Steal Your Heart AU

11 Convite & Convivência


Notas iniciais
Olááááááááááááááá, tudo bem com vocês? :) Cá estou eu com mais um capítulo de SYH pra vocês meus amados xuxus. Demorou um pouquinho, admito, mas o que importa é que estamos aqui, né não? Huehue :v Espero que gostem. Boa leitura! Capítulo postado dia 30/04/2018, ás 17:24.

Adrien

As duas semanas de detenção passaram tão rápido quanto os últimos dois meses na universidade. Estamos chegando no final de abril e logo as férias estariam batendo na nossa porta. O que, é claro, era uma ótima oportunidade para finalmente me esquecer de tudo aquilo que me fazia queimar neurônios à toa. Quer alguns detalhes dos meus problemas? 1) Não conseguia de jeito nenhum avançar algum passo com a Cheng e ela fazia o impossível para se desviar em tudo o que eu lançava na direção dela, 2) meu pai decidiu que minha agenda não estava lotada o suficiente com as aulas de esgrima, de piano e de chinês, então ele resolveu tirar boa parte da minha agenda de sessões de fotos e tentar me convencer de trabalhar com ele na empresa e pra piorar toda a situação 3) eu ainda precisava ter que lidar com Jacqueline. Alguns dias atrás, nós nos encontramos numa boate que eu adorava ir com Alex e nós acabamos conversando um tempinho. “Conversamos” muito até irmos pro meu apartamento e finalmente ficarmos como há muito tempo eu havia prometido a mim mesmo.

Música alta. Luzes piscando sem parar na pista de dança. Eu já sofrendo dos efeitos de muitas doses de uísque e provavelmente cheirando a álcool por alguns metros. A balada daquela noite estava bem agitada e eu mal consegui reconhecer Alex do outro lado do salão conversando com Chloé as alturas. Eu, Alex, a Bourgeios e a Gagnon havíamos combinado de sair depois da detenção de sexta-feira. Enquanto os dois pombinhos ficaram próximos do bar para beberem mais um pouco eu e Jacqueline decidimos dançar um pouco. Ela estava parecendo uma verdadeira deusa aquela noite: um vestido azul marinho particularmente pequeno demais para cobrir totalmente o seu corpo; os cabelos ondulados e soltos sobre os ombros, e não sei como, mas estava ainda mais bela do que de costume. Ou talvez fosse os meus olhos já meio embaçados que me deram essa impressão exagerada.

Titanium, do David Gueta feat. Si, começou a tocar assim que chegamos no centro da pista da boate. O que eu me lembro depois disso?

O beijo. O mesmo que eu tanto queria roubar de Jacqueline e que finalmente tinha conseguido. Depois disso vou deixar que vocês pensem no que aconteceu.

O problema é que agora eu simplesmente não quero mais nada com Jacqueline. Não me leve a mal, eu realmente queria pegar a espanhola desde o começo do ano – eu até mencionei isso -, mas é porque aquele desejo ardente que eu tinha por ela antes sumiu desde que eu conheci Marinette. Talvez seja o fato dela me negar tanto que eu ainda insisto em conquistá-la: ela não é nem um pouco atirada e oferecida como a melhor amiga da Chloé. Totalmente pelo contrário, ela é firme em não querer nada comigo.

Algo realmente impressionante com toda essa beleza em um corpinho só. Ela é louca por não me querer.

Eu ainda estava deitado na minha cama encarando o teto do meu quarto quando ouvi Nino me chamar do lado de fora do quarto. Olhei na direção onde deveria ter uma parede, mas no lugar dela grandes janelas iam do chão até o teto. Grossas nuvens cobriam o céu e deixavam o meu quarto bem escuro, quase precisando acender as lâmpadas do cômodo. Eu estava indisposto. Não conseguira dormir direito a noite pensando nisso tudo e no máximo descansara umas duas horas. Pensando bem, indisposto é muito pouco. Eu tava morrendo mesmo. Talvez foi por isso que Nino vendo que eu não respondi entrou no quarto sem nem bater de novo, quase me dando um susto daqueles.

