foi na intenção.

–E o que vai fazer agora?

Ellie agora parecia mais relaxada, menos sombria e assustadora, e muito mais amigável e simpática.

–Eu...pretendo derrubar esse reinado. Pretendo estabelecer justiça nesse reino.

De repente, Ellie se atira em Nolan e o abraça. Um abraço forte e duradouro.

–Hã? O que foi, Ellie?

–Ellie? O que está fazendo? – Disse Luna.

–Irei te ajudar, garoto......Nolan. Irei te ajudar a destruir esse mal.

–Haha, Sério? Tipo...assim do nada?

–Sim. Já falei que gostei do seu jeito?

–Eeeer.....já?

–Ok,Ok. Muito obrigada, Ellie. Agora.....Podemos ficar na sua casa um tempo?

–Ah, mais é claro. Seria um prazer tê-los comigo. Morar na casa mais isolada da cidade algumas vezes é meio triste.

–Achei que gostasse de solidão.

–Gosto. Mas não nego uma boa companhia.

–Haha, agora você tem três pessoas para te atrapalhar.

–É só não me atrapalhar nas meditações que tá tudo certo.

–Irei anotar isso. Anota ai, Cruzz.

–Anotado.

–Bem....vocês parecem cansados. Podem dormir um pouco se quiserem. Depois vocês dão uma volta pela cidade.

–Ah, seria ótimo descansar.

–Eu tenho dois quartos naquele corredor á esquerda. Vocês garotos podem ocupar um. Só não entrem no meu porão.

–Não devo perguntar o que tem no porão, né?

–Nem pense nisso.

–Okay!

Nolan e Cruzz correram para o quarto, um pouco aterrorizados. Um pouco contentes.

Era cedo quando os três se deitaram e exaustos e tudo aquilo, pegaram no sono. E lá se vai mais um dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.