WINDSOR, INGLATERRA, 1863

Nolan sai de seu armazém feliz, carregando um objeto cilíndrico grande, uma espécie de bastão.

Ao chegar em casa, sai gritando chamando seu pai.

–Pai! Ei, Pai eu consegui!

–Shh, Nola...Papai está doente – Disse sua irmãzinha que o encontrou no meio do corredor

–O-o que?

O jovem foi correndo pela casa tentando achar o pai. Ele estava nos fundos da casa, no quarto do casal. Ao chegar ao quarto, Nolan vê sua Mãe cabisbaixa e muito triste

–Pai... O que aconteceu?

–Filho....Argh...Estou bem...

– O que aconteceu, Pai?

–Foi só uma tontura de leve e....uma febre...estou melhorando.

Nolan olhou para sua mãe, esperando um olhar de confirmação para ter certeza que seu pai não estava mentindo. Ele estava dizendo a verdade.

–Pai,Eu fiz uma ferramenta....e eu acho que pode nos ajudar, ajudar toda a vila, e toda a Europa!

–Ferramenta? O que seria?

–Veja!

Nolan carregava um pequeno cilindro de diâmetro pequeno...mas ao apertar um botão, suas engrenagens interiores giram e o bastão se estende.

–Calma...ainda não terminei...

Apertando o mesmo botão, uma lâmina reta e afiada sai para fora em uma das extremidades do bastão.

–Uma lança...e agora...

Com outro botão, uma outra lâmina aparece, dessa vez era uma lâmina curva

–Uma foice....

–Com isso...

–Sim! O trabalho nas fazendas seria muito mais fácil, Pai!

–*Cof*.....Muito bem , filho. Isso pode ajudar em muito o nosso povo

–Obrigado, Pai....E este é só o começo!

O velho engenheiro estava muito feliz, seu filho, de apenas 14 anos, conseguiu produzir algo que ele não fez durante décadas.

Semanas se passaram, e todos os camponeses de Windsor agora usavam da criação de Nolan, Sfence Mk. I tinha sido um sucesso, a velocidade e eficiência da colheita de algodão e alimentos tinha sido dobrada sem o uso de nenhum combustível.

Porem, com tanta fama a “Maquina Milagrosa da família Interlock” se espalhou por toda a região, e gananciosos da capital vieram averiguar.

Era uma noite calma, Corujas iam e voltavam sendo os únicos barulhos naquela noite além do vento que batia nas arvores. De repente, um barulho estrondoso que se ouvia por toda a vila começou, eram as tropas do Rei. Eles vieram como uma tempestade, entrando em todas as casas da vila e tomando a Sfence de seus moradores. Até chegar na casa de Nolan...

–ABRAM A PORTA!

–Quem está ai? – Perguntou Sam

–Somos os guardas reais, viemos para... Confiscar seus pertences...

–Sfence... – Disse Nolan em desespero

Nolan correu para seu quarto e recolheu todas as 3 Sfence’s que tinha feito.

Os guardas arrombaram a porta e renderam Sam e Lídia.

–EI... Larguem eles! – Disse Nolan, com raiva nos olhos.

–E quem você pensa que é?

–Hm...só talvez o maior engenheiro dessa vila.

–Você fez a Maquina dos Interlock?

–Eu sou um legitimo Interlock....

–haha...o garoto tem coragem, escuta aqui: Nós não viemos confiscar sua maquina....viemos exterminar seus criadores

–P-por que fariam isso?

–Ordens reais...

–Ok...venham pegar elas.

–Bom garoto, quem sabe a gente poupa sua vida e vocês viram escravos...

Nolan estendeu a mão mostrando uma Sfence encolhida, quando um dos guardas se aproximou para pega-la algo acontece...

Risos...

Engrenagens girando...

Laminas rasgando o ar...

Sangue voando...

Gritos de dor...

Nolan apertou o botão e ativou o sistema retrátil de seu bastão, fincando sua lâmina na mão de um dos guardas. O outro guarda mais próximo se enfureceu e foi ataca-lo.