— Tu tá surdo agora cara? – ele praticamente gritou e eu soltei um grunhido pra não falar um palavrão. Ele já estava pronto para ir pra universidade.

— Não, mas acho que você tá. – reclamei cobrindo meu rosto com travesseiro e tentando evitar uma conversa logo pela manhã. Ele estalou os beiços com sarcasmo. – Será que não dá pra você falar mais baixo não?

— Encheu a cara de novo pela madruga? – o ouvi indagar e joguei o travesseiro perto da porta para encará-lo. Ele pareceu um pouco surpreso. – Ok, eu acho que não foi isso dessa vez.

— Eu não consigo pensar no que aquele babaca do meu pai me impôs. Será que já não basta ter me trancado naquela universidade contra a minha vontade? – soltei me sentando na cama, irritado. Esfreguei os olhos contra a claridade repentina que quase me deixara cego. – Será que não basta estragar minha vida todo santo dia com regras pra tudo, desde o quanto de oxigênio que posso respirar por minuto até o que eu devo ou não comer? Cara, eu não tenho paz! Eu odeio a droga da minha vida! – gritei puxando meu cabelo com raiva. – Eu não tenho controle da minha própria cabeça, você sabe como é isso?! Eu não posso palpitar em nada da MINHA VIDA! – suspiro profundamente com raiva, impaciência e muita tristeza envolvidas.

— Eu posso não saber como é Adrien, nisso você tem razão. – Nino concordou comigo enquanto caminhava pelo quarto e pegava o travesseiro que eu havia jogado longe. – Mas pense por outro lado: existem pessoas que dariam tudo o que tem, até sua própria alma para estarem onde você está e terem metade do que você tem. Cara... Existe muita gente sofrendo coisa muito pior por ai, então ergue a cabeça e continua caminhando. Sei que em algum momento tudo isso vai mudar.

Levanto minha cabeça das mãos e o encaro por longos segundos. Tento acreditar naquelas palavras, mas é meio difícil dadas as circunstâncias que eu vivo. Tento não parecer tão desapontado quando não consigo disfarçar minha incredulidade de palavras tão bonitas do meu melhor amigo. Alex também era meu melhor amigo, mas era Nino que sempre me dava bons conselhos em geral na minha vida. Conselhos que eu realmente não tinha mais ninguém para me dar.

— Adrien. – ele me chamou, colocando o aglomerado de penas que eu havia jogado no chão encima da cama e segurando meu ombro. – Se precisar conversar pode contar comigo. Com Alex. Ou até mesmo o seu primo que lá comendo todas as suas panquecas favoritas do café da manhã.

— Ele tá fazendo o que? – questionei de repente acordando de vez. Me levantei num pulo e corri pro banheiro do meu quarto escovar os dentes. Como assim “as minhas panquecas”?! – Ele é doido é? E você não fez nada por quê? – indaguei com a boca cheia de espuma, indignado.

Ele simplesmente deu uma gargalhada levantando as mãos e foi e direção a porta. Traidor.

— Eu achei que você quisesse interferir pessoalmente. – disse antes de fechar a porta atrás de si e desaparecer no corredor do apartamento.

Olhei para a minha cara amassada e para as grossas olheiras que me acompanhavam já há não sei quantas noites. Dei um gemido preguiçoso e decidi tomar um banho pra ver se melhorava aquela expressão cansada que ameaçava estragar o meu dia. Eu ainda precisava fazer muitas coisas hoje. Precisava evitar uma conversa prolongada com Jacqueline – o que possivelmente nem precisaria de muito esforço, pois já imaginava que ela faria por si só -, aturar uma longa aula chata sobre tipos de costuras, medidas e roupas testes que estávamos vendo no módulo e o que me fez dar um pequeno sorriso pro vazio: irritar a Cheng. A professora disse que precisaríamos fazer peças de roupa masculinas teste para ver com o que teriam que trabalhar mais no curso e para a minha felicidade e para o azar da mestiça nós dois precisaríamos trabalhar juntos nisso. Tínhamos apenas alguns dias, no máximo até sexta-feira daquela incerta semana de início de maio.

A temperatura começava a aumentar e junto com ela as intensas chuvas de maio. Final da primavera. Logo o sol voltaria e tudo voltaria ao normal até agosto, quando o verão acabava. Mas por enquanto prefiro colocar minha costumeira calça jeans azul, minha camiseta preta e meus famosos All-Stars laranja. Por precaução coloquei meu casaco branco. Vai que o tempo dá uma de louco e esfria depois de chover, né?

Peguei minha mochila e a pendurei no ombro enquanto ia na direção da pequena área conectada na cozinha onde geralmente Mandy – a empregada que Nathalie, a secretária do meu pai que também cuidava da minha agenda, havia contratado para trabalhar no meu apartamento. Ela é muito legal, muito gente boa. Sempre a cumprimento com um beijo na bochecha. Apesar dela não ter nem cinquenta anos ela parece sempre um pouco mais séria do que realmente é. – preparava algumas panquecas extras pra mim quando os trastes vagabundos que eu tinha coragem de chamar de amigos comiam tudo. E falando neles, lá estão o bando de cornos batendo o maior papo entre si nas alturas. Minha cabeça chega até doer quando Alex finalmente me avista na porta.

— E ai, Adrikins, pensei que não vinha se juntar a nós, humildes miseráveis para o seu majestoso desjejum matinal! – ele praticamente gritou entre gargalhadas espalhafatosas. Revirei os olhos e cumprimentei Mandy que colocava meu prato costumeiro de panquecas e um café forte na mesa.

— Me lembre de anotar isso na sua ficha de despejo mais tarde. – replico o calando e fazendo meu primo rir descaradamente dele. Arqueei uma sobrancelha na direção do mesmo. – Você também viu Louis? Não pense que eu não fiquei sabendo que estava comendo as minhas panquecas premiadas da manhã. – acrescentei fazendo a mesa ficar em silêncio de repente.

— Eu apenas estava me servindo do que estava na mesa meu primo querido. – o moreno do mesmo sangue que eu rebateu, e eu balancei a cabeça pra fingir que ainda estava bravo com ele. – Ora essas Adrien, eu não tenho culpa se Mandy faz as melhores panquecas do mundo! Você devia dar um aumento pra ela só por isso!

Nino balançou a cabeça enquanto tomava um gole de café e se servia de algumas torradas. A mesa de café da manhã estava linda e eu sempre agradecia a Nathalie por ter escolhido aquela empregada/melhor cozinheira do mundo para cuidar de mim longe de sua vista. Mandy era maravilhosa demais pra cuidar de um bando de maloqueiros como nós.

— Você podia considerar esse fato mais tarde... Adrikins. – ele comentou com um sorrisinho travesso no final. Os outros dois trastes que estavam na mesa também riram e eu tive que segurar mais uma vez os palavrões que queriam sair por amor a Mandy.

— Eu estou muito bem com o que eu ganho do senhor Agreste meninos, parem de encher a paciência do nosso Adrikins aqui que ele não está de muito bom humor essa manhã, não é? – ela me indagou divertida, mas eu não pude deixar de sentir meu coração se partir.

— Merda Mandy, até você? – choraminguei fazendo beicinho e lhe lançando o olhar mais triste que consegui sustentar. Ela deu uma gargalhada e voltou até o seu trabalho enquanto os caras se levantavam da mesa pra pegar suas coisas e irmos logo pro Françoise Dupont. – Não acredito que esse apelido pegou tão facilmente. É ridículo.

— Realmente. – Alex concordou sorridente com o meu sofrimento.

— Mas é legal. – Louis complementou do mesmo jeito que o Zuberg. – É legal pra poder zoar com a tua cara.

— Ainda mais depois do seu último caso com a Gagnon. – Nino acrescentou enquanto abria a porta do apartamento. – Logo toda a facul vai te chamar assim também.

Reviro os olhos e sou o primeiro a sair de toda aquela zuação pesada. Chaves da minha Land Rover em mãos.

— Vão pro inferno. – gritei irritado com tal fato que teria que enfrentar.

Mais um você quer dizer.