–Aaah, seu moleque maldito!

–Cuidado ai, cara!

Com o mesmo bastão preso na mão do guarda, Nolan apertou o segundo botão, ativando a lâmina foice e dilacerando a mão do segundo guarda. Nolan tirou a lâmina reta da mão do primeiro guarda que gritou de dor agonizando no chão, se virou para o terceiro e último e viu algo que detestou. O terceiro e mais importante dos guardas, General Miller, estava com sua espada encostada na garganta de sua mãe. Nolan se entregou, Não sabia o que fazer....Sua família era seu ponto fraco...

–Ok... Eu me rendo... Deixa eles em paz, eu fiz tudo isso sozinho!

–Ah, mas cadê toda a sua valentia, moleque? Você feriu gravemente 2 de meus homens e agora se rende?

–Foi instinto... Eu não queria fazer isso... Deixe eles irem...

–É uma pena...assim como a mão de meu soldado, a vida de seus parentes não volta atrás....

O general engatilhou sua arma e apontou para a cabeça de Lídia.

–Não! Mãe...

Nolan fechou os olhos... E ouviu um tiro... Ficou ali parado, com medo de abrir os olhos e ver algo que não desejasse. Quando abriu os olhos, viu sua mãe no chão em trauma, e ao seu lado, o General baleado no braço. Atrás deles estava seu Pai, O bom e velho Sam.

–Filho, pegue sua mãe e irmã e corra!

–Nora, Mãe! Corram agora!

–O que? Vá junto, Nolan!

–Eu... Não posso!

–Não seja idiota, eles iram nos matar se ficarmos aqui.

–Pai...

Nolan desabou em lágrimas...

–Filho, Você é jovem... Pode fazer muitas coisas ainda... Você pode mudar o mundo! Termine de fazer o que seu velho Pai não pode fazer.

–Mas... De que adiantaria se você não...

–Você tem sua irmã e sua mãe, a pequena Nora é muito nova para esse negócio de crises e politica... Cuide dela Nolan...

–Para onde nós vamos?

–Vá para Eton... É uma cidade aqui perto, chegando lá fale com Don.

–Você não vem, pai?

O velho se calou por um momento, como se fosse anunciar a morte de alguém...

–Vá logo, Nolan...

As tropas cada vez mais e mais se concentram perto da residência dos Interlock, enquanto o velho Sam espera por eles na porta, com apenas uma espada e pistola. Nolan, Nora e Lídia correram até o armazém da família para pegar seus pertences e usar o a passagem secreta de seu Pai.

–Nora... Mãe, vão à frente, eu vou dar uma olhada nos guardas...

Nolan espia pela porta do armazém e da de cara com um guarda. Assustado ele acaba gritando e chamando a atenção do soldado.

–Achei você, seu rato!

–Argh...vocês não cansam!

–EI, SOLDADOS, ACHEI O MOLEQUE!

Nolan no seu instinto maluco aperta o botão da lâmina reta e arremessa sua Sfence como uma lança que crava no peito do guarda que cai em silencio.

–Cara... Isso não é bom... Isso não é nada bom!

Nolan tranca as portas do armazém na esperança de parar os soldados.... garoto ingênuo...

–As portas estão trancadas! TRAGAM A PÓLVORA!

–Pólvora?!

Os soltados cercam o lugar de explosivos enquanto o pobre Nolan corre em direção à passagem secreta. Toda a oficina de seu Pai, agora, Cercada de explosivos. Nolan tenta abrir a porta da passagem com muita dificuldade, a porta era velha e enferrujada, Quando finalmente consegue passar pela entrada subterrânea, ouve os guardas gritando para demolir o lugar. Nolan mais desesperado do que nunca, agora, usa toda a sua força para fechar a porta subterrânea. Quando lhe faltava centímetros para estar totalmente fechada, os explosivos são acionados, todo o lugar vai para o ar. A explosão passou pelo espaço da porta, atingiu Nolan que caiu gravemente ferido ao chão. Indo aos poucos, perdendo mais e mais de sua consciência....até desmaiar.