***

Kattie

Quando eu cheguei na universidade naquela manhã Louis já estava lá, no mesmo lugar que eu adorava ficar: no banco próximo a “mini-floresta” que eu avistara na festa de boas-vindas dos calouros. Ele estava conversando com aquele garoto de cabelo azul da orientação do nosso primeiro dia de aula e pareciam se entender bem vistos de longe. Mordi o lábio, indecisa. Seria melhor eu ir até lá cumprimentá-lo ou esperar ele me ver e me chamar se quiser a minha companhia? Ah, como eu odeio me sentir incerta! Juro, odeio quando tenho que escolher entre duas coisas e só tenho uma chance!

Senti Mari cutucar meu ombro e quando me virei percebi que ela apontava para Alya conversando com Nino logo cedo. Eles pareciam bem apaixonados ou seria apenas impressão nossa?

— O que você acha? – minha melhor amiga perguntou baixo, enquanto nós duas tentávamos não parecer duas estranhas secando o casalzinho do outro lado do pátio. – Parece que o negócio tá ficando sério, não?

— É... Dois meses inteirinhos. – comentei, balançando a cabeça. – Ou esse cara gosta mesmo dela ou tá arrumando sarna pra se coçar (?) e é muito persistente.

— Acho que não. Tá mais para a primeira opção. – Marinette afirmou e dei ombros. – Será que finalmente Ay, a pegadora, irá desencalhar de vez e amarrar suas trouxas em Nino? Será que ela finalmente encontrou o cara de seus sonhos? Qual seu nome? De onde ele vem? Qual a receita para o relacionamento perfeito?

— Descubra hoje a noite, no Globo Repórter (?). – completei fingindo que havia um microfone em minha mão.

Olha, se você não quer passar vergonha não ande JAMAIS com nenhuma de nós três. Se antes ninguém não estava nem ai pra nós duas agora que a gente tinha pendurado uma melancia no pescoço mesmo! Todo mundo parou o que estava fazendo e olhou na nossa direção, até eles. Louis e aquele garoto de cabelo azul e com uma pintinha na testa olharam na minha direção com uma expressão engraçada, e, sério, eu posso apostar que corei um pouquinho. Tanto eu quanto Mari odiamos chamar a atenção dos outros pra nós. Sabe, ser o centro das atenções. Para minha surpresa — e total vergonha — ele deu um sorriso e acenou para que eu chegasse até lá.

— Vai lá Kat. – ouvi minha amiga incentivar baixinho. Olhei pra ela com os olhos arregalados, balançando a cabeça. – O que foi? Ele tá te chamando animal, não perde o seu homem não.

— Tá louca é mulher? Eu não posso simplesmente me entregar assim de bandeja pra qualquer um. – reclamei enrolando um dedo nos meus cabelos ruivos soltos e meio bagunçados. – E outra, você já se esqueceu da minha pulseira?

— Kattie O’Green volta pra realidade! Me diz em que mundo que você vai encontrar esse menino de novo? Será que você não tá sendo sonhadora demais amiga? Tipo, você nem sabe se ele vai cumprir essa promessa. Vocês eram crianças! – a morena de olhos azuis exclamou baixo e eu soltei um pequeno suspiro. – Siga o ditado: “Se a vida te dá limões...?

— “...Faça uma limonada.”. – completo cruzando os braços e olhando na direção dos garotos. Respiro fundo e assenti. Talvez Mari estivesse certa. – Eu vou lá.

— Ótimo. – ela deu palminhas alegres e arrumou a mochila nas costas. – Vou pra classe de design terminar os desenhos das peças teste que preciso fazer até o fim da semana. Nos vemos no intervalo e então você vai me contar tim-tim por tim-tim (?), captou? – sorri e lhe mostrei a língua.

Ela retribuiu o gesto e desapareceu rumo ao prédio que abrigava o curso de Design de Moda – com as ameaçadoras escadas até o quarto andar. Tentei andar o mais confiante que consegui sem deixar minhas mãos tremerem no pequeno percurso até onde eles estavam. Louis tinha um sorriso lindo de verdade, então toda vez que ele lançava um daquele na minha direção eu tentava não congelar de tão envergonhada que eu ficava. Como agora por exemplo. Contei até dez três vezes até chegar lá com o difícil desafio de sustentar aquele olhar castanho encantador. Ele realmente parecia bastante com o primo dele.

Os dois são gatos demais. Deve ser coisa de genética. Talvez o Diego saiba explicar mais tarde.

— Oi gente, e ai? – cumprimentei com um aceno e com o que tentei não passar de um sorriso simples – e não desesperado como eu reprimia pra dentro.

— Kat, quero lhe apresentar Duusu. – Louis disse apontando pro garoto mais velho. Ele se levantou e cara, ele tinha mesmo duas vezes a minha altura! – Duusu, esta é Kattie O’Green, a minha colega de turma que lhe falei.

Que falou pra ele... Será que?...

— Prazer Kattie, Louis e eu conversamos bastante sobre o seu desenvolvimento em parceria com o dele nas aulas de Biologia. Eu sou formado aqui na universidade em Ciências Biológicas e estou fazendo estágios para poder me especializar e Desenvolvimento Sustentável. Seu amigo estava tirando algumas dúvidas do curso comigo. – ele explicou com calma o que até me tranquilizou um pouco. Ele não estava falando sobre mim, estava falando de mim. – em que área você quer se especializar depois de cursar Biologia?

— Biodiversidade. – respondi ajeitando o cabelo para trás com graça. Bagunçado e frisado pra burro, mas ainda sim com graça. – Quero trabalhar na área sustentável também.

— É, você chegou a comentar isso comigo Kat. – o moreno ao meu lado disse e eu estreitei os olhos para ver se tinha entendido direito. Era isso mesmo que eu estava pensando produção? – Por isso eu estava conversando com o Duusu. Talvez ele possa te ajudar com um estágio futuro quando o curso acabar.

Olhei para Louis surpresa, para não dizer boquiaberta. Era o que eu estava pensando!

— Você está tentando garantir uma oportunidade de fazer o que eu gosto, é isso que eu entendi? – perguntei com cautela, temendo estar enganada. – O que você ganha com isso?

— Antes de tudo um sorriso sincero. – respondeu sorrindo sem mostrar os dentes. Mas ele acrescentou rapidamente. – Depois um jeito de você ser o que você quer fazer da vida.

O sinal da aula tocou, quebrando o meu rosto envergonhado em mil pedacinhos e me deixando atônita por alguns minutos. Ele estava começando a me sufocar por não desviar os olhos de mim. Me forcei a caminhar entre ambos em direção a sala de aula e me desviar desse assunto da maneira mais tranquila possível. Balbuciei um agradecimento para Duusu e ele logo se despediu dando a desculpa que precisava conversar com o diretor da universidade, desaparecendo pelas trilhas do Françoise Dupont. Eu acho que nem estava escutando direito, a única coisa que ainda sentia era o sangue correndo pelas minhas orelhas com velocidade. Senti meu estômago meio esquisito e rezei para não fosse o que eu estava pensando. Não podia me apaixonar. Não, ninguém nunca iria me suportar por tanto tempo. Não seria Louis o primeiro a fazer isso.

Seria?

— Kat, espera! – a sua voz soou a muitos quilômetros de distância enquanto eu continuei andando em direção ao prédio que começava a se aproximar. Senti um pequeno aperto no ombro e me virei ainda um pouco estática. – Ei, o que foi? Eu disse alguma coisa errada?

— Hã... Não! Não, não, claro que não!... – soltei nervosa, gesticulando com as mãos tentando não parecer muito com aquela paranoica da Marinette. Acho que não deu muito certo. – É que eu... Bem... – acho melhor eu ser sincera, né? — Eu não recebo muitos elogios de garotos como você.

— Garotos lindos, sarados e maravilhosos como eu? – ele indagou com um sorriso brincalhão, provavelmente me vendo um pouco desconfortável. Torci o nariz e revirei os olhos, agradecendo a Deus mentalmente por ter feito tal coisa. – Ora, se considere com muita sorte meu bem.

— Nem um pouco convencido não é senhor Yaosaka? – comentei com o mesmo sorriso. Ele deu uma gargalhada e deu um tapa no ar.

— Claro que não, sou a humildade em pessoa senhorita O’Green. – Louis respondeu e eu balancei a cabeça, sorrindo pro nada. – Tá passando mal ou é coisa sua sorrir pro vento?

— É que eu acho fofo. – soltei dando ombros. Ele pareceu ainda mais confuso.

— Eu? – questionou com um sorriso presunçoso. Senti meu rosto esquentar um pouco, mas decidi continuar na esportiva.

— Não! – exclamei, me arrependendo na mesma hora. – Quer dizer, também... Mas eu me refiro a esse jeito da gente conversar. Sabe, chamando o outro pelo sobrenome. – expliquei inclinando a cabeça enquanto atravessávamos as portas do prédio de Ciências Humanas. Agora foi a vez dele ficar um pouco vermelhinho. Ai meu Deus, como ele fica fofo com vergonha! Gargalhei. – Como disse, é fofo. – repeti enquanto caminhávamos em direção ao corredor principal, onde várias fileiras de armários com códigos se revelavam.

Coloquei a senha no meu cadeado e abri meu armário. Lá dentro havia boa parte do material que eu recebera naquele primeiro semestre; várias fotos grudadas nas paredes de metal minhas, das minhas melhores amigas e da minha família; alguns estojos de maquiagem que eu precisaria usar em casos de emergência e algumas bugigangas que eu havia jogado ali dentro REALMENTE necessárias. Peguei os cadernos da aula de hoje e rapidamente fechei como havia aberto um pedacinho da minha vida. Louis estava encostado no armário do lado me encarando como olhasse para aqueles quadros do Louvre. Arqueei uma sobrancelha.

— Tem alguma coisa no meu rosto? – indaguei preocupada. Ele jogou o pescoço pra trás e balançou a cabeça levemente.

— Tem razão. – ele disse e eu pude ver aqueles olhos castanhos brilharem rapidamente. – É muito fofo. Que nem você.

— Poupe-me dos seus comentários galanteadores do estilo Agreste. – disse começando a caminhar para nossa sala. Já devíamos estar atrasados e se demorássemos mais professora Aline não nos deixaríamos entrar na classe.

— Esse pedido eu posso atender, mas em troca você me deve a resposta de uma pergunta. – ele disse enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans azul marinho que combinava com o costumeiro casaco preto que usava assim como Adrien usava seu casaco branco. Pedi para que ele prosseguisse e ele deu um sorriso de canto. – Ouvi Nino comentar com o meu primo que iria levar Alya para um restaurante hoje a noite. Possivelmente sua amiga vai arrastar Marinette pra lá também, a pedido do Adrien para o Lahiffe. Será que você não prefere ir com a gente também ao invés de ficar sozinha em casa?

As palavras quase morreram na minha garganta senão fosse uma pequena dúvida na minha cabeça.

— E só por curiosidade, o que levaria o seu amigo e o seu primo a ir nesse restaurante? – perguntei estreitando os olhos. Ele coçou a nuca, envergonhado.

— Bem, acho que tirando as possíveis segundas intenções, o karaokê que tem lá. – ele disse me fazendo dar um sorriso largo como resposta. – Eu sei que pode parecer um pouco brega demais, e se você não quiser ir tudo bem, nós podemos fazer outra...

— Não, não. É uma ótima ideia, é claro que eu quero Louis. – me apressei em dizer segurando sua mão com um sorriso. – Vai ser brega incrível! – brinquei observando a multidão que estudava na nossa sala se apressando a entrar na classe antes que o segundo sinal tocasse.

— Damas primeiro. – indicou a porta e me guiou pela mão para lá. Sorri e ele logo entrou atrás de mim.

A aula não demorou a começar quando Aline entrou na sala e já começou a passar a matéria que precisávamos estudar, mas eu estava um pouco distraída – pra não dizer um montão – durante o resto do dia. Ele iria ao L’e Vent Souffle. Ele iria até lá não só porque era um dos melhores restaurantes de Paris e nem porque era o único restaurante que tinha karaokê, mas porque eu estaria lá também.

Ele vai até o L’e Vent Souffle hoje a noite. O cara que parece gostar de você vai até o restaurante mais badalado da cidade com você.

Não pude deixar de ficar um pouco preocupada. Por quê?

É claro que eu estaria lá.

Afinal... Aquele restaurante é meu